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terça-feira, 12 de agosto de 2014

Não é só a Petrobras, coxinha. É o pré-sal da Petrobras

Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre


A Petrobras desde sua fundação pelas mãos do presidente trabalhista Getúlio Vargas, em 1953, é alvo da direita brasileira encastelada na Casa Grande. A partir de seus primórdios a estatal símbolo do Brasil foi combatida pelas “elites” colonizadas e entreguistas deste País, com o apoio de governos estrangeiros, notadamente os Estados Unidos e a Inglaterra, bem como a França. Países imperialistas de passados colonialistas, que se posicionam, estrategicamente, no mundo por saberem que suas hegemonias dependem do controle das diferentes energias, e o petróleo, sem sombra dúvida, é ainda a principal demanda energética do mundo.

A resumir: quem controla a energia domina a economia em escala planetária. Do contrário, se houver resistência apelam para a guerra, como ocorreu com a Líbia, o Iraque e o Afeganistão, entre outros países, que foram completamente destruídos e seus presidentes ilegalmente e criminosamente assassinados. Acontecimentos que contaram com a vergonhosa aquiescência da ONU, que se comportou nesses episódios como um órgão pária, porque complacente com a pirataria e a espoliação perpetradas contra três países árabes, não alinhados aos interesses do Ocidente e que, sistematicamente, reafirmavam, no caso da Líbia e do Iraque, suas políticas sociais e econômicas de centro-esquerda. Ponto!

Por seu turno, a ONU se tornou há algum tempo em uma entidade superada, como se existisse e atuasse em um mundo paralelo ou irreal, pois não coaduna com as necessidades e as demandas de um mundo globalizado, além de não cumprir, recorrentemente, com suas responsabilidades, porque “oficializou” e “legalizou” a invasão de países por interesses comerciais e ideológicos, bem como se comporta como se o mundo estivesse ainda nos tempos da Guerra Fria. Por causa disso, a ONU se tornou uma organização não confiável para a comunidade internacional, que luta para mudar suas estruturas, estatutos e regulamentos, a começar pelo Conselho de Segurança do órgão multilateral.

Contudo, o maior problema de quaisquer países ou de nações que lutam para serem autônomos e independentes, além de desejarem a emancipação de seus povos, são os grupos sociais abastados, os ricos e os multimilionários, pois possuidores dos meios de produção e controladores do estado burguês há séculos. Esses segmentos poderosos e influentes têm como peça fundamental de suas estruturas de poderes os meios de comunicação privados, a influência sobre as polícias e o apoio quase irrestrito de setores conservadores e que se recusam a aceitar mudanças sociais progressistas, a exemplo do Poder Judiciário e de segmentos reacionários encastelados no Ministério Público.

Esses grupos conservadores se mobilizam fortemente para manter o status quo, que lhes garante benefícios e privilégios. Os inquilinos da Casa Grande e seus principais aliados, as classes médias, sentem-se profundamente incomodados com a ascensão social das classes populares. Confundem uma simples distribuição de renda e de riqueza, por intermédio de programas sociais (cinturão de proteção social), com socialismo e comunismo, enquanto a verdade é que o poder estabelecido por meio de eleições, no caso o PT de Lula e Dilma, quer aumentar o número de consumidores, por intermédio de inserção social, ou seja, incluir milhões de brasileiros nos mercados de consumo e de trabalho. Nada mais capitalista.

A imprensa familiar e de direita, o setor socioeconômico mais atrasado e reacionário da sociedade brasileira, mesmo sabendo desse processo, insiste em manipular os fatos, suprimir as realidades ou simplesmente mentir. Trata-se de uma salada ideológica que chega às raias da ignorância, do ridículo e da má-fé. Afinal, todos os países ditos desenvolvidos e capitalistas distribuíram renda, realizaram a reforma agrária e efetivaram programas sociais e os praticam até hoje. O Bolsa Família, por exemplo, é imitado em países desenvolvidos, inclusive com a cooperação de técnicos brasileiros.

Globalizado, para o desgosto da burguesia de caráter escravocrata deste País, o principal programa social do governo petista completa este ano 11 anos e está a ser efetivado em Estados Unidos, França, Inglaterra, Alemanha, Suíça e avaliado pelos japoneses, que pensam em colocá-lo em prática para combater a pobreza, pois até mesmo em países muito ricos, como o Japão, existem pessoas pobres e que necessitam da ajuda do estado.

A verdade é que sem a atuação dos estados nacionais, os países não existiriam como nações e certamente a iniciativa privada não mexeria uma palha se não tivesse a garantia do estado, que sempre, como ocorreu recentemente na Europa e nos Estados Unidos, socorreu grandes empresas e bancos para que suas economias não afundassem completamente na lama da iniqüidade, das fraudes, da corrupção e da irresponsabilidade de empresários e agentes públicos cúmplices de suas sandices e insanidades, a terem como combustível a ganância humana e o capitalismo predatório tão aplaudido pelos economistas da direita e pelos corvos da imprensa alienígena e de negócios privados.

Contudo, temos aqui uma classe média aliada de um grupo social riquíssimo, herdeiro da escravidão e promotor de uma mais-valia que explora crianças e comete assassinatos contra trabalhadores rurais e índios. Uma classe média que, incompreensivelmente, vocifera contra o Bolsa Família e outros programas sociais, bem como repete como papagaio de pirata as asneiras e as perversidades que ouve por intermédio de “especialistas” de prateleiras e “comentaristas” de iniqüidades, que tomaram conta dos canais da imprensa comercial e privada, que jamais, em hipótese alguma, vai defender, sequer um dia, os interesses mais caros ao povo e aos trabalhadores brasileiros.    

