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sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Temer é a elite paulista, dissimula, mas o golpe corre nas veias do PMDB

Por Davis Sena Filho — Palavra Livre


O paulista Michel Temer, o vice-presidente da República, não resistiu e disse, em debate promovido pelo Movimento Política Viva, em São Paulo, que a baixa popularidade da presidenta Dilma Rousseff pode acarretar o abreviamento de seu mandato, porque será “difícil” resistir. “O que nós precisamos não é torcer, é trabalhar para que nós possamos estabilizar essas relações. Se continuar assim, eu vou dizer a você, para continuar 7%, 8% de popularidade, de fato fica difícil passar três anos e meio".

Eu não sei o que acontece com alguns políticos, porque o fato de o vice-presidente se encontrar com as pessoas não tem problema algum, afinal ele é uma autoridade constituída e vivemos em uma democracia, que teima em se constitucionalizar e se instituir, o que ajuda muito a dificultar as tentativas de golpes, porque temos, no Brasil, uma “elite” antidemocrática e irresponsável, que insiste em dar golpe em uma mandatária trabalhista, porque ela agora tem pouca aprovação popular, segundo as pesquisas de empresas privadas.

As intenções e as tentativas para se efetivar um processo de impeachment que permita a destituição de Dilma Roussef do poder são muitas e variadas. Contudo, tais iniciativas não tem lastro, porque, essencialmente, são ilegais, conforme a letra fria da Lei. A questão que as pessoas deveriam perceber é que para derrubar um presidente do poder é necessário muito mais do que a impopularidade, que é subjetiva, porque a verdade é que quem se mostra insatisfeita como o Governo Trabalhista é a classe média, a classe média alta e os ricos, bem como poucas pessoas de origem mais humilde, mas, que, sobretudo, acompanham apenas a onda de insatisfação de uma classe média consumidora do noticiário e das opiniões das mídias conservadoras e de seus aliados — o PSDB, o DEM e o PPS, além de outros partidos de aluguéis.

Michel Temer sabe disso e se aproveita. E por quê? Porque Temer é paulista, politicamente conservador e sempre vai olhar para os interesses de São Paulo, Estado poderoso e historicamente opositor aos partidos e aos mandatários trabalhistas desde os tempos de Getúlio Vargas. Ele sabe muito bem que ir a uma reunião, convidado por uma socialite paulistana é a mesma coisa que entrar no covil dos adversários do Governo Trabalhista — o governo que ele integra. Evidentemente que a segunda autoridade da República compreende que alguém iria gravar suas palavras e imagem, bem como as distribuiria rapidamente ao partido de oposição mais poderoso deste País: o Partido da Imprensa.

Por sua vez, além de todas as questões que estão à mesa da política, uma delas é de grande importância. Michel Temer é do PMDB, partido que já é oposição ao Governo Dilma e quer fazer dela refém, engessá-la politicamente no Congresso, a acarretar que seu governo fique preso em um labirinto sem saída e repleto de crises, até que o sistema estatal representado pelo STF e MP faça sua parte, que é o de dar legitimidade a um golpe, como o que ocorreu no Paraguai, contra uma presidenta eleita legitimamente com 54,5 milhões de votos.

O PMDB é uma sigla oportunista e que está sempre a cortejar o poder. Entretanto, governar um País continental como o Brasil é impossível sem a presença do PMDB, em forma de coalizão, porque as realidades regionais não refletem obrigatoriamente às da esfera federal, o que torna presidir e governar o Brasil similar a uma colcha de retalhos, porque um processo político complexo, pois muito difícil, no que tange a formalizar coligações partidárias e, com efeito, conquistar apoio para que um presidente possa governar sem sobressaltos e com estabilidade institucional e política. Ponto.

