terça-feira, 14 de agosto de 2012

Roberto Jefferson: o novo Jiló

Por Marcelo Migliaccio — Blog Rio Acima

 A pose é de lutador de boxe, mas quem levou um socão no olho foi o Jefferson.
      Claudio Werner Polila era um obscuro dançarino dos inferninhos mais desqualificados da Praça Tiradentes e da Praça Mauá, redutos do baixíssimo clero boemio do Rio.

      No início dos anos 80, Werner foi catapultado ao posto de testemunha chave de um dos crimes que marcaram o fim da ditadura militar no Brasil, o caso Baumgarten. Alexandre von Baumgarten foi um jornalista que colaborou, e muito, com o regime dos generais mas, a certa altura, teria tentado chantagear a cúpula verde oliva, dizendo possuir um dossiê comprometedor contra membros do Serviço Nacional de Informações.

    Claro, Baumgarten foi eliminado com direito a todo o funesto protocolo da época. Seu corpo apareceu boiando numa das praias do Rio e, dias depois, entrou em cena o bailarino até então desconhecido. Um jornalista que precisava chegar com algo novo na redação assinou uma reportagem dizendo ter descoberto uma testemunha chave no caso, Polila, chamado no submundo que frequentava de Jiló.

    Jiló jurou ao repórter ter visto Baumgarten ser levado por homens sinistros no cais da Praça XV, quando saía para uma pescaria, hábito que cultivava havia anos.

Após denunciar o "mensalão", Jefferson tomou aquele soco na cara.
    E mais, Polila, ou Jiló, garantiu que um dos homens que comandava a operação clandestina de rapto era o então general Newton Cruz, que estava antipatizado por grande parte da população brasileira por ter comandado com mão de ferro as medidas de emergência instituídas pelos militares em Brasília quando a emenda das eleições diretas foi votada no Congresso. Entre outros arroubos de autoritarismo, Cruz galopou com seu cavalo branco pela Esplanada dos Ministérios dando chicotadas em carros de passeio.

      A palavra de Jiló virou verdade absoluta, mesmo um exame pedido pela defesa de Cruz tendo constatado que o bailarino enxergava muito mal no escuro. Cruz foi crucificado em vida e condenado pela mídia. Jiló, transformado em figurinha fácil nos programas de entrevista, chegou a se candidatar a deputado. Perdeu.

      Anos depois, Newton Cruz foi absolvido nos tribunais.

   Em abril deste ano, a revista Isto É publicou reportagem segundo a qual a morte de Baumgarten teria sido obra de dois outros militares, sem ligações com Cruz.

Demagogo, Jefferson faz da política um show tão ruim como o programa "O povo na TV".
       Agora, depois de muitos anos, vejo uma palavra valer tanto ou mais que a de Jiló. É a do deputado cassado Roberto Jefferson. Mas quem é esse homem, que, mesmo com suas contradições e sua falta de provas, foi eleito o senhor da verdade no processo do chamado mensalão?

     Pois o autor das bravatas que a grande imprensa engole sem mastigar é o ex-chefe da tropa de cheque que defendeu Fernando Collor de Melo até o último minuto antes do impeachment.

    É o ex-deputado que votou sempre contra os direitos dos trabalhadores na Assembleia Nacional Constituinte de 1988.

    É o político cujo afilhado foi flagrado colocando um maço de dinheiro no bolso num esquema de corrupção que tomou conta dos Correios.

     É o ex-advogado demagogo do programa O Povo na TV.

     É o parlamentar que discursou com revólver na cintura no plenário da Câmara.

OLHA O OLHO ROXO AÍ, GENTE!
      É o fanfarrão que primeiro disse que Lula não sabia de nada e que agora, na maior cara de pau, acusa o ex-presidente de ser o chefe da quadrilha que teria comprado aliados políticos com dinheiro de empréstimos feitos por bancos privados.

      É o homem que recebeu R$ 4 milhões no esquema que resolveu, de uma hora para outra, denunciar.

    E é o cara que levou um socão no olho um dia depois de denunciar o tal esquema, certamente de alguém com quem ele tem o rabo muito preso para não poder apontar. Sem graça, disse que foi apanhar um livro numa estante e o dito cujo caiu justamente em cima do seu olho que tudo vê.

     Jefferson é o novo Jiló. Quem quiser acreditar nele, que acredite.

    Que valor tem uma condenação ou uma absolvição dos acusados pelo mensalão no STF se o mesmo tribunal absolveu Collor, contra quem as evidências de corrupção eram muito mais fortes?

Roberto Jefferson foi pego com a mão na botija e a solução para ele foi tentar derrubar Lula em 2005.
       Corruptos têm que ser presos, seja de que partido forem (e os há em todas as siglas), mas o que se vê na imprensa em torno desse mensalão é uma gigantesca fanfarronice.

Bandeira de Mello: a grande imprensa é o porta-voz do pensamento das classes conservadoras

Blog Palavra Livre

A imprensa de forma geral e a televisão, especialmente, induzem à violência e levam a população a acreditar em uma falsa realidade, como acontece com o caso do "mensalão". A corajosa opinião é do jurista Celso Antonio Bandeira de Mello em entrevista à Conjur.

