segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Black blocs da Globo violam a sanidade para termos o primeiro cadáver

Por Davis Sena Filho Blog Palavra Livre

A ÉPOCA É A GLOBO E A GLOBO É O BLACK BLOC

Estou cansado de afirmar que a imprensa de negócios privados é uma das maiores incentivadoras dos movimentos de rua também chamados genericamente de protestos “contra a corrupção que está aí”. Protestos, sobretudo, “apartidários”, “apolíticos” e principalmente “pacíficos”, conforme gostam de apregoar os coxinhas de classe média e os que usavam as máscaras e as batas dos anonymous, que praticamente se retiraram dos combates de rua, porque o bicho pegou, e, coxinha que se preze, coxinha oportunista e esperto “pra” valer não vai se expor a ser preso ou tomar porrada de policial ou ser ferido por qualquer pedestre que se sinta ameaçado ou segurança que defenda o patrimônio de seu patrão.

Então, a violência nas ruas ficou por conta mesmo de grupos específicos, a exemplo dos black blocs e de partidos de extrema esquerda, que fazem oposição sistemática ao Governo trabalhista, a se unir, como sempre aconteceu na história do Brasil e por interesses distintos, com a burguesia e suas representações empresariais, partidárias e ideológicas de direita e de extrema direita. Exatamente como ocorreu com os presidentes Getúlio Vargas e João Goulart, que enfrentaram crises políticas gravíssimas, promovidas pelos inquilinos da Casa Grande deste País. E deu no que deu: Getúlio se matou e Jango foi deposto e somente retornou ao Brasil dentro de um caixão.

Contudo, os radicais de esquerda não se importam ou não compreendem, agem de forma desmiolada, e, consequentemente, vão ao encontro de tudo aquilo que a direita quer: fatos geradores de crises políticas e institucionais, além de ações violentas que colocam o estado democrático de direito em xeque, a acarretar o emparedamento do governo trabalhista, que há quase 12 anos é enxovalhado pela imprensa de mercado, bem como o Partido dos Trabalhadores é satanizado e seus líderes são absurdamente julgados e presos, sem culpas comprovadas, além de serem alvos constantes de promotores do MPF e de juízes do STF, porque vaidosos,  midiáticos e autoritários optaram por fazer política e pouco se importaram com as realidades determinadas pelos autos dos processos.

A esquerda desmiolada e que não tem condições materiais, de logística e gente preparada e treinada para dar início a uma revolução nos moldes tradicionais e históricos. A especial e necessária radicalidade dos revolucinários, com causa e conhecimento, porém, no momento, órfã de lideranças realmente ideológicas e pragmáticas, que compõem, propositalmente e também ingenuamente, com a direita mais feroz e violenta deste País, lugar onde vicejava a escravidão e que ainda hoje perdura, de forma infame, porque ainda se prendem pessoas em postes com travas de automóveis, a lembrar os grilhões da escravidão, como, recentemente, ocorreu com um adolescente, negro, pobre e que cometia furtos no nobre e aprazível Flamengo.

Um dos bairros da Zona Sul do Rio, cujos seguranças, comerciantes e moradores de classe média resolveram se juntar em uma quadrilha de bandidos, que, anonimamente e covardemente, resolveu fazer justiça com as próprias mãos, e, por seu turno, abrir espaço à barbárie e à falta de qualquer respeito pela entidade humana, mesmo se tal pessoa for desonesta e realiza furtos. Essa abjeta realidade se reporta ao garoto tratado não somente como ladrão, mas, sobretudo, como um negro pobre e abusado, que ousou roubar a classe média, que sonha em morar na Casa Grande. Por isto e por causa disto seu preço foi pagar com sua nudez, seu sangue e, evidentemente, com a extrema humilhação de ter em seu pescoço um grilhão que remonta à escravidão e tudo aquilo que a humanidade tem mais de funesto, perverso e hediondo em sua alma e em seu coração.

Até hoje, apesar de os exemplos do passado, a esquerda infantil — aquela que quebra, destrói e incendeia o patrimônio público e privado — não compreendeu que, para enfrentar a burguesia — a direita adulta —, torna-se necessário um programa de governo, além de um projeto de País, pois somente assim se dá início à repartição do bolo, ou seja, das riquezas produzidas no País, porque sabemos que nosso momento histórico não permite a luta armada para que se possa ter uma revolução tradicional, como, por exemplo, ocorreu em Cuba ou na Nicarágua na década de 1980.

