segunda-feira, 13 de abril de 2015

Coxinhas alienados de classe média fracassam na Globo News em verde e amarelo

Por Davis Sena Filho — Palavra Livre



Acompanhei a cobertura dos protestos pela Globo News e suas congêneres acontecidos ontem em várias cidades do Brasil. A Globo News, televisão “limpinha e cheirosa” dos magnatas bilionários, os irmãos Marinho, porta-voz do coxismo desenfreado e elitista de uma classe média alienada, preconceituosa e reacionária, que organizou passeatas fracassadas contra a corrupção e “tudo o que está aí”, sem, todavia, possuir uma agenda de reivindicações sociais, que lute em prol dos interesses dos trabalhadores, como protestar contra a aprovação do projeto de terceirização aprovado por uma Câmara conservadora e que tenta governar o País no lugar do Executivo.   

Deparei-me com um número de pessoas a vociferar contra um governo eleito legitimamente e que se equivale a apenas 000,1% da população brasileira, a mesma que, em termos macros, melhorou efetivamente de vida nos últimos 12 anos e quatro meses, bem como compreendeu o momento histórico pelo qual passa o Brasil e, com efeito, decidiu manter no poder, por intermédio das urnas, a presidenta trabalhista Dilma Rousseff, cujos governos, juntamente com os dois mandatos do ex-presidente Lula, não estão a “deixar pedra sobre pedra”, quando se trata de combate à corrupção, conforme a mandatária deixou claro nos debates políticos e na propaganda eleitoral. E assim está a ser feito.

Entretanto, lideranças intelectualmente tacanhas do coxismo golpista e que empunhavam cartazes e faixas com dizeres em inglês (olha aí o complexo de vira-lata), por oportunismo, hipocrisia e conveniência política e ideológica, fingem não compreender os novos rumos do Brasil, que está a mudar paulatinamente sua postura e conduta diante da corrupção, que está, sem sombra de dúvida, a ser combatida ferrenhamente pelos governos petistas, que por serem republicanos, permitiram que instituições como a Polícia Federal trabalhasse com liberdade, sem interferir, também, nos trabalhos do Ministério Público.

Somente para termos uma pequena noção do que estou a afirmar, faço saber que nos oito anos de desgovernos e de privatarias dos tucanos do PSDB (existem também tucanos do DEM, do PPS, do PMDB, do PSB, do PP, do PV etc.) foram realizadas apenas 48 operações da Polícia Federal, completamente desprestigiada, desprovida de equipamentos, com um orçamento muito aquém de suas necessidades e com um efetivo tão pequeno que não dava para resolver quase nada, porque o Brasil é um País continental, com fronteiras longuíssimas e uma criminalidade que atuava à solta e à vontade.

Exatamente isto: o Governo de Fernando Henrique Cardoso — o Neoliberal I — realizou ínfimas 48 operações, enquanto os governos trabalhistas de Lula e Dilma efetivaram quase três mil operações policiais, com 24.881 detenções e prisões, de acordo com cada caso, sendo que 2.351 dessas pessoas pertenciam ao serviço público, inclusive políticos, sendo que 119 policiais federais, um fato raro, que demonstra, inapelavelmente, que o Brasil mudou e sua democracia está consolidada, para o desespero da direita brasileira, uma das piores e mais cruéis do mundo.

A resumir: os governos trabalhistas de Lula e Dilma realmente colocaram a mão na massa e cortaram na própria carne, porque pessoas ligadas ao Partido dos Trabalhadores foram punidas, inclusive as que não tiveram suas culpas comprovadas, como no caso do “mensalão” do PT, que teve como ferramenta para acusar e punir o infame “domínio do fato”, uma farsa política e de caráter partidário e ideológico, conhecida apropriadamente como “mentirão”, que vai ser ainda desmoralizado pela história, que se escreve de maneira fria e isenta. Ponto.

Além disso, grandes empresários, executivos importantes, corruptos e corruptores estão presos, realidades que nunca aconteceram antes neste País, e que incomodam demais o status quo, os poderosos, ou seja, a grande burguesia, que tem como porta-vozes as televisões, as rádios e as publicações dos magnatas bilionários de imprensa, a ter ainda como replicadores ou disseminadores de seus interesses políticos e econômicos, a lamentável classe média coxinha, golpista, reacionária, rancorosa e despolitizada, que se sente ridiculamente ameaçada, porque os pobres ascenderam um pouco socialmente e às vezes frequentam os lugares que a classe média considerava como “seus”, a exemplo dos shoppings, bairros onde moram, aeroportos, cinemas, lanchonetes e restaurantes, clínicas de saúde privadas, universidades públicas e particulares.

A verdade é que no Brasil sempre vicejou uma pequena burguesia de alma lacerdista e udenista, que, de geração em geração, acostumou-se a ter empregados domésticos, uma das heranças da escravidão, ou a ver os trabalhadores nos papéis de servidores do comércio e do lazer onde frequenta, mas jamais como consumidores e cidadãos que tem os mesmos direitos desses pequenos burgueses, conforme reza a Constituição.

O que se percebe e se fundamenta é que os governos conservadores e neoliberais de FHC, aquele que, além de trair o povo brasileiro e vender o País para a gringada, ainda pediu dinheiro ao FMI três vezes, humilhado, com o pires nas mãos, porque quebrou o Brasil três vezes, não prenderam ninguém, porque propositalmente fecharam os olhos para a corrupção, pois se recusaram a investigar para descobrir a farra de roubalheira explícita que acontecia há décadas no serviço público, com a participação e a cumplicidade de empresários ladrões do Brasil, que corromperam funcionários concursados, sendo que a maioria ingressou no serviço público no fim das décadas de 1980 e início da de 1990.

Agora vamos à pergunta teimosa e que se recusa a calar: como os líderes e mandatários dos governos tucanos poderiam investigar e demitir, prender e punir os corruptos e corruptores se essas mesmas autoridades estavam a vender o País, a entregá-lo de mão beijada à gringada, que, por sua vez, somente evidenciou uma única exclamação de regozijo e alegria: OBA!

Um “oba” altissonante, porque tal estrangeirada sabe que seus países, ditos como desenvolvidos, não vendem o patrimônio público, ainda mais quando ele é estratégico, a exemplo da Vale do Rio Doce e da Telebras, dentre as mais de cem estatais, que o governo apátrida, traidor e irremediavelmente colonizado, que teve o senhor tucano neoliberal FHC como predador do patrimônio público que ele e seus pares não construíram e jamais teriam competência e determinação para edificá-lo, porque tucano não trabalha, não serve ao povo brasileiro quando no poder, pois se recusa, terminantemente, a pensar o Brasil.

E desse modo, tal qual à burguesia no poder, que procedem os coxinhas de classe média despolitizados, de valores colonizados e dominados por um gigantesco complexo de vira-lata. Racistas e elitistas. Arrogantes e prepotentes. Sectários. Apostam, pois ignoram a história do Brasil, em um golpe militar, que eles, para disfarçar o autoritarismo latente em seus corações e mentes, chamam-no de “intervenção” militar. Falam de “petrolão”, de “mensalão”, mas o do PT foi julgado e os acusados foram punidos, mesmo sem suas culpas juridicamente comprovadas. Em relação ao “petrolão”, não está a ficar pedra sobre pedra, tanto o é verdade que todos os principais envolvidos estão presos.

