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sábado, 19 de maio de 2012

"As cotas não são eternas, mas são necessárias"


João Mendes: "Os negros e os índios tem de ser resgatados pela Nação"

Por Davis Sena Filho — Blog da Dilma

ENTREVISTA - Vereador João Mendes de Jesus

O prefeito Eduardo Paes sancionou, no dia 14 de maio, no Palácio da Cidade, o Projeto de Lei nº 1.081, de autoria do vereador João Mendes de Jesus (PRB), que trata de cotas para negros e índios em concurso público em âmbito municipal. O projeto agora é Lei e já está em vigor desde o dia de sua sanção.

Davis Sena Filho — O quê significa a aprovação das cotas para negros e índios no âmbito do município do Rio de Janeiro?

João Mendes de Jesus — Antes de tudo, a vitória dos sensatos e democratas, dos que querem uma cidade, um Estado e um País para todos cariocas, fluminenses e brasileiros, e não apenas restrito a uns poucos privilegiados, que controlam os meios de produção e integram a nossa elite econômica. Afinal, o Rio de Janeira é a cidade mais conhecida do Brasil, e tudo o que acontece de bom ou de ruim na cidade repercute em termos nacionais e internacionais.

DSF — Como surgiu a ideia de elaborar o projeto de lei nº 1.081 sancionado pelo prefeito Eduardo Paes?

JMJ — Por meio da história das políticas afirmativas no Brasil e no exterior inclusive em outras áreas de atividade humana, como as universidades e o próprio Governo do Estado do Rio, que também aprovou cotas para concursos no serviço público. O problema maior são alguns representantes das elites brasileiras, que através de seus porta-vozes na imprensa corporativa e em setores que militam no campo partidário de direita e do Direito se insurgem contra à luta pela igualdade de oportunidades entre as pessoas e ficam a fazer campanhas panfletárias, que distorcem a verdade e de fundo preconceituoso e intolerante. Contudo, a sólida democracia brasileira não permite que tais grupos ou pessoas tenham suas teses elitistas e sectárias vitoriosas apesar de eles terem toda liberdade para expressá-las.

DSF — Setores conservadores da sociedade afirmam que as cotas também são preconceito e privilegiam os negros e os índios?

JMJ — Quero deixar claro: as cotas não são eternas e não queremos que isto aconteça. O prazo de duração das cotas é de dez anos e pode ser renovado se for necessário. Porém, queremos tempo o suficiente para que possamos igualar as condições dos negros e índios no que concerne à igualdade de oportunidades e ao combate às desigualdades. Além disso, as cotas são destinadas a 20% daqueles grupos sociais que, historicamente, não tiveram, por parte do Estado, acesso às condições para terem uma vida de melhor qualidade. E, evidentemente, que os índios, que foram quase exterminados, e os negros, que vieram para o Brasil na condição de escravos, são os grupos étnicos que estão em desvantagem em relação aos brancos e à maioria dos imigrantes que vieram para o Brasil no fim do século 19 e início do século 20, como os japoneses, os poloneses, os italianos, os alemães, que, inclusive, receberam terras, o que, injustamente, não aconteceu com os negros, por exemplo, que tiveram de ocupar os morros, a periferia, enfim, as favelas. O meu projeto que virou lei é justo.

DSF — O vereador considera que as cotas resolvem tudo?

JMJ — Esta pergunta me dá a oportunidade de dizer aos que são contra que as cotas não resolvem tudo, mas ajudam no que diz respeito à cidade do Rio de Janeiro, que é internacional e por isso muito importante para o Brasil ainda mais quando um projeto de política afirmativa é aprovado, o que pode levar outras cidades a seguir os passos do Rio no que é relativo às cotas para negros e índios em concurso público em âmbito municipal. Estou muito feliz e agradecido aos vereadores, ao prefeito, ao Movimento Negro do Rio, que compreenderam o propósito social das cotas e aprovaram o meu projeto.

  

2 comentários:

jose carlos broell faria disse...

Davis enquanto não tivermos uma educação como nossos hermanos Argentinos temos que ter cotas mas um dia chegaremos onde todos terão vagas no ensino publico de boa qualidade

Marcelo Migliaccio disse...

Concordo com o vereador. Não se pode ignorar 300 anos de escravidão, por exemplo. É preciso corrigir tanta injustiça, tanta concentração de renda, tanta gente privada do direito à educação durante séculos. O mercado jamais vai corrigir isso. Pelo contrário, vai deixar que milhões morram em vida.