"As pessoas esquecem que a imprensa é empresa e está aí para ganhar dinheiro"

Leia a entrevista:

ConJur — Como o senhor vê o processo do mensalão?
Celso Antônio Bandeira de Mello − Para ser bem sincero, eu nem sei se o mensalão existe. Porque houve evidentemente um conluio da imprensa para tentar derrubar o presidente Lula na época. Portanto, é possível que o mensalão seja em parte uma criação da imprensa. Eu não estou dizendo que é, mas não posso excluir que não seja.

ConJur − Como o senhor espera que o Supremo vá se portar?
Bandeira de Mello − Eu não tenho muita esperança de que seja uma decisão estritamente técnica. Mas posso me enganar, às vezes a gente acha que o Supremo vai decidir politicamente e ele vai e decide tecnicamente.

ConJur − O ministro Eros Grau disse uma vez que o Supremo decidia muitos casos com base no princípio da razoabilidade e não com base na Constituição. O que o senhor acha disso?
Bandeira de Mello − Pode até ser, mas eu acho que muitas vezes quem decide é a opinião pública.

ConJur – E o que o senhor acha disso?
Bandeira de Mello – Péssimo. A opinião pública é a opinião da imprensa, não existe opinião pública. Acho muito ruim decidir de acordo com a imprensa.

ConJur – E como o senhor avalia a imprensa?
Bandeira de Mello − A grande imprensa é o porta-voz do pensamento das classes conservadoras. E o domesticador do pensamento das classes dominadas. As pessoas costumam encarar os meios de comunicação como entidades e empresas cujo objetivo é informar as pessoas. Mas esquecem que são empresas, que elas estão aí para ganhar dinheiro. Graças a Deus vivemos numa época em que a internet nos proporciona a possibilidade de abeberarmos nos meios mais variados. Eu mesmo tenho uma relação com uns quarenta sites onde posso encontrar uma abordagem dos acontecimentos do mundo ou uma avaliação deles por olhos muito diversos; que vai da extrema esquerda até a extrema direita. Não preciso ficar escravizado pelo que diz a chamada grande imprensa. Você pega a Folha de S.Paulo e é inacreditável. É muito irresponsável. Eles dizem o que querem, é por isso que eu ponho muita responsabilidade no judiciário.

ConJur – O que o Judiciário deveria fazer?
Bandeira de Mello − Quando as pessoas movem ações contra eles, contra os absurdos que eles fazem, as indenizações são ridículas. Não adianta você condenar uma Folha, por exemplo, ou uma Veja a pagar R$ 30 mil, R$ 50 mil, R$ 100 mil. Isso não é dinheiro. Tem que condenar em R$ 2 milhões, R$ 3 milhões. Aí, sim, eles iriam aprender. Do contrário eles fazem o que querem. Lembra que acabaram com a vida de várias pessoas com o caso Escola Base? Que nível de responsabilidade é esse que você acaba com a dignidade das pessoas, com a vida das pessoas, com a saúde das pessoas e fica por isso mesmo? Essa é nossa imprensa.

ConJur − E em relação ao Supremo? Como o senhor vê a atuação da mais alta corte do país?
Bandeira de Mello - Nosso atual Supremo é melhor que o anterior. Não que eu não veja grandes problemas no Supremo porque em tudo isso há um erro: o fato de os ministros serem vitalícios.

ConJur − Isso é um problema?
Bandeira de Mello − Grave. Uma vez eu ouvi de um membro do supremo a seguinte frase: “Professor, tantas vezes nos chamam de excelência que a gente acaba pensando que é excelência mesmo”. Oito anos de mandato seria mais que o suficiente. O supremo devia ter um mínimo de [ministros] provenientes da magistratura de carreira. E não tem praticamente ninguém. Agora cresceu com a escolha dessa senhora [Rosa Weber], que é de carreira. Mas na verdade, tem muita gente do Ministério Público, da Advocacia. Tem que ter, mas não pode ser maioria. Porque diga−se o que quiser dos juízes, eles são treinados desde o comecinho para pelo menos tentar ser imparcial. Você não precisa ter simpatia pelos votos daquele juiz, mas você reconhece que ele é sério, dedicado, esforçado, conhece aquilo que está falando, e você respeita. Há juízes no Supremo que são absolutamente independentes, assim como há uns que você diz: que lástima, como é que está lá?

ConJur − O senhor poderia indicar quem são?
Bandeira de Mello − Claro que não.

ConJur – O STF legisla?
Bandeira de Mello − Essa é uma maneira reacionária de encarar. Ele [STF] não tem posição de legislador nenhum. Agora se o legislador não faz a lei e o STF tem que decidir, ele vai fazer o que? Tem que decidir seguindo os princípios da Constituição e as normas constitucionais, é o dever. Se cabe alguma crítica a isso é ao Legislativo. Não sei qual é o pior dos Poderes da República, mas eu penso que é o Legislativo. O Legislativo é uma lástima pela péssima qualidade dos seus membros, sem prejudicar figuras notáveis lá dentro.