O PT, como afirmei em outros artigos, é um partido trabalhista e integrado por socialistas. Suas lideranças e principais políticos são reformistas e deixaram há muito tempo de pregar a revolução. Por sua vez, o Brasil tem uma das burguesias mais perversas, violentas e egoístas do mundo. Os donos da Casa Grande escravizaram seres humanos por quase 400 anos, o que veio a se tornar a escravidão de ordem meramente mercantilista mais longa da história da humanidade. Uma vergonha. Ponto! Portanto, não é à toa que também temos uma classe média tradicional e média alta das mais reacionárias e preconceituosas do planeta. Se tal fato é considerado inverossímil, basta o leitor pesquisar na internet e ler o que os coxinhas áulicos da perversidade afirmam sobre as amarras do garoto do poste, no bairro do Flamengo.

Entretanto, a questão primordial de tudo o que escrevi até agora (e que isto fique claro) é o fato de a imprensa de direita, golpista por natureza, resolver abrir sua bocarra, e, sistematicamente, tentar fazer crer ao público que tal imprensa, propriedade de magnatas bilionários que detestam o Brasil, não tem a mínima culpa no cartório quando se trata da morte do trabalhador de mídia e cinegrafista da Band — empresa dos barões Saad. Porém, a imprensa burguesa e seus títeres têm culpa, sim, porque sempre anunciaram e repercutiram a violência das ruas a amenizar suas causas e conseqüências. A imprensa irresponsável e transformada em partido político, que cutuca leões selvagens com vara curta.   

O cinegrafista Santiago Andrade foi morto em sua atividade profissional, e, quando a poeira baixar, certamente que sua família deverá procurar seus direitos na Justiça. É o caminho, apesar da falsa comoção de um sistema midiático frio, calculista, triturador da honra alheia e que não mede e nunca mediu conseqüências para derrotar ou destruir seus adversários políticos e econômicos que, porventura, não rezem por intermédio de suas “bíblias”. Exatamente por isto que os barões magnatas bilionários fazem questão de tratá-los como inimigos.

A verdade é que são dois os motivos pelos quais a imprensa de caráter absolutamente empresarial luta. O primeiro é a eleição para presidente em outubro. Osegundo motivo é evitar que as manifestações violentas, pois nunca pacíficas, cheguem às sedes de suas empresas, bem como também “impedir” que os protestos comecem realmente a questionar o papel da imprensa alienígena, cúmplice e parceira da ditadura militar, no Brasil. Os fotógrafos, os cinegrafistas, os repórteres, os motoristas dos carros de reportagens da Rede Globo, por exemplo, pararam imediatamente de cobrir as manifestações “pacíficas” nos locais onde aconteciam quando passaram a ser rejeitados pela turba.

O medo foi grande e a percepção de que a Globo e seus profissionais podem ser rejeitados e questionados bateu como uma marreta na cabeça de um boi sacrificado em matadouro do interior. A sede da Globo, da Veja e de outras empresas de mídias foram pichadas, sendo que jogaram cocô nas paredes de uma das sedes da Globo. Sem vacilar, a direção de jornalismo da Globo deu ordem para que os repórteres cobrissem a marca da empresa nos microfones, escondessem os crachás, não usassem camisas com a logomarca da empresa e desse modo evitar contestações, agressões verbais ou físicas, bem como serem expulsos dos locais dos protestos. Nada adiantou. As pessoas xingaram os profissionais, que estão a trabalhar, além de portarem cartazes, gritarem palavras de ordem, bem como fazer cantorias contra aquela que se julga a Vênus Platinada, acostumada a cagar regra e pensar que toda a sociedade brasileira está sob seu jugo. Ledo engano...

