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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

O "Estadão" ideológico contra Hugo Chávez



O PROBLEMA DO ESTADÃO É QUE SIMON BOLÍVAR QUER A INDEPEDÊNCIA DA AMÉRICA DO SUL
Enviado por Silvio Pinheiro, de Santos/SP
PARA ENTENDER A REALIDADE DO MUNDO EM QUE SE VIVE POR INTERMÉDIO DA IMPRENSA BRASILEIRA É IMPORTANTE LER ESTE BREVE COMENTÁRIO E ABRIR CADA LINK INDICADO:

     No editorial que você lê aí abaixo, o "jornal" O Estado de S. Paulo volta a chamar de caudilho o presidente venezuelano Hugo Cháves, que foi eleito democraticamente num País onde o voto não  é obrigatório e as urnas eletrônicas emitem recibo em papel.

    O editorial critica a explosão da maior refinaria de petróleo da Venezuela e debita o desastre aos "delírios ideológicos das autoridades venezuelanas".

   Acidentes acontecem no mundo todo, independentemente dos  "delírios ideológicos" dos dirigentes dos países onde eles ocorrem.

Vejam, por exemplo, esses dois absurdos:



Mas ficando apenas nas trágicas explosões de refinarias, o Estadão não
publicou uma linha sequer sobre esta, ocorrida recentemente:


Ou sobre esta, ocorrida em 2008:


E ainda sobre outra, em 2004:


  O Estadão diria que tratam-se de refinarias privadas e, evidentemente, nunca responsabilizaria os "delírios ideológicos das autoridades norte-americanas" pela, no mínimo, falta de fiscalização das condições de funcionamento das mesmas.

    Essa é a ideologia do Estadão.

    Aos que se consideram bem informados lendo esse "jornal" eu sugiro que deem uma olhada no outro lado da moeda, na única fonte ainda disponível: a Internet.
  
O trágico 'show' de Chávez
28 de agosto de 2012
O Estado de S.Paulo

     A explosão na Refinaria de Amuay, que matou 41 pessoas no sábado passado, ilustra de modo trágico os efeitos do "socialismo do século 21" que o caudilho Hugo Chávez impôs à Venezuela. Foi, nas palavras do líder sindical José Bodas, a "crônica de uma morte anunciada".
   Amuay é a maior refinaria da Venezuela e uma das maiores do mundo, com capacidade para processar mais de 640 mil barris de petróleo por dia. A unidade já havia sofrido danos em abril, mesmo após uma manutenção iniciada em fevereiro e cujo objetivo, segundo a estatal, era "permitir operações mais confiáveis nos próximos quatro anos".
    O ministro de Petróleo e Mineração e presidente da PDVSA, Rafael Ramírez, disse que todas as medidas de segurança da refinaria haviam sido tomadas e que o programa de manutenção fora rigorosamente cumprido. No entanto, um relatório da própria PDVSA elaborado em 2011 mostra que a manutenção periódica no complexo foi adiada para este ano por falta de material necessário. Deveriam ter sido feitas nove paradas para consertos, mas apenas duas foram realizadas.
    Em todas as refinarias do país, só foram executadas 6 das 31 operações de manutenção previstas. Mesmo as refinarias que passaram por reparos sofreram diversos contratempos - o prazo previsto foi estendido por até 80 dias por faltar material. Apenas uma unidade, a de El Palito, realizou seus três processos de manutenção sem atropelos.
     Com os problemas de conservação estrutural e de equipamentos, as refinarias ficam paradas, sem produzir, por períodos cada vez maiores. O relatório da PDVSA indica que todas as suas refinarias, juntas, não funcionaram durante 1.750 dias em 2011, contra 1.475 dias em 2010. As dez unidades do complexo de Amuay somaram 639 dias parados, ante 375 em 2010, um aumento de 70%. Na Refinaria de Puerto La Cruz, os dias parados dobraram.
    Sempre se soube que havia problemas graves de manutenção no setor de petróleo venezuelano, graças à persistente política predatória do chavismo. Desde 2003, a PDVSA vem sendo transformada num "Estado dentro do Estado", com administração opaca e sem nenhum tipo de prestação pública de contas. Com isso, a estatal pode servir livremente como propulsor da "revolução bolivariana", envolvendo-se cada vez menos com petróleo e cada vez mais com atividades que lhe são estranhas - como construção de casas populares, agricultura e fabricação de eletrodomésticos. É o "socialismo petrolífero", como disse Chávez. Com isso, mais a demissão de 18 mil trabalhadores envolvidos na grande greve de 2002-2003 e sua reposição por pessoas sem qualificação profissional e por apaniguados chavistas, se tem a desestruturação acelerada da PDVSA e do setor de petróleo na Venezuela, responsável por mais de 90% de suas exportações e por quase metade do orçamento do país. Faltava pouco para que essa irresponsabilidade deixasse de ser apenas um grave problema econômico e se transformasse em desgraça.
     A explosão de Amuay poderia ter ao menos o efeito de constranger algumas das autoridades venezuelanas, fazendo-as enfim reconhecer que seus delírios ideológicos foram longe demais. Mas, a julgar pelos discursos oficiais, o governo de Chávez, ao contrário, está empenhado ou em fazer os venezuelanos acreditarem que a administração da PDVSA é eficientíssima e que a explosão foi apenas um lamentável acidente ou, como já espalha a militância chavista, que a culpa pela tragédia pode ser dos Estados Unidos.
     Sempre que é confrontado com os problemas do país, Chávez, como se sabe, dá um jeito de atribuir a responsabilidade a alguma conspiração concertada entre os "ianques" e os "esquálidos" oposicionistas. Em campanha pela reeleição, o caudilho disse que as acusações sobre a falta de manutenção nas refinarias são "imorais" e "irresponsáveis". E ordenou: "O show deve continuar". Desta vez, porém, mesmo com toda a sua criatividade e a de seus discípulos, vai ser difícil para Chávez, a pouco mais de um mês das eleições, livrar-se da tragédia de Amuay.

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