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sexta-feira, 29 de junho de 2012

A integração da Venezuela ao Mercosul e a punição ao Paraguai. Golpe é crime!

Venezuela: rica, populosa, membro da Opep e com um mercado em expansão

Por Davis Sena Filho Blog Palavra Livre

    “A integração da Venezuela ao Mercosul é questão de segurança da América do Sul, comercial e não ideológica”. A Venezuela, potência petrolífera, deveria, urgentemente, agora, ter seu ingresso ao bloco econômico aprovado, porque respeita o jogo democrático, fato este que, inquestionavelmente, não aconteceu com o Paraguai, cujos líderes golpistas representam uma elite latifundiária, atrasada, reacionária, que atende aos interesses dos Estados Unidos, que querem o enfraquecimento do Mercosul, da Unasul, bem como implantar bases militares na tríplice fronteira entre o Brasil, o Paraguai e a Argentina, em uma estratégia geopolítica perigosa à independência dos países do continente e à autodeterminação de seus povos.

    Dito isto, percebo, por meio da televisão, que Federico Franco, atual presidente do Paraguai, mal assumiu o poder por intermédio de um golpe (“parlamentar”) de estado e, de maneira arrogante e autoritária, falou grosso, sem, no entanto, avaliar seu tamanho no que tange à economia paraguaia, e seu apoio político no que é relativo à sua influência junto aos líderes sul-americanos reunidos na Unasul e especificamente aos que compõem o Mercosul. Federico Franco — o político conservador golpista e testa de ferro do grande empresariado, inclusive dos brasileiros fazendeiros donos de latifúndios chamados brasiguaios e que comemoraram o golpe contra Fernando Lugo — em vez de anunciar seu programa de governo e as ações para pelo menos amenizar as necessidades do povo paraguaio simplesmente atacou o presidente da Venezuela, o bolivariano Hugo Chávez.

    O golpista arrogante e ideologicamente preconceituoso e provinciano mandou às favas a legalidade constitucional de seu país e do continente sul-americano e não satisfeito com sua desfaçatez afirmou que o Paraguai é contra o ingresso da Venezuela no Mercosul. Ou seja, sua preocupação se resumiu a dar o recado, talvez da CIA ou do Departamento de Estado dos EUA. Sua prioridade, pelo o que se observa, é barrar o sexto maior exportador de petróleo de mundo, além de ser o país que tem as maiores reservas de petróleo comprovadas do planeta estimadas em 297 milhões de barris.

     Além disso, o país bolivariano é originalmente o principal responsável pela criação da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). A Venezuela, que tem quase 30 milhões de habitantes, até hoje não conseguiu seu ingresso total no Mercosul, e o empecilho sempre foi o Paraguai, inclusive no governo de presidente deposto Fernando Lugo, que, para agradar a direita, sempre bloqueou a entrada de um país tão rico como a Venezuela no Mercosul. Não dá, realmente, para compreender a parcimônia do Governo e da diplomacia do Brasil quanto a esse processo. Um absurdo. O Paraguai não é, no momento, confiável tanto quanto o Chile, a Colômbia e os governantes que se aliam aos interesses geopolíticos dos EUA e da burguesia latino americana.

Cristina, Dilma e Mujica anunciaram punição ao Paraguai. Golpe é go
Os presidentes do Brasil, da Argentina e do Uruguai anunciaram ontem, em Buenos Aires, que o Paraguai está suspenso das reuniões e decisões de cúpulas do Mercosul e da Unasul. Nunca, em 21 anos de existência do bloco econômico, um país tinha sido punido. Contudo, o Paraguai não vai sofrer sanções econômicas quando deveria. Não é de bom alvitre protelar punições a quem comete crimes constitucionais e se conduz inconstitucionalmente. A América Latina é useira e vezeira em cometer grandes equívocos de ordem constitucional, que, indubitavelmente, atrasaram seu desenvolvimento político, social e econômico.  

