segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

O quê o PGR Janot foi fazer nos EUA? Conspirar? A Globo agradece

Por Davis Sena Filho — Palavra Livre

SERÁ QUE O JANOT NÃO SABE QUE GLOBO SEMPRE QUIS ENTREGAR A PETROBRAS?
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, viajou para os Estados Unidos, a acompanhá-lo outros procuradores. Esta notícia foi veiculada pelos meios de comunicação privados, mas não se tornou manchetes, e até mesmo chego a afirmar que passou até mesmo despercebida pela maioria dos sites e blogs, inclusive os progressistas.

Contudo, as perguntas que evidenciam o título deste artigo ainda não foram respondidas pelo procurador-geral e nem pela assessoria de comunicação da PGR, até porque a verdade é que Janot não tem nada para fazer nos Estados Unidos, a não ser acusar o estado brasileiro e, consequentemente, aliar-se, de forma surreal, ao estado norte-americano no caso da Petrobras.

Então, vamos raciocinar: procuradores ou promotores são responsáveis pela defesa da ordem jurídica. Eles acusam e denunciam à sociedade quaisquer indivíduos que, porventura, cometam malfeitos. Já o advogado-geral da União exerce o papel de defensor de todos os poderes da União, além de dar assessoramento jurídico ao Poder Executivo Federal, bem como representa o Brasil perante a justiça de outros países. 

Por sua vez, os corregedores investigam, orientam e fiscalizam a conduta e as atividades dos membros de uma instituição. Todas essas definições, a grosso modo, estão a ser citadas, o que é o suficiente para se ter uma razoável ideia do papel de cada membro dessas três instituições.

Entretanto, o que chama a atenção é a viagem do procurador-geral, Rodrigo Janot, aos Estados Unidos por conta da operação Lava Jato, empreendida pela Polícia Federal. Vamos ver se eu entendi. Uma autoridade brasileira e sua equipe vão aos EUA, subsidiadas pelo dinheiro público, cooperar e, quiçá, aliar-se a um estado estrangeiro, beligerante, responsável por inúmeras guerras por causa do controle do petróleo em âmbito planetário, e que ora é alvo de três processos no país yankee, a apontar: A- ações coletivas de acionistas minoritários; B- Comissão de Valores Mobiliários; e C- ação criminal no Departamento de Estado.

Isto mesmo. Por causa da Lava Jato, o Departamento de Estado da potência nuclear estrangeira, invasora armada e contumaz de países e nações por causa da luta pelo controle de energias, notadamente o petróleo, está a processar a Petrobras, portanto, o Estado brasileiro, alvo de espionagem desse mesmo Departamento de Estado, conforme explicitou, sem deixar dúvidas, Edward Snowden, ex-funcionário da CIA, que repercutiu pelo mundo as ações políticas, econômicas e armadas dos Estados Unidos, inclusive uma delas é sobre a espionagem contra a Petrobras, ainda mais depois das descobertas dos poços do pré-sal.

Os Estados Unidos e suas empresas cometem crimes mil, e também são investigados em vários países. Todavia, a questão que importa não é esta. O que está a se discutir é a conduta constitucional e regimental dos procuradores do Paraná e de Brasília, a liderá-los o procurador-geral, Rodrigo Janot. O que está a acontecer? Quais são os propósitos desses servidores públicos graduados, influentes, poderosos e muito bem pagos pelo povo brasileiro? Quais são suas reais intenções?

Porque no Brasil muitos deles agem politicamente, de forma indevida, inclusive a intervirem no processo político brasileiro, a cooperarem com o campo conservador do espectro político e ideológico. Isto é fato nítido e visível. As procuradorias, o STF e setores da Polícia Federal se tornaram trincheiras do conservadorismo, escolheram lado e agem de acordo com os interesses de seus aliados, que já foram derrotados em quatro eleições presidenciais.

Então vamos lá. Para início de conversa, a Procuradoria-Geral da República não é um dos três poderes constituídos, e muito menos defende o estado brasileiro. Quem o defende é a Advocacia Geral da União (AGU). Ponto. E tem mais: reza a Constituição, em seu artigo 84, que somente o Poder Executivo, dentre os poderes, tem autoridade para representar oficialmente a República Federativa do Brasil no exterior. Portanto, quem deveria estar nos Estados Unidos para defender o estado brasileiro do estado estadunidense é a AGU, bem como o Itamaraty por intermédio da Embaixada do Brasil em Washington.

A pergunta teimosa e que insiste em não se calar é a seguinte: o que esses procuradores estão a fazer nos EUA, a não ser, por força de suas funções públicas, denunciar ou acusar o estado brasileiro como aliados do estado norte-americano? Um país que tem enormes e inconfessáveis interesses no campo das energias, especialmente no que diz respeito ao petróleo da Petrobras e ao pré-sal, sendo que a estatal brasileira é de incomensurável importância estratégica e de conhecimento científico para o desenvolvimento do povo do poderoso país sul-americano.

Seria cômico, ridículo se não fosse trágico e perigoso os atos e ações desses procuradores. Cadê o advogado-geral da União, que defende os interesses do Estado brasileiro? E o Itamaraty, a Presidência da República e o Congresso não vão interpelar as ações de uma PGR que se arvorou a ser independente ao ponto de ir ao exterior para fazer não sei o quê, com propósitos que saem de suas alçadas e papéis constitucionais.

A PGR não tem autonomia para falar pelo Brasil no exterior. Se o fizer, incorre em crime constitucional. Quem o representa é o Poder Executivo, por intermédio de suas instituições, como a AGU e o Itamaraty. A PGR não é um estado e muito menos é independente do Brasil. E os procuradores não são defensores e por isso jamais deveriam querer fazer o papel de advogados da União. Viramos uma República de procuradores e juízes, que querem intervir na política e governar no lugar dos eleitos? É o fim da picada.

Janot e seus parceiros vão dar assessoria nos EUA para acusarem a Petrobras, ou seja, o Estado brasileiro? Para fazer essa patuscada bem característica de nossas “elites” ele ainda vai ser pago pelo dinheiro do contribuinte? É isso? Nunca vi um estado ajudar o outro para atacar e acusar a si mesmo. Procuradores acusam. Então o que o Janot foi fazer lá? Constitucionalmente ele não é o advogado-geral da União.  

Mais uma vez fica comprovado que a PGR, o MP, o STF e os tribunais superiores, bem como as polícias, especialmente a Polícia Federal, que tem em seus quadros delegados “aecistas” no Paraná, conforme dizeres em seus facebooks no período das eleições, estão do lado do establishment e ainda são trincheiras para defender os interesses da burguesia, que são no Brasil defendidos e representados pelas Organizações(?) Globo, principal porta-voz no Brasil e na América Latina do establishment internacional controlado pelos EUA e poucos países da União Europeia, Japão e alguns satélites desenvolvidos do capitalismo, como o Canadá e a Austrália.