As manifestações “pacíficas” da Globo impediram que seus empregados trabalhassem in loco. Tiveram de cobrir os acontecimentos e as ocorrências de helicóptero. O feitiço virou contra o feiticeiro, porque a Globo provou de seu próprio veneno. O escorpião picou a si mesmo. Os black blocs são a Globo e a Globo é o maior e mais poderoso black bloc da Nação brasileira. Black blocs da direita adulta e da esquerda infantil violam a sanidade para termos o primeiro cadáver. Infelizmente. É isso aí.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

FLOR DO DESERTO


ESPAÇO BICO DE PENA  BLOG PALAVRA LIVRE

 
A flor
Brotou
No chão
Do
Deserto
Estéril

O sol
Queimou
As
Pétalas
Da flor

Logo
Depois
Veio
Sem dó
Um
Réptil

E
Comeu
Da
Flor
O que
Restou

O
Deserto
Perdeu
Um
Pouco
Ou
Muito
De sua
Cor

Pois
É na
Flor
Que se
Traduz
O amor

Que
Gera
Em nós
A
Essência
Do
Universo

Como
A flor
Foi-se
Embora

Vou dar
Fim
A esta
História

Fiquei
Muito
Triste

E não
Vou
Contar
O
Resto

Do
Verbo

Davis Sena Filho
1985 

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Helena Chagas era a Secom “foca”



Por Davis Sena Filho Blog Palavra Livre

HELENA CHAGAS: BYE!  BYE!
Helena Chagas, à frente da Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência da República, comportou-se como uma jornalista “foca” — a Secom “foca”. Não por ser profissionalmente uma “foca”, como são chamados os jornalistas em início de carreira, mas, sobretudo, por parecer uma “foca” de apresentação circense, a bater palmas enquanto o circo pega fogo e ela se omite e se afasta do processo de embate, a tocar lira e a não responder à altura aos ataques sistemáticos ao Governo trabalhista nos três anos que chefiou a Secom.

A Secretaria é um órgão estratégico para qualquer governo e sempre deveria ser ocupada por quem tem discernimento para perceber os acontecimentos políticos e, principalmente, coragem para enfrentar uma imprensa de negócios privados e controlada por meia dúzia de famílias bilionárias e extremamente conservadoras, que tratam, arbitrariamente, o Brasil de 200 milhões de habitantes e que é a sexta economia do mundo em grandeza como os quintais das casas delas.

Há muito tempo a atuação da jornalista Helena Chagas é questionada pelo PT, por seus políticos eleitos e também pelos seus militantes. Nunca, em momento algum, a Secom tratou como rotina a ser cumprida o fato de mostrar as realizações do Governo trabalhista, bem como rebater, sem demora e com firmeza, as acusações e denúncias contra o Governo do qual Helena Chagas participou.

Diga-se de passagem, acusações e denúncias muitas vezes infundadas, além de notícias repercutidas em off e declarações da oposição de direita, que, invariavelmente, considera quaisquer questões ou problemas a serem resolvidos em um “Deus nos acuda”, cujo propósito é desgastar a imagem do Governo, da presidenta Dilma Rousseff, do PT e, consequentemente, sabotar os programas sociais, alguns tidos como referências em âmbito internacional, porque o que vale para a imprensa familiar e alienígena é a luta política, que vai ter seu ápice em outubro deste ano quando o povo brasileiro vai às urnas escolher o político que vai sentar na cadeira da Presidência da República.

Helena Chagas não é uma profissional fraca ou incompetente. Contudo, não é talhada para ocupar um cargo e exercer uma função que requer, antes de tudo, descompromisso com a mídia corporativa, de mercado, que, inquestionavelmente, quer pautar e pauta autoridades da República, a começar por alguns juízes do STF e TJ, promotores do MPF, parlamentares do Senado e da Câmara e até mesmo políticos que ocupam cargos no Executivo e que, por conveniência, cumplicidade e medo, fazem o jogo dos magnatas bilionários de imprensa, que lutam, sem dar trégua, para que a direita brasileira retorne ao poder federal.

A ministra Helena Chagas se conduziu, a meu ver, de maneira pusilânime e acanhada, no que diz respeito à sua atuação como chefe de Comunicação Social do Governo trabalhista. E mais do que isto: jamais defendeu o Governo como deveria fazê-lo, ou seja, rebater e responder a qualquer acusação e denúncia feita pela oposição liderada pelo PSDB, pelo Ministério Público Federal e principalmente pela imprensa empresarial, que no passado apoiou não somente um golpe de estado, bem como foi aliada constante dos cinco presidentes generais que governaram, ilegalmente, este País em um longo período de 21 anos.

Acontece que Helena Chagas é “filha” da imprensa dos barões, particularmente o jornal O Globo e sempre teve, o que não é um pecado, boas relações com o sistema midiático hegemônico e que há mais de dez anos atua e age como um verdadeiro partido político, defensor dos interesses da Casa Grande, das grandes corporações privadas estrangeiras e de governos dos países considerados desenvolvidos, notadamente os Estados Unidos.