ConJur − Recentemente o seu nome foi citado em algumas reportagens colocando-o como intermediário de um encontro entre o ex-presidente Lula e o ministro Ayres Britto.
Bandeira de Mello − Isso é coisa típica da imprensa. O Lula nunca foi íntimo meu, nunca foi. Em segundo lugar, se alguém pensasse que eu iria fazer a cabeça do ministro Ayres Britto é porque é tonto. O ministro Ayres Britto é um homem absolutamente independente, inteligente e muito culto. Vê lá se eu conseguiria fazer a cabeça do Carlos? E vê lá se eu ousaria tentar fazer a cabeça do Carlos? Se você respeita um amigo, você tem que saber qual é o seu limite. Você não pode falar para o cara fazer isso ou aquilo. No entanto, a Folha de S.Paulo disse que eu fui contratado para aliciar o ministro Carlos Britto no caso daquele italiano...

ConJur − Cesare Battisti?
Bandeira de Mello − Cesare Battisti. [A Folha] Teve a petulância de dizer isso de mim. Eu diria: que lixo. No meu pensamento eu diria: que merda de jornal é esse que duas mulherezinhas escrevem isso de mim? Como se eu fosse capaz de fazer isso. Ainda disse que eu fui contratado. Eu não fui contratado, eu dei gratuitamente um parecer. Gratuitamente. O advogado, que era o Barroso, me telefonou e falou: “Celso, você daria um parecer sobre um caso, você se sente à vontade, você está de acordo com a tese? Só que eu não vou ter dinheiro para te pagar por ele”. Falei que não era caso de dinheiro. Devia ser visto como consciência cívica. Esse homem na Itália corria um risco terrível, se levassem esse homem para lá. Ele foi julgado à revelia praticamente. Aquele julgamento foi uma vergonha, foi na base da delação premiada que os outros caras o acusaram. No tempo do golpe, quando os militantes eram torturados eles procuravam apontar para alguém que estava fora do país, para não correr risco. Ele [Battisti] estava fora do país e disseram que foi ele que atirou. Ele estava na França naquela época, e os caras disseram que foi ele.

ConJur − Como o senhor viu a decisão do Supremo no caso?
Bandeira de Mello − Não terminou tão bem quanto eu gostaria. Mas acabou reconhecendo que é o presidente quem deveria decidir, que era a decisão correta. E justamente o ministro Carlos Britto, que eles disseram que eu tinha sido contratado para aliciar, foi o que votou contra.

ConJur − Vocês são amigos ainda hoje?
Bandeira de Mello – Muito. Nós somos amicíssimos, não só amigos. O Carlos é meu amigo há mais de quarenta anos, e foi meu aluno também.

ConJur − Na época do governo FHC havia um grande número de ações por improbidade administrativa, e de certa forma, durante o governo do PT isso deu uma diminuída. O senhor acha que o Ministério Público amadureceu, houve alguma mudança?
Bandeira de Mello − No governo do Fernando Henrique houve muita corrupção, e essas ações eram uma demonstração disso. Houve corrupções confessadas, por exemplo, foi gravado o senhor Fernando Henrique dizendo que podia usar o nome dele numa licitação. O que aconteceu com ele? Nada. Ele está endeusado pela imprensa. Nada. O senhor Menem andou uma temporada na cadeia, o senhor Fujimori está [na prisão] até hoje, e com ele [FHC] nem isso aconteceu. Não estou dizendo que era para ele ir para a cadeia ou não. Mas foi um crime e não aconteceu nada. Olha os dois pesos e duas medidas. Pegaram aquele italiano [Salvatore Cacciola] e meteram na cadeia. Ele ficou algum tempo e agora está solto.

ConJur – E no governo Lula?
Bandeira de Mello − As pessoas podem dizer o que quiserem a respeito dele, mas só não se podem renegar fatos: 30 milhões de pessoas foram trazidas das classes D e E para as classes B e C. Basta isso para consagrar esse homem como o maior governante que esse país já teve na história. Mas não só isso. Foi, portanto, a primeira vez que começaram a ser reduzidas as desigualdades sociais, que a Constituição desde 1988 já mandava. E veja outro fenômeno tão típico: olha o ódio que certos segmentos da classe média têm deste governante, deste político. É profundo, visceral. É o ódio daqueles que não suportam alguém de origem mais modesta estar equiparado a ele.

Elton Bezerra é repórter da revista Consultor Jurídico



segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Um Sorriso para o Boris Casoy


Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre

Pois é, meus camaradas...

Do alto de sua vassoura, Sorriso anuncia as Olimpíadas Rio 2016.

Nada como um dia após o outro...


 
O gari Sorriso, carioca da gema, participou da cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Londres 2012. Sorriso carrega consigo a alma e o espírito cariocas e brasileiros. Sambou e mostrou elegância e comprometimento com o que faz: trabalhar, honradamente, como gari e representar o povo brasileiro, a exemplo do que fez em Londres. O trabalhador ficou conhecido ao sambar nos intervalos entre as escolas de samba no Carnaval Carioca. Apesar do Boris Casoy...