Desprovidos de uma agenda séria de reivindicações sociais e trabalhistas, porque na verdade são apenas um amontoado de aloprados radicais, leitores e telespectadores de uma imprensa mentirosa e manipuladora, os coxinhas não reclamaram, como já frisei anteriormente, da aprovação da terceirização total dos serviços, não protestaram contra a roubalheira dos ricos que sonegaram impostos, enganaram a Receita e depositaram verdadeiras fortunas no HSBC da Suíça. De forma alguma, como não criticaram a falta de água vergonhosa em São Paulo e seu governador, Geraldo Alckmin.

Jamais! Os escândalos do”metrosão” e “trensalão” também não apareceram nas faixas, nos cartazes e nos megafones dos trios elétricos dos coxinhas politicamente seletivos. Nem a operação Zelotes ou as roubalheiras do Banestado, da Lista de Furnas, da sonegação criminosa da Rede Globo, no que é relativo à Copa de 2002. Coxinhas não fariam denúncias e protestos contra a falta de julgamento do Mensalão do PSDB, que o Judiciário e o MP deixaram correr à solta, ao ponto de este caso estar praticamente anulado por causa do tempo que passou. Essa gente também não esbravejou contra o fim das operações Satiagraha e Castelo de Areias.

E por que será? Respondo: porque todos esses casos de corrupção e muitos outros aqui não citados estão envolvidos políticos de oposição aos governos Lula e Dilma. Além do mais, a imprensa meramente de negócios privados jamais dará publicidade aos escândalos de seus parceiros, aliados e cúmplices, até porque muita gente que trabalha nas mídias privadas e cruzadas está também envolvida com muitos desses casos, que ainda não foram, lamentavelmente, combatidos duramente pelos delegados da PF, pelos juízes do STF e do STJ e, principalmente, pelos promotores do MP. Estes, então, passam uma ideia de seletividade e de atuação político-partidária que põe por terra a credibilidade do MP por enorme parcela da população brasileira. Este é o sentimento, o de desconfiança.

Os coxinhas alienados e “revoltados” de classe média odeiam e desprezam o Brasil. Só que antigamente essa gente, mesmo os formados em cursos superiores, viajavam para os EUA para trabalhar na condição de empregadinhos de quinta categoria. Hoje eles vão como turistas ao país imperialista, que eles amam, identificam-se e por lá deixam um monte de dinheiro.

Em 2014, gastaram 2,5 bilhões. É tanto dinheiro que o governo yankee está a facilitar a entrada de brasileiros. E os coxinhas aqui, a bramir insanidades ou sandices, talvez porque estão empregados, como muitos deles não estavam antes dos governos petistas. O coxismo fracassou na Globo News, no Mau Dia Brasil e no Jornal (anti)Nacional em verde e amarelo. O respeito à democracia e à vontade das urnas não é uma concessão de uma suposta classe social, que, ridiculamente, considera-se de elite. O respeito às urnas é lei, e, como tal, tem de ser observado. O desrespeito ao processo político e à democracia tem nome: GOLPE! É isso aí.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

PSDB sai da social democracia para o golpismo e PT precisa resgatar seu berço

Por Davis Sena Filho — Palavra Livre


O PSDB dos tucanos sempre foi um partido em cima do muro. Entretanto, seus principais membros do passado e do presente jamais reconheceram esta característica do caráter partidário e até mesmo ideológico de uma agremiação política fundada em 1989, que tinha a intenção de representar a social democracia no Brasil, apesar de o PDT, do trabalhista Leonel Brizola, fundado em 1979, ser o partido brasileiro que integra a Internacional Socialista (IS), uma organização composta por agremiações de esquerda e de centro esquerda e que prega, em âmbito internacional, a união de partidos políticos trabalhistas, social-democratas e socialistas.

Contudo, o grande partido de esquerda do Brasil é o Partido dos Trabalhadores, com suas ramificações, grupos e subgrupos ideológicos, que atuam e agem dentro de um partido profundamente democrático, nascido do operariado, da classe estudantil, da intelectualidade acadêmica, do apoio efetivo da Igreja Católica do campo progressista, bem como de setores autônomos da classe média, que não se sentiam representados pelos partidos burgueses e, por causa disso, apostaram em uma nova forma de se fazer política, no que diz respeito a eleger candidatos e partidos que, efetivamente, incluíssem a sociedade no processo decisório de poder e governo.

Um exemplo dessa inclusão e engrenagem político-administrativa é o orçamento participativo (OP), efetivado na gestão de Olívio Dutra, em 1989, quando o petista foi prefeito de Porto Alegre, cidade que se tornou referência nacional e internacional, porque o OP foi implantado em inúmeros municípios brasileiros e europeus, a exemplo de São Paulo, Bruxelas, Belo Horizonte, Montevidéu, Barcelona e Recife. Evidentemente quando o PT perdeu as eleições em algumas cidades brasileiras, o orçamento participativo foi extinto. A participação popular gera a democracia direta, pois as decisões sobre as políticas públicas e governamentais contam com a presença de representantes da sociedade por intermédio dos Conselhos Setoriais de Políticas Públicas, que também funcionam como espaços de controle social, ou seja, o poder da autoridade eleita compartilhado com o povo.

Depois o PT chegou ao poder federal ao conquistar por quatro vezes consecutivas a Presidência da República, o que forçou o partido a abandonar algumas teses defendidas no decorrer de décadas, até porque ser oposição é uma coisa e ser governo é outra, ainda mais quando para se governar um País tão complexo como o Brasil é necessário formatar um governo de coalizão e, por sua vez, conseguir ter maioria na Câmara e no Senado. Todavia, é imperativo, ao meu modo de ver, que o Partido dos Trabalhadores resgate seu berço, revisite suas origens e retome, com força e determinação, ferramentas que fortaleçam a participação popular nas definições e efetivações das políticas governamentais, que tem por objetivo fundamental melhorar as condições de vida do povo brasileiro.

O PT é o maior partido de esquerda do Brasil e, quiçá, das Américas, e, como tal tem de proceder, porque se trata do único partido orgânico do País, que, apesar de seu afastamento de algumas causas históricas e de interesses populares, é ainda a agremiação partidária com poder o suficiente para realizar a inclusão social com igualdade de oportunidades e fazer as reformas política, dos meios de comunicação, tributária, além de mobilizar o Congresso para que ele regulamente o que tem de ser regulamentado, no que concerne à Constituição.

O Orçamento Participativo é uma das ferramentas sonhadas e colocadas em prática pelos militantes e políticos que creem no socialismo democrático, a partir do momento em que o PT conquistou eleitoralmente as primeiras prefeituras e, anos depois, elegeu governadores em diversos estados. Naqueles tempos ditatoriais o Brasil realizou “eleições” em 1974, 1976 (municipais) e 1978, completamente controladas pelo poder militar, inclusive com nomeações de prefeitos, governadores e senadores biônicos, “eleitos” por um colégio eleitoral para dar maioria ao partido do Governo — a Arena e depois o PDS.

A verdade é que eram pleitos supervisionados duramente pelo Ministério da Justiça, pela Justiça Eleitoral da ditadura militar, pelos coronéis políticos, que detinham imensos poderes sobre as municipalidades interioranas, bem como de muitas capitais, principalmente dos estados menores e de regiões mais pobres e longínquas, no que é relativo ao poder central e às metrópoles do Sul e Sudeste, consideradas mais desenvolvidas, industrializadas e politizadas, no que tange naquela época as populações dessas regiões terem relativamente autonomia, e, com efeito, votos mais independentes.  