Não sei se Michel Temer vai trair. Não seria imprudente para fazer tal afirmativa, mas suas palavras, atitudes e ações o são de uma autoridade que está prestes a abandonar o barco ou a pular o muro para o lado da oposição, de forma oficial. Temer não é nada parecido com o José Alencar, o vice do ex-presidente Lula. Alencar era um político moderado, mineiro, além de ser um grande empresário do setor têxtil, com perfil nacionalista, fiel e leal àqueles com quem ele firmava compromissos. Jamais tergiversou no que diz respeito às suas responsabilidades, não ouvia o canto da sereia e muito menos se dava ao direito de se submeter a leviandades.

Temer, ao contrário de Alencar, que entrou na política com certa idade, desde jovem é um político profissional, filho da burguesia paulista, com vasto conhecimento constitucional e que se fez cacique no PMDB paulista e nacional. O peemedebista tem influência, muito conhecimento de bastidores e conhece profundamente a alma do parlamento e os grotões de seu partido. Ele abandonou a articulação política do Governo Dilma e deixou a presidenta em uma saia justa.

E por quê? Porque políticos de muita influência do PMDB e sua bancada no Congresso e com a posse do deputado Eduardo Cunha na Presidência da Câmara, o PMDB saiu fortalecido e, oportunista que é, está a abandonar o Governo Trabalhista, como o fez com os tucanos, quando percebeu que o futuro presidente Lula iria vencer as eleições de 2002. Note-se que o vice de Lula não era do PMDB, mas de um pequeno partido, mas mesmo assim os peemedebistas compuseram com o petista em seus dois governos, além de terem dado sustentação à administração Dilma, em seu primeiro mandato.

Eis que agora, Michel Temer se afasta do Governo e tenta dissimular ou amenizar tal afastamento. Uma ação imprudente, porque Dilma é alvo de uma violenta campanha de desmoralização e desqualificação de seu Governo, bem como sua imagem pessoal é desconstruída, dia a dia e sistematicamente pela oposição feroz dos tucanos, dos magnatas bilionários de imprensa e de seus empregados de confiança, que estão até hoje em cima do palanque, porque, furiosos, rancorosos e inconformados, não aceitam, de forma alguma, que mandatários petistas governem o Brasil pela quarta vez consecutiva, ou seja, 16 anos.

Por isto e por causa disto, existe uma gigantesca e intensa mobilização para que os tucanos e seus aliados reconquistem o poder, nem que seja por intermédio de um golpe dissimulado por meios judiciais e também extrajudiciais se for necessário. A atmosfera no Brasil de agora tem o cheiro do golpe e, por seu turno, ouvimos palavras como as proferidas por Michel Temer, que considera muito difícil a presidenta Dilma Rousseff chegar até ao fim de seu mandato legítimo, conquistado nas urnas e com a aquiescência da soberania do povo.

Temer é golpista? Não sei... Mas, por meio de suas palavras, certamente que a autoridade fomenta o golpe. É como se ele apagasse a fogueira com gasolina. Mesmo a considerar que o vice-presidente tem o direito de falar, pois vivemos em uma democracia edificada pelo Estado de Direito, Temer não deveria fazer tais exclamações para um público notadamente oposicionista, radical à direita, elitista, sectário e com propósitos golpistas, como cansou de demonstrar inúmeras vezes.

Ir ao encontro dessa gente e participar de reunião é uma coisa. Agora, causar controvérsias e facilitar o ôba-ôba de uma imprensa de mercado notadamente feroz e violenta contra o Governo do qual ele participa é realmente imprudência, insensatez, desfaçatez ou simplesmente uma ação politica proposital, que sinaliza mais uma vez que o PMDB desceu do barco e agora espera para dar o bote e, com efeito, ser o aliado principal de uma base de sustentação de um próximo governo, como aconteceu repetidamente em sua história.

Outrossim, talvez Michel Temer e seus correligionários querem, de fato e agora, que o PMDB assuma a Presidência da República pela primeira vez em sua história por intermédio da traição e do golpe. Temer foi irresponsável. Ninguém sabe como um golpe acaba. O vice-presidente tem a obrigação constitucional e institucional de defender o Governo, além de ser leal com aqueles que o aceitaram para formar a chapa com Dilma Rousseff.

