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NELSON E ZICO: O FLA X FLU EM SUA PRÓPRIA LEGENDA |
Nelson
Rodrigues era torcedor do Tricolor das Laranjeiras — o Fluminense Football Club.
Retifico. Nelson não era torcedor do Flu. Ainda o é, porque o talentoso
escritor e dramaturgo — o maior jornalista do Brasil de todos os tempos — é o
próprio Sobrenatural de Almeida. O escritor completaria este ano 100 anos.
Nascido
em 23 de agosto de 1912, em Recife, Nelson Rodrigues se mudou com sua família
ainda menino para o Rio de Janeiro, transformando-se na própria alma carioca.
Nelson é irmão do também grande jornalista e escritor, o rubro-negro Mário
Filho, fundador do Jornal dos Sports — o
Cor-de-Rosa. Mário Filho é o nome oficial do Estádio do Maracanã.
Nelson
Rodrigues, apesar de ser torcedor do Fluminense, tinha uma indiscutível
admiração pelo Clube de Regatas do Flamengo, o qual quase sempre citava em suas
crônicas, bem como tinha enorme percepção do que o Flamengo representa como o
maior clube de massa do Brasil. Afinal, o Rubro-Negro é fruto de uma
dissidência de jogadores do Fluminense que se abrigaram no Flamengo de Regatas
e fundaram o Flamengo de Futebol.
O jornalista,
apesar de sua sabedoria e compreensão da divisão do futebol do Fluminense e o
surgimento do Flamengo para o futebol, causa-me a impressão de ele ficar sempre
inquieto ou irrequieto com tal acontecimento, que tornou os dois clubes ainda
mais especiais, no que é relativo às suas identidades e principalmente no que é
tocante à rivalidade.
Quando
se enfrentam, a luta pela bola é áspera, dura, suada e cortante. É o se doar
pela vitória e nunca esmorecer. Não há trégua, e muito menos o sentimento de
piedade entre ambos, porque gladiadores gigantes se respeitam, e a dor da pena não
cabe no orgulho e na honra de quem veste o Manto Sagrado e o Pavilhão Tricolor.
O
Fluminense, na minha opinião, não é o pai do Flamengo. O Fluminense é o irmão
mais velho do Flamengo, o que gerou as siglas Fla X Flu, a mais charmosa e cujo
som ao ser pronunciado é tão suave aos ouvidos como o mel bebido, mas inversamente
cruel e amargo aos corações dos torcedores que viram seu time perder uma peleja
no campo para seu irmão, de preferência, aos vencedores, no Maracanã.
Sempre
quando sou testemunha de uma partida entre o Fla X Flu sei que sou partícipe de
uma batalha campal incomum, porque o que está em jogo não é meramente a
vitória. Desditoso e equivocado o torcedor que pensa assim. Ele não conhece e
não sabe das chuteiras imortais que batalharam neste plano, e que transformaram
o que já é épico em eternidade. O Fla X Flu não se vence, porém, imortaliza-se
e transforma os torcedores nas veias que pulsam, intermitentemente, para bater
seus corações.
6 comentários:
Os dois se merecem, Fla e Flu. Insuportaveis. Esse eh um classico do passado, completamente sem graca para quem nasceu da decada de 60 para ca. Mas curiosamente o Flamengo tem orgulho de ter comecado a jogar futebol com jogadores do Flu, o Flu tem mais orgulho ainda de ter dado nascimento ao que viria ser o Imperio do Mal atraves de uma dissidencia nas suas fileiras. Vai explicar. So Freud...
Leonardo Rocha
Tem mais, um adendo apenas: ateh esteticamente o classico estah descaracterizado. Depois que a FIFA impos a regra draconiana de que nao so as camisas, mas tambem os calcoes e meias tem que ser totalmente diferentes, ou o Fla joga com o short preto ou o Flu joga de grena (cor bonita, nao?). Melhor ficar no Fla-Flu das bolas na Lagoa mesmo...
Leonardo Rocha
Zé Leonardo Rocha, botafoguense chorão...
O nosso Leonardo, ao que parece, está com dor de cotovelo, porque tudo é Fla-Flu, o resto, paisagem.
Davis, gostaria muito que, com o requinte que poucos como voce possuem, comentasse a eleição a prefeitura da cidade do Rio de Janeiro e um pouco da babaquisse que a globo fez com o candidato Marcelo Freixo no rjtv fazendo acusação dando apenas 20 segundos de resposta para direito de defesa ao final da entrevista. Abraço, Artur
Davis, boa tarde.
O texto esta coerente com a história e grandeza do FLA x FLU
Tadeu
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