A frente oposicionista contra o PT e o Governo Trabalhista é muito forte, porque tem poder político e econômico, bem como aliados poderosos da casa grande brasileira no exterior. Os magnatas bilionários da família Marinho, por exemplo, em seus editoriais altissonantes, já defendem abertamente a mudança do modelo de exploração do pré-sal, cujos recursos vão ser destinados à educação e à saúde por força de lei.

A família mais rica do Brasil e uma das mais ricas do mundo, apesar de sua pregação moralista udenista, ou seja, falsa, vive a apontar o dedo para a cara das pessoas, a chamar-lhes, muitas vezes sem provas, de corruptas ou forjar ilações subliminares que levam, por exemplo, um coxinha de classe média a fazer juízo de valor, e, por conseguinte, condenar em pensamento o alvo de acusações ainda não comprovadas.

É assim que funciona a máquina jornalística de moer reputações. Agora tal família magnata e bilionária se diz a favor do financiamento privado de campanha, quando ela sabe, indelevelmente, que tal financiamento é o maior e talvez o único responsável pela corrupção entre políticos, executivos de estatais e empresários. Não se faz política sem dinheiro, e os partidos precisam de dinheiro para efetivar suas ações e eleger seus candidatos, bem como manter a administração de suas agremiações.

Então como explicar que os Marinho e seus sabujos que vivem a mostrar os dentes para defender os interesses de seus patrões são favoráveis que o pré-sal, da Petrobras, abandone o modelo de partilha e passe para o de concessão. Interesses que, evidentemente, vão beneficiar as petroleiras estrangeiras, além de também desejarem que as construtoras internacionais tomem conta do mercado interno brasileiro, como se as empresas brasileiras, que adquiriram vasto conhecimento científico e de engenharia fossem corruptas e não os homens e as mulheres, que, porventura, estavam à frente de suas diretorias e administrações.

A Petrobras e as construtoras têm de ser resguardadas e protegidas, porque são importantes para o desenvolvimento da Nação e também para a segurança nacional. Há muito interesse em jogo, e quem trabalha e defende os interesses alienígenas e de estrangeiros são as famílias midiáticas de negócios privados e seus empregados a soldos. Essa gente defende, sobretudo, os interesses do capital financeiro.

Rodrigo Janot está a fazer um papelão, pois sua ação é inconstitucional. Independente do que vai ocorrer no futuro por causa da crise da Petrobras, um homem de estado, chefe da PGR, não pode trocar os pés pelas mãos, a fim de holofotes e fotografias nos jornais e revistas.


Ego inflado não cabe em seu cargo e função. Homem de estado é servidor público, e não astro do cinema, da televisão ou dos esportes. O quê o PGR Rodrigo Janot foi fazer nos EUA? Conspirar? A Globo agradece. Menos Janot. A Advocacia Geral da União existe. O Itamaraty também. É isso aí.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Cunha, Moro, Gilmar, FHC e Globo querem a queda de Dilma, o fim do PT e jamais preservar a Petrobras

Por Davis Sena Filho — Palavra Livre

CHARGE DE BESSINHA

O Partido dos Trabalhadores (PT) está na situação de um boxeador, que, em certo momento, desloca-se estrategicamente para o córner do ringue à espera do soar do gongo, porque sua intenção é tentar respirar e se defender dos socos de seu adversário, que está prestes a conquistar a vitória, se possível por intermédio de um nocaute contundente — inapelável.

Contudo, o partido que venceu as eleições presidenciais de 2014 é exatamente o PT, que deveria colocar as cartas na mesa, mas desaprendeu a revidar os “socos” ou a se defender, de maneira clara, objetiva e sistemática, porque, mesmo vitorioso nas urnas, perdeu a presidência da Câmara e vai ter de enfrentar mais uma CPI da Petrobras, organizada pela oposição conservadora, capitaneada pelo PSDB e seus aliados, a exemplo do DEM, PPS e parcela dissidente do PMDB, que tem em suas fileiras políticos de almas tucanas e que detestam ver os trabalhistas no poder.

É inacreditável e até mesmo surreal o governo popular de Dilma Rousseff não conseguir se mobilizar de modo que seus interesses políticos e partidários sejam resguardados, principalmente na Câmara dos Deputados, a ter como finalidade a aprovação de projetos e de programas que interessam à Presidência da República e a seus ministérios, que são responsáveis por milhares de obras e projetos de interesses nacionais, que contrariam o sistema de capitais controlado pelo mercado financeiro internacional.

As questões sobre as realidades que ora se apresentam podem se resumir nesta longa pergunta: “Será que o PT e o Governo Trabalhista desaprenderam a fazer política, e por isto se encolheram perante as adversidades, os ataques de uma oposição feroz, bem como dobrou os joelhos ao ponto de não conseguir se comunicar com o povo brasileiro, além de permitir, equivocadamente, que a imprensa corporativa fale sozinha”?

Eis as questões que o PT não consegue resolver por estar paralisado, como se estivesse em um estado letárgico e, com efeito, esvair-se em timidez e pusilanimidade. É um absurdo, quase um deboche, verificar que a direita deste País, uma das mais perversas, violentas e entreguistas do mundo, criar uma nova CPI da Petrobras, que tem, sem sombra de dúvida, como alvo a presidenta Dilma Rousseff e até mesmo o presidente Lula, porque os reacionários só de pensar na volta do líder petista ao poder sentem calafrios ao tempo que febres terçãs, pois sabem muito bem que o Lula é um líder de massas, além de ser o político brasileiro mais conhecido internacionalmente.

O líder que tem força política e popular para dar continuidade aos projetos do Governo Dilma, e, obviamente, manter a política fiscal, cambial e o projeto nacionalista de independência e emancipação implementadas no País desde sua posse como presidente, em 2003. Essas realidades realmente incomodam o establishment, principalmente o brasileiro, que é subordinado aos interesses internacionais, pois deles dependem seus imensos lucros provenientes de negócios que prejudicam o Brasil, ou simplesmente “adquiridos” por intermédio do rentismo ou da jogatina de capital especulativo, que não tem pátria e se movimenta pelas bolsas de valores, pelo sistema financeiro oficial, bem como por meio dos paraísos fiscais, que lavam também dinheiro sujo proveniente da corrupção, da prostituição, do tráfico de armas e de drogas.

A resumir: os banqueiros são os maiores criminosos do mundo, e seu círculo é composto pelos grandes conglomerados privados de comunicação, fabricantes de armas, grandes traficantes de drogas, petroleiras exploradoras de riqueza alheia, negociantes de ouro e pedras preciosas, além dos grandes latifundiários do mercado imobiliário urbano e rural. Não foi à toa que o sistema imobiliário, juntamente com o bancário, quebrou, em 2008, grande parte dos países europeus, bem como prejudicou fortemente a economia estadunidense, que, apesar de ter melhorado, ainda luta para resgatar sua pujança.
   
