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sábado, 9 de junho de 2012

Alma Lavada entrevista Davis Sena Filho


Prezados leitores, permitam-me publicar entrevista que dei ao Blog Alma Lavada, da querida jornalista Fernanda Dannemann, que em um dia de dezembro de 2011 quis saber o que eu penso sobre certos assuntos. 

Alma Lavada — Davis Sena Filho — Entrevista

“A pobreza é, para mim, a maior e mais grave doença da humanidade”

     Os leitores não sabem, mas o jornalista Davis Sena Filho, especializado em política e à frente do blog Palavra livre, também é poeta e por pouco não enveredou pelos caminhos do esporte: doido por futebol desde a infância – a ponto de ser atacante em vários campeonatos, dos sete aos 25 anos – ele quase tornou-se professor de Educação Física. “Não podia ver uma ‘pelada’ que já queria participar”, relembra, ao mesmo tempo que pensa também nos livros que sempre teve em casa, e que lhe abriram as portas para o prazer de escrever.
     Apaixonado pelo Flamengo tanto quanto por poesia (e por gente como Augusto dos Anjos, Paul Verlaine, Walt Withman, Goethe e Cora Coralina), sua paixão maior, já sabemos, é a política, e foi em Brasília que se especializou em assessoria de imprensa e na arte de escrever discursos... sem perder de rumo seus próprios ideais de esquerda, que defende com unhas, dentes e argumentos.



Como é ser assessor de imprensa de um político, escrever os discursos dele (sendo que ele, seu chefe, pode ser de outro partido?). Como equilibrar o profissionalismo e suas crenças nessa hora?

Faço assessoria há muito tempo, e no setor público. Quando escrevo para outra pessoa, o faço de forma distante da minha realidade de pensamento, exceto quando o político tem ideologia e os propósitos parecidos com os meus. Quanto aos discursos, alguns deputados federais publicaram livros, legalmente, com textos de minha autoria, e que estão nos anais da Câmara dos Deputados. Esta minha opção profissional aconteceu depois que, na primeira metade da década de 1990, percebi que o ambiente em algumas redações era péssimo, além de esnobe e exageradamente competitivo. Tem de ter muito estômago para agüentar tanta desfaçatez, bem como ser cúmplice de pautas montadas e direcionadas a prejudicar pessoas ou instituições.


Você é um dos poucos jornalistas com coragem para assumir sua posição de esquerda e de apoio aos governos do PT. Isso prejudica sua carreira?

Em termos. A maior parte da minha carreira foi em Brasília, e trabalhei nos principais jornais da capital. Nas redações, os jornalistas sabem quem é quem, até mesmo os profissionais que fingem que não sabem. Ser de esquerda e de direita não é tão importante ou essencial para que uma redação trabalhe de maneira digna, profissional e competente. Também não é motivo para determinado profissional ser perseguido, boicotado, não ter oportunidade para crescer na empresa e ser demitido, como acontece com muitos talentos que vi nas redações. Eu fiz greve em 1989 no Correio Braziliense, uma greve  que durou cerca de dez ou 15 dias, e 44 jornalistas foram demitidos, além do pessoal operário, que trabalhava nas rotativas e em outros setores da empresa, em um tempo que não existia ainda a informatização dos jornais. Quero dizer que nunca ninguém chegou para mim e disse: “Olha Davis, você trabalha direitinho, mas porra, cara, você é de esquerda e por isso não tem vaga para você trabalhar e poder sustentar a sua família”. Contudo, alguns colegas me falaram que eu não fui contratado em determinada empresa porque eu sou de esquerda. Mas a realidade é que sempre me empreguei, inclusive no setor público, assessoria de imprensa, elaboração de discursos etc. A verdade é que muitos dos meus colegas, muitos os quais considero e respeito, quando têm a oportunidade de sair do setor privado e ir para o público não pensam duas vezes, ainda mais quando passam em concurso.



Como você avalia os dois governos do Lula?