Através das mídias porta-vozes dos mercados de capitais, a direita partidária — PSDB, DEM e PPS — derrotada em três eleições presidenciais, em um tempo de 12 anos, consegue empreender uma campanha sistemática de natureza negativa contra o atual Governo Trabalhista, que leva a classe média, conservadora por natureza a se preocupar somente em não integrar o todo da população ou da sociedade, pois se considera “Very Important Person” (VIP), quando na verdade nunca o foi e nunca o será.

Mesmo assim esse segmento vai estar sempre ao lado do establishment, porque a questão é ideológica e de preconceito de classe, de raça e de origem. E quanto a isso não há como se negociar ou amenizar, porque certas camadas da sociedade brasileira trazem consigo o sentimento arraigado de escravidão em suas almas e nos seus desejos e segredos mais nefastos e infames, aqueles que não são expressados nem na solidão de seus travesseiros.

Para fazer contraponto a essa realidade perversa existem os governantes e partidos que, eleitos, tem a obrigação e o direito de criar e elaborar programas e projetos que permitam diminuir as diferenças sociais e regionais, conforme estabelece a Constituição de 1988. Ponto! Entretanto, a luta pelo poder e a ferocidade da direita empresarial e partidária não é fácil de combater ou de enfrentar, porque ainda vige um sistema de poder edificado em séculos passados e que resiste para não ser rompido, apesar de os avanços verificados nos governos trabalhistas de Getúlio Vargas, João Goulart, Lula e agora Dilma Rousseff.

Por sua vez, é visível — e só não enxerga quem não quer — que a crise da Petrobras é um embuste, uma trapaça e farsa ou novela mal editada pela “Veja” e pelo “Jornal Nacional” da “Globo”, a fim de criar situação artificial, com propósito eleitoral, que coloque o Governo do PT contra a parede, ainda mais quando são notórios os casos Alstom, Siemens, Aeroporto do Aécio Neves e o Mensalão do PSDB, bem como a administração muito questionável do senador em Minas Gerais, além de muitos outras denúncias de malfeitos, que sujam as penas dos tucanos paulistas, mineiros e paranaenses e que nunca foram, de fato, investigados com determinação pelo Ministério Público e julgados com imparcialidade pelo Judiciário. São escândalos bilionários, que fervilham ao ponto de a imprensa burguesa ter de rapidamente “esquecer” tais assuntos para tirá-los de pauta.

A verdade é que o foco é a desqualificação dos governos Dilma e Lula como gestores da Petrobras, porque a reportagem da revista “Veja” como sempre é apenas declaratória, com opiniões de pessoas ocultas e que fazem assertivas, no mínimo, questionáveis, porque a verdade, nua e crua, é que a matéria é mais uma denúncia vazia, em off, o que denota que a “Veja”, pasquim mequetrefe e rastaquera, também conhecido como a “Última Flor do Fáscio”, e que pela milionésima vez publica mais uma reportagem que retrata, ipsis litteris, sua vocação partidária à direita e o seu dom para a mentira, base, inquestionável, do seu jornalismo de esgoto.

A acompanhar tão desprezível revista, a Rede Globo por intermédio de seus jornais, inclusive os da Globo News, que não passam de partidos direitistas não assumidos e que fazem a principal campanha de desconstrução dos governos trabalhistas do PT, bem como assumiram de vez a frente da batalha eleitoral, que tem seu fim programado para o dia 5 de outubro, o dia das eleições presidenciais quando o povo brasileiro, de forma autônoma e independente, vai mais uma vez escolher o mandatário que vai governar o Brasil em um tempo de quatro anos.

Como se observa, a questão não é somente a Petrobras, coxinha — o rico e o de classe média. É o pré-sal da Petrobras. Vai ser essa riqueza, a médios e longos prazos, que vai determinar e definir os projetos de País e de Estado, além dos programas de governo. Com os recursos do pré-sal garantidos para a Educação e a Saúde, o povo brasileiro, principalmente as gerações vindouras, vai ter a oportunidade de se desenvolver e fazer com que o Brasil, além de ser uma das principais economias do mundo, no que é relativo ao PIB, consiga também atingir um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) que faça com que o poderoso País da América do Sul e Latina seja também um lugar onde todos tenham acesso ao bem-estar social de forma definitiva.


São esses fatores e pontos que a direita luta para que não aconteçam no Brasil e no mundo. É o seu propósito e de sua natureza — de escorpião. A verdade é que manter os privilégios, os benefícios e as primazias (patrimônios, bens, dinheiro e status) são as causas que movem sua existência como força social retrógrada e reacionária. Privatizar a Petrobras ou simplesmente deixar de investir em seus parques industriais é fazer com que o Brasil volte à condição de colônia alinhada aos Estados Unidos e à União Europeia. A direita não tem pátria, pois alienígena. Sua pátria é o dinheiro e sua luta é por privilégios. É o pré-sal, coxinha! É isso aí.  

4 comentários:

celvio disse...

Davis: seu texto é uma aula. Está lá no ContrapontoPIG. Parabéns, e um grande abraço.

Davis disse...

Célvio, um grande abraço. Obrigado.

Jorge Marcelo disse...

Davis, você já ouviu falar em Paulo Roberto Costa?

Otto Lima disse...

E você, coxinha, já ouviu falar em PetroBrax?