Enfim, é com esse tipo de gente que governos populares tem de lidar. Contudo, esses fatores somados permitem que o ex-presidente trabalhista tenha enormes chances de vencer o pleito eleitoral de 2018, a despeito dos escândalos, politicamente manipulados ou não pelas mídias de negócios privados e seletivamente preparados, tais quais a pratos feitos, pelos políticos de oposição e por setores do Judiciário e do Ministério Público, que, apesar da consolidação do regime democrático, ainda representam as classes dominantes, que historicamente se contrapõem aos interesses nacionais.

Considero um acinte à história do Brasil e uma falta de respeito à inteligência da sociedade brasileira, políticos, jornalistas e empresários, que sempre combateram as empresas estatais, notadamente a Petrobras por causa de seu valor econômico e cívico, além de suas estratégias de independência nacional, arvorarem-se agora como os arautos da dignidade, da moral e dos bons costumes, como se tivessem dispostos a proteger a Petrobras.

Essas pessoas são tão verdadeiras e sinceras tais quais aos mentirosos. Exemplifico um caso emblemático, mas falso, no que tange ao episódio do “varão de Plutarco”, Demóstenes Torres, admirado pela imprensa familiar e pelos coxinhas, o senador cassado e associado ao bicheiro Carlinhos Cachoeira. É dessa forma que se apresenta a moral udenista, que na verdade escamoteia e manipula seus verdadeiros interesses, como no caso da Petrobras, e, enquanto não conseguem concretizar seus objetivos inconfessáveis, dissimulam ao máximo para terem apoio de parte da população, geralmente de perfil conservador, reacionário e rancoroso, que é encontrada no seio da classe média de caráter lacerdista e moralista até a página três.

O show do circo midiático está nas ruas, e delegados “aecistas”, promotores e juízes que atuam politicamente e no “limite de suas responsabilidades”, tais quais a um dos vendilhões da era FHC, aproveitam-se de suas condições de protagonistas do caso Petrobras e selecionam fatos e acontecimentos pertencentes a um contexto maior para manter o fogo da fogueira acesa retratado nos meios de comunicação privados.

Os governos republicanos de Lula e de Dilma Rousseff são exatamente os que determinaram e efetivaram as investigações, buscas e apreensões para que a Polícia Federal combatesse, de fato, a corrupção na máquina governamental e na iniciativa privada. A mesma PF de delegados “aecistas” titulares de delegacias importantes no Paraná, e que alimenta, sistematicamente, as mídias privadas e oposicionistas com notícias vazadas de processos que estão em segredo de justiça.

A mesma PF da Operação Lava Jato, de delegados ligados ao juiz Sérgio Moro, que determinou que o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, fosse conduzido coercitivamente para depor, sendo que o petista já tinha realizado um depoimento na extinta CPI da Petrobras, comissão que foi esvaziada e abandonada matreiramente pelos tucanos antes das eleições de 2014, porque eles perceberam que naquele momento não haveria o que fazer contra o Governo Trabalhista, por falta de provas, como acontece agora, quando, de forma irresponsável, humilham Vaccari Neto sem comprovar nada e se baseiam em acusações infundadas para criminalizar o PT e o Governo Trabalhista, como já o fizera o servidor da Petrobras, Pedro Barusco, ladrão confesso, que acusa, mas não apresenta provas, já que o presidente do PT, Rui Falcão, além de processar o criminoso milionário de colarinho branco, afirmou, categoricamente, que todas as contas de campanha eleitoral do PT estão em dia e apresentadas à Justiça Eleitoral. Vaccari Neto também fez as mesmas assertivas do presidente do partido.

E é dessa forma que a banda toca no Judiciário, na Polícia Federal e no Ministério Público. A PF subsidia com informações o Ministério Público cujos promotores envolvidos no caso Petrobras se incumbem, despidos de quaisquer constrangimentos, de retroalimentar a mesma imprensa corporativa, que, por sua vez, pauta as lideranças do PSDB (o partido entreguista e traidor da Pátria), do DEM (o pior partido nanico escravocrata do mundo) e do PPS (a degeneração do socialismo) no Congresso Nacional.

As notícias são praticamente as mesmas e replicadas de forma exaustiva, como as águas reaproveitadas dos chafarizes. Trata-se do modus operandi de uma imprensa empresarial, que faz política, a liderar os partidos conservadores, sem medir consequências, porque não é regulada e sabe muito bem que pode repercutir o que quiser e ficar tudo como dantes no quartel de Abrantes.

É de se considerar absurdamente incrível que os governos que mais investigaram, prenderam e combateram a corrupção são taxados pela oposição de direita e por sua mídia hegemônica de corruptos, quando a verdade, e a história vai comprovar esta realidade, quem sempre foi leniente, cúmplice e se favoreceu com a compra de mandato presidencial e vendeu o País a estrangeiros, além de se recusar a investigar e punir a corrupção foram as autoridades dos governos tucanos. Afinal, não é à toa que o procurador-geral da República de FHC, Geraldo Brindeiro, era chamado de engavetador-geral.

Outra fator que chama a atenção é que o juiz do Supremo, Gilmar Mendes, segura há mais de dez meses o projeto de reforma política, que teve seu processo de votação interrompido, porque o condestável juiz pediu vistas do processo. Tempo suficiente para que o presidente eleito da Câmara, Eduardo Cunha, reapresente projeto de reforma política que favorece os partidos conservadores, que não conseguem vencer as eleições presidenciais há 12 anos.

Eles querem o voto distrital, o financiamento privado de campanhas eleitorais e agora são contrários à reeleição. Porém, malandramente foram favoráveis à reeleição de FHC, que, inclusive, foi acusado de comprar os votos de centenas de parlamentares para aprovarem a emenda da reeleição. Inacreditável, mas é isto mesmo. Gilmar Mendes, derrotado por seus pares, “segura” o processo de votação da reforma política no STF, enquanto seu aliado, o atual presidente da Câmara, a despeito de estar careca de saber que o financiamento privado é o maior responsável por todo tipo de corrupção e crimes, ainda tem o desplante, a insensatez e o autoritarismo de contrariar a sociedade brasileira.

O Brasil deseja a reforma política por meio de um plebiscito e não diretamente votada por um Congresso conservador, que está a se preparar para usar a CPI da Petrobras para iniciar um processo de cassação do mandato da presidenta constitucional Dilma Rousseff. Os atos e ações de Gilmar e Cunha tem de ser urgentemente denunciados à Nação. Golpe, não! A verdade é que os golpistas têm de ser punidos e destituídos de seus maus afazeres. Toda vigilância é pouca.