Recordo que em 2009 depuseram o presidente trabalhista de Honduras Manuel Zelaya, e agora a América do Sul está a enfrentar o golpe paraguaio. Uma lástima. Golpe é crime! Crime praticado pela direita que a todo custo quer perpetuar seus privilégios e cujos interesses são repercutidos, sistematicamente como um direito legal, pelo sistema midiático burguês, comercial e privado, que, incessantemente, busca apoio da população, notadamente a parte da classe média conservadora e despolitizada, que abraça os ideais e os princípios de uma burguesia poderosa e cruel, que se recusa a distribuir renda e riqueza e luta, historicamente, para impedir a independência do Brasil e a autonomia de seu povo. Pior que o colonizador é o colonizado subserviente, que boicota o País, além de ser possuidor de um gigantesco complexo de vira-lata, que o leva, inclusive, a ser traidor, como ocorreu no triste ano de 1964.

Tenho observado, portanto, que a integração plena da Venezuela ao Mercosul se transformou em um processo ideológico, quando na verdade a integração econômica daquele importante país do norte da América do Sul é uma questão que diz respeito, e muito, à sobrevivência do próprio bloco, que precisa de sangue novo e de oxigênio para se concretizar como força econômica e política da América do Sul perante as maiores economias do mundo, que se aproveitam de sua riqueza para impor seus interesses, que, geralmente, são antagônicos aos dos países do continente sul-americano.

         As Comissões de Constituição e Justiça e de Cidadania, da Câmara dos Deputados e do Senado, causam preocupação, porque alguns de seus membros politizaram e continuam a politizar o ingresso da Venezuela no Mercosul. Além do mais, a imprensa brasileira, porta-voz dos interesses dos EUA, diuturnamente defende a desaprovação da Venezuela como sócia de tão importante bloco econômico para a América do Sul.  Sem sombra de dúvida que esse processo draconiano, insensato e autoritário causa prejuízos ao bom andamento dos trâmites burocráticos para a integração venezuelana, bem como leva confusão à sociedade brasileira, o que faz com que importantes setores dela se indisponham com o Mercosul, que precisa ser sempre fortalecido e não enfraquecido, ainda mais com a crise europeia e norte-americana que não tem data para terminar.


       Espera-se que os membros do Mercosul e da Unasul sejam sensatos e não façam da Venezuela um alvo para seus interesses políticos, sejam eles de âmbito mundial ou regional. É salutar que entendamos que o Brasil e o Mercosul são muito maiores que os interesses políticos mesquinhos, de paróquia, provincianos e egoístas de certa “elite” política e empresarial, principalmente os barões da imprensa, que por causa de seus desarranjos ideológicos preferem a exclusão de um país economicamente poderoso e geopoliticamente estratégico como a Venezuela. Temos que ser práticos e cosmopolitas voltados à defesa dos interesses do povo brasileiro e sul-americano, que espera dos governantes, que determinam e definem a composição dos membros do Mercosul, bom senso, senso crítico o suficiente para impedir que grupos econômicos, midiáticos e políticos excluem a Venezuela de um bloco econômico tão importante para os povos da América do Sul, e por que não, Latina.

         Percebo que muitos se alinharam aos interesses estadunidenses, que oferecia a moribunda Alca como opção para a associação dos países sul-americanos, no que tange à construção de um bloco econômico de livre comércio. Acontece que as regras da Alca não coadunavam com as nossas necessidades e interesses, além de sabermos que os Estados Unidos, como a maior economia do mundo, controlaria ainda mais os mercados e dominaria os diálogos realizados em fóruns apropriados, no que concerne à defesa de seus interesses, como acontece, por exemplo, na Organização Mundial do Comércio — a OMC, órgão que sempre defendeu os interesses dos países ricos, como sempre o fizeram o FMI e o Bird.