A jornalista Helena Chagas compôs com o sistema midiático empresarial e nunca o enfrentou quando era necessário. Ponto! Afinal, ela pertence a um governo cuja comunicação social não consegue ampliar suas realizações para repercuti-las em todo o Brasil. Simplesmente a maioria da sociedade que elege os mandatários trabalhistas, a exemplo de Lula e Dilma, não tem acesso à informação, no que concerne saber e compreender o que está a ser realizado no Brasil em termos de obras em geral e infraestrutura, em particular, além de os inúmeros programas sociais, que são um sucesso, serem desconstruídos pela mídia de caráter golpista, que, incessantemente, luta para que o Brasil não seja independente e que seu povo não conquista a emancipação.

Nunca compreendi o porquê de o PT e de muitos de seus líderes terem a necessidade de flertar com a direita ou com gente pertencente ao sistema, ao establishment, como é o caso de Helena Chagas e de muitos outros que se aproximaram dos trabalhistas e dos socialistas, mas que, no fundo, apenas queriam poder e fama ou talvez apenas ocupar cargos ou dar opiniões para sanarem os vazios de seus orgulhos e vaidades.

Eu defendo o PT, porque acredito em seu programa de Governo e projeto de País. Ponto! Não que o PT não cometa erros, equívocos e que até mesmo alguns de seus membros tenham cedido à tentativa de fazer malfeitos. A questão não é esta. O que me chama a atenção é que o PT ainda cede ao status quo e se envolve com pessoas que não estão dispostas a defender o programa apresentado pelos petistas ao grande e nobre povo brasileiro, a nossa verdadeira elite, porque chique e trabalhador e livre de ter a alma colonizada e com complexo de vira-lata, como acontece com os ricos e a classe média tradicional deste País.

Helena Chagas tão somente se omitiu e atuou como “dama” de companhia da presidenta Dilma Rousseff e não como uma assessora que está no cargo para defender o Governo. Não brigou, não lutou, não respondeu à altura, não divulgou as incontáveis obras e os programas sociais e, sobretudo, não rebateu, de pronto, as acusações — as injustas, e muito menos se dispôs responder, com determinação e firmeza, as muitas denúncias vazias da imprensa golpista, no que concerne a acusar autoridades de cometerem crimes e, depois de algum tempo, ficar comprovado que tal acusado não cometeu delitos, porém, teve sua imagem manchada e sem direito a dar uma resposta contundente através da mídia de seus detratores. Isto aconteceu e esses fatos são inquestionáveis, pois verdadeiros.

Pelo contrário, quando alguém do Governo trabalhista ou setores importantes da sociedade civil falavam em criar uma nova Lei para os Meios de Comunicação, como aconteceu na Argentina, além de existir nos Estados Unidos e na Inglaterra, Helena Chagas sempre fez ouvidos moucos, porque compromissada com o sistema midiático privado, já que foi funcionária com cargo de chefia nas Organizações(?) Globo, bem como em outras empresas as quais ela sempre tratou com pão de ló e com uma paciência que até o Jó, personagem bíblico, a perderia.

A verdade é que a jornalista Helena Chagas não fez o que deveria fazer. Entretanto, a culpa por isto ter acontecido é mais da presidenta Dilma Rousseff do que propriamente da chefe da Secom, que afirmou que vai deixar o cargo em março. Espera-se que o novo titular da Pasta seja um profissional que defenda o Governo trabalhista com rapidez e mostre o Brasil que a imprensa elitista se recusa a mostrar. Para isto, tem de mostrar coragem. Já era tempo e hora de haver mudanças.

Aproximam-se as eleições, que vão ser muito duras e vão mobilizar a direita como ela nunca se mobilizou antes. Os conservadores estão fora do poder há 12 anos e só em pensar em perder de novo outra eleição para os trabalhistas sentem calafrios e o desespero toma conta de suas esperanças de voltar no tempo e, consequentemente, edificar um País do sonho de nossas “elites” herdeiras da escravidão e proprietárias das casas grandes, que é o de desconstruir o que foi feito e, por sua vez, construir um Brasil VIP, portanto, para poucos e a ter como vocação o retrocesso. É isso aí.