Paulo Roberto Costa, Nestor Cerveró, Renato Duque e Pedro Barusco estão a roubar a empresa mais brasileira e emblemática das empresas há décadas. A maioria é ré e confessou seus crimes, segundo a polícia e o MP, que vazam notícias, muitas delas de conotações políticas e pinçadas de um contexto maior, nitidamente com o propósito de causar dúvidas e confusões à população, no mínimo.

Todos os executivos da Petrobras envolvidos no escândalo de propinas são servidores de carreira, aprovados em concurso nos idos das décadas de 1970 e 1980, sendo que a maioria declarou que começou a roubar na década de 1990, exatamente a década governada pelos neoliberais do PSDB e aliados, liderados pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Sobre essa importante questão a imprensa de negócios privados faz vista grossa e ouvidos moucos. A verdade é que os tucanos não investigaram e não puniram e hoje se aproveitam da promessa de Dilma Rousseff de que “não vai ficar pedra sobre pedra”.

Então é assim: a polícia comandada pelo Governo Trabalhista prende os corruptos e a imprensa dos magnatas bilionários, a oposição de direita e os setores conservadores do STF e do MP chamam o Governo de corrupto e, consequentemente, acenam com um impeachment contra a presidenta eleita Dilma Rousseff, além de evidentemente terem ainda na alça de mira o presidente Lula, possível candidato às eleições presidenciais de 2018.

A criminalização do PT, do Governo Trabalhista e a judicialização da política é a tônica praticada por instituições republicanas ainda controladas pelos filhos da burguesia, a exemplo do STF, do MP, de setores importantes da máquina do Congresso, a despeito de o PT estar há 12 anos no poder e ter vencido as eleições de 2014.

Então tá. Pedro Barusco e o doleiro Alberto Youssef, este conhecidíssimo repassador de “bola” às campanhas de todos os partidos, inclusive do PSDB, afirmam o que querem e não apresentam quaisquer provas, mas cientes de que suas assertivas dúbias e questionáveis vão, indubitavelmente, favorecer a criação de um carnaval por parte da imprensa operadora de uma verdadeira lobotomia em certos segmentos da sociedade de caráter udenista.

Lula e Dilma têm razão quando apontam para as ruas e os movimentos sociais, além das bases do PT, para enfrentar certa máquina do estado, aliada às mídias privadas e partidos direitistas, que não querem políticos trabalhistas no poder e muito menos desejam a emancipação do povo e a independência do Brasil.

E é exatamente essas estratégias que eu defendo desde sempre. Por seu turno, considero essencial que o Governo Trabalhista dê uma guinada à esquerda, porque a direita não quer dialogar e muito menos negociar pontos de caráter governamental e parlamentar para que o Brasil avance em direção ao seu desenvolvimento.

A verdade é que a direita quer engessar, paralisar o Governo, de forma que ele não consiga administrar as demandas do País e, por sua vez, chegue enfraquecido para a disputa das eleições de 2018. A casa grande aposta no impeachment, e o Governo tem de apostar nas ruas junto ao povo. A Petrobras é a força motriz do crescimento do Brasil como Nação. Cunha, Moro, Gilmar, FHC e Globo querem a queda de Dilma, o fim do PT e jamais preservar a Petrobras. Golpe, não! É isso aí.  


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Ives Gandra é a direita sorrateira e FHC aposta no golpismo barato

Por Davis Sena Filho Blog Palavra Livre

Fotomontagem - Br247
O cartunista e analista de política Bessinha derrubou, com apenas um tiro, o advogado tributarista da casa grande e do Opus Dei (Obra de Deus) Ives Gandra da Silva Martins de seu voo de corvo udenista. O notório "sábio" do Direito, que sempre teve sua palavra franqueada pelos magnatas bilionários de imprensa, não se conteve e saiu de seu silêncio obsequioso para, dissimuladamente, fazer ode a um golpe de Estado, aos moldes paraguaios, como se o Brasil, a sétima economia do mundo, com 210 milhões de habitantes e uma democracia consolidada fosse uma republiqueta.

Esse modo de agir, evidentemente, reflete o pensamento de Gandra e de quem ele representa: as classes dominantes e seus interesses políticos e econômicos. Acostumado a ver o Brasil como quintal dos Estados Unidos e ex-colônia "eterna" de países europeus, o tributarista, festejado pela imprensa conservadora e empresarial, não dá ponto sem nó, e, simplesmente, realizou uma "consultoria" ao advogado José de Oliveira Costa, que, por coincidência, é conselheiro do Instituto Fernando Henrique Cardoso (iFHC), sendo que o Príncipe da Privataria, também conhecido como Neoliberal I, escreveu artigo em que disserta sobre possível impeachment, por via judicial contra a presidenta Dilma Rousseff.

Fernando Henrique Cardoso sujou sua biografia ao publicar na imprensa historicamente aliada dos tucanos artigo em que fomenta o golpe, e, com efeito, adere ao golpismo, pura e simplesmente, sem quaisquer dramas de consciência ou ruborização de sua face, sendo que o grão-tucano participou no passado da luta pela redemocratização do País e, por seu turno, sabe muito bem o que significa um golpe institucional ou de estado, seja ele por via judicial ou por uma quartelada.

O tucano-mor foi pródigo em sua irresponsabilidade sem precedentes, porque até então o golpismo barato e sorrateiro estava a cargo de políticos de menor envergadura e expressão, a exemplo de Álvaro Dias, Carlos Sampaio e Agripino Maia, que, pautados, vociferam há anos no Congresso a repercussão de notícias da imprensa de negócios privados, principalmente nos dias seguintes ao que foi publicado no fim de semana. É a práxis tucanoide, a rotina de suas diatribes, sem dúvida alguma.

Chega a ser ridícula a dissimulação de FHC sobre seu apoio a um golpe por via judicial. Trata-se de um homem octagenário, a fazer um papel desses que enlameia sua reputação política, pois sua fama de ex-mandatário do Executivo é de incompetência, de entrega das riquezas do Brasil e de subserviência aos Estados Unidos e à União Europeia. O maior vendilhão da Pátria de todos os tempos ainda se acha no direito de fazer ilações que contrariam a civilidade, as regras da democracia e a subordinação ao Estado Democrático de Direito.

E nada como recomendar uma "consultoria" ao doutor Ives Gandra para dar, hipocritamente, uma conotação ilibada e pressupostamente de caráter sério, como se fosse viável no Brasil de hoje apostar em ilegalidades constitucionais cujos propósitos se resumem em derrubar uma presidenta recém-eleita, que não cometeu crimes, além de ser chefe de um governo de perfil republicano, que está a colocar na cadeia ladrões de colarinhos brancos, tanto os corruptos quanto os corruptores, realidades estas que, certamente, um dia também atingirão os personagens blindados do PSDB e os magnatas bilionários de todas as mídias cruzadas.

