ESPAÇO BICO DE PENA — Blog Palavra Livre
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Pablo Picasso |
Olho pela janela.
Vejo o horizonte,
que divide a terra e o céu.
Sinto tristeza profunda.
Dói o meu coração,
Dividido entre o concreto
E o abstrato.
Longo tempo se passou...
E eu sempre fui antigo
Como as rochas ancestrais,
Desenhadas pelo vento e o mar.
Rochas que refletem imagens irreais,
Cubistas como a alma de Picasso.
O apelo da minha solidão
deixa-me surpreendido.
E noto que ela é tão intocável,
Como os astros que se penduram
No Universo através de seus brilhos.
Réquiem dos sonhos.
Mortalha de chumbo.
Fim do amor e da paixão.
É o destino do homem;
Frágil como as asas da esperança.
Percebo, então, que nos
Equilibramos na tênue
Linha da história.
Penso em Deus...
E rogo a Ele que não me
Mate de misericórdia.
Davis Sena Filho —17/03/1994
Um comentário:
Um poema de poeta de grandeza. Abraço.
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