Por Davis Sena Filho — Palavra
Livre
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Ilustração: revista recreio news |
Contudo,
nada foi mais emblemático do que esta semana que se passou, quando porta-vozes
de oposição e inquilinos da Casa Grande, um de cada setor de atividade,
aliados, que atacaram duramente o Governo Dilma e o ex-presidente trabalhista,
Luiz Inácio Lula da Silva, a ter como propósito colocá-los contra a parede, sem
permitir que eles respirem, como se estivessem sitiados, por intermédio de um
processo de mentiras e acusações sem provas, portanto, levianas, mas que causam
confusão em meio à cidadania e radicaliza os ânimos da classe média udenista e
de uma máquina judiciária e do MP que há muito tempo se mostram favoráveis à
criminalização do PT, de seus principais líderes dirigentes, porque lutam pelo
fim dos programas de inclusão social do Governo, bem como pela derrota de um
projeto de País nacionalista, que busca a autossuficiência.
A
direita tem como finalidade maior fazer com que uma parte da sociedade
brasileira saia às ruas, pressione o Governo petista, a fazer, inclusive, que
setores do Judiciário e do Ministério Público se partidarizem, a aproveitar a
autonomia de suas ações para se envolver em politicagem, além de darem
declarações incabíveis para aqueles que estão na linha de frente do combate à
corrupção e tem acesso aos autos dos processos. Os tribunais superiores e o MP
Federal se politizaram indevidamente e hoje cometem desatinos e ilegalidades, como
os vazamentos de investigações em sigilo de justiça à imprensa de mercado, além
de manterem pessoas presas ilegalmente para fins de forçar delações premiadas, sem,
no entanto, ninguém fiscalizar tais servidores públicos, que, nitidamente, estão
a fazer política, pois tomados por forte preconceito e interesse de classe
social, partidário e ideológico, no que diz respeito a combater o campo
progressista e desenvolvimentista.
Está
a acontecer no Brasil, sem sombra de dúvida, a ideologização de instituições
que foram fortalecidas no decorrer do processo democrático e que atualmente se
arvoram como um dos Três Poderes, sem ter, todavia, papéis constitucionais que
os movam para agir de tal maneira, ou seja, a atropelar o processo jurídico
legal e ocupar o lugar de instituições republicanas, a exemplo da CGU, da AGU,
da Receita Federal e do Itamaraty, com a cumplicidade da imprensa, que certos
promotores, procuradores e juízes morrem de medo ou se aliam ao sistema
midiático de negócios privados por vaidade e ignorância, no sentido de não
compreender como funciona a imprensa burguesa, que não teve, não tem e nunca
terá quaisquer compromissos com os interesses do Brasil e do povo brasileiro.
Agora
o contexto político atual ficou completo. A falta de respeito à cidadania do
presidente Lula e da presidenta Dilma chegou a um tom difícil de engolir e
tolerar. Só que o PT não reage nos fóruns apropriados, como os plenários do
Senado e da Câmara, a Secom da Presidência da República e a comunicação social
do Partido dos Trabalhadores, que ficam a ver uma direita raivosa a fazer
acusações infundadas, a ter como alvo no momento a Petrobras, empresa que a
direita brasileira nunca quis que fosse criada, e, fundada por Getúlio Vargas,
é até hoje ferrenhamente combatida por partidos conservadores repletos de
políticos entreguistas, antinacionalistas, que odeiam o Brasil e preferem que o
poderoso País sul-americano fique no papel de uma republiqueta eternamente
dependente dos países ricos e subordinada aos seus interesses geopolíticos.
Trata-se
da “teoria da dependência”, tão fortemente efetivada pelos governos neoliberais
e entreguistas de Fernando Henrique Cardoso — o Neoliberal I —, aquele que foi
ao FMI três vezes, de joelhos, humilhado, com o pires nas mãos, porque quebrou
o Brasil três vezes, e hoje não para de falar abobrinhas, bem como fomentar
intrigas políticas, além de apostar em impeachment de uma presidente
recém-eleita pela maioria dos eleitores brasileiros, de forma legal,
constitucional, democrática e republicana. O “líder” de um partido que o
escondeu de três eleições presidenciais, como o fizeram José Serra, duas vezes,
e Geraldo Alckmin.