Trata-se de respeito e caráter. Não apenas de política e de seus duros embates, conflitos e antagonismos. O Brasil não é uma República das Bananas, e há muito tempo, apesar de termos uma casa grande oposicionista, subalterna e subserviente aos ditames dos estrangeiros, bem como portadora de um incomensurável complexo de vira-lata.


Michel Temer deveria refletir sobre sua conduta, porque a propaganda política do PMDB no dia de ontem foi uma ode ao golpe. Verdadeiro panfleto antidemocrático, porque, apesar de dúbio, conspira, sobretudo, contra os interesses do povo brasileiro, a democracia e a presidenta Dilma Rousseff, que tem o direito constitucional e legal de governar. Temer é a elite paulista, dissimula sobre sua alma de 1932, mas o golpe corre nas veias do PMDB. Dilma não cai! É isso aí.

11 comentários:

Unknown disse...

Gostaria que alguém me explicasse a foto do link abaixo:

http://www.blogdogarotinho.com.br/MostraFoto.aspx?nome=20150904_dirceufhc.jpg

Jorge Marcelo disse...

Em um congresso internacional de medicina.

O médico alemão diz:
Na Alemanha, fazemos transplantes de dedo. Em 4 semanas o paciente está procurando emprego.
O médico espanhol afirma:
A medicina espanhola é tão avançada que conseguimos fazer um transplante de cérebro. Em 6 semanas o paciente está procurando emprego.
O médico grego disse:
Temos um trabalho de recuperação de bêbados. Em 15 dias o indivíduo pode procurar emprego.
O médico norte americano disse:
Nos Estados Unidos implantamos um chip no cérebro do individuo analfabeto e em uma semana ele estará alfabetizado e apto para procurar emprego.
O médico brasileiro diz orgulhoso:
Isso não é nada! No Brasil, nós pegamos um cara, analfabeto, sem dedo, sem cérebro, e chegado a uma pinga, colocamos na presidência da república e agora o país inteiro está procurando emprego.

Henrique R disse...

FHC em seu “grande” governo/PSDB disse que traiu os interesses da pátria e que é bom ser brasileiro que ninguém dá bola.
Ele sempre omitiu à sociedade o debate sobre o desenvolvimento – ele só ouvia o FMI.
O agravamento da crise mundial não entra no plano conservador da elite paulista e o que é o pior, o mais grave, desqualifica a política, ou seja, tenta acabar com a democracia.
Assim são alguns políticos com DNA paulista – conservador e intolerante.
Assim são alguns comentários ridículos sobre o Brasil que não acrescentam nada a ninguém.
É Davis, tomara o Brasil pulse mais no peito do Temer do que o conservadorismo paulista!
De qualquer maneira, temos que ter como única resposta, a Democracia.

Como sempre, parabéns pelo texto Davis.

Davis Sena Filho disse...

Obrigado, Henrique.

Horácio Peralta disse...

Jorge Cafajeste Mar elo deve estar falando de si ou do seu pai, que deve ter vergonha de ter um filho merda e coxinha como este tucanalha burro.

Paulo Blanc disse...


Não é Jorge Cafajeste Marcelo. O sobrenome desse jegue é Marinho. Hahahahahaha Um babava digno de pena. Como um bota desse entenderá textos elaborados como do Davis? Nunca!

Anônimo disse...

pau no cu do PT

TUCANALHA FDP disse...

E da tua mãe também

Marcos Lúcio disse...

Mais do que a sempre prudente desconfiança, temos, se lúcidos formos, de temer: TEMER, PMDB, PSDB, DEM, PPS, BANCADA EVANGÉLICA, ELITE PAULISTA, PIG , classe média cosinha, enfim, toda a direitalha/ direitopata golpista.

Marcos Lúcio disse...

Classe média coxinha.

Jorge disse...

Qualquer deputado com um minimo ética.