O primeiro governo de Lula foi dedicado ao contingenciamento do orçamento, dos tributos, da arrecadação. Como se fizesse uma poupança forçada para depois começar a pagar contas, dívidas e, o mais importante, a investir no país, o que ocorreu com a criação do PAC 1 e do PAC 2, além dos diversos benefícios e bolsas que fomentaram também a economia e garantiram o quase pleno emprego, o que não acontece atualmente na Europa e nos EUA. Lula não fez tudo o que queria, mas avançou muito no que concerne a combater a pobreza e a miséria. A pobreza é, para mim, a maior e mais grave doença da humanidade. Uma verdadeira pandemia e causada pelas civilizações propositalmente. Com a eliminação da pobreza e da miséria, não haverá lucro e nem opulência exorbitantes, como ocorre neste mundo atual. Lula fez muito, mas se eu ficasse a citar ponto por ponto o que ele fez de bom para o Brasil, esta entrevista seria muito longa. No Jornal do Brasil e no Blog da Dilma, eu disserto com certa constância sobre a obra social e econômica do governo trabalhista do presidente estadista Luiz Inácio Lula da Silva, bem como lembro sempre da obra do outro presidente trabalhista e estadista e fundador do Brasil moderno, Getúlio Dornelles Vargas.



E o que está achando da presidente Dilma?


É a continuação do Governo Lula com maioria no Senado, o que acarreta o ódio da imprensa privada e historicamente golpista. A imprensa tenta, em vão, mostrar uma falácia de que os dois governos são diferentes e que Lula e Dilma poderiam até romper um com o outro. Dilma foi eleita sem nunca ter ocupado cargo eletivo, e Lula a elegeu. Este fato é incrível, porque além de eleger uma mulher quase desconhecida antes de assumir a chefia da Casa Civil, derrotou ainda a velha imprensa burguesa, uma das mais poderosas do mundo e que tem apoio do empresariado e de certa parcela da classe média, a maioria branca, cheia de preconceitos ridículos e que lê revistas de péssima qualidade editorial como a Veja, a revista porcaria, autora de um jornalismo de esgoto — o verdadeiro detrito de maré baixa, somente para ficar nesta publicação. Evidentemente, existem outros órgãos como Veja que são muito conhecidos do público.


A grande imprensa tem publicado denúncias de corrupção contra vários ministros do atual governo. Você acha que a Dilma escolheu mal alguns deles?



O Governo Lula foi o que mais demitiu e prendeu. Basta o cidadão acessar a Internet e pesquisar, inclusive em órgãos públicos e oficiais. Dilma afastou ministros e a imprensa golpista promove marchas sem credibilidade e sem movimentos sociais que foram um fracasso retumbante. O Governo afasta ministros, funcionários e ONGs enquanto empresários e a imprensa comercial e privada dizem que o Governo é corrupto. Gostaria de ver uma marcha contra os corruptores, coisa que a imprensa e parcela da classe média que fica a carregar vassouras janistas nunca fazem. Por quê? Porque os corruptores são empresários e megaempresários, principais clientes, anunciantes da velha imprensa. Além disso, existe um movimento constante da imprensa de criminalizar a política e as instituições republicanas, como o Congresso que foi fechado pela ditadura militar, que esta mesma imprensa apoiou. Quando você desmoraliza o político e a política, o caminho fica aberto para que os grandes empresários, a imprensa e os banqueiros controlem a agenda dos poderes do Estado, como, por exemplo, a Presidência da República. Eu trabalhei em várias redações, sempre na área de política, e sei como a banda toca. O negócio da imprensa é pautar os poderes e as autoridades constituídos e, conseqüentemente, privilegiar e atender os interesses do setor privado, que odeia governos trabalhistas desde os tempos do grande Getúlio Vargas.



Você é torcedor fanático do Flamengo. Por que o time decepcionou este ano?