Todavia, em 1982, realizaram-se as primeiras eleições realmente diretas para governadores desde o golpe de 1964, inclusive com a participação de políticos exilados, a exemplo de Leonel Brizola. Apesar de tudo, aquele ano teve um pleito eleitoral submetido ao cabresto e ao chicote da Lei Falcão, que obrigava o candidato aparecer na televisão apenas com sua foto, também chamada de “boneco”, onde uma voz em off informava seu partido, nome e número, como propaganda eleitoral. As eleições de 1982 foram um sufrágio sob a tutela da mão forte do sistema ditatorial, que obrigou ainda o eleitor se submeter ao voto vinculado, pois seus candidatos teriam de ser do mesmo partido para todos os cargos em disputa, sob a pena de o voto ser anulado. Casuísmo e acinte contra o cidadão brasileiro, que já amargava 18 anos de ditadura.

Nesse rastro cívico, e a partir da redemocratização do País com a volta dos exilados em 1979 e o fim do bipartidarismo (Arena versus MDB), as esquerdas e a direita retomaram seus caminhos e retornaram às suas origens, porque o MDB, na verdade, era uma grande frente partidária e um caldeirão ideológico, onde atuavam e agiam políticos conservadores, a exemplo do paulista Roberto Cardoso Alves, um dos líderes do Centrão, no decorrer da Constituinte, e  o baiano Chico Pinto, comunista histórico, que, em 1974, fez um discurso contra o ditador chileno, general Augusto Pinochet, sendo depois preso pelos militares e ainda teve seu mandato de parlamentar cassado.

O PSDB saiu do ventre do PMDB de São Paulo, apesar de Franco Montoro, um dos fundadores do partido dos tucanos, ter sido eleito governador pelo PMDB, em 1982. Com a eleição do Orestes Quércia a governador de São Paulo, em 1986, aconteceu uma dissidência no partido, e, em 1989, Mário Covas, acompanhado de Franco Montoro, José Serra e Fernando Henrique Cardoso, dentre outros, criaram o PSDB, partido que traiu os princípios da social democracia, que, por sinal, na década de 1990, deu uma guinada à direita também na Europa e nos Estados Unidos, em nome da criação da “Terceira Via”, como demonstraram, sem deixar dúvidas, o presidente estadunidense, Bill Clinton, o primeiro ministro inglês, Tony Blair, o primeiro ministro espanhol, Felipe González, o primeiro ministro francês, Lionel Jospin, o chanceler alemão, Gerhard Schröder, o primeiro ministro italiano, Massimo D’Alema, o presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso, o presidente da Argentina, Carlos Menem, e o presidente do Chile, Ricardo Lagos.

Em nome de uma suposta atualização e modernização da social-democracia, essas lideranças se reuniram em 1994, e, a partir desse encontro, que na verdade é uma consequência do Consenso de Washington, de 1989, começaram a colocar em prática a depredação e a alienação dos estados nacionais, principalmente dos países emergentes, bem como também recrudesceram, em seus próprios países considerados desenvolvidos, a privatização de estatais e a criação de agências reguladoras, que não regulavam nada, mas serviam apenas como aliadas dos interesses privatistas, como se deu no Brasil do tucano Fernando Henrique Cardoso — o Neoliberal I —, exatamente aquele que foi ao FMI três vezes, de joelhos, humilhado, com o pires nas mãos, porque quebrou o Brasil três vezes.

O tucano colonizado e subserviente que ficou a segurar o “mico” e a ninar o “Bebê de Rosemary”, cuja alma é a tal da “Terceira Via”, responsável maior, porque fiadora, de quase duas décadas de neoliberalismo nas veias das nações, que levou os estados nacionais à bancarrota e os povos dos países vítimas de roubos e piratarias a sofrer com o desemprego, a fome, a miséria e com todo o tipo de cruéis dificuldades, pois sem perspectivas de um futuro melhor e impedidos de ter acesso à educação, à saúde, à moradia, ao emprego e ao consumo.

Depois de venderem o Brasil como medíocres caixeiros viajantes, essa gente despida de brasilidade, que despreza um País que é a terceira economia do mundo e que hoje exerce um papel importante na comunidade internacional, porque um dos criadores dos Brics, da Unasul, do Mercosul e do G-20, os tucanos do PSDB (existem tucanos do Psol, do DEM, do PPS, do PSB etc.), após serem derrotados em quatro eleições presidenciais, resolvem abraçar o golpismo e a flertar com o que de pior este País pode produzir, que é o ódio e a intolerância de setores da sociedade brasileira, extremistas do campo da direita, que em passeatas pedem, inclusive, por um golpe de estado, ou seja, essa gente sem memória, ignorante e sem instrução e conhecimento sobre a história do Brasil, chama cinicamente e hipocritamente de “intervenção” militar, fato que até os mortos, os recém-nascidos e os que estão em coma profundo há 30 anos sabem que os coxinhas querem mesmo é dar um golpe.

O PT, antes de tudo, tem de recuperar sua identidade, e há tempo para isso. Reabrir os canais de diálogo com a sociedade civil, com os trabalhadores e seus sindicatos e federações rurais e urbanas, renovar o corpo de militantes, cumprir com seu programa de governo e projeto de País propostos e aprovados nas urnas e passar a ouvir mais aqueles que votam ou votaram no PT, porque quem colocou o Lula e a Dilma na Presidência da República foram os eleitores desses dois mandatários trabalhistas e socialistas. O PT é das ruas e dos segmentos populares. É um partido, como disse anteriormente, orgânico, porque está presente em todos os segmentos de nossa sociedade, mesmo sendo alvo de uma sórdida e covarde campanha de uma imprensa de negócios privados, de setores do MP e do Judiciário, que desejam e tentam pautar governantes para impor suas agendas políticas, diplomáticas e econômicas.

O PT ratifica sua força porque pode resgatar seu berço. Já o PSDB não tem rumo, porque é um partido de classe social elitista e, portanto, é servidor dos ricos, como não deixou margem à dúvida quanto a esta realidade quando ocupou por oito anos o governo central. O PSDB se tornou um partido ímpio e inócuo, porque se recusa a pensar o Brasil para, consequentemente, desenvolvê-lo. Os tucanos tupiniquins, tais quais aos tucanos europeus e estadunidenses, desmoralizaram a social-democracia e a jogaram no colo da direita.


O Partido dos Trabalhadores tem um compromisso inadiável com a democracia, com a igualdade de oportunidades e com a justiça social. Apesar de ter raiz socialista, o PT, no poder, afastou definitivamente o PSDB do que foi um dia sua presumível vocação social democrata e o empurrou para a direita. Este, sim, o campo ideológico que, ao que me parece, os tucanos se sentem muito bemconfortáveis como pés em sapatos velhosO PSDB sai da social-democracia para o golpismo barato dos coxinhas que pedem por um golpe de estado, como se estivessem nos idos de 1964. O PT precisa resgatar seu berço e ideário. É isso aí.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Ou o Brasil regula as mídias ou as mídias regulam o povo e o governo

Por Davis Sena Filho — Palavra Livre


Há anos, incansavelmente, defendo, dentro dos limites que me cercam, que o PT, o Governo Trabalhista, a sociedade brasileira e suas instituições e entidades realizem, com a importante cooperação do Congresso Nacional, a regulação do sistema midiático brasileiro e a proibição, na forma da lei, que megaempresários, sem quaisquer compromissos com o Brasil e seu povo, transformem seus canhões midiáticos em verdadeiros partidos de oposição, ideológicos e alinhados à direita brasileira, a judicializar a política e a criminalizar os partidos políticos, como forma de desqualificar suas lideranças e não reconhecer os avanços e conquistas sociais que ocorreram no Brasil nos últimos 12 anos.