Ou a sociedade brasileira, à frente os coxinhas, são tão ingênuos ao ponto de considerar que os tucanos e os magnatas bilionários, que venderam o Brasil e governam São Paulo há 20 anos, não são autores ou protagonistas de mensalões, corrupções, sonegações e envolvimentos com doleiros, paraísos fiscais e financiamentos privados e ilegais de campanhas eleitorais? Acredito que não, pois no fundo todo mundo sabe que essa gente age por conveniência política e ideológica, além de jogar pedras somente naqueles que são ideologicamente e politicamente seus antagonistas.

São esses fatores que movem Fernando Henrique Cardoso e seus lugares-tenentes, Ives Gandra e José de Oliveira Costa. A verdade é que o artigo vergonhosamente golpista de FHC — o Príncipe da Privataria — é a senha para a imprensa familiar, posteriormente, publicar a "consulta" de Gandra sobre a viabilidade de um golpe de estado, que, cinicamente, eles denominam como jurídico. Perdem nas urnas e tentam vencer no tapetão, que é o terceiro turno das eleições para os tucanos e seus aliados golpistas.

Entretanto, essas questões são pormenores para a direita escravocrata e também àqueles que não têm compromisso com o bem-estar do povo brasileiro e por isso se associam a qualquer golpismo barato e sorrateiro. Afinal, o que vale mesmo é chegar ao poder, a não importar os meios, como e quando, porque assumir o Governo Federal é uma questão de estratégia para que a burguesia brasileira possa voltar a fazer negócios praticamente com os países de carácteres imperialistas, inserir novamente o Brasil no círculo de influência norte-americana, sendo que hoje o maior alvo dessa direita tupiniquim e alienígena certamente é o pré-sal e seu modelo de partilha, que contraria os interesses das petroleiras estrangeiras e do establishment brasileiro.

A direita está desesperada; mas, como pontuou o chargista Bessinha, "A classe dominante não tem ódio. Tem astúcia. O ódio ela terceiriza". É verdade. O ódio ela deixa para os brucutus de direita, bem como para a classe média coxinha, que entra na conversa fiada de uma "elite" acostumada há séculos a retirar tudo da sociedade, a começar por negar saúde, educação, moradia, emprego e paz de espírito, como sempre fez desde que Pedro Álvares Cabral aportou na Bahia.

Nunca canso de afirmar: A direita é um escorpião ideológico, que não se importa se foi beneficiada economicamente pelos governos trabalhistas, como ocorreu com a explosão do consumo no Governo Lula, com pleno emprego. A casa grande considera irrelevante se seus privilégios seculares, que chegam a ser pornográficos, foram garantidos. Ela sempre vai estar disposta a boicotar, sabotar, conspirar e derrubar governantes legitimamente e democraticamente eleitos pela maioria do povo.

E acrescento: a direita golpeia e derruba. Se possível, mata, ainda mais se os mandatários considerados inimigos são políticos do campo da esquerda e da vertente trabalhista. É fato histórico. Não há como dissimular e manipular esta realidade, como o faz sistematicamente a direita brasileira herdeira da escravidão, que até hoje tenta, inocuamente e em vão, apagar a imagem do estadista Getúlio Vargas da memória do povo brasileiro, por intermédio de "historialistas" e "especialistas" de prateleiras.

Contudo, o que chama a atenção é o Instituto que leva o nome de Fernando Henrique Cardoso, aquele presidente que entregou o patrimônio do Brasil para os estrangeiros. Ressalta-se que o Neoliberal I, seus correligionários e aliados não construíram tão importante e rico patrimônio. Pelo contrário, depois da patuscada entreguista ainda foram ao FMI três vezes, de joelhos, humilhados e com o pires nas mãos, porque quebraram o Brasil três vezes.

A situação do Governo Trabalhista é preocupante. Porém, o Governo tem de entender de vez que tem de resistir e lutar para não perder a luta pela comunicação. A Secom e o sistema midiático governamental, volto a falar, têm de se mobilizar para que a Nação saiba o que ocorre, porque até agora a imprensa burguesa e o PSDB estão a falar sozinhos, como acontece desde a vitória de Lula em 2002. Chega de incompetência. Quem cala, consente.

Denúncias e acusações têm de ser explicadas para o povo, e rebatidas, quando necessário, sistematicamente. É dessa forma que se deve funcionar uma Secretaria de Comunicação e todas suas ramificações. Ponto. Além do mais, o PT e o Governo Trabalhista têm de retomar suas ações junto aos movimentos sociais, como declarou, recentemente, o ex-presidente Lula.
O Partido dos Trabalhadores tem de voltar para suas origens e raízes, alimentar-se de sua essência retratada nos movimentos sociais, nos sindicatos, nas ONGs de esquerda dedicadas aos direitos humanos e de cidadania, além de retomar o diálogo com a Igreja Católica Progressista, que sempre se fez presente nas lutas em prol da emancipação do povo brasileiro.

O Governo Dilma tem de dar uma guinada à esquerda, porque a direita deixou claro que não vai dialogar ou negociar quaisquer coisas, a não ser a queda de Dilma Rousseff, se for possível e se o novo presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, conspirar, juntamente com o Judiciário, leia-se STF, e com setores reacionários do Ministério Público, que atuam de forma seletiva, a fim de macular a imagem do Governo Federal.

Lula pode ser o candidato de 2018, e este fator desespera a direita, que poderia experimentar sua quinta derrota eleitoral seguida. Por isso que os setores conservadores da sociedade, por meio de seus porta-vozes, apostam em impeachment, bem como tratam a Petrobras como a Geni, que é alvo de pedradas e escarradas, sem poder se defender à altura, porque as mídias privadas pertencem à direita brasileira, além de a comunicação do Governo Dilma ser péssima.

O Brasil de hoje lembra muito o Brasil pré-golpe de 1964. A história não se repete, mas quando se "repete" é em forma de farsa. Todavia, muitas situações de 2014 são muito parecidas com as daqueles tempos, a notar, com a cooperação do prezado Gustavo Mello: a extinta UDN reapareceu em três agremiações: DEM, PPS e PSDB; o velho PSD, de Tancredo Neves, é exemplificado no PMDB, com Michel Temer em novo papel de "moderador" com perfil conservador; o presidente do Congresso à época, Ranieri Mazzili, atualmente tem seu papel efetivado na pessoa de Eduardo Cunha; os militares de ontem são hoje os juízes do Poder Judiciário, a intervir, indevidamente, na política; e a Imprensa de mercado está a ocupar o seu lugar de sempre, pois porta-voz dos trustes nacionais e internacionais, além de fomentadora de crises artificiais e realidades manipuladas.

Por fim, Dilma Rousseff exerce o papel de João Goulart, o presidente criminosamente deposto. Tudo muito parecido, mas o campo conservador se esquece de uma coisa fundamental: a esquerda é hoje mais poderosa, a democracia está consolidada e os Estados Unidos não meteriam as mãos em um vespeiro do tamanho do Brasil. A verdade é que a história quando se repete é na forma de farsa.