Fanático, não. Digamos, devotado (risos). O time foi campeão carioca invicto (2011). E o Carioca, para mim, é essencial, além de ser o campeonato que mais aprecio por causa da rivalidade e da gozação. Os estaduais são os berços do futebol brasileiro e dão renda e público, inclusive nos estados menores. A imprensa esportiva elitista é que é contra, para privilegiar somente os clubes grandes dos estados mais poderosos. Sou francamente favorável ao Campeonato Carioca e o considero tão importante como qualquer outro em âmbito nacional. E sabe por quê? Porque o Carioca é o mais famoso dos campeonatos, além de ser televisionado para boa parte do Brasil e até do exterior. Quem é contra, para mim, está redondamente equivocado, ou com má intenção. São os estaduais que impedem que os times do interior (e de muitas capitais brasileiras) sejam extintos. Quer saber de outra coisa? O Campeonato Carioca me faz voltar à infância e à adolescência. Este fato é lúdico e essencial para que o coração e o espírito não envelheçam. O resto é elitismo e negócios das grandes mídias, que querem, por causa de dinheiro, somente defender os interesses dos clubes grandes, que deveriam ganhar muito mais dinheiro do que ganham, por exemplo, da TV Globo, que monopoliza também não somente o futebol como muitos outros esportes. Quero lembrar que o Mengão vai disputar a Libertadores e deve ficar com o quarto ou quinto lugar. Está bom. Ano que vem, com os novos reforços, vai ser difícil segurar o gigante Rubro-Negro. Flamengo sempre! Flamengo até morrer!



Durante muitos anos você se declarou ateu, mas hoje tem fé e acredita em Deus. O que o fez mudar?



Fernanda, não mudei. Apenas percebi que não devemos ser tão arrogantes.



No Maraca, num clássico Fla-Flu, com o amigo Marcelo Migliaccio, autor da foto que abriu esta entrevista.

5 comentários:

Anônimo disse...

Não li mas gostei. Vc é ícone sim, fui pesquisar e devo desculpas. Nunca por mal, mas sempre e sempre crítico, me excedi realmente. Agradeço - e louvo - a democracia aqui existente de poder postar em anônimo, Lamento que vc pense que seja por falta de educação. Não é. Apenas exerço meu direito por vc cedido. São raros os blogs assim. Apenas a última resposta me intriga; vc não se acha um pouco arrogante ainda?
Abraços flamenguistas e anônimos.

Davis Ribeiro de Sena Filho disse...

Não sou arrogante. Prezo as pessoas, mas não acho cabível ser agredido gratuitamente quando, na verdade, sou um jornalista que luta por um Brasil para todos, justo e democrático. Isto tem de ser pesado para quem não concorda com minha maneira de pensar. Além disso, desde quando estava no JB e fui censurado, sempre publiquei as mensagens, inclusive as mais duras e intolerantes. Portanto, sou democrata e por isso considero que você deveria cita seu nome, até porque não tem nada de mais. Abraços não anônimos e igualmente rubro-negros.

Cunha disse...

Não sei o motivo, mas, editei o perfil Google, não aparecendo o meu tradicional avatar do perfil Google. Será que foi por eu estar no celular,falha e etc?

Davis Ribeiro de Sena Filho disse...

Prezado Cunha, não sei te responder. Você pode até não acreditar, mas sobre tecnologias sei o básico do básico (rrsssss). Grande abraço.

Cunha disse...

Caríssimo e democrático Davis, boa tarde. Gostei da entrevista. Dá um recado para o pessoal de Brasília: Que a CPI do Cachoeira/Demóstenes/Veja não se desgaste. Personagens estão se distanciando do foco,estão se escondendo atrás das cortinas,com todo o suporte silencioso do PiG . Assim como você, desejo que páginas coladas e viciadas de capítulos iniciados lá no Brasil Colônia sejam finalmente viradas e essa CPI tem tudo para dar uma boa arrumada, para depois, os "finalmentes": CPI do Privataria Tucana . Como deixei num comentário lá no CAf: pelas condições meteorológicas apresentadas, tem tudo para confirmar que poderão acorrer alguns tornados, mas,parece que se apronta uma rápida chuva de verão, com vento fraco e muitas trovoadas,mas, com 10 minutos de duração.
Aproveitando o espaço democrático, amplio o leque de leitores,pois,sou alvinegro, graças ao grupo de extra-terrestres que jogava na seleção de 70 !