 
O gari Sorriso é personagem popular no Rio de Janeiro — a Cidade Maravilhosa — escolhida para ser a sede das Olimpíadas de 2016, para o orgulho do povo brasileiro, apesar da negatividade e do baixo astral que a imprensa de negócios privados quer impor à Nação, e, consequentemente, dar continuidade à sua política de oposição sistemática, sem, entretanto, abrir mão de ganhar muito dinheiro quando dos acontecimentos dos jogos olímpicos. Apesar do Boris Casoy...

BORIS CASOY É UMA VERGONHA!
 O jornalista em questão é o sinônimo da desfaçatez, da insensatez, do preconceito e do moralismo barato, bem como a expressão fidedigna do que as classes sociais ricas, muito ricas, colonizadas, entreguistas e com um imenso complexo de vira-lata pensam sobre o Brasil e os brasileiros. Casoy é um reacionário e um dos jornalistas mais comprometidos com o sistema midiático comercial e privado cujos proprietários lutam, de forma intermitente, contra a regulamentação das mídias prevista na Constituição. São os patrões do Boris Casoy...

DO ALTO DE SUA VASSOURA, SORRISO ANUNCIA A RIO 2016.
 Sorriso foi a Londres, e nos representou com orgulho e muito samba no pé, não fosse esse gênero musical a própria expressão da nossa cultura, alegria e determinação. Enfim, da nossa brasilidade. Afinal, o brasileiro não desiste nunca. Agora, rumo às Olimpíadas do Rio de Janeiro 2016! Apesar dos preconceitos e dos desprezos daqueles que são porta-vozes das “elites” deste País. E é o que faz o Boris Casoy...




Sorriso sorri para o Brasil. Apesar dos barões da imprensa e do Boris Casoy...
...


  

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Jornalismo de esgoto da Veja é mostrado pela Carta Capital

Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre

     A revista Carta Capital publica nesta sexta-feira matéria em que esclarece o envolvimento do diretor da revista Veja, a revista porcaria, Policarpo Jr. com a quadrilha do bicheiro Carlinhos Cachoeira, que no momento se encontra preso. Como se sabe nos quatro cantos da terra, o jornalismo investigativo da Veja não passava, na verdade, de um jornalismo bandido, que visava desestabilizar o Governo Federal, o que aconteceu quando ministros foram exonerados pela presidenta Dilma Rousseff.




    Além disso, o governador do DF, Agnelo Queiroz, foi vítima da quadrilha da qual participava, segundo a Polícia Federal, o diretor da Veja, o jornalista Policarpo Jr. Outro jornalista de mando também está a ser investigado. Eumano Silva, diretor de Época, a revista sem leitor, também aparece nas investigações da PF. A verdade é que programas das Organizações(?) Globo como O Fantástico, o Bom (Mau) Dia Brasil e o Jornal Nacional sempre repercutiram as "matérias", o jornalismo "investigativo" de revistas como a Veja e a Época. Não é preciso dizer mais nada...
    
     Ao contrário de Veja que não demitiu o Policarpo, empregado da revista que oferece aos leitores incautos o verdadeiro jornalismo de esgoto, Época, a revista do patrão esperto, demitiu Eumano Silva, porque todo mundo sabe que a família Marinho não dá ponto sem nó e jamais reconhece a sua vocação para a prática do golpe e do linchamento moral e político daqueles que, porventura, não atendem à pauta e à agenda dos barões da imprensa, que eles querem impor ao Brasil e ao povo brasileiro, a fim de concretizar seus negócios, bem como os dos trustes internacionais de petróleo e dos banqueiros a quem representam.
     
     Carta Capital põe o dedo na ferida e mostra ao leitor até que ponto pode chegar uma empresa privada para defender seus interesses políticos e empresariais. Veja chafurda na lama do submundo do crime e seu dono, Roberto Civita, tem de ser convocado pela CPMI do Cachoeira-Globo-Abril para dar satisfações à sociedade brasileira e às autoridades competentes.O sistema midiático privado boicotou governos, combateu programas sociais, derrubou autoridades, desestabilizou a governabilidade, além de moer reputações, mentir, manipular, distorcer os fatos e as realidades que se apresentaram principalmente na última década.
    
     Os leitores de Veja, de Época e também dos jornalões conservadores impressos e televisivos deveriam entrar com processos no Judiciário por perdas e danos, trapaças e mentiras, falsidade ideológica e calúnia, injúria e difamação. A imprensa comercial e privada (privada nos dois sentidos, tá?) prejudica o desenvolvimento social e econômico do Brasil, porque não permite que a nossa sociedade viva em paz para trabalhar.
   
   Os barões da imprensa, os empresários da mídia cartelizada e monopolista são contra o Brasil. Eles fazem oposição a todo aquele que por ideal, ideologia, politicamente e filosoficamente defende os interesses do Brasil. Para combater ideias e sentimentos nacionalistas esses empresários e seus empregados de confiança apostam na baixa estima do cidadão e a apresentam em forma de notícias previamente pautadas e sistematicamente com um enfoque negativo em todos os setores de atividade humana, de forma que o brasileiro passe a ter um conceito péssimo de seu próprio País e, consequentemente, da sociedade com a qual ele convive.
     
