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quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Imprensa e o “mensalão”, Gurgel e Gilmar tem hora marcada com a verdade

Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre
                                foto correio braziliense
STF mostrará ao País que quem julga são os juízes e não os jornalistas.
      Roberto Gurgel, o prevaricador-geral da República, “deu” a sua “sentença” e não “leu” simplesmente o relatório que deveria ser a peça de acusação que ele apresentou no plenário do STF. Percebeu, entretanto, que sua vontade de acusar, denunciar, condenar e dar entrevistas para a imprensa golpista antes do julgamento, como ocorreu no decorrer deste semestre, está a se transformar em um frágil castelo de areia à beira das ondas do mar. A ação penal 470 chamada de "mensalão" jamais deveria ser usada como trunfo de uma imprensa que tomou a vez e o lugar da oposição ao governo e que se transformou em um partido político não oficial, mas que se torna público e ativo por intermédio de suas manchetes de conotação político-ideológica e de caráter francamente oposicionista.

         O procurador Gurgel, o Prevaricador, sentou em cima dos processos da Operação Monte Carlo da PF durante quase três anos. A operação investigou o senador cassado do DEM, Demóstenes Torres, o porta-voz do bicheiro Carlinhos Cachoeira, bem como o “procurador” dos interesses do criminoso tanto na esfera privada quanto na pública. Demóstenes, cria da imprensa burguesa de negócios privados, deixou de ser o arauto da moral, da ética e dos bons costumes e voltou a ser o que ele sempre foi: boy de luxo de bicheiro, moleque de recado e político sem a mínima noção do que é ser republicano para poder cuidar do País e da sociedade.
                         foto correio braziliense
O trio conservador e oposicionista ao governo: Peluso, Gilmar e Marco Aurélio.
      Gurgel, o procurador condestável se mostra alinhado à oposição partidária (tucanos e congêneres) ao governo e no momento, como todo mundo sabe, encontra-se de joelhos e por isso precisa de aliados políticos de ideologia de direita na mídia monopolista, que a embala há dez anos, bem como em setores do setor público de poder e influência como o Supremo Tribunal Federal e a Procuradoria Geral da República.

           E é exatamente isto o que está a ocorrer quando homens como Gurgel, Gilmar, Peluso e Marco Aurélio de Mello procuram os holofotes, os microfones e as canetas da imprensa historicamente conservadora e golpista para tratar das coisas da República, imiscuindo-se em assuntos não pertinentes às suas esferas e com isso cooperar com uma oposição derrotada eleitoralmente três vezes e que não tem um programa de governo e propostas alternativas ao do PT e de seus aliados para apresentar ao povo brasileiro.
                          foto correio braziliense
Gurgel (E) fez acusações e se baseou em notícias, mas não tem provas concretas.
          Para compensar a incompetência política e administrativa dos tucanos e dos demos, Gurgel, não satisfeito, deu continuidade à sua conduta equivocadamente partidarizada e pediu a abertura de investigação sobre o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), mas não exigiu o mesmo procedimento em relação ao governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, que, como se observa, está envolvido até a medula com a quadrilha do bicheiro, bem como acusado de fazer negócios até de interesse pessoal com Carlinhos Cachoeira que, no momento, encontra-se preso.

         Como é público e notório, Agnelo Queiroz foi vítima de conspiração e de outros crimes que visavam derrubá-lo do poder, como ocorreu, por exemplo, com os ministros Orlando Silva e Carlos Lupi, somente para ficar nesses, e, de forma transparente, mostrou na CPMI para todo o Brasil que ele não teve contato com tal quadrilha assim como abriu seus sigilos fiscais, telefônicos e bancários, ações essas que o tucano Perillo não se dispôs a fazer, porque gravações de PF demonstram que o governador goiano pode estar seriamente envolvido com o esquema criminoso, que, a bem da verdade, teve como cúmplices e conspiradores as revistas Época e Veja, cujos diretores e também editores, Eumano Silva e Policarpo Jr. “aparentemente” se associaram ao bicheiro.


Álvaro Dias, Demóstenes Torres e Roberto Gurgel: aliados da oposição.
       Contudo, a imprensa continua sua ode à conspiração e trata o julgamento do “mensalão” como um show de quinta categoria, é verdade, mas que acarreta confusão e dúvida à sociedade brasileira, porque os barões da imprensa combatem o governo trabalhista de Dilma ao tempo em que odeiam, literalmente, o ex-presidente Lula, que se fez estadista e é reconhecido mundialmente por causa de seu governo eminentemente de perfil e propósitos sociais.

