No grande circo armado pela mídia para o
“julgamento do século” do chamado “mensalão do PT”, até o ex-presidente FHC foi
ressuscitado. Ontem (6), na abertura da 32ª Convenção do Atacadista
Distribuidor, no Riocentro, ele reforçou o linchamento midiático exigindo a
imediata punição dos réus. Na maior caradura, ele esbravejou: “Depois que eu
ouvi do procurador-geral da República, houve crime. Crime tem que ser punido…
Tenho confiança de que eles [STF] julgarão com serenidade, mas também com
Justiça”.
foto: divulgação
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FHC, o Neoliberal, vendeu o Brasil e jamais se recolhe à sua insignificância. |
FHC já pediu para esquecer o que ele escreveu. Mas não dá para esquecer as
denúncias de corrupção que mancharam o seu triste reinado. O ex-presidente não
tem moral para exigir punição de qualquer suspeito de irregularidades. Desde
que foi desalojado do Palácio do Planalto, o rejeitado ex-presidente tenta se
travestir de paladino da ética com objetivos meramente políticos e
eleitoreiros. Ela agora explora oportunisticamente o julgamento no STF para
impulsionar e animar as campanhas dos demotucanos às eleições de outubro.
A lista dos crimes tucanos
Se um dia houver, de fato, Justiça no país, FHC é que será julgado e punido por
seus crimes. Listo abaixo alguns que merecem rigoroso julgamento da história:
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Denúncias abafadas: Já no início do seu primeiro mandato, em 19 de janeiro de
1995, FHC fincou o marco que mostraria a sua conivência com a corrupção. Ele
extinguiu, por decreto, a Comissão Especial de Investigação, criada por Itamar
Franco e formada por representantes da sociedade civil, que visava combater o
desvio de recursos públicos. Em 2001, fustigado pela ameaça de uma CPI da
Corrupção, ele criou a Controladoria-Geral da União, mas este órgão se
notabilizou exatamente por abafar denúncias.
Caso Sivam. Também no início do seu primeiro mandato, surgiram denúncias de
tráfico de influência e corrupção no contrato de execução do Sistema de
Vigilância e Proteção da Amazônia (Sivam/Sipam). O escândalo derrubou o
brigadeiro Mauro Gandra e serviu para FHC “punir” o embaixador Júlio César dos
Santos com uma promoção. Ele foi nomeado embaixador junto à FAO, em Roma, “um
exílio dourado”. A empresa ESCA, encarregada de incorporar a tecnologia da
estadunidense Raytheon, foi extinta por fraude comprovada contra a Previdência.
Não houve CPI sobre o assunto. FHC bloqueou.
Pasta Rosa. Em fevereiro de 1996, a Procuradoria-Geral da República resolveu
arquivar definitivamente os processos da pasta rosa. Era uma alusão à pasta com
documentos citando doações ilegais de banqueiros para campanhas eleitorais de
políticos da base de sustentação do governo. Naquele tempo, o procurador-geral,
Geraldo Brindeiro, ficou conhecido pela alcunha de “engavetador-geral da
República”.
Compra de votos. A reeleição de FHC custou caro ao país. Para mudar a
Constituição, houve um pesado esquema para a compra de voto, conforme inúmeras
denúncias feitas à época. Gravações revelaram que os deputados Ronivon Santiago
e João Maia, do PFL do Acre, ganharam R$ 200 mil para votar a favor do projeto.
Eles foram expulsos do partido e renunciaram aos mandatos. Outros três
deputados acusados de vender o voto, Chicão Brígido, Osmir Lima e Zila Bezerra,
foram absolvidos pelo plenário da Câmara. Como sempre, FHC resolveu o problema
abafando-o e impedido a constituição de uma CPI.
Vale do Rio Doce. Apesar da mobilização da sociedade em defesa da CVRD, a
empresa foi vendida num leilão por apenas R$ 3,3 bilhões, enquanto
especialistas estimavam seu preço em ao menos R$ 30 bilhões. Foi um crime de
lesa-pátria, pois a empresa era lucrativa e estratégica para os interesses
nacionais. Ela detinha, além de enormes jazidas, uma gigantesca infra-estrutura
acumulada ao longo de mais de 50 anos, com navios, portos e ferrovias. Um ano
depois da privatização, seus novos donos anunciaram um lucro de R$ 1 bilhão. O
preço pago pela empresa equivale hoje ao lucro trimestral da CVRD.
Privatização da Telebras. O jogo de cartas marcadas da privatização do sistema
de telecomunicações envolveu diretamente o nome de FHC, citado em inúmeras
gravações divulgadas pela imprensa. Vários “grampos” comprovaram o envolvimento
de lobistas com autoridades tucanas. As fitas mostraram que informações
privilegiadas foram repassadas aos “queridinhos” de FHC. O mais grave foi o
preço que as empresas privadas pagaram pelo sistema Telebrás, cerca de R$ 22
bilhões. O detalhe é que nos dois anos e meio anteriores à “venda”, o governo
investiu na infra-estrutura do setor mais de R$ 21 bilhões. Pior ainda, o BNDES
ainda financiou metade dos R$ 8 bilhões dados como entrada neste meganegócio.