     Agora, estamos a ver esses barões e seus jornalistas que se comportam como sabujos a penar para não irem depor na CPMI do Cachoeira. Acontece que suas vísceras estão expostas, e o leitor que comprava e acreditava em suas manipulações e baixarias deve estar a se achar com cara de trouxa, afinal foi enganado durante anos e por todo esse tempo buscou informações sobre os governos, a ser muitas delas, como se comprova agora, montadas de forma criminosa por aqueles que deveriam zelar pela profissão de jornalista e por um jornalismo informativo e realizado por intermédio da verdade.


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Imprensa e o “mensalão”, Gurgel e Gilmar tem hora marcada com a verdade

Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre
                                foto correio braziliense
STF mostrará ao País que quem julga são os juízes e não os jornalistas.
      Roberto Gurgel, o prevaricador-geral da República, “deu” a sua “sentença” e não “leu” simplesmente o relatório que deveria ser a peça de acusação que ele apresentou no plenário do STF. Percebeu, entretanto, que sua vontade de acusar, denunciar, condenar e dar entrevistas para a imprensa golpista antes do julgamento, como ocorreu no decorrer deste semestre, está a se transformar em um frágil castelo de areia à beira das ondas do mar. A ação penal 470 chamada de "mensalão" jamais deveria ser usada como trunfo de uma imprensa que tomou a vez e o lugar da oposição ao governo e que se transformou em um partido político não oficial, mas que se torna público e ativo por intermédio de suas manchetes de conotação político-ideológica e de caráter francamente oposicionista.

         O procurador Gurgel, o Prevaricador, sentou em cima dos processos da Operação Monte Carlo da PF durante quase três anos. A operação investigou o senador cassado do DEM, Demóstenes Torres, o porta-voz do bicheiro Carlinhos Cachoeira, bem como o “procurador” dos interesses do criminoso tanto na esfera privada quanto na pública. Demóstenes, cria da imprensa burguesa de negócios privados, deixou de ser o arauto da moral, da ética e dos bons costumes e voltou a ser o que ele sempre foi: boy de luxo de bicheiro, moleque de recado e político sem a mínima noção do que é ser republicano para poder cuidar do País e da sociedade.
                         foto correio braziliense
O trio conservador e oposicionista ao governo: Peluso, Gilmar e Marco Aurélio.
      Gurgel, o procurador condestável se mostra alinhado à oposição partidária (tucanos e congêneres) ao governo e no momento, como todo mundo sabe, encontra-se de joelhos e por isso precisa de aliados políticos de ideologia de direita na mídia monopolista, que a embala há dez anos, bem como em setores do setor público de poder e influência como o Supremo Tribunal Federal e a Procuradoria Geral da República.

           E é exatamente isto o que está a ocorrer quando homens como Gurgel, Gilmar, Peluso e Marco Aurélio de Mello procuram os holofotes, os microfones e as canetas da imprensa historicamente conservadora e golpista para tratar das coisas da República, imiscuindo-se em assuntos não pertinentes às suas esferas e com isso cooperar com uma oposição derrotada eleitoralmente três vezes e que não tem um programa de governo e propostas alternativas ao do PT e de seus aliados para apresentar ao povo brasileiro.
                          foto correio braziliense
Gurgel (E) fez acusações e se baseou em notícias, mas não tem provas concretas.
          Para compensar a incompetência política e administrativa dos tucanos e dos demos, Gurgel, não satisfeito, deu continuidade à sua conduta equivocadamente partidarizada e pediu a abertura de investigação sobre o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), mas não exigiu o mesmo procedimento em relação ao governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, que, como se observa, está envolvido até a medula com a quadrilha do bicheiro, bem como acusado de fazer negócios até de interesse pessoal com Carlinhos Cachoeira que, no momento, encontra-se preso.

         Como é público e notório, Agnelo Queiroz foi vítima de conspiração e de outros crimes que visavam derrubá-lo do poder, como ocorreu, por exemplo, com os ministros Orlando Silva e Carlos Lupi, somente para ficar nesses, e, de forma transparente, mostrou na CPMI para todo o Brasil que ele não teve contato com tal quadrilha assim como abriu seus sigilos fiscais, telefônicos e bancários, ações essas que o tucano Perillo não se dispôs a fazer, porque gravações de PF demonstram que o governador goiano pode estar seriamente envolvido com o esquema criminoso, que, a bem da verdade, teve como cúmplices e conspiradores as revistas Época e Veja, cujos diretores e também editores, Eumano Silva e Policarpo Jr. “aparentemente” se associaram ao bicheiro.


Álvaro Dias, Demóstenes Torres e Roberto Gurgel: aliados da oposição.
       Contudo, a imprensa continua sua ode à conspiração e trata o julgamento do “mensalão” como um show de quinta categoria, é verdade, mas que acarreta confusão e dúvida à sociedade brasileira, porque os barões da imprensa combatem o governo trabalhista de Dilma ao tempo em que odeiam, literalmente, o ex-presidente Lula, que se fez estadista e é reconhecido mundialmente por causa de seu governo eminentemente de perfil e propósitos sociais.