As condições para um golpe têm de passar também pelas Forças Armadas; e a sociedade, em quase seu todo, teria de estar propensa em apoiar tal crime constitucional e contrário aos interesses da Nação. Além disso, a sociedade organizada é hoje muito mais informada, complexa, maior e mais forte do que a daqueles tempos, bem como o político Lula, o mais carismático do País, conhecido internacionalmente e que saiu do governo com 82% de aprovação popular reagiria a um golpe de estado e ocuparia as ruas com multidões, o que, sobremaneira, é um sério obstáculo para a reação conservadora tomar o poder ilegalmente. Ives Gandra é a direita sorrateira e FHC aposta no golpismo barato. É isso aí.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Vitória de Cunha é do PSDB, dos magnatas bilionários, de certos juízes e contra as reformas política e da mídia

Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre

PANFLETO DE CAMPANHA DE EDUARDO CUNHA: "MUITO RESPEITO".

Primeiro: a vitória do deputado Eduardo Cunha (PMDB) é a vitória do PSDB, que traiu o candidato do PSB, Júlio Delgado, e votou em peso no deputado carioca, a ser seguido pelos seus aliados históricos e satélites políticos, DEM e PPS, além de vários partidos nanicos e de portes médios.

Segundo: Cunha tem alma tucana; é um político ideologicamente conservador e sempre foi um adversário ferrenho do PT e do PDT, no Rio de Janeiro, seu estado, bem como "inimigo" do Governo Dilma Rousseff, a atrapalhá-lo, mesmo quando respondeu pelos interesses de sua bancada, cujo partido, o PMDB, ocupa o cargo de vice-presidente da República, na pessoa de Michel Temer.

Terceiro: O novo presidente da Câmara dos Deputados é de oposição, o que se torna um grave problema para a aprovação dos projetos do Governo Federal. Certamente que a efetivação do marco regulatório para os meios de comunicação social previsto pela Constituição de 1988, assim como a aprovação da reforma política vão sofrer um sério revés, porque Eduardo Cunha é alinhado aos interesses dos magnatas bilionários de imprensa.

Além disso, ele é favorável ao financiamento privado de campanhas, até porque o deputado fluminense se notabilizou também em ter acesso ao mundo das construtoras e de megaempresários aos quais sempre defendeu seus interesses como parlamentar. Não é à toa que Cunha teve uma das campanhas mais caras e ricas do Brasil para o cargo de deputado federal, nas eleições de outubro passado.

Quem certamente deve estar muito feliz com a vitória de Eduardo Cunha, além da imprensa de negócios privados e o PSDB é o juiz do Supremo e político de direita, Gilmar Mendes. Creio que tal magistrado, quando soube da vitória de um deputado opositor ao Governo para exercer a Presidência da Câmara, deve ter pipocado fogos e brindado com champanhe a vitória de um de seus aliados políticos mais emblemáticos.

Afinal, completou-se dez meses que o juiz condestável pediu vistas do processo que o STF considerou inconstitucional a doação de empresas para as campanhas eleitorais. A verdade é que partidos como o PSDB, DEM, entre outros, além dos magnatas bilionários de todas as mídias cruzadas, bem como juízes com o perfil conservador de Gilmar Mendes, querem a perpetuação do financiamento privado de campanhas eleitorais, porque, evidentemente, o establishment, representado por esses grupos e pessoas, sempre se beneficiou e elegeu seus aliados.

O juiz, de tantas e infindáveis polêmicas e que deveria ser discreto por causa da força de seu cargo, está a desconsiderar seus pares e não a aceitar a derrota, por se tratar de um homem despótico e que rejeita o diálogo. Quando percebeu o placar de seis a um desfavorável ao financiamento privado de campanhas políticas, Gilmar Mendes pediu vistas do processo de uma votação já consolidada, porque não concorda que a maioria dos votos defina como inconstitucional as doações de empresas.

Então, para ele, somente resta protelar e segurar ao máximo o resultado da votação da qual ele discorda, independente se seus maus atos e ações vão prejudicar o Brasil, a sociedade brasileira e a democracia. Gilmar sempre agiu assim. Agora resta saber quando o magistrado, a seu bel-prazer, vai devolver o processo para ser pautado e, consequentemente, a votação ser concluída, apesar de o resultado estar consolidado.

A vitória de Eduardo Cunha para presidente da Câmara é também a vitória de juízes, a exemplo de Gilmar Mendes, bem como da direita partidária e do sistema midiático empresarial, que se tornou há muito tempo o principal partido de direita e de oposição do Brasil.

Contudo, a derrota do PT e do Governo Trabalhista denota a fraqueza do Governo quanto à sua mobilização político-partidária, além do desgaste público perante parcela importante da Nação, que hoje vota contra o Governo e se compõem politicamente com o noticiário da imprensa controlada pelos magnatas bilionários.

Evidentemente que uma oposição midiática sistemática, feroz e completamente despreocupada em fazer jornalismo influencia, e bastante, o humor de milhões de pessoas, principalmente as de classe média, que, por intermédio de seus valores e princípios, compartilham dos interesses da burguesia inquilina da casa grande.

O Partido dos Trabalhadores e o Governo Trabalhista perderam a guerra da comunicação e vai ser muito difícil reverter este quadro. Entretanto, a culpa é do próprio Governo e, com efeito, do PT. Sempre afirmei que a Secretaria de Comunicação (Secom) do Governo é fraca. Chegaram a nomear, e durante anos, uma secretária ligada ao mais poderoso oligopólio de comunicação, exemplificado nas Organizações(?) Globo. Simplesmente surreal!

O PT e o Governo que paguem o pato ou passem a ler mais a história do Brasil. Sempre, e em todas as épocas, quando trabalhistas estiveram no poder, a direita se mobiliza e joga sujo. Como a direita escravagista brasileira não tem quaisquer compromissos com o Brasil e seu povo, além de nunca ter realizado ou construído nada, a exemplo da Petrobras, da Vale do Rio Doce ou a transposição do Rio São Francisco, dentre dezenas ou centenas de obras estratégicas, o que resta para os direitistas é apelar para temas como "corrupção", "mar de lama", "república sindicalista", com o apoio da classe média coxinha, que sempre gostou de empunhar vassouras e servir de sustentação política para as mentiras e trapaças políticas da burguesia, que objetivam a concretização de golpes de estado, seja por via militar (João Goulart), parlamentar (Collor e Jânio) e judicial, como tentaram com o Lula e agora tentam com a Dilma.

