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terça-feira, 14 de agosto de 2012

Roberto Jefferson: o novo Jiló

Por Marcelo Migliaccio — Blog Rio Acima

 A pose é de lutador de boxe, mas quem levou um socão no olho foi o Jefferson.
      Claudio Werner Polila era um obscuro dançarino dos inferninhos mais desqualificados da Praça Tiradentes e da Praça Mauá, redutos do baixíssimo clero boemio do Rio.

      No início dos anos 80, Werner foi catapultado ao posto de testemunha chave de um dos crimes que marcaram o fim da ditadura militar no Brasil, o caso Baumgarten. Alexandre von Baumgarten foi um jornalista que colaborou, e muito, com o regime dos generais mas, a certa altura, teria tentado chantagear a cúpula verde oliva, dizendo possuir um dossiê comprometedor contra membros do Serviço Nacional de Informações.

    Claro, Baumgarten foi eliminado com direito a todo o funesto protocolo da época. Seu corpo apareceu boiando numa das praias do Rio e, dias depois, entrou em cena o bailarino até então desconhecido. Um jornalista que precisava chegar com algo novo na redação assinou uma reportagem dizendo ter descoberto uma testemunha chave no caso, Polila, chamado no submundo que frequentava de Jiló.

    Jiló jurou ao repórter ter visto Baumgarten ser levado por homens sinistros no cais da Praça XV, quando saía para uma pescaria, hábito que cultivava havia anos.

Após denunciar o "mensalão", Jefferson tomou aquele soco na cara.
    E mais, Polila, ou Jiló, garantiu que um dos homens que comandava a operação clandestina de rapto era o então general Newton Cruz, que estava antipatizado por grande parte da população brasileira por ter comandado com mão de ferro as medidas de emergência instituídas pelos militares em Brasília quando a emenda das eleições diretas foi votada no Congresso. Entre outros arroubos de autoritarismo, Cruz galopou com seu cavalo branco pela Esplanada dos Ministérios dando chicotadas em carros de passeio.

      A palavra de Jiló virou verdade absoluta, mesmo um exame pedido pela defesa de Cruz tendo constatado que o bailarino enxergava muito mal no escuro. Cruz foi crucificado em vida e condenado pela mídia. Jiló, transformado em figurinha fácil nos programas de entrevista, chegou a se candidatar a deputado. Perdeu.

      Anos depois, Newton Cruz foi absolvido nos tribunais.

   Em abril deste ano, a revista Isto É publicou reportagem segundo a qual a morte de Baumgarten teria sido obra de dois outros militares, sem ligações com Cruz.

Demagogo, Jefferson faz da política um show tão ruim como o programa "O povo na TV".
       Agora, depois de muitos anos, vejo uma palavra valer tanto ou mais que a de Jiló. É a do deputado cassado Roberto Jefferson. Mas quem é esse homem, que, mesmo com suas contradições e sua falta de provas, foi eleito o senhor da verdade no processo do chamado mensalão?

     Pois o autor das bravatas que a grande imprensa engole sem mastigar é o ex-chefe da tropa de cheque que defendeu Fernando Collor de Melo até o último minuto antes do impeachment.

    É o ex-deputado que votou sempre contra os direitos dos trabalhadores na Assembleia Nacional Constituinte de 1988.

    É o político cujo afilhado foi flagrado colocando um maço de dinheiro no bolso num esquema de corrupção que tomou conta dos Correios.

     É o ex-advogado demagogo do programa O Povo na TV.

     É o parlamentar que discursou com revólver na cintura no plenário da Câmara.

OLHA O OLHO ROXO AÍ, GENTE!
      É o fanfarrão que primeiro disse que Lula não sabia de nada e que agora, na maior cara de pau, acusa o ex-presidente de ser o chefe da quadrilha que teria comprado aliados políticos com dinheiro de empréstimos feitos por bancos privados.

      É o homem que recebeu R$ 4 milhões no esquema que resolveu, de uma hora para outra, denunciar.

    E é o cara que levou um socão no olho um dia depois de denunciar o tal esquema, certamente de alguém com quem ele tem o rabo muito preso para não poder apontar. Sem graça, disse que foi apanhar um livro numa estante e o dito cujo caiu justamente em cima do seu olho que tudo vê.

     Jefferson é o novo Jiló. Quem quiser acreditar nele, que acredite.

    Que valor tem uma condenação ou uma absolvição dos acusados pelo mensalão no STF se o mesmo tribunal absolveu Collor, contra quem as evidências de corrupção eram muito mais fortes?

Roberto Jefferson foi pego com a mão na botija e a solução para ele foi tentar derrubar Lula em 2005.
       Corruptos têm que ser presos, seja de que partido forem (e os há em todas as siglas), mas o que se vê na imprensa em torno desse mensalão é uma gigantesca fanfarronice.

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