         O que se percebe é que os conservadores deste País necessitam do “mensalão” como oxigênio para sobreviver politicamente, e, consequentemente, tirar o foco do escândalo Cachoeira, bem como usar o caso como arma nas eleições para as prefeituras deste ano, principalmente no que concerne à Prefeitura de São Paulo. O estado paulista e sua capital são os bastiões dos tucanos e seus aliados, como, por exemplo, o maior deles, os barões da imprensa, que querem pautar os governos e impor a vontade dos grupos econômicos os quais representam, notadamente os banqueiros e os grandes trustes internacionais de petróleo.


O jornalismo investigativo da Veja virou jornalismo bandido da Veja. Aliada do PSDB.
       Autoridades como o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e juízes do STF, a exemplo de Gilmar Mendes, atacaram, antes de começar o julgamento, personagens envolvidos no processo do “mesalão”.  Um absurdo. O juiz Gilmar e o procurador Gurgel são partes intrínsecas desse julgamento e jamais poderiam se comportar como adversários de pessoas que respondem à sociedade na condição de réus e não de condenados, o que é evidente. A imprensa de oposição ao governo, além de dar espaço para as sandices dessas duas personalidades nefastas à ordem jurídica do País, contraditoriamente tentou afastar do julgamento o juiz do Supremo, Dias Toffoli, por ele ter no passado trabalhado para o PT. Desfaçatez e sordidez na veia.

       Gilmar e Gurgel há anos se aproveitam de seus cargos para agir de forma sectária, partidária e com viés direitista. Extrapolam suas funções para se tornarem pivôs de polêmicas que não cabem no papel daqueles que deveriam ser discretos, sucintos, assertivos, ponderados e dessa forma capazes de discernir com melhor precisão sobre os fatos e acontecimentos que porventura chegam às suas mãos para que eles possam dar continuidade aos trâmites dos processos e, consequentemente, proteger a sociedade e os interesses do Brasil.

        Gilmar Mendes, Roberto Gurgel e Antônio Cezar Peluso são autoridades do Judiciário que se tornaram políticos, porém, sem votos, porque nunca disputaram eleições. Dois deles, Gurgel e Peluso, foram escolhidos por Lula, que, para mim, deu tiros nos pés. Gostaria de saber quem indicou essas pessoas ao presidente trabalhista, porque eles prejudicaram o processo democrático brasileiro e envergonharam o STF e a PGR.


Marco Aurélio é de oposição e questionou se Dias Toffoli poderia julgar. E o Gilmar?
      Sobre Gilmar Mendes a única coisa que eu posso dizer é que o considero a herança maldita de FHC — o Neoliberal, que recentemente deitou falação sobre o “mensalão” e esqueceu que vendeu o Brasil, foi acusado de comprar votos no Congresso para emendar a Constituição e com isso se reeleger, além de ir ao FMI três vezes, de joelhos e com o pires na mão, dentre muitos outros escândalos e desmandos praticados pelo pseudossociólogo e sua turma que se divertiu com a privataria tucana, nome muito sugestivo quando se trata, inclusive, de ser o título de um livro campeão de vendas e que foi boicotado pela imprensa cartelizada e monopolista.

        No momento, a imprensa comercial e privada (privada nos dois sentidos, tá?) está a banho-maria no que é referente ao “mensalão”. O motivo não é porque os barões e seus empregados de confiança estão a fazer um jornalismo que ouve os lados envolvidos ou porque ficaram mais prudentes ou responsáveis. Nada disso. É porque eles sabem que para haver a punição dos envolvidos no caso tem de haver provas. E é exatamente isto que não está a acontecer para o desespero e a frustração deles, ainda mais que depois de a PF descobrir que parte dessa imprensa se associou ao submundo do crime e os leitores e telespectadores perceberam que o jornalismo investigativo da Veja e da Época é na verdade um jornalismo bandido.

        A verdade é que os advogados dos réus do “mensalão” estão a derrubar os castelos de areia erguidos pelo procurador Roberto Gurgel e os ministros e juízes Gilmar Mendes e Cezar Peluso, além de, evidentemente, a cúpula tucana, nas pessoas de FHC, José Serra, Geraldo Alckmin, Aécio Neves, Sérgio Guerra e o midiático Álvaro Dias, senador do Paraná e que há anos replica no Congresso a partir das terças-feiras o que a imprensa golpista publica e repercute nos fins de semana. Se não fosse a imprensa burguesa, os tucanos e os demos, que estão quase extintos, não teriam mais voz, porque ninguém escuta aqueles que não criaram sequer empregos para o povo.
                          foto divulgação
O PIG pressiona o STF, mas percebeu que juiz condena se somente houver provas.  
        Além disso, engana-se o cidadão ou o leitor que o “mensalão” vai ajudar os tucanos ou se tornar uma pauta irremediavelmente destrutiva para o governo trabalhista de Dilma Rousseff ou para o Lula ou para o PT ao ponto de influenciar nas eleições de outubro ou para presidente em 2014. O PT depois desse caso venceu as eleições de 2006 e 2010 e vai continuar sua luta em prol da inclusão social dos brasileiros e do desenvolvimento econômico do Brasil, apesar da demonização promovida pela imprensa alienígena, a mesma que foi cúmplice e protagonista do golpe militar de 1964 que levou João Goulart à morte no exílio, que fez Getúlio Vargas cometer suicídio, que perseguiu sem trégua e ferozmente Leonel Brizola, que tentou, em 2005, dar um golpe branco em Lula, além de atacá-lo duramente até hoje.