Todas as nações ditas civilizadas, além de muitos países que estão em busca de desenvolvimento, efetivaram a regulação das mídias, bem como não permitem que magnatas bilionários de imprensa, meramente de mercado, monopolizem esse setor tão importante da economia e se transformem em oligarcas do atraso e do retrocesso, ao ponto de “peitar” governantes eleitos, sabotar e boicotar seus governos e ainda convocar parte da população de perfil reacionário, com chamadas e manchetes de conotações golpistas e criminosas, para ir às ruas e vociferar pelo impeachment de uma mandatária legalmente eleita e que chefia um governo, apesar de suas contradições e leniências, que está a investigar e a prender os ladrões do dinheiro público, que vestem as peles de corruptos e corruptores.

Contudo, o Governo Dilma Rousseff, assim como o do ex-presidente Lula, são os que, efetivamente, abriram a caixa de Pandora, cortaram a carne da corrupção e estão a limpar o corpo que se encontra com sérias mazelas e por causa disso está ainda internado na CTI, mas com chances reais de sobreviver. Os dois mandatários realizaram, por intermédio da Polícia Federal, órgão subordinado ao Ministério da Justiça, mais de duas mil operações policiais, sendo que milhares de servidores foram afastados para o bem do serviço público, bem como os bilhões roubados dos cofres da União estão sendo, conforme os acordos firmados com instituições financeiras e governos estrangeiros, devolvidos, de acordo com a Presidência da República, o Ministério Público e notícias veiculadas até mesmo pela imprensa corporativa e de oposição.

Entretanto, não se compreende qual é o problema do Governo petista quando se trata de investigar as empresas dos magnatas bilionários de todas as mídias cruzadas e monopolizadas, cobrar-lhes duramente os impostos devidos ao Estado, denunciá-los ao povo brasileiro, pois se trata de bilionária sonegação de impostos, de contrabando de máquinas e equipamentos, de compras e concessões de canais de televisões e rádios de forma ilegal, que até hoje não foram devidamente questionados por quem de direito, o Estado nacional.

Isto mesmo, o Governo Federal, por intermédio do Ministério das Comunicações e de órgãos pretensamente reguladores, que na verdade agem e atuam em favor dos interesses dos magnatas bilionários, que deitam e rolam, bem como ficam a tripudiar da cara do povo brasileiro, porque quando se trata desse quase proibitivo assunto os governos e os governantes se tornam tíbios, fracos, acovardados, pusilânimes, permissivos e, irrefragavelmente, mequetrefes e rastaqueras. Não resta dúvida quando tal assunto vem à tona, os ministros das Comunicações dos governos Lula e Dilma tratam logo de mergulhar o mais fundo possível para não ter que discutir sobre a regulação do setor de mídias do Brasil.

Dessa forma vão a levar a vida os magnatas bilionários, como se vivessem em um País à parte, ou em uma sociedade construída somente para eles se darem bem, repercutir o que pensam ou deixam de pensar e, sobretudo, conspirar contra aqueles que não batem os tambores de suas bandas ou não seguem suas agendas políticas e econômicas, que esses bilionários midiáticos consideram, de forma autoritária, o “ideal” para o Brasil. Durma-se com um barulho desses.

É inacreditável, e por isso surreal, que em pleno século XXI, do terceiro milênio, a sétima economia do mundo, extremamente diversificada, com uma população de 210 milhões de habitantes, fique à mercê de meia dúzia de famílias politicamente reacionárias e doutrinadoras de gente mediana, que há mais de 60 anos recebem em seus lares a programação seletiva, partidária e ideológica de rádios e televisões controladas por um baronato midiático, que trata o Brasil como se fosse a extensão dos quintais das casas delas. São os “novos” coronéis, que fazem a vez dos antigos proprietários de escravos.

Os coronéis de todas as mídias, que tem a classe média como a principal consumidora de seus produtos de baixa qualidade, além de aliada política e parceira ideológica. São os coxinhas colonizados, completamente despolitizados e sem quaisquer noções e conhecimentos sobre a história e a cultura do País onde moram e vivem. Alienados, seguramente passaram por um processo de lobotomia coletiva, onde o principal tomo da lavagem cerebral é odiar o Brasil e seu povo, desprezá-los ao máximo, bem como dar a entender que aqui nada presta, vale a pena e tem valor. A imprensa alienígena é talvez a razão principal do complexo de vira-lata e do atraso brasileiro quando se trata de efetivar, de fato, a igualdade de oportunidades, o desenvolvimento socioeconômico e o tratamento isonômico, no que tange a todos os cidadãos serem iguais perante a Justiça — a Lei.

Não há como um governo de esquerda conseguir democratizar a riqueza e a renda no Brasil, se antes não se realizar duas coisas: 1º) a reforma política; e 2º) a regulação do setor midiático. Ponto. O primeiro item é o maior responsável pela corrupção nos setores públicos e privados, mas a imprensa familiar, a exemplo da revista Época (Globo), insiste na defesa do financiamento privado de campanhas eleitorais, responsável maior pelo alastramento da corrupção e pelas crises institucionais, que paralisam os governos e fomentam o jornalismo de fofocas, que tem por finalidade, se possível, derrubar do poder presidentes eleitos, que não convergem com os ideários da imprensa de negócios privados.

O segundo item, tão importante quanto o primeiro, dispõe sobre a regulação das mídias, setor que está à solta, como vivesse em um mundo paralelo, livre e isento das leis do País, a fazer o que quer e o que lhe aprouver, inclusive a elaborar ou editar um jornalismo meramente declaratório, sem observar os contrapontos e o que é do contraditório, porque se recusa a ouvir os dois lados, pois só quer se ater à versão que o beneficia, a não relevar os acontecimentos, porque divorciado dos fatos, e, por seu turno, propiciar a manipulação e a distorção da verdade, conforme o interesse político e econômico que rege a pauta dos patrões da imprensa e de seus empregados.

Sabujos, estes, que se esforçam para serem piores do que os magnatas bilionários, responsáveis maiores pela baixa autoestima que os brasileiros ricos e de classe média sentem por si e pelo País onde ganham dinheiro e vivem bem. Somente, em 2014, os brasileiros deixaram nos Estados Unidos 10,5 bilhões de dólares. Valores de escala estratosférica. E depois dizem que o Brasil está em crise, quando a crise, na verdade, tem apenas um nome: imprensa! É ela que faz com que grande parte da sociedade fique presa a um contexto psicológico de desolação, pessimismo, autoestima baixa e negatividade, combustíveis diabólicos, porque faz com que uma pessoa despolitizada e mentalmente colonizada se transforme em um coxinha de classe média feroz, intolerante, a verbalizar todo seu ódio, preconceito e ignorância contra aqueles que não compartilham com seu pensamento fascista, elitista e pernicioso.

Enquanto isso, o PT e o Governo Trabalhista continuam a caminhar em círculos, e, obviamente, não chegam a lugar algum, ainda mais quando se trata de fazer a reforma dos meios de comunicação, ou seja, a Lei dos Meios — a regulação das mídias.  Trata-se de uma questão estrutural de enorme importância, tanto quanto a reforma política. Volto a afirmar novamente: não sei qual é o problema de o Governo Federal não fortalecer e investir pesadamente na comunicação estatal, inclusive a comprar também os direitos de transmitir jogos de futebol, eventos artísticos e culturais, telejornalismo aos moldes da BBC de Londres, além de realizar debates sobre assuntos políticos, econômicos, financeiros, esportivos, culturais, bem como propiciar ao povo brasileiro o acesso a filmes, tudo isto em canais abertos, de forma que a concorrência se desenvolva e o povo brasileiro passe a ter realmente uma televisão de boa qualidade, além de se democratizar a comunicação e a informação.