         O Governo e os parlamentares representam o povo brasileiro e por isso não devem, a meu ver, ficar à mercê do que a imprensa comercial e privada tem publicado sobre o governo venezuelano, até porque, ao contrário do que muitos pensam, a sequência de ações e atos políticos perpetrados pelo presidente Hugo Chávez têm proporcionado, na verdade, a percepção mundial de que o Mercosul é um bloco de grande envergadura, que chama a atenção da comunidade internacional, além de projetar os países sócios em uma escala nunca antes experimentadas por eles.

O Mercosul deu certo, se tornou, apesar dos editoriais da imprensa corporativa, fórum apropriado para onde devem ir as demandas de todos os países da América do Sul em um futuro próximo e não apenas de quatro sócios, sendo que um deles, o Paraguai, em vez de fortalecer o bloco, rema contra a maré por intermédio de um golpe “parlamentar” de estado, além de ser contra o ingresso da Venezuela como associada ao Mercosul.

Chávez negocia o ingresso da Venezuela no Mercosul, apesar do Paraguai.
 Além disso, os governos terminam, por mais que demorem no poder. Mas os países são eternos e a Venezuela é importante demais para ficar fora do Mercosul, porque alguns governantes, parlamentares e a imprensa de negócios assim desejam, porque tem interesses contrários ao fortalecimento do Mercosul, além de se deixarem levar por escaramuças ideológicas, ultrapassadas, que, absolutamente, não têm primazia em relação à completa integração dos quatro países membros do bloco junto à Venezuela.

         Há de se deixar claro, e ressalto este fato, que a Venezuela saiu do bloco Andino para aderir ao Mercosul, porque sabe que não há como a América do Sul negociar de igual para igual com os Estados Unidos ou com a Comunidade Europeia, China ou Japão sem antes concretizar a união dos sul-americanos, que tem por objetivo democratizar as relações comerciais e favorecer o respeito mútuo entre os países desenvolvidos, os poucos desenvolvidos e os emergentes, como o Brasil e a Argentina, bem como a Venezuela, que tem crescido quase nove por cento ao ano, além de, praticamente, eliminar o analfabetismo, principalmente entre as crianças e os jovens.

         O relatório do deputado Paulo Maluf (PP/SP) sobre o Projeto de Decreto Legislativo (PDC) nº 387/07, que ratifica a adesão da Venezuela ao Mercosul,  foi aprovado pela CCJC da Câmara dos Deputados, em 2007. O parecer do relator foi favorável à associação do país ao bloco. Contudo, cinco anos depois a Venezuela ainda não ingressou plenamente no Mercosul por causa de entraves burocráticos, campanhas  contrárias veiculadas pela imprensa  oligarca e pela conduta dúbia e nada confiável do Paraguai. Com o golpe de estado no país guarani, os países membros do Mercosul tem uma oportunidade política de ouro para aceitar o ingresso da Venezuela no Mercosul, que vai ficar ainda mais fortalecido, bem como vai favorecer a união mais rápida de outros países da América do Sul. Golpista tem de ser punido e não falar alto e grosso contra país que respeita o jogo democrático, que é o caso da Venezuela, apesar da imprensa burguesa mentir e replicar o contrário.

Os países não podem ficar a perder tempo com filigranas políticas inúteis, fúteis e muitas vezes levianas. O ingresso da Venezuela é irreversível. Somente uma questão de tempo. Os governos vão efetivar um acordo, que tem por finalidade apenas de ganhar tempo, no sentido de serem analisados os procedimentos para a integração venezuelana ao bloco. De qualquer forma, o Brasil tem de se posicionar a favor. Questões ideológicas, filosóficas e políticas não estão acima dos interesses maiores que a adesão de um país importante como a Venezuela ao bloco sul-americano pode proporcionar. É ridículo o que certos setores da vida brasileira estão a apregoar, sem nenhum fundamento racional para que a Venezuela não integre o Mercosul. Não há paz social se a economia vai mal. Nossos males, praticamente, tem origem de fundo econômico. Então, basta haver vontade política. A integração das economias sul-americanas e, por que não, latinoamericanas é o futuro sem volta, porque se se integrar fosse uma ação ruim, os europeus não se uniriam e nem os Estados Unidos não fariam pressão e boicotes para que o Mercosul e a Unasul não dessem certo.