Agora,
parte emblemática e importante da população brasileira, que elegeu Dilma para
exercer seu segundo mandato, tem de aturar o ex-deputado José Carlos Aleluia
(DEM/BA), candidato derrotado ao Senado, a pedir, de forma altissonante e
desmiolada, simplesmente a prisão do ex-presidente Lula. Inacreditável a
desfaçatez, a arrogância e a prepotência desse político de direita, acusado de
ser um dos anões do orçamento, bem como um dos envolvidos no escândalo das ambulâncias,
filhote de Antônio Carlos Magalhães, coronelzinho da Bahia, cujo povo está a
rejeitar o DEM, a agremiação herdeira da escravidão e da UDN, além de ser o
pior partido do mundo, que está irresponsavelmente, juntamente com o PSDB e os
magnatas bilionários de imprensa, a incentivar a queda de Dilma Rousseff do
poder, a ter como motes a corrupção e “tudo o que está aí”.
Hipocrisia
e cinismo na veia, porque se algum dia gente branca, rica, importante e
influente está a ser presa, esta realidade acontece exatamente nos governos
petistas. Quanto mais o Governo Trabalhista investiga e prende, mais a direita
brasileira, uma das mais perversas, violentas, entreguistas e daninhas do mundo
acusa a Presidência da República, o Lula, a Dilma e o PT de cometerem
malfeitos, sendo que nunca se prendeu tanto, nunca a PGR, a PF e a Receita
empreenderam tantas ações e tiveram tanta liberdade para trabalhar, fato este
que, inquestionavelmente, não acontecia no desgoverno privatista, dependente e
colonizado de FHC, político também conhecido pela alcunha de o Príncipe da
Privataria, aquele que até hoje é acusado de comprar a emenda da reeleição por
R$ 200 mil a cabeça, e, por seu turno, depredar o patrimônio público nacional,
que o entreguista não construiu, além de ser considerado o maior traidor da
Pátria de todos os tempos por grande parte do povo brasileiro.
Enquanto
Aleluia deitava falação, aleivosias e irresponsabilidades, o diretor de Mídias
Digitais da Rede Globo, Erick Bretas, anuncia em seu facebook que vai dar uma
de coxinha golpista e participar de protesto em favor do impeachment da
presidenta trabalhista reeleita. Completamente despolitizado e alienado, mas
voltado para agradar seus patrões, os irmãos Marinho, Bretas, indivíduo que não
tem nenhuma importância política e que poderia ficar muito bem em seu canto e
anonimato, resolve participar de uma marcha golpista. Apesar da sua
insignificância político-partidária, o executivo demonstra algo importante, que
é a autorização da Globo para ele mostrar sua cara. Afinal, trata-se de um
diretor e não apenas de um empregadinho, a significar que os irmãos Marinho
estão até o pescoço envolvidos com o desejo de que aconteça um golpe contra uma
mandatária legalmente constituída. A Globo e seus coxinhas sempre entenderam
muito bem de golpes. Está no sangue, e como escorpiões eles vão continuar a
viver.
Entrementes,
e no mesmo dia, o economista José Roberto Mendonça de Barros, irmão de Luiz
Carlos Mendonça de Barros, ex-ministro privatista das Comunicações de FHC, que
caiu por causa do escândalo do Grampo do BNDES, acompanhado do próprio José
Roberto (Câmara de Comércio Exterior), André Lara Resende (BNDES) e Ricardo
Sérgio (Banco do Brasil), pelo motivo de ter sido vazado conversas entre eles e
o presidente tucano, Fernando Henrique Cardoso, cujo assunto era favorecer o
Grupo Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas, que tinha interesse em receber
dinheiro do Banco do Brasil e, consequentemente, entrar forte na disputa do
leilão da Telebras, que, fatiada, transformou-se em várias empresas.