Creio que a classe média, falo da banda conservadora, não vai se posicionar contra uma tevê estatal de qualidade. Afinal muitos de meus conhecidos e amigos que votaram no PSDB nas últimas cinco eleições admiram as televisões estatais inglesa, francesa, espanhola, italiana, alemã e portuguesa. É fato. Essas televisões fazem parte dos pacotes de tevê a cabo que eles são assinantes. E elogiam... Bastante. Ou eu estou equivocado? Quero melhor dizer que talvez essas pessoas somente consideram e aceitam televisões estatais de boa qualidade apenas para os outros — os estrangeiros —, por causa de seus inenarráveis e incomensuráveis complexos de vira-latas. É isto? É, sim. No Brasil é assim que a banda toca.

Temos um Governo Trabalhista, que está há mais de 12 anos no poder e não faz nada quanto a efetivar o marco regulatório para as mídias, bem como um código de ética para a imprensa dos magnatas bilionários, que enfrentam, ousadamente e autoritariamente, um governo que teima em tergiversar quanto às suas responsabilidades por tibieza e covardia. Não é possível o povo brasileiro ter de se submeter aos ditames de um empresariado atrasado, que aposta, diuturnamente, no retrocesso político, social e econômico. Antes diziam, “Ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil”. Então poderíamos afirmar também: “Ou o Brasil regula as mídias ou as mídias é que vão regular para sempre os governantes e o povo brasileiro”. É isso aí.          




     

terça-feira, 31 de março de 2015

Globo, predadora do Brasil, quer falir e privatizar a Petrobras

Por Davis Sena Filho — Palavra Livre


Por que as Organizações Globo(?) querem ver a Petrobras falida? Resposta fácil: porque o processo político brasileiro passa e sempre passou pela Petrobras, antes mesmo de ela ser criada pelo presidente estadista, Getúlio Vargas, em 1953. A verdade é que a Petrobras, além de ser a estatal que simboliza a luta pela independência do Brasil, representa ainda a competência dos trabalhadores, administradores, técnicos, engenheiros, cientistas e pesquisadores brasileiros, que em 62 anos transformaram a Petrobras em uma das maiores empresas petrolíferas do mundo, autossuficiente em petróleo e portadora de tecnologias e conhecimentos sobre prospecção de petróleo em águas profundas que nenhum país tem.

As Organizações(?) Globo sabem disso, mas não se importam com a verdade e atacam a Petrobras sem quaisquer escrúpulos, pois a intenção é causar confusão a segmentos inteiros da sociedade, porque propositalmente manipula as notícias sobre a corrupção na estatal, a dar uma conotação mentirosa e perversa sobre a incompetência do Estado nacional para gerenciar tamanha empresa, que se confunde com a própria brasilidade e a capacidade de superação do povo brasileiro quando se trata de sobreviver.

As Organizações(?) Globo são levianas e sorrateiras, porque suas matérias jornalísticas são seletivas e não traduzem a verdade, porque, do contrário, não haveria como tal empresa privada e “proprietária” de um monopólio gigantesco de comunicação manter no ar por tanto tempo casos de corrupção na Petrobras, como se fossem capítulos de novelas da pior qualidade, nos quais servidores públicos concursados nos idos das décadas de 1970 e 1980 são os protagonistas, a fazerem os “papéis” de criminosos, ladrões do dinheiro público, que estão a ser devidamente investigados pela Polícia Federal, denunciados pelo Ministério Público e punidos pelo Judiciário.

Tudo isto em pleno Governo do PT, a ter à frente a presidenta Dilma Rousseff, mandatária que demonstra enorme coragem, e que avisou na campanha presidencial, sem deixar dúvidas, que “não vai ficar pedra sobre pedra”, no que diz respeito ao combate à corrupção. E assim foi feito. E assim está a ser feito. Contudo, quanto mais se prende e se descobre falcatruas e roubalheiras por parte daqueles que deveriam zelar pelo patrimônio público, mais as Organizações(?) Globo e suas congêneres batem no Governo Trabalhista, como se o poder público não estivesse a realizar suas obrigações e competências, que se resumem em apurar os fatos e encaminhá-los à Justiça.

A verdade que está por detrás da campanha insidiosa e entreguista contra a Petrobras não é, seguramente, o zelo da Globo pela poderosa estatal. De forma alguma. O Jornal O Globo, de Irineu e Roberto Marinho, combateu furiosamente e sistematicamente a criação da Petrobras pelo trabalhista Getúlio Vargas, líder da Revolução de 1930, que a família Marinho sempre odiou. Tal oligarquia midiática simpatiza muito com as lideranças dos golpistas de 1932, de 1945, de 1954 e de 1964.

Sobre isto ninguém tem dúvidas. Atualmente, aliam-se aos herdeiros da UDN lacerdista, o PSDB dos tucanos e o DEM — o pior partido do mundo, onde viceja um extremista de direita, que sonha em ser presidente da República, cujo nome é Ronaldo Caiado (DEM), fazendeiro poderoso de Goiás, ex-líder da UDR, que se comporta, na Câmara dos Deputados e hoje no Senado, como um brucutu movido a ódios, portador de um vocabulário agressivo, áspero e violento contra o PT, o ex-presidente Lula, a presidenta Dilma Rousseff e as esquerdas em geral. Caiado é o Bolsonaro do agronegócio. O direitista votou contra a PEC do Trabalho Escravo, até porque a família Caiado está na “lista suja” do Ministério do Trabalho, por submeter o trabalhador a condições indignas, ou seja, degradantes ao ser humano.

Entretanto, a verdade é que a direita está a conseguir no momento colocar o Governo Trabalhista nos corners do ringue. A movimentação oposicionista dos partidos conservadores, à frente o PSDB, e a repercussão dos casos de corrupção conforme a ótica, a vontade e as decisões de profissionais que trabalham para os magnatas bilionários de imprensa estão a causar ao Governo de Dilma e ao PT a deterioração de suas imagens e a desqualificação de suas competências para administrarem o País.

Apesar do crescimento econômico e do desenvolvimento social gigantesco verificado no período de governança petista, a ordem na imprensa de mercado e nos setores reacionários da sociedade brasileira é não reconhecer os avanços, que aconteceram no Brasil, e muito menos dar voz a quem está a ser diuturnamente atacado, no caso o Partido dos Trabalhadores e suas lideranças, como querem fazer agora com o ex-ministro José Dirceu, que, mesmo a cumprir pena, tentam implicá-lo com a operação Lava Jato.

Manter figuras da República emblemáticas e de esquerda na defensiva e manchar suas imagens perante o público é a “fórmula” repetida intensamente pela imprensa de negócios privados, que historicamente procedeu da mesma maneira com Getúlio Vargas, João Goulart e Leonel Brizola, todos considerados políticos do campo trabalhista, que foram impiedosamente chamados de ladrões, corruptos e malfeitores por esta mesma imprensa corporativa, predadora do patrimônio público e inimiga dos interesses do Brasil e de seu povo, que luta há séculos para se emancipar. Só que esses três personagens históricos do mundo político não roubaram o povo, como depois foi comprovado, como igualmente também não roubou o presidente Lula e, evidentemente, não rouba e não roubará a presidenta Dilma Rousseff.

Desacreditar e macular os “inimigos” dos empresários, dos partidos de direita e da imprensa alienígena, sonegadora de impostos e fomentadora de golpes de estado, é a tônica ou o modus operandi dos direitistas, que não conhecem outra forma de combate àqueles que não seguem suas agendas políticas e não coadunam com seus propósitos e interesses econômicos. Por sua vez, o Governo Trabalhista se encontra em um processo de letargia sem fim, e não reage à altura para demover a parafernália midiática e partidária de direita de tentar um golpe contra as instituições republicanas e o estado democrático de direito.

