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quarta-feira, 27 de maio de 2015

Contra-reforma de Cunha, Gilmar, centrão e magnatas bilionários é derrotada. É isso aí



Por Davis Sena Filho — Palavra Livre

 
DERROTADOS
A Câmara dos Deputados tem um centrão, que não é ideologicamente de centro, mas, sim, de direita. Uma direita de “baixo clero”, pouco intelectualizada e antenada com as questões e os interesses do Brasil. Por sua vez, os parlamentares do centrão o são essencialmente patrimonialistas e preocupados com seus futuros políticos, bem como em defender os interesses da burguesia, que alimenta a ambição e a ganância dessa turma disposta a botar pra quebrar, porque não se importa com o País e não quer atender aos interesses e às reivindicações da sociedade brasileira.

Eduardo Cunha, deputado do PMDB do Rio de Janeiro, é o presidente do Legislativo, da chamada Câmara Baixa. Recém-eleito, deixou claro que iria combater qualquer tentativa de um plebiscito sobre a reforma política, bem como teve o apoio do juiz Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que segurou a votação sobre itens da reforma política ao pedir vista do processo, que há mais de um ano está engavetado por este magistrado de direita, que há muito tempo faz oposição política aos governos trabalhistas de Lula e de Dilma, bem como, sem sombra de dúvida, tornou-se a âncora da oposição e das mídias privadas quando elas precisam de aliados de seus interesses no Judiciário.

O placar da votação era de 6 a 1. Gilmar ao perceber a derrota, congelou o processo e esperou Eduardo Cunha assumir a Presidência da Câmara, porque, além de aliado, estava a defender causas como a efetivação do distritão e da permissão de empresários continuarem a financiar as campanhas eleitorais. São estes os dois pontos principais, do vários que foram votados. Este juiz é realmente a herança maldita que o ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso — o Neoliberal I — deixou para o Brasil, além das tentativas frustradas e ridículas de aprovar um impeachment contra uma mandatária que venceu as eleições de forma limpa e democrática, sem incorrer em crimes de responsabilidade.

Contudo, a verdade é a seguinte: Eduardo Cunha, Gilmar Mendes, o centrão de “baixo clero” — patrimonialista, os magnatas bilionários de todas as mídias cruzadas e seus sequazes deram com os burros n’água. Por causa disto, vão ter de criar e inventar novas trampolinices, picaretagens, golpes e situações artificiais, que visem desgastar, desqualificar e desconstruir o Governo Trabalhista e prejudicar a autonomia do povo brasileiro de votar no candidato e partido que quiser e jamais apenas referendar o que os políticos financiados por grandes empresários, que controlam os partidos decidam e escolham no lugar dos eleitores.

Nunca vi os senhores Eduardo Cunha e Gilmar Mendes agirem ou procederem a favor dos interesses republicanos, da independência do Brasil e da emancipação de seu povo. Realmente, nunca os vi nos papéis de porta-vozes de causas justas. Deve ser a vocação, nata, para se pensar e fazer o mal, e, consequentemente, pavimentar a estrada do atraso e do retrocesso. Tem gente que nasce assim, e que, no decorrer do tempo, aumenta o tamanho de seu baú de malvadezas, bem como se torna mestre em manusear as ferramentas políticas e jurídicas que assegurem o status quo da Casa Grande.

Então, vejamos: quais são os motivos de os empregados jornalistas dos magnatas bilionários de imprensa defender o financiamento privado de campanhas eleitorais, se eles mesmos veiculam, irradiam e publicam matérias jornalísticas, que comprovam ser o financiamento empresarial e, portanto, privado, o maior responsável pela corrupção nos setores públicos?

E por que um juiz, com a experiência de Gilmar Mendes, resolve fazer um ato de desrespeito aos interesses da sociedade organizada, que deixou claro e evidente que é contra o financiamento público de campanhas eleitorais? Afinal, o magistrado pediu vistas do processo e nunca mais o devolveu, pois, sobretudo, seu comportamento foi uma ação política.

Quanto a Eduardo Cunha, compreende-se, apesar de não se aprovar sua conduta perante a reforma política. Cunha sempre foi parceiro dos interesses de empreiteiros e dos barões de imprensa, porque, antes de tudo, sempre foi ligado ao grande empresariado, desde quando entrou na política.

O presidente da Câmara foi derrotado, fato este que atinge seus aliados de oposição, bem como a Gilmar Mendes, cuja ação de pedir vistas do processo para impedir o plebiscito de reforma política e favorecer a aprovação de pontos que a sociedade não deseja, na Câmara dos Deputados. É o fim da picada seu casuísmo e arrogância.

O mandatário do Legislativo pensou que fosse passar o trator por cima da base do Governo Trabalhista, da sociedade organizada e de muitos de seus aliados, que, evidentemente, perceberam que alguns pontos da reforma proposta por Cunha, a exemplo do distritão, da transformação de eleições para deputados e vereadores em majoritárias, das listas fechadas e pré-ordenadas, além da aprovação do financiamento privado de campanhas eleitorais, os prejudicariam, porque colocariam em risco suas próprias sobrevivências políticas.

O político pode compor, apoiar, fazer oposição, abandonar ou mudar de ideologias. Pode até mudar de lado e trair. Contudo, jamais o político vai se suicidar politicamente, e era isto que Eduardo Cunha propunha: uma reforma antidemocrática, autoritária, elitista e sectária dentro dos partidos, que iria privilegiar os “donos” das legendas, das agremiações partidárias, ou seja, os políticos com poder e mando, além de apoiados pelo grande empresariado. Ponto.

Este processo draconiano, obviamente, não foi aceito pela maioria dos parlamentares, muitos deles de oposição ao Governo de Dilma Rousseff e ao PT. Ser enforcado é uma coisa. Se enforcar é outra. A autofagia não consta nos propósitos da luta política. Há uma grande diferença. E os políticos não estão dispostos a se enforcar, ou seja, enfraquecer-se politicamente em prol de outros, que podem tomar os seus lugares. Eis a questão primordial.

O resto é conversa para boi dormir. Demências ou picardias de especialistas de prateleiras, como os da Globo News; e de colunistas de impressos, a exemplo de Veja, Época, Folha, Estado e Globo, que no fundo não queriam a reforma política, mas, sim, a continuidade de tudo o que já está aí, especialmente o financiamento privado de campanhas eleitorais. Políticos tem um instinto de sobrevivência apurado, muito desenvolvido, e, seguramente, não se deixariam cair nas armadilhas de Eduardo Cunha, Gilmar Mendes e seus apoiadores, dentre eles os magnatas bilionários de imprensa.

Nessas ocasiões, eles rompem, momentaneamente, até mesmo com o establishment. Não ouvir a população, ainda mais quando ela apresenta suas reivindicações por intermédio de suas instituições, órgãos, organizações, associações, sindicatos e entidades variadas é como dar um tiro no pé ou se atirar de um precipício.

Por sua vez, parcela importante dos políticos de oposição não atendeu a Eduardo Cunha, porque compreende muito bem que fogo “amigo” não dói, até porque os inimigos são o Governo Dilma, o PT, e, principalmente, o ex-presidente trabalhista Luiz Inácio Lula da Silva, que poderá ser candidato a presidente da República em 2018. O político ao votar a reforma na Câmara, ponderou: “Farinha pouca, meu pirão primeiro”. É isso aí.

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