A
demissão do Governo desses executivos ocorreu porque foram acusados de favorecer
Dantas com um aporte financeiro da Previ, o poderoso fundo de pensão do Banco
do Brasil. Ricardo Sérgio chegou a dizer ao Mendonção que "Estamos
no limite da nossa irresponsabilidade", em alusão à concessão de uma carta de fiança com números
altíssimos para um dos consórcios interessados no leilão da Telebras. Além
disso, FHC autorizou, de acordo com as gravações da Abin, que seu nome fosse
usado para influenciar a
cúpula do Banco do Brasil e da PREVI a participar do consórcio com a Brasil
Telecom.
Depois desses fatos extremamente prejudicais ao
País, o economista José Roberto Mendonça de Barros vem a público para dizer que
a Petrobras tem de acabar com sua política de conteúdo, ou seja, ele sugere que
a Sete Brasil, criada em 2011 para cooperar na exploração da camada do pré-sal, feche suas portas. A resumir, o economista de cabeça neoliberal, privatista,
entreguista e colonizada quer, na verdade, que a maior empresa do mundo no
mercado de sondas de águas ultraprofundas, além de ser a maior competidora em
termos globais no setor, feche suas portas, desempregue os trabalhadores
brasileiros aos milhares, que a indústria naval afunde depois de ser
recuperada, bem como o Brasil volte a comprar o que já tem em seu solo, ou seja, máquinas, ferramentas e equipamentos de países estrangeiros.
Para finalizar,
José Roberto, muito longe de ser um “jênio” (com J mesmo), é um partidário da
teoria da dependência com complexo de vira-lata. E posa de doutor da entregação
em fotos suas nas páginas da imprensa alienígena, cujos principais interlocutores
e alvos são: os bancos, os rentistas, os especuladores, as petrolíferas
estrangeiras e a casa grande herdeira da escravidão deste País, onde vivem um
povo nobre e uma “elite” mesquinha, provinciana e ordinária. Sem dúvida, não há
nada pior do que a direita brasileira e seus replicadores, a exemplo dos
partidos de direita e sua aliada: a imprensa empresarial.
Outrossim, e também no mesmo dia, o coordenador
da força-tarefa da Lava a Jato do Ministério Público Federal, Deltan Dallagnol,
de 34 anos, e que certamente não é um cidadão dos mais experientes da
sociedade, resolveu polemizar com a presidenta Dilma Rousseff. A mandatária
disse o óbvio, o que todo mundo sabe, menos os cínicos ou ingênuos, os mal-intencionados
ou os que estão a fim de fazer política, o que considero ser o caso desse
procurador, com “fome” de holofotes e fama.
Como todo mundo está cansado de saber, até os
mortos, os saídos do coma profundo, os alienados e os recém-nascidos, delegados
da PF, juízes do STF e da Justiça Federal, sem generalizar, partidarizaram-se e
resolveram fazer política ao invés de tratarem de suas responsabilidades republicanas,
que é o de se aterem às investigações, prisões e observar os autos dos
processos, de maneira silenciosa e atenta, o que, sobremaneira, eles não fazem. Dilma Rousseff, a maior autoridade oficial do
Brasil e eleita pela maioria dos eleitores, afirmou que a imprensa tem de antes
de tudo divulgar a informação ao invés de investigar.
A presidenta quis dizer
que as investigações oficiais são feitas pela PF e não pela imprensa. Não sei
se propositalmente Dallagnol fingiu não entender, mas ao replicar o que a
mandatária disse, o procurador conseguiu canalizar luzes da ribalta para sua
pessoa, que se mostrou narcisista ao afirmar: “Nós estamos em uma guerra contra a impunidade e a corrupção. E a imprensa é uma aliada nessa guerra. Hoje, nós conversamos com aliados. A imprensa nos auxilia não só na investigação dos fatos e levando o
conhecimento dos fatos apurados até as pessoas, mas a imprensa também veicula a
voz da sociedade, que clama por Saúde, por
Educação, e por Saneamento Básico, que são direitos fundamentais violados por
cada (...)”.