         O que se percebe é que os conservadores deste País necessitam do “mensalão” como oxigênio para sobreviver politicamente, e, consequentemente, tirar o foco do escândalo Cachoeira, bem como usar o caso como arma nas eleições para as prefeituras deste ano, principalmente no que concerne à Prefeitura de São Paulo. O estado paulista e sua capital são os bastiões dos tucanos e seus aliados, como, por exemplo, o maior deles, os barões da imprensa, que querem pautar os governos e impor a vontade dos grupos econômicos os quais representam, notadamente os banqueiros e os grandes trustes internacionais de petróleo.


O jornalismo investigativo da Veja virou jornalismo bandido da Veja. Aliada do PSDB.
       Autoridades como o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e juízes do STF, a exemplo de Gilmar Mendes, atacaram, antes de começar o julgamento, personagens envolvidos no processo do “mesalão”.  Um absurdo. O juiz Gilmar e o procurador Gurgel são partes intrínsecas desse julgamento e jamais poderiam se comportar como adversários de pessoas que respondem à sociedade na condição de réus e não de condenados, o que é evidente. A imprensa de oposição ao governo, além de dar espaço para as sandices dessas duas personalidades nefastas à ordem jurídica do País, contraditoriamente tentou afastar do julgamento o juiz do Supremo, Dias Toffoli, por ele ter no passado trabalhado para o PT. Desfaçatez e sordidez na veia.

       Gilmar e Gurgel há anos se aproveitam de seus cargos para agir de forma sectária, partidária e com viés direitista. Extrapolam suas funções para se tornarem pivôs de polêmicas que não cabem no papel daqueles que deveriam ser discretos, sucintos, assertivos, ponderados e dessa forma capazes de discernir com melhor precisão sobre os fatos e acontecimentos que porventura chegam às suas mãos para que eles possam dar continuidade aos trâmites dos processos e, consequentemente, proteger a sociedade e os interesses do Brasil.

        Gilmar Mendes, Roberto Gurgel e Antônio Cezar Peluso são autoridades do Judiciário que se tornaram políticos, porém, sem votos, porque nunca disputaram eleições. Dois deles, Gurgel e Peluso, foram escolhidos por Lula, que, para mim, deu tiros nos pés. Gostaria de saber quem indicou essas pessoas ao presidente trabalhista, porque eles prejudicaram o processo democrático brasileiro e envergonharam o STF e a PGR.


Marco Aurélio é de oposição e questionou se Dias Toffoli poderia julgar. E o Gilmar?
      Sobre Gilmar Mendes a única coisa que eu posso dizer é que o considero a herança maldita de FHC — o Neoliberal, que recentemente deitou falação sobre o “mensalão” e esqueceu que vendeu o Brasil, foi acusado de comprar votos no Congresso para emendar a Constituição e com isso se reeleger, além de ir ao FMI três vezes, de joelhos e com o pires na mão, dentre muitos outros escândalos e desmandos praticados pelo pseudossociólogo e sua turma que se divertiu com a privataria tucana, nome muito sugestivo quando se trata, inclusive, de ser o título de um livro campeão de vendas e que foi boicotado pela imprensa cartelizada e monopolista.

        No momento, a imprensa comercial e privada (privada nos dois sentidos, tá?) está a banho-maria no que é referente ao “mensalão”. O motivo não é porque os barões e seus empregados de confiança estão a fazer um jornalismo que ouve os lados envolvidos ou porque ficaram mais prudentes ou responsáveis. Nada disso. É porque eles sabem que para haver a punição dos envolvidos no caso tem de haver provas. E é exatamente isto que não está a acontecer para o desespero e a frustração deles, ainda mais que depois de a PF descobrir que parte dessa imprensa se associou ao submundo do crime e os leitores e telespectadores perceberam que o jornalismo investigativo da Veja e da Época é na verdade um jornalismo bandido.

        A verdade é que os advogados dos réus do “mensalão” estão a derrubar os castelos de areia erguidos pelo procurador Roberto Gurgel e os ministros e juízes Gilmar Mendes e Cezar Peluso, além de, evidentemente, a cúpula tucana, nas pessoas de FHC, José Serra, Geraldo Alckmin, Aécio Neves, Sérgio Guerra e o midiático Álvaro Dias, senador do Paraná e que há anos replica no Congresso a partir das terças-feiras o que a imprensa golpista publica e repercute nos fins de semana. Se não fosse a imprensa burguesa, os tucanos e os demos, que estão quase extintos, não teriam mais voz, porque ninguém escuta aqueles que não criaram sequer empregos para o povo.
                          foto divulgação
O PIG pressiona o STF, mas percebeu que juiz condena se somente houver provas.  
        Além disso, engana-se o cidadão ou o leitor que o “mensalão” vai ajudar os tucanos ou se tornar uma pauta irremediavelmente destrutiva para o governo trabalhista de Dilma Rousseff ou para o Lula ou para o PT ao ponto de influenciar nas eleições de outubro ou para presidente em 2014. O PT depois desse caso venceu as eleições de 2006 e 2010 e vai continuar sua luta em prol da inclusão social dos brasileiros e do desenvolvimento econômico do Brasil, apesar da demonização promovida pela imprensa alienígena, a mesma que foi cúmplice e protagonista do golpe militar de 1964 que levou João Goulart à morte no exílio, que fez Getúlio Vargas cometer suicídio, que perseguiu sem trégua e ferozmente Leonel Brizola, que tentou, em 2005, dar um golpe branco em Lula, além de atacá-lo duramente até hoje.