Não há trégua nesta luta, pois campos ideológicos e políticos antagonistas, cujas contradições de ambos não se confrontam no âmbito das ideais, mas se realizam, sobretudo, em um círculo de acusações, denúncias, muitas delas, apelativamente, vazias, porque sem comprovações policiais e judiciais, como bem demonstraram, no decorrer do tempo, inúmeras “denúncias” repercutidas pela imprensa comercial e privada, que insiste em realizar um jornalismo de esgoto, de conteúdo apenas declaratório, pois, efetivamente, de caráter político-partidário e, com efeito, despreocupado em ouvir todos os lados de uma história ou acontecimento. O básico, a imprensa empresarial e familiar, propositalmente, não consegue fazer, porque açodadamente politizada e ideologizada.

Por seu turno, esquecem os verdugos e traidores contumazes da Pátria, que a mentira, mesmo repetida incansavelmente pelos meios de comunicação pertencentes à meia dúzia de famílias bilionárias e compromissadas com a plutocracia internacional, tem pernas curtas e a verdade sempre vem à tona, apesar da tentativa de afogamento, como no caso da Petrobras.

Os governos trabalhistas, democráticos e populares de Lula e Dilma realizaram mais de duas mil operações policiais e nunca retaliaram o Ministério Público e o STF quando estes investigaram e puniram pessoas ligadas ao Governo. Além disso, está mais do que comprovado que os procuradores-gerais da República e os juízes do Supremo foram escolhidos em listas tríplices, fato estes que considero um grave equívoco, inclusive de estratégia desses dois presidentes, que deveriam, sim, escolher os juízes e os procuradores como lhes faculta a Constituição.

O presidente conservador do PSDB, Fernando Henrique Cardoso, jamais teria tanto respeito e consideração pela democracia, pois sempre escolheu “seus” nomeados e se resguardou contra seus maus atos e ações, a exemplo da compra de votos para a reeleição, segundo depoimentos de parlamentares e reportagens de jornalistas, bem como para a alienação e desconstrução do patrimônio público, conforme demonstram, inapelavelmente, as denúncias nos livros “A Privataria Tucana” e o “Príncipe da Privataria”, além de incontáveis casos de escândalos que aconteceram nos oitos anos de desgoverno FHC — o Neoliberal I —, aquele que foi ao FMI três vezes, de joelhos, humilhado, com o pires nas mãos, porque quebrou o Brasil três vezes.

Até hoje nenhum tucano foi preso. Pelo contrário, crimes como o do Mensalão Tucano estão a prescrever, muitos dos envolvidos ficaram inimputáveis por causa da idade e este ano o escândalo completa dez anos de impunidade. São às dezenas, quiçá centenas, as denúncias e os casos de corrupção de tucanos, no decorrer de 26 anos de fundação do PSDB, partido que governou o Brasil oito anos, que controla São Paulo há 20 anos, além de estados fortes como Minas Gerais, que hoje é governado por Fernando Pimentel do PT, mas ficou nas mãos de Aécio Neves e seu grupo por mais de 10 anos, sendo que o estado do Paraná, unidade da Federação conservadora, é controlado pelo PSDB há quase 10 anos, bem como o governador tucano, Beto Richa, está a enfrentar uma crise de credibilidade sem precedentes, porque seu governo é acusado pela sociedade paranaense de corrupção, além de enfrentar, recorrentemente, greves no setor público.

Obviamente que nenhum desses episódios foram devidamente repercutidos pela imprensa familiar e hegemônica, conforme a importância deles, porque simplesmente “amiga” dos demotucanos. Tal sistema midiático privado está aí na vida para proteger seus aliados, apaniguados e sócios. Ponto. Quanto a esta realidade, não há menor dúvida. Como é possível um escândalo, maior do que o da Petrobras, a exemplo dos sonegadores criminosos com contas no HSBC suíço, não ser mostrado pela imprensa de negócios privados como se deveria, afinal é uma questão que prejudica terrivelmente a sociedade brasileira e, portanto, interessa-lhe saber quem rouba o Erário Público, e, consequentemente, a educação, a saúde, a segurança, a moradia, a infraestrutura e os empregos, porque um povo sem emprego é um povo fadado à miséria, à pobreza, à fome e à violência.

Dito tudo isto, chega-se à conclusão que o caso do HSBC, como muitos outros, como o Mensalão Tucano, o Banestado, a Satiagraha, a Castelo de Areia, além das Chacal, Sundow/BoiBarrica, Dilúvio, Poseidon e Diamante, poderá acabar em pizza, porque as outras operações da PF citadas foram todas anuladas pela Justiça. Porém, o Metrosão e o Trensalão ainda estão a ser investigados, apesar de certa leniência e morosidade da Justiça e do MP, que jamais agiriam dessa forma se fosse o PT envolvido ou, nem é preciso ir tão longe, apenas ser acusado, inclusive sem provas. É o que ocorre no Brasil de hoje e de ontem, com o acréscimo de um “P”, de petista, porque os outros “pês” são de puta, pobre e preto.

Como sempre ocorre no Brasil, temos uma Justiça nada confiável. É que o povo sente e diz. Basta entrevistá-lo nas ruas e perguntar ao povo se a Justiça deste País é republicana ou somente defende os interesses dos ricos e dos poderosos, sem nos esquecermos dos brancos, porque se trata de um Judiciário composto, em sua maioria, por juízes burgueses e pequenos burgueses, politicamente conservadores, divorciados dos interesses populares e que se dedicam a servir ao status quo, sem sombra de dúvida.

Não é à toa que governos e mandatários populares e de esquerda vivem como se estivessem na berlinda. Não é fácil enfrentar uma máquina midiática de direita e que se tornou um partido político sem limites e ética para atacar a quem considera os inimigos a serem derrotados, seja de qualquer jeito e da forma que for necessária, nem que seja por intermédio de golpes de estado ou impeachment de uma presidenta eleita por mais de 54 milhões de votos e que não incorreu em crimes de responsabilidade, malfeitos e que vem a demonstrar que não tergiversa quanto a não aceitar conviver com a corrupção, tanto que a combate duramente, o que se tornou uma rotina em seu governo, rotina esta que começou nas mais de mil operações da PF realizadas durante o Governo Lula. Realidades estas que jamais aconteceram nos governos dos tucanos.

A verdade é apenas uma: as Organizações(?) Globo, predadora do Brasil, quer ver a Petrobras falida. Sempre agiram desta forma, desde os tempos de Getúlio. Não é novidade. Apenas reiteram suas vocações de aves de rapinas, predadoras do Brasil, País generoso onde ganham muito dinheiro, ao ponto de se tornarem bilionários. As Organizações(?) Globo quer ver o Estado nacional de joelhos e, junto com ele, o povo. Vive do dinheiro público, edificou seus tijolos na ditadura militar, sabota presidentes eleitos pela vontade soberana do povo e aposta no quanto pior, melhor.

Se não fosse a Globo e as empresas desse grupo, o Brasil já estaria em uma condição de desenvolvimento social e econômico muito mais avançado. Com a Globo, não há paz social possível, porque os magnatas bilionários de imprensa e seus porta-vozes são da guerra. O Brasil real, o Brasil profundo para essa gente está a milhares de distância de suas verdades e realidades. Eles desconhecem o povo brasileiro, seus costumes, culturas, dores, sonhos e desejos. Desconhecem a história do Brasil. São tão perversos e colonizados, que, no dia após dia, acreditam que o País é a extensão de seus quintais, quando a verdade é que não é, e nunca o foi, até porque quando este País poderoso vivencia períodos democráticos, como o de agora, esses empresários midiáticos arrogantes, autoritários e lamentavelmente subordinados aos interesses estrangeiros, perdem as eleições, como perderam para Getúlio, Jango, JK, Lula e Dilma.