O
discurso (sim, discurso político) do procurador é um atentado à inteligência
alheia e uma sequência de tolices e ingenuidades, que me levam a pensar que uma
pessoa para assumir um cargo tão importante deveria ter mais idade e vivência.
Dallagnol, definitivamente, não conhece a imprensa comercial e privada,
controlada por uma oligarquia de histórico golpista, que desde os primórdios de
1930 combate duramente e ferozmente os governantes trabalhistas.
O
procurador e coordenador de uma operação tão importante deveria ler a história
do Brasil ao invés de ler os editorialistas, colunistas, comentaristas e “especialistas”
de prateleiras, que engravidam pelos ouvidos promotores e juízes muito jovens,
ricos ou da classe média alta e média tradicional, que nunca passaram trabalho,
não enfrentaram intempéries graves para sobreviver e não superaram a pobreza
para se chegar em algum lugar, como conquistar um simples emprego.
É
lamentável o tom desrespeitoso de pessoas como o procurador Dallagnol, que
desconhece o quanto a imprensa de negócios privados luta contra os interesses
do Brasil por ignorar a sua história, como se tal sistema midiático alguma vez
tratou dos interesses do povo brasileiro, quando a verdade sempre o
estigmatizou e rebaixou sua autoestima. Uma imprensa cartelizada, predadora da
Pátria e aliada dos interesses estrangeiros. Incrível esse homem ser um
procurador. Também considero o político de direita, José Carlos Aleluia, o fim
da picada. Não é possível que tal ser abra a boca para “reivindicar”, nada mais
e nada menos, a prisão de Lula. Inacreditável sua ousadia e insensatez. De uma
crueldade sem limites e sem espaço para qualquer ética política, no que
concerne ao seu oponente ser seu adversário, como o é o Lula, o político mais
importante do Brasil, o mais conhecido em termos mundiais e o mais premiado e
reconhecido no exterior.
Sabe
por que o Aleluia tem essa péssima conduta? Respondo: ele é um branco de um
Estado, a Bahia, cuja população negra é de 84%. Carlista de carteirinha, o
político da casa grande baiana tem uma relação com os que vêm de baixo de
superioridade, apesar de sê-la pseuda. Quando vê o presidente Lula, Aleluia
enxerga o operário, o subalterno, o sem instrução superior, afinal esse
político de direita e do DEM, partido que com a sigla da Arena e do PDS dava
sustentação à ditadura civil-militar, sempre se comportou como um feitor dos
interesses da burguesia brasileira. Por isso, mesmo sem quaisquer provas contra
Lula, esse porta-voz das classes dominantes abre sua boca para conspirar,
denegrir, fomentar o golpe e, se possível, inviabilizar o mais rápido possível
a candidatura Lula de 2018 a presidente da República.
Quanto
ao José Roberto Mendonça de Barros e Erick Bretas, a única coisa que tenho a
dizer é a seguinte: Bretas é um coxinha que vai se juntar a um monte de
coxinhas, que pensam que dar golpes em presidentes é como beber água, sendo que ter acesso à água em São Paulo dos tucanos está muito difícil. O diretor da Globo
deveria, sim, recolher-se à sua insignificância política e à sua alienação como
cidadão. Não é séria sua postura, porque ele está a mostrar que, na verdade,
quem quer o golpe são as Organizações(?) Globo. Ponto.
Por
sua vez, José Roberto apenas reflete o que o economista é, bem como dimensiona
pontualmente o que foi o governo do PSDB, do qual ele participou e dele foi
demitido, junto com seu irmão, Luiz Carlos. O economista sabe pregar e defender
o que ele e seus correligionários fizeram: privatizar, entregar, trair o
Brasil, empobrecer o povo, explorar o trabalhador e favorecer os interesses de
países como os Estados Unidos e alguns grandes da União Europeia, exemplificados
na Inglaterra e França, dentre outros. José Roberto Mendonça de Barros é
tucano, age como tucano, pensa como tucano e seu propósito é manter os
privilégios das classes dominantes e do establishment mundial. Por isto é que
eu não tenho o mínimo respeito pelo status quo. A direita mostra os dentes. É isso aí.