A imprensa de mercado, a direita partidária, parcela importante do Ministério Público e do STF, e agora com o apoio do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, vão engessar o Governo do PT e fazer com que a presidenta Dilma Rousseff não consiga governar, porque vai ter de ficar sempre na defensiva para se defender de acusações e denúncias, sem ter trégua para poder implementar seu programa de governo e projeto de País apoiados nas urnas pela maioria do povo brasileiro.

O PT e o Governo vacilaram, tergiversaram, sentiram-se inseguros e hoje pagam um preço altíssimo. Receberam abraços de ursos ou de afogados e agora experimentam derrotas na Câmara e em instituições oposicionistas como o STF e o MP. Essa derrota para um deputado totalmente voltado aos interesses da classe rica e de oligopólios golpistas, a exemplo dos meios de comunicação controlados pelos magnatas bilionários de imprensa é realmente algo desalentador.

Então, o que resta ao Governo Trabalhista? Lutar, lutar e lutar! Fazer as reformas, com o apoio primordial da comunicação. Que a Secom, da Presidência da República, as Ascons, dos Ministérios e dos órgãos e autarquias, além da Radiobras, façam seus papéis e rebatam, terminantemente e sistematicamente, quaisquer tipos de ataques, denúncias e acusações, sejam elas procedentes ou não.


A Secom tem de ter voz ativa, e, por seu turno, deixar de ser obsoleta. O quadro político se mostra cinzento e pode se transformar em nuvens de chuvas torrenciais. A vitória de Eduardo Cunha pertence mais ao PSDB do que ao PMDB, aos empresários em geral e aos interesses norte-americanos, à imprensa da casa grande e a um Congresso conservador politicamente, liberal economicamente, que despreza o Brasil e odeia ver os trabalhistas no poder. É isso aí.

REGULAR AS MÍDIAS É DEVER DO ESTADO, PROTEÇÃO À DEMOCRACIA E O FIM DO CONTROLE DA BV

Por Davis Sena FilhoBlog Palavra Livre

Constituição Brasileira, parágrafo 5º, do artigo 220: "Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio". Entendeu, ou quer que eu desenhe?

ILUSTRAÇÃO: BIEN

Vamos à pergunta que se recusa a calar: "Por que os magnatas bilionários de todas as mídias cruzadas, por intermédio de seus caudatários, mentem audaciosamente quanto à regulação dos meios de comunicação social, quando a verdade é que a regulação tem por propósito efetivar o marco regulatório, no que tange à economia e não quanto ao conteúdo do que é veiculado ou publicado nas diferentes mídias?


Respondo: os magnatas bilionários, na verdade, querem confundir o público, bem como trazer para seu lado políticos conservadores testas de ferro de seus interesses, além de parcela importante da classe média, politicamente conservadora, que rejeita quaisquer mudanças, no que concerne à manutenção do status quo e do monopólio desse poderoso e influente segmento econômico.

Um setor que, após a vitória eleitoral do ex-presidente Lula, em 2002, transformou-se em partido político poderoso e de direita, que se recusa, terminantemente, a se submeter aos ditames da Constituição e do Estado Democrático de Direito, porque, sem sombra de dúvida, historicamente nunca respeitou a democracia, por ter um caráter antinacional, despótico e imperialista.


Dito isto, vamos a outra questão: O que existe por detrás de tanta reação à democratização dos meios de comunicação?


Respondo: Certamente não é a censura à imprensa de negócios privados tão propalada pelos sequazes do baronato midiático, e muito menos o "medo" de a liberdade de expressão ser contaminada pelo Estado, até porque a imprensa de mercado, por meio de seus bate-paus mascarados de jornalistas, nunca foi tão livre como no período dos trabalhistas no poder, ao ponto de manipular, dissimular e simplesmente mentir sobre os fatos e as realidades que se apresentam na economia e na política, inclusive a intervir reiteradamente no processo eleitoral, e, derrotada, dedicar-se a uma oposição sistemática e feroz, em um período de 12 anos.


A verdade é que  a máquina midiática empresarial diz o que quer, age como quiser e ainda se recusa a dar voz a quem foi injuriado, caluniado e difamado, sem ter, muitas vezes, culpa no cartório. Existem incontáveis casos que comprovam esses maus procedimentos da imprensa de mercado. E, quando ela "concede" tais direitos ou é obrigada a dar o direito de resposta, o destaque a quem teve a imagem desmoralizada ou desconstruída é mínimo, além de completamente diluído pelas páginas de jornais e revistas, bem como disfarçado nos jornais televisivos.


Contudo, o que mais importa para a sociedade brasileira é democratizar definitivamente as mídias em todos os sentidos, desde a publicidade até o direito de outros segmentos sociais, empresariais, entidades, associações, instituições e sindicatos terem acesso à comunicação, bem como o controle de sua programação, a respeitar, evidentemente, o marco regulatório para os meios de comunicação — chamado por muitos de Ley dos Medios.


Os magnatas bilionários de todas as mídias cruzadas tem verdadeiro pavor desse assunto e reagem ferozmente contra quaisquer regulações, porque a intenção é "melar" o debate, não divulgá-lo em suas mídias e, quando necessário, falar de regulação a dar-lhe uma conotação de casuísmo, de despotismo e de censura, ao que esses bilionários midiáticos e seus empregados de luxo chamam, cinicamente e hipocritamente, de "imprensa livre".


A mesma "imprensa livre" que não dá voz aos seus adversários e inimigos, que tem lado, partido político, cor ideológica e que detesta ouvir as partes envolvidas em algum caso, porque sempre beneficia alguém de seu interesse, e, por causa disso, foge do contraditório. A mesma "imprensa livre" que demite ou "congela" qualquer empregado ou contratado seu, se tal ente humano pensar diferente ou vacilar quanto à "doutrina" política determinada pelos diretores, chefes de redação e editores, que, sem sombra de dúvida, a grande maioria, pois não é justo generalizar, faz o jogo dos patrões, a assoviar e a chupar cana ao mesmo tempo.

Despidos de quaisquer dores de consciência, pois muitos deles são piores que seus patrões, os quais, inadvertidamente e ousadamente, consideram "seus" colegas, o que se torna uma piada de mau gosto, além de arrogância e a completa falta de discernimento de sua condição de empregado, que, sumariamente, não tem o direito de pensar, mas, obviamente, repetir como um papagaio de pirata tudo o que é determinado pelo establishment da empresa, mesmo se tiver de cometer crimes como o fez certo repórter da revista Veja — a Última Flor do Fáscio —, que invadiu o quarto de hotel do ex-ministro José Dirceu, para logo ser denunciado à policia pela gerência do estabelecimento comercial.