         Para quem não sabe, a imprensa entreguista e de negócios privados faz com o PT o que fez com o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) nos anos 40, 50 e 60. O problema da imprensa é que no julgamento do STF as pessoas tem o direito de defesa garantido, bem como o contraditório é a essência de qualquer julgamento que se baseia em um estado democrático de direito. Quero ver se os juízes do STF vão ter coragem de condenar, por exemplo, o ex-ministro José Dirceu sem provas e sem ouvir seus advogados. Quem julga o "mensalão" são os juízes e não os jornalistas e seus patrões. A imprensa tem hora marcada com a verdade. É isso aí. 

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Os crimes de FHC serão punidos? (E a imprensa só pensa no "mensalão")

Por Altamiro Borges

     No grande circo armado pela mídia para o “julgamento do século” do chamado “mensalão do PT”, até o ex-presidente FHC foi ressuscitado. Ontem (6), na abertura da 32ª Convenção do Atacadista Distribuidor, no Riocentro, ele reforçou o linchamento midiático exigindo a imediata punição dos réus. Na maior caradura, ele esbravejou: “Depois que eu ouvi do procurador-geral da República, houve crime. Crime tem que ser punido… Tenho confiança de que eles [STF] julgarão com serenidade, mas também com Justiça”. 
                          foto: divulgação
FHC, o Neoliberal, vendeu o Brasil e jamais se recolhe à sua insignificância.
     FHC já pediu para esquecer o que ele escreveu. Mas não dá para esquecer as denúncias de corrupção que mancharam o seu triste reinado. O ex-presidente não tem moral para exigir punição de qualquer suspeito de irregularidades. Desde que foi desalojado do Palácio do Planalto, o rejeitado ex-presidente tenta se travestir de paladino da ética com objetivos meramente políticos e eleitoreiros. Ela agora explora oportunisticamente o julgamento no STF para impulsionar e animar as campanhas dos demotucanos às eleições de outubro.

A lista dos crimes tucanos

     Se um dia houver, de fato, Justiça no país, FHC é que será julgado e punido por seus crimes. Listo abaixo alguns que merecem rigoroso julgamento da história:

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    Denúncias abafadas: Já no início do seu primeiro mandato, em 19 de janeiro de 1995, FHC fincou o marco que mostraria a sua conivência com a corrupção. Ele extinguiu, por decreto, a Comissão Especial de Investigação, criada por Itamar Franco e formada por representantes da sociedade civil, que visava combater o desvio de recursos públicos. Em 2001, fustigado pela ameaça de uma CPI da Corrupção, ele criou a Controladoria-Geral da União, mas este órgão se notabilizou exatamente por abafar denúncias.

     Caso Sivam. Também no início do seu primeiro mandato, surgiram denúncias de tráfico de influência e corrupção no contrato de execução do Sistema de Vigilância e Proteção da Amazônia (Sivam/Sipam). O escândalo derrubou o brigadeiro Mauro Gandra e serviu para FHC “punir” o embaixador Júlio César dos Santos com uma promoção. Ele foi nomeado embaixador junto à FAO, em Roma, “um exílio dourado”. A empresa ESCA, encarregada de incorporar a tecnologia da estadunidense Raytheon, foi extinta por fraude comprovada contra a Previdência. Não houve CPI sobre o assunto. FHC bloqueou.

     Pasta Rosa. Em fevereiro de 1996, a Procuradoria-Geral da República resolveu arquivar definitivamente os processos da pasta rosa. Era uma alusão à pasta com documentos citando doações ilegais de banqueiros para campanhas eleitorais de políticos da base de sustentação do governo. Naquele tempo, o procurador-geral, Geraldo Brindeiro, ficou conhecido pela alcunha de “engavetador-geral da República”.

     Compra de votos. A reeleição de FHC custou caro ao país. Para mudar a Constituição, houve um pesado esquema para a compra de voto, conforme inúmeras denúncias feitas à época. Gravações revelaram que os deputados Ronivon Santiago e João Maia, do PFL do Acre, ganharam R$ 200 mil para votar a favor do projeto. Eles foram expulsos do partido e renunciaram aos mandatos. Outros três deputados acusados de vender o voto, Chicão Brígido, Osmir Lima e Zila Bezerra, foram absolvidos pelo plenário da Câmara. Como sempre, FHC resolveu o problema abafando-o e impedido a constituição de uma CPI.

     Vale do Rio Doce. Apesar da mobilização da sociedade em defesa da CVRD, a empresa foi vendida num leilão por apenas R$ 3,3 bilhões, enquanto especialistas estimavam seu preço em ao menos R$ 30 bilhões. Foi um crime de lesa-pátria, pois a empresa era lucrativa e estratégica para os interesses nacionais. Ela detinha, além de enormes jazidas, uma gigantesca infra-estrutura acumulada ao longo de mais de 50 anos, com navios, portos e ferrovias. Um ano depois da privatização, seus novos donos anunciaram um lucro de R$ 1 bilhão. O preço pago pela empresa equivale hoje ao lucro trimestral da CVRD.