        Lembro-lhes que até mesmo a Fiesp e a CNI são favoráveis à integração da Venezuela ao Mercosul. Os empresários dessa Federação, os mais poderosos do País, sabem que o mercado venezuelano é forte e tem muito ainda o que crescer. Afinal, a Venezuela tem uma taxa de crescimento de quase nove por cento ao ano, tem cerca de 30 milhões de habitantes, é membro fundador da Opep, por ser grande produtora de petróleo, tem vastos recursos naturais e está presente em setores como turismo, silvicultura, pesca, agricultura e pecuária, desenvolve, de forma acelerada, a indústria manufatureira, que fabrica e oferta produtos como petróleo e seus derivados, aço, alumínio, fertilizantes, cimento, pneus, veículos a motor, alimentos processados, bebidas, têxteis, roupas, calçados e artigos de plástico e de madeira.

         Além de tudo isso, a Venezuela tem uma enorme capacidade para promover o crescimento do setor de energia elétrica, pois é um país com muitos rios e por isso precisa compor parcerias para edificar novas hidrelétricas. Não podemos esquecer também a questão da infraestrutura, que tem como eixo central as rodovias, as ferrovias, os portos e os aeroportos. As possibilidades de negócios nesses setores são imensas e mesmo com essa realidade setores brasileiros e sul-americanos reacionários e ideologicamente de direita ficam a perder tempo com questiúnculas ultrapassadas, que remontam à Guerra Fria e que não tem mais lugar quando se trata do fortalecimento do continente da América do Sul perante os interesses de países ricos, nada confiáveis e com perfil colonizador, imperialista e bélico, como provaram no decorrer de suas histórias.

         A Venezuela tem de integrar o Mercosul. Não somente a Venezuela, bem como todos os países da América do Sul. Nossos povos merecem ter acesso a uma vida de melhor qualidade. Nossos povos são sofridos, mas queremos que, através do tempo, essas realidades cruéis sejam superadas, para que possamos, em futuro próximo, sermos um continente desenvolvido, onde todos possam ter oportunidades de crescer e viver bem, até porque não aguentamos mais ver tanta burrice e insensatez por parte de alguns setores que são contrários ao desenvolvimento social e econômico da América do Sul e por isso fazem pressão e boicotam o que, para nós, homens e mulheres sensatos, é o correto, o justo, o democrático e o mais sábio. O governante do Paraguai tem de ser punido e entender que a América do Sul mudou. É isso aí.

3 comentários:

Flávio Prieto disse...

Acaba de entrar! Foi aprovado hoje o ingresso da Venezuela no Mercosul! Viva!!!
Saludos
F.Prieto

Anônimo disse...

O relatório do deputado Paulo Maluf (PP/SP) sobre o Projeto de Decreto Legislativo (PDC) nº 387/07, que ratifica a adesão da Venezuela ao Mercosul, foi aprovado pela CCJC da Câmara dos Deputados, em 2007

Xupa Marta, Erundina e o PT.

Maluf na cabeça

Davis Sena Filho disse...

Ô cara, Maluf era o relator, que é escolhido pelos partidos ou pelos membros de uma comissão. Poderia ser outro relator, e se outro fosse de esquerda o relatório também seria aprovado. Maluf é de direita e mesmo assim aprovou, como relator e não como adversário de Marta ou Erundina ou do PT. Não analise política de forma ingênua, simplória e sem fundamento. Não é um Fla X Flu. Você lê um texto informativo e analítico desse e não aproveita nada, e aí retira do texto uma citação a Maluf e que você nem saberia se não fosse meu texto. Quanta bobagem. A grande imprensa se conduz dessa forma, igual a você. Acho que agora você entendeu por que eu questiono a imprensa. Ela faz como você e você acredita nela. Entendeu? Seja mais sábio e aproveite meus textos para a compreensão dos bastidores da política.