Trata-se de um empresariado violento, mesquinho, colonizado e complexado. A vira-latice em toda sua essência e plenitude. Pais e mães, genitores de playboys, que se aventuram na política, mas não conseguem convencer o povo a votar neles, com seus ternos bem cortados, seus cabelos engomados, perfumes caros e linguajares presunçosamente empolados, além de “saberes” de almanaques, a acompanhá-los ainda as matreirices, as astúcias e as dissimulações dignas dos cafajestes, aprendidas em seus condomínios de luxo ou em Miami ou Nova York.  A resumir: pilantras e patifes com “grife”.

A Globo é contra o Brasil e seu povo. Um dos pontos de sua nefasta agenda é privatizar a Petrobras, juntamente com o Pré-sal. Com “sorte”, aumentar o desemprego e fazer com que o trabalhador se sinta inseguro em relação à economia do País. Não se brinca com os propósitos dessa organização(?) norte-americana e de caráter alienígena. A Editoria “O Brasil é uma Merda!”, da Rede Globo, é pródiga em deixar a autoestima do brasileiro mais baixa do que barriga de cobra. E isto é psicologicamente perigoso.

Por isso, e o Governo Dilma não consegue compreender ou faz ouvidos moucos, que é imperativo ter uma comunicação forte, corajosa, ágil e replicadora, que rebata prontamente os ataques que desqualificam e tentam criminalizar o Governo do PT. “Quem não se comunica, se trumbica” — ensinava o Chacrinha. A Globo representa o setor privado, que tem a ousadia de querer impor sua agenda e governar no lugar do presidente da República. Durma-se com um barulho desse. É isso aí.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Os negros e a escravidão, apenas uma opinião

Por Davis Sena Filho — Palavra Livre

INFÂMIA                                               foto: substantivo plural

A luta do povo de etnia negra e que aportou no Brasil nos séculos passados, na triste e humilhante condição de escravo, certamente é uma das maiores infâmias, se não for a maior infâmia da história da humanidade. Até os dias atuais a escravidão reverbera de forma altissonante, porque os descendentes de escravos, que representam, no mínimo, a metade da população brasileira, ainda não conseguiram ter acessos e garantias que os permitam a se igualar aos brasileiros de outras etnias e classes sociais consideradas hegemônicas.

Esta realidade se apresenta aos nossos olhos todos os dias, no decorrer de nossas vidas, o que, sobremaneira, leva-nos a pensar e a ponderar sobre o porquê de tanta desigualdade e exclusão social, que transformam as vidas de milhões de brasileiros negros mais difíceis, com percalços e obstáculos quase instransponíveis a serem superados. Esta dura realidade, por seu turno, faz com que esse segmento social tão importante para história do Brasil viva em condições mais precárias, porque o acesso às melhores escolas, ao emprego e aos bens de consumo é quase proibitivo, porque sabemos, de antemão, que o sistema de capitais é excludente, elitista, hegemônico e violento.

Por sua vez, percebe-se também que este sistema perverso, imposto há séculos às pessoas, tem por propósito dividir a sociedade em castas sociais, porque o que interessa é o controle dos meios de produção por uma parcela pequena da população, que, além de dominar instituições importantes dos poderes da República, ainda têm a primazia de ter seus filhos, parentes, sócios, colegas e amigos a determinar os rumos da economia e, consequentemente, do trabalho, do emprego e do acesso ao dinheiro.

Os negros e outros segmentos da sociedade brasileira são praticamente impedidos de conquistar o poder. E poder, para quem não sabe ou se equivoca, não se resume apenas a cargos políticos e empresariais. Ter poder é ter acesso à educação, ao emprego de boa qualidade e de importância nas escalas de hierarquia. Por causa desses motivos, a luta, incessante, dos setores privilegiados e reacionários da sociedade para que somente seus grupos de interesses dominem as universidades públicas e as faculdades privadas de alto nível.          

O acesso ao conhecimento e ao saber sempre foi um grande problema para as camadas mais pobres da população. Para termos uma ideia sobre o controle do poder pelas classes sociais dominantes, antes e durante a Idade Média só poderiam ter acesso à Bíblia os membros integrantes da nobreza e do episcopado dessas épocas. O livro sagrado pertencia a poucos, e era escrito em hebraico e latim, de forma que o conhecimento ficasse concentrado, restrito, e não se expandisse para as populações e respectivas nações por intermédio de seus idiomas.

Desta forma assim foi feito, no decorrer de séculos e milênios, o controle do conhecimento, ou seja, do poder. Somente a educação e os ensinamentos libertam, bem como a vontade de quem deseja aprender, e por isto luta por liberdade, emancipação e independência. Por causa dessas questões, imperativo se torna necessário realizar o processo de empoderamento do negro, também dos índios, dos pobres de todas as etnias, como se tem feito com as mulheres nas sociedades ocidentais, que, em apenas 60 anos, dividem com os homens, especificamente os brancos, o poder nas universidades e no mercado de trabalho.

A luta do negro para ter ascensão social é constante, sistemática e de longo tempo. Não existe data para que um dia os negros parem de lutar para serem reconhecidos como cidadãos de primeira classe, e jamais serem considerados indivíduos cujos direitos se resumem a morar nos morros, guetos e periferias, bem como apenas serem contratados para exercerem empregos maus remunerados, braçais e de segurança pública ou privada, funções e cargos, indubitavelmente, os mais perigosos, insalubres, que requerem força muscular e depois, ao se aposentarem, perceberem que estão quase aleijados quando, não, completamente sem condições para usufruírem da vida após décadas de trabalho.

A questão primordial é fazer com que as “elites” brasileiras reconheçam o passado histórico dos homens e mulheres negros, que construíram o Brasil e edificaram a nossa riquíssima cultura, pois diversificada, plural e multicolorida. Os negros não receberam terras e animais após a libertação dos escravos, que aconteceu por fatores estritamente políticos e de interesses econômicos, inclusive da potência da época, a Inglaterra, que já estava em processo de mudança de sistema econômico exemplificado na revolução industrial, um dos principais motivos para o fim da escravidão e pá de cal nos interesses da monarquia portuguesa e dos grandes comerciantes e coronéis donos de terras no Brasil.
       
Quase não vemos cidadãos negros e cidadãs negras como controladores de empresas, de franquias, ou seja, donos de negócios próprios. Quase não vemos juízes, professores universitários, oficiais das Forças Armadas, principalmente na Marinha, engenheiros, médicos, economistas, jornalistas, advogados e parlamentares negros. Quase não temos negros executivos de grandes empresas e nem atletas de esportes que ainda “pertencem” ao ambiente das classes mais ricas.

A resumir: os homens e mulheres negros deste País ainda não foram libertados da escravidão, porque não têm acesso a quase nada, o que, evidencia, sem sombra de dúvida, que o sistema em que vivemos é criado e talhado para servir uma pequena casta social, que ora está a exercitar seu poder econômico, político e de barganha, até porque para ter acesso aos diferentes nichos de poder é necessário ter força para negociar, e, com efeito, manter o status quo.

Afirmo ainda que a luta pela igualdade de oportunidades é renhida, sem trégua, porque as classes dominantes são as controladoras do sistema. Elas podem até ceder em pequenas coisas, a exemplo do bolsa família e de outros programas de inclusão social. Entretanto, este “ceder” é derivado de muita luta por parte daqueles que acreditam em uma sociedade justa, democrática e solidária, mas existe a compreensão de que jamais a classe dominante vai abrir mão de seus privilégios, que se materializam em forma de cartéis, monopólios, posses, regalias e prerrogativas.