Ou, lembremos, dos diretores de Época — o pasquim que ninguém lê —, e de Veja — o libelo de caráter fascista —, que se aliaram ao bicheiro Carlinhos Cachoeira e ao senador cassado, Demóstenes Torres — o ex-varão de plutarco da mídia corporativa —, com o objetivo sórdido de desestabilizar o Governo Trabalhista e também o Governo do Distrito Federal. Esses fatos estão nos "anais" dessa própria imprensa alienígena, que luta, desesperadamente, para manter o oligopólio de mídias cruzadas, que está na mão de meia dúzia de famílias, que, na verdade, dependem de uma só: as Organizações(?) Globo, da família Marinho, porque é ela que monopoliza os eventos esportivos, grandes e pequenos, os artísticos e culturais, os programas jornalísticos e de auditórios, as novelas, bem como o segmento fonográfico e do show business, seja qual for, a exemplo do Rock in Rio, além de estar fortemente presente no rádio e na internet.


Todavia, apesar desses eventos serem controlados com mão de ferro pelos irmãos Marinho, a galinha dos ovos de ouro tem nome, e atende por Bonificação de Volume, o famigerado BV, que concentra as gigantescas verbas publicitárias em apenas um grupo empresarial, por intermédio da venda casada de comerciais. É notória essa vampiresca realidade que favorece, indubitavelmente, a efetivação de chantagens aos anunciantes governamentais e privados, que se veem "obrigados" a anunciar na empresa monopolista e cartelizada, até porque a "Vênus Platinada" faz dura oposição a quem não atende seus interesses, bem como os anunciantes também a temem politicamente e comercialmente, além de saberem que a megaempresa de comunicação é a que tem a maior audiência. 


A resumir: é o fim da picada! Trata-se, na verdade, de um capitalismo selvagem e sem regras, em um mundo privado, livre de um marco regulatório e disposto a enfrentar a sociedade civil, o Governo Federal, o Congresso, além de órgãos que deveriam cuidar desse importante assunto, com coragem, responsabilidade, a cumprir seu trabalho e obrigação, a exemplo do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Secretaria de Direito Econômico (SDE), ambos órgãos estratégicos do Ministério da Justiça, que ora atuam com corpo mole, ouvidos de mercador e olhos fechados para tal ignomínia, que é o abuso de poder perpetrado pelo gigantesco oligopólio dos irmãos Marinho.    


Desconheço a tamanha dificuldade de o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e de sua chefe direta, a presidenta Dilma Rousseff, além do ex-presidente Lula, quando esteve no poder, em obedecer a Constituição, no que é relativo ao combate aos monopólios e oligopólios, além de se  efetivar urgentemente um marco regulatório para o setor econômico midiático. Reconheço, entretanto, que Lula já há algum tempo tem batido nesta tecla, inclusive tem questionado duramente o cartel midiático em público. 


Também considero de bom alvitre a posse de Ricardo Berzoini no cargo de ministro das Comunicações. O petista sempre foi favorável à Ley dos Medios, e, diferentemente de seu antecessor, Paulo Bernardo, Berzoini sempre tocou no assunto do marco regulatório, além de ser um parlamentar combativo e que sempre fez assertivas sobre quaisquer assuntos sem tergiversar. Vamos ver para crer. Afinal, mexer com o status quo não é fácil e tem de ter coragem, fato que não deveria faltar aos políticos, principalmente os de esquerda, eleitos pelo povo e pelo povo tem de lutar ou fazer o que tem de ser feito, ou seja, obedecer a Lei. Ponto.


Estados Unidos, França, Inglaterra, Suécia, Espanha, dentre muitos outros países, possuem marcos regulatórias para o setor da economia dos meios de comunicação social. São paises capitalistas, desenvolvidos, admirados profundamente pelas "elites" deste País e também pela classe média coxinha, mentalmente colonizadas, provincianas e portadoras de um estratosférico complexo de vira-lata.  Então se trata de retumbante farsa, fraude, hipocrisia e mentira a veiculação de notícias por parte dos magnatas bilionários da mídia contrários ao combate aos oligopólios, de acordo com os ditames da Constituição.


Não se pode levar a sério essa gente manipuladora e mentirosa. Não é definitivamente democrático apenas uma empresa familiar dominar o mercado publicitário e de propaganda em um País que tem 210 milhões de habitantes, geograficamente gigantesco, ser considerado a sétima maior economia do mundo e, mesmo assim, ficar à mercê de uma família autoritária, parceira da ditadura militar, que se recusa, casuisticamente, a compreender que o Brasil é outro País, poderoso e fundador de blocos econômicos como o Mercosul, o G-20 e os Brics.


O Governo Trabalhista tem de afirmar às famílias midiáticas que o Brasil não é a continuação dos quintais das mansões delas, pois o tempo da Casa Grande tem de terminar, para que a sociedade brasileira possa ser emancipada definitivamente, tanto no que concerne à independência financeira e política, mas também no que é referente à democratização das mídias, de tal forma que elas fiquem ao alcance de todos, o que significa permitir a diversidade de pensamento e o combate à censura praticada pelos magnatas bilionários de imprensa e de seus feitores, que sempre fazem a vez de seus patrões autoritários. A imprensa quer falar sozinha. Ponto. A verdade é que ela não se preocupa com liberdade de expressão, porque a liberdade de expressão que vale é somente a dela. Não se enganem os ingênuos, os apressados e os cúmplices...


Enfim, urge a inclusão midiática e também digital para o segmento dos meios de comunicação. O Brasil tem de abrir um maior número de empresas, bem como a Bonificação de Volume (BV) tem de ser extinta. Para quem não sabe, a BV é o lucro das agências publicitárias. Como as Organizações(?) Globo são um monopólio, a agência não tem para onde correr. Se atrasar as faturas para a Globo, perde o direito à BV, um instrumento, ora veja, criado pela própria Globo, que, draconianamente, deixa tal agência sem dinheiro, como se fosse uma grande lição — "para aprender!", diriam os lorpas e os pascácios de Nelson Rodrigues. 


E se o cliente da agência dá um calote ou simplesmente atrasa o pagamento? Problema de tal empresa. O empresário ou publicitário dono da agência rapidamente, e muito assustado, opta por recorrer aos bancos, porque na cabeça dele é melhor dever ao banqueiro do que dever à Globo, que, se retaliar de maneira séria, é capaz de o publicitário ter de fechar as portas de sua agência, porque a falência virá a galope. Por isso a luta dos magnatas bilionários para manter as coisas como estão. É muito poder em jogo.

Realmente, o Governo tem de ordenar e reorganizar esse segmento que, de tão poderoso, apoia até golpe de estado e interfere em eleições presidenciais. Mas, compreendo que mexer nesse vespeiro tem de ter coragem e determinação. Por seu turno, governantes são eleitos até para sacrificar a vida, se ele não for um pusilânime ou covarde. Estadistas não são relapsos com a governança e com os interesses do povo. Regular as mídias é dever do Estado, proteção à democracia e o fim do controle da BV, ou seja, do mercado publicitário por apenas uma empresa. A Ley dos Medios tem de ser efetivada, a Constituição respeitada, e é para já. É isso aí.