         Para quem não sabe, a imprensa entreguista e de negócios privados faz com o PT o que fez com o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) nos anos 40, 50 e 60. O problema da imprensa é que no julgamento do STF as pessoas tem o direito de defesa garantido, bem como o contraditório é a essência de qualquer julgamento que se baseia em um estado democrático de direito. Quero ver se os juízes do STF vão ter coragem de condenar, por exemplo, o ex-ministro José Dirceu sem provas e sem ouvir seus advogados. Quem julga o "mensalão" são os juízes e não os jornalistas e seus patrões. A imprensa tem hora marcada com a verdade. É isso aí. 

4 comentários:

Anônimo disse...

Eu ainda acho que o mensalão existe desde a República, dos milicos a Dilma. É a pratica caixa dois que norteia todas eleições e a relação do Exwcutivo com o Legislativo. Em todos níveis e partidos. E com dedos na mídia e no Judiciário. Não há puros nesta merda. Agora o que eu curto é ver Marcio Bastos defendendo a turma de onde ele foi ministro sob os olhares de Gilmar Mendes, que liberou o tarado Roger Abidelmasshi , que era cliente de Marcio Bastos. São todos, sem nenhuma exeção, a demosntração da mais pura nata da ètica e da verdade.
Anônimo

Gilson Raslan disse...

Saraiva, para maior compreensão do que se passa no tal processo do inventado mensalão, tomei o cuidado de ler as alegações finais do MPF, retirando delas os trechos chaves que tão sustentação às acusações.

Dispõe o Código de Processo Penal-CPP:
"Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas".

O CPP é taxativo ao dispor que o juiz não pode fundamentar sua decisão exclusivamente em elementos informativos colhidos na fase de investigação.Acontece que o MPF só fundamentou a acusação em elementos colhidos no Inquérito Policial, em CPMI, em depoimento de Roberto Jefferson e em artigos da imprensa, como se vê dos trechos abaixo transcritas. Em momento algum o Procurador Gurgel citou prova produzida na fase instrutória do processo, em total afronta ao disposto no artigo supra transcrito.

Assevera o Dr. Gurgel:
“As provas colhidas no curso do Inquérito demonstram exatamente a existência de uma complexa organização criminosa. (...) Roberto Jefferson, com o conhecimento de quem vendia apoio político à organização delitiva ora denunciada, em todos os depoimentos
prestados, apontou José Dirceu como o criador do esquema do "mensalão". (...) Roberto Jefferson afirmou que todas as tratativas sobre a composição política, indicação de cargos, mudança de partidos por parlamentares para compor a base aliada em troca de dinheiro e compra de apoio político foram tratadas diretamente com o ex Ministro Chefe da Casa Civil, José Dirceu. Tratavam, inclusive, sobre o “mensalão”, matéria que foi objeto de conversa entre ambos em cinco ou seis oportunidades. (...) Merece destaque, para o completo entendimento de todos os mecanismos de funcionamento do esquema, a relevância do papel desempenhado por José Dirceu no Governo Federal. De fato, conforme foi sistematicamente noticiado pela imprensa após o início do Governo atual, José Dirceu inegavelmente era a segunda pessoa mais poderosa do Estado brasileiro, estando abaixo apenas do Presidente da República. (...) Em conclusão, a atuação habitual, organizada e reiterada de José Dirceu, Delúbio Soares, José Genoíno, Sílvio Pereira, Marcos Valério, Ramon Hollerbach, Cristiano de Mello Paz, Rogério Tolentino, Simone Vasconcelos, Geiza Dias, José Augusto Dumont (falecido), José Roberto Salgado, Ayana Tenório, Vinícius Samarane e Kátia Rabelo para a prática dos crimes descritos na presente denúncia encontra-se caracterizada em todo o acervo probatório do inquérito (...)”.

Somente uma pessoa com QI de ameba pode esperar uma condenação dos acusados, salvo se o STF fizer um julgamento político, estuprando o Código de Processo Penal e a Constituição Federal.

César Guimarães disse...

É isto mesmo, Gilson Raslan. O Davis acertou na veia em um texto duro, mas verdadeiro. Sua mensagem completa o texto. O mensalão é uma farsa e já é perceptível que a imprensa está baixando a bola. Dilma 75,5% de aprovação. Chora imprensa!

Sergio Malta disse...

€ Parabéns, Davis! Excelente e oportuníssima matéria!
€ Abraços, Sergio Malta.