Uma verdadeira rapinagem contra o Brasil e que o governo FHC impediu que fosse
investigada.
Ex-caixa de FHC. A privatização do sistema Telebrás foi marcada pela suspeição.
Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-caixa das campanhas de FHC e do senador José
Serra e ex-diretor do Banco do Brasil, foi acusado de cobrar R$ 90 milhões para
ajudar na montagem do consórcio Telemar. Grampos do BNDES também flagraram
conversas de Luiz Carlos Mendonça de Barros, então ministro das Comunicações, e
André Lara Resende, então presidente do banco, articulando o apoio da Previ
para beneficiar o consórcio do Opportunity, que tinha como um dos donos o
economista Pérsio Arida, amigo de Mendonça de Barros e de Lara Resende. Até FHC
entrou na história, autorizando o uso de seu nome para pressionar o fundo de
pensão. Além de “vender” o patrimônio público, o BNDES destinou cerca de 10
bilhões de reais para socorrer empresas que assumiram o controle das estatais
privatizadas. Em uma das diversas operações, ele injetou 686,8 milhões de reais
na Telemar, assumindo 25% do controle acionário da empresa.
Juiz Lalau. A escandalosa construção do Tribunal Regional do Trabalho de São
Paulo levou para o ralo R$ 169 milhões. O caso surgiu em 1998, mas os nomes dos
envolvidos só apareceram em 2000. A CPI do Judiciário contribuiu para levar à
cadeia o juiz Nicolau dos Santos Neto, ex-presidente do TRT, e para cassar o
mandato do senador Luiz Estevão, dois dos principais envolvidos no caso. Num
dos maiores escândalos da era FHC, vários nomes ligados ao governo surgiram no
emaranhado das denúncias. O pior é que FHC, ao ser questionado por que liberara
as verbas para uma obra que o Tribunal de Contas já alertara que tinha
irregularidades, respondeu de forma irresponsável: “assinei sem ver”.
Farra do Proer. O Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Sistema Financeiro
Nacional (Proer) demonstrou, já em sua gênese, no final de 1995, como seriam as
relações do governo FHC com o sistema financeiro. Para ele, o custo do programa
ao Tesouro Nacional foi de 1% do PIB. Para os ex-presidentes do BC, Gustavo
Loyola e Gustavo Franco, atingiu 3% do PIB. Mas para economistas da Cepal, os
gastos chegaram a 12,3% do PIB, ou R$ 111,3 bilhões, incluindo a
recapitalização do Banco do Brasil, da CEF e o socorro aos bancos estaduais.
Vale lembrar que um dos socorridos foi o Banco Nacional, da família Magalhães
Pinto, a qual tinha como agregado um dos filhos de FHC.
Desvalorização do real. De forma eleitoreira, FHC segurou a paridade entre o
real e o dólar apenas para assegurar a sua reeleição em 1998, mesmo às custas
da queima de bilhões de dólares das reservas do país. Comprovou-se o vazamento
de informações do Banco Central. O PT divulgou uma lista com o nome de 24
bancos que lucraram com a mudança e de outros quatro que registraram movimentação
especulativa suspeita às vésperas do anúncio das medidas. Há indícios da
existência de um esquema dentro do BC para a venda de informações privilegiadas
sobre câmbio e juros a determinados bancos ligados à turma de FHC. No bojo da
desvalorização cambial, surgiu o escandaloso caso dos bancos Marka e
FonteCindam, “graciosamente” socorridos pelo Banco Central com 1,6 bilhão de
reais. Houve favorecimento descarado, com empréstimos em dólar a preços mais
baixos do que os praticados pelo mercado.
Sudam e Sudene. De 1994 a 1999, houve uma orgia de fraudes na Superintendência
de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), ultrapassando R$ 2 bilhões. Ao invés de
desbaratar a corrupção e pôr os culpados na cadeia, FHC extinguiu o órgão. Já
na Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), a farra também foi
grande, com a apuração de desvios de R$ 1,4 bilhão. A prática consistia na
emissão de notas fiscais frias para a comprovação de que os recursos do Fundo
de Investimentos do Nordeste foram aplicados. Como fez com a Sudam, FHC
extinguiu a Sudene, em vez de colocar os culpados na cadeia.
2 comentários:
Muito bom seu texto.
Infelizmnte este canalha e seu partido nao serem julgados por estes crimes. Esperemos que , agora, entubados no tranzalão , eles possam ser julgados e merecidamente condenados
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