     Privatização da Telebras. O jogo de cartas marcadas da privatização do sistema de telecomunicações envolveu diretamente o nome de FHC, citado em inúmeras gravações divulgadas pela imprensa. Vários “grampos” comprovaram o envolvimento de lobistas com autoridades tucanas. As fitas mostraram que informações privilegiadas foram repassadas aos “queridinhos” de FHC. O mais grave foi o preço que as empresas privadas pagaram pelo sistema Telebrás, cerca de R$ 22 bilhões. O detalhe é que nos dois anos e meio anteriores à “venda”, o governo investiu na infra-estrutura do setor mais de R$ 21 bilhões. Pior ainda, o BNDES ainda financiou metade dos R$ 8 bilhões dados como entrada neste meganegócio. Uma verdadeira rapinagem contra o Brasil e que o governo FHC impediu que fosse investigada.

     Ex-caixa de FHC. A privatização do sistema Telebrás foi marcada pela suspeição. Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-caixa das campanhas de FHC e do senador José Serra e ex-diretor do Banco do Brasil, foi acusado de cobrar R$ 90 milhões para ajudar na montagem do consórcio Telemar. Grampos do BNDES também flagraram conversas de Luiz Carlos Mendonça de Barros, então ministro das Comunicações, e André Lara Resende, então presidente do banco, articulando o apoio da Previ para beneficiar o consórcio do Opportunity, que tinha como um dos donos o economista Pérsio Arida, amigo de Mendonça de Barros e de Lara Resende. Até FHC entrou na história, autorizando o uso de seu nome para pressionar o fundo de pensão. Além de “vender” o patrimônio público, o BNDES destinou cerca de 10 bilhões de reais para socorrer empresas que assumiram o controle das estatais privatizadas. Em uma das diversas operações, ele injetou 686,8 milhões de reais na Telemar, assumindo 25% do controle acionário da empresa.

     Juiz Lalau. A escandalosa construção do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo levou para o ralo R$ 169 milhões. O caso surgiu em 1998, mas os nomes dos envolvidos só apareceram em 2000. A CPI do Judiciário contribuiu para levar à cadeia o juiz Nicolau dos Santos Neto, ex-presidente do TRT, e para cassar o mandato do senador Luiz Estevão, dois dos principais envolvidos no caso. Num dos maiores escândalos da era FHC, vários nomes ligados ao governo surgiram no emaranhado das denúncias. O pior é que FHC, ao ser questionado por que liberara as verbas para uma obra que o Tribunal de Contas já alertara que tinha irregularidades, respondeu de forma irresponsável: “assinei sem ver”.

     Farra do Proer. O Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Sistema Financeiro Nacional (Proer) demonstrou, já em sua gênese, no final de 1995, como seriam as relações do governo FHC com o sistema financeiro. Para ele, o custo do programa ao Tesouro Nacional foi de 1% do PIB. Para os ex-presidentes do BC, Gustavo Loyola e Gustavo Franco, atingiu 3% do PIB. Mas para economistas da Cepal, os gastos chegaram a 12,3% do PIB, ou R$ 111,3 bilhões, incluindo a recapitalização do Banco do Brasil, da CEF e o socorro aos bancos estaduais. Vale lembrar que um dos socorridos foi o Banco Nacional, da família Magalhães Pinto, a qual tinha como agregado um dos filhos de FHC.

     Desvalorização do real. De forma eleitoreira, FHC segurou a paridade entre o real e o dólar apenas para assegurar a sua reeleição em 1998, mesmo às custas da queima de bilhões de dólares das reservas do país. Comprovou-se o vazamento de informações do Banco Central. O PT divulgou uma lista com o nome de 24 bancos que lucraram com a mudança e de outros quatro que registraram movimentação especulativa suspeita às vésperas do anúncio das medidas. Há indícios da existência de um esquema dentro do BC para a venda de informações privilegiadas sobre câmbio e juros a determinados bancos ligados à turma de FHC. No bojo da desvalorização cambial, surgiu o escandaloso caso dos bancos Marka e FonteCindam, “graciosamente” socorridos pelo Banco Central com 1,6 bilhão de reais. Houve favorecimento descarado, com empréstimos em dólar a preços mais baixos do que os praticados pelo mercado.

     Sudam e Sudene. De 1994 a 1999, houve uma orgia de fraudes na Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), ultrapassando R$ 2 bilhões. Ao invés de desbaratar a corrupção e pôr os culpados na cadeia, FHC extinguiu o órgão. Já na Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), a farra também foi grande, com a apuração de desvios de R$ 1,4 bilhão. A prática consistia na emissão de notas fiscais frias para a comprovação de que os recursos do Fundo de Investimentos do Nordeste foram aplicados. Como fez com a Sudam, FHC extinguiu a Sudene, em vez de colocar os culpados na cadeia.