É dessa forma que a banda toca no mundo dos vivos, e o som do sistema é afinado, porque se desafinar seu poder pode ser questionado nas instituições criadas e controladas pela grande burguesia, cujos valores, princípios e interesses são repercutidos, tais quais a mantras, pelas mídias corporativas, afinal é imperativo fazer com que a maioria das pessoas acredite em seus preceitos e, com efeito, defenda suas causas, que, geralmente, não coadunam com os interesses das sociedades, notadamente a brasileira.

A sociedade que hoje se encontra sob o jugo de uma parafernália midiática, que pretende impor sua agenda política, e, por conseguinte, governar no lugar dos eleitos. Por sua vez, esta “elite” tenta, incansavelmente, impedir que a distribuição de renda e riqueza, mesmo que tímida como acontece atualmente no Brasil, seja concretizada.  A verdade é que os donos do establishment não querem dividir nada, por serem antidemocráticos, apesar do discurso contrário, na forma de dissimulação e hipocrisia.

O povo negro brasileiro só vai conquistar seu espaço e empoderamento se compreender que a escravidão e, posteriormente, a falta de acesso ao mercado de trabalho, às terras e à educação, bem como os preconceitos, a exemplo do racismo, é um processo moral, mercantilista e social, que visa a negação de uma etnia, a sua invisibilidade como ente humano e, por seu turno, a destruição da autoestima de quem tem origem nas camadas populares.

Trata-se de impingir a derrota em toda sua plenitude, porque lutar contra os reveses da vida com a estima baixa e a imagem distorcida sistematicamente é quase impossível, porque quebra, como se fosse um cristal, em mil pedaços o coração daqueles que saíram das classes mais pobres e expostas a todo tipo de criminalidade, violência, fome, miséria, drogas e o abandono do Estado, que se fez burguês, porque controlado há séculos pelas oligarquias que escravizaram seres humanos por quase quatrocentos anos.

De acordo com as perspectivas e os limites que o sistema de capitais impõe, sabemos que o reparo financeiro aos negros é quase impossível, bem como polêmico, o que iria gerar um debate social e jurídico sem fim, além de a mídia de mercado e seus porta-vozes se insurgirem ferozmente contra uma reparação financeira, fato este que, indelevelmente, não impede que se lute, inclusive, pela reparação no que diz respeito a valores de ordem financeira, que poderiam ser destinados aos setores de Educação, moradia, emprego e aquisição de terras para quem já está estabelecido no mundo rural, além de fortalecer e valorizar serviços colocados em prática pelo Estado àqueles que secularmente já saíram atrás na corrida pela sobrevivência.

Contudo, lembremos o que aconteceu no Brasil com o povo negro. Rememoremos a escravidão, sistema de degeneração humana e diabólico por essência. Jamais esqueçamos das injustiças que os homens e as mulheres negros sofreram no Brasil e no mundo. Quando um cidadão, com um mínimo de discernimento, depara-se com os maus escritos de gente como Luiz Felipe Pondé, o “filósofo” de prateleira da mídia engajada e conservadora, logo se torna perceptível o quanto o é perverso e leviano o status quo, que tal agente representa.

“Filósofo”? Como assim, cara pálida? Só se for da burrice, da pretensão, da exclusão, do preconceito e da intolerância. Pondé é um fracasso como animal político e racional. Ele é a subserviência ao patronato em toda sua plenitude. Rememorar a escravidão é dar início à reparação, seja da forma que for determinada pelo povo brasileiro e por suas instituições e entidades constituídas. A escravidão é a morte do que se pretende humano. É isso aí.


sexta-feira, 20 de março de 2015

Gilmar faz o que quer, na hora que bem entender. Devolve Gilmar! Ou dane-se o Brasil

Por Davis Sena Filho — Palavra Livre


Daqui a poucos dias completar-se-á um ano desde que o juiz do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar “faço o que eu quero e na hora que bem entender” Mendes pediu vistas do processo da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4.650, de autoria da OAB, que, dentre outros itens, proíbe as doações privadas para as campanhas políticas, que, inegavelmente, também se transformaram em um meio sujo para se pagar propinas a corruptos ou ladrões do dinheiro público travestidos de servidores públicos, empresários, executivos e políticos, com a cumplicidade também de juízes e de policiais que resolveram incorrer em crimes.

Gilmar “faço o que eu quero e na hora que bem entender” Mendes, sempre atuou e agiu de forma autoritária, além de no decorrer desses anos todos se envolver com decisões judiciais polêmicas e contestáveis, bem como se tornou uma referência político-partidária para os partidos de direita, a exemplo do PSDB, DEM e PPS, e, com efeito, uma das “estrelas” das mídias de negócios privados pertencentes aos magnatas bilionários de imprensa, que sempre premiaram e cantaram loas e boas a juízes conservadores, ideológicos e dispostos a se comportar como verdadeiros políticos, a serviço do status quo e de interesses do grande empresariado, inclusive o internacional, além da oposição aos mandatários trabalhistas eleitos e reeleitos pelo povo a presidentes da República desde o ano de 2002.

Neste momento, Gilmar “faço o que eu quero e na hora que bem entender” Mendes senta em cima da Adin 4.650, sem delongas e despido de quaisquer constrangimentos, a demonstrar sua natureza casuística e arrogante, a indicar que não vai sair de cima do processo, a despeito de saber que é exatamente o financiamento de campanhas políticas pelo setor privado que tem permito a corrupção em âmbito público, a lavagem de dinheiro e o pagamento de propinas, como se fossem financiamentos de campanhas eleitorais, por parte de executivos e empresários criminosos.

Essas realidades têm causado graves prejuízos à estabilidade política e institucional, bem como favorecido o desenvolvimento de um clima golpista contra o Governo Trabalhista. Por sua vez, o frenesi histérico, vitaminado pela imprensa meramente de mercado, mexe com a direita, que, irresponsavelmente, sai às ruas a vociferar “contra tudo o que está aí”, porque é sua única pauta, a demonstrar intolerância e, sobretudo, ignorância sobre as questões brasileiras para pedir, absurdamente, a efetivação de um golpe militar. Chagall e Salvador Dali não seriam tão surreais.

Enquanto o caldo ferve e a jiripoca pia, Gilmar “faço o que eu quero e na hora que bem entender” Mendes aproveita o tempo que tem para conspirar e, por seu turno, dar declarações no sentido de ele afirmar que é o Congresso Nacional que vai decidir sobre questões relativas à reforma política, como se o juiz, pupilo de Fernando Henrique Cardoso — o Neoliberal I —, não fosse um magistrado com um passado repleto de enfrentamentos de carácteres políticos, contra a Presidência da República e as lideranças da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, a se intrometer, equivocadamente, em assuntos pertinentes ao Executivo e ao Legislativo, a criar crises propositalmente para impedir o Governo de governar e o Legislativo de legislar. Gilmar, sobretudo, optou por falar mais nos microfones das televisões ao invés de falar com mais assiduidade nos autos.

Quantas vezes o magistrado politicamente conservador não fez chicanas, a cooperar com a oposição tucana e seus aliados, a judicializar a política e a criminalizar o Governo e o Partido dos Trabalhadores, por meio dos bastidores do STF e das luzes das câmeras de televisões, das palavras escritas e faladas de jornalistas e “especialistas” de prateleiras, xeleléus, sabujos de uma nota só, bajuladores de patrões e chefes golpistas, que rejeitam e não se submetem à vontade do voto da maioria, pois inconformados com a derrota eleitoral de 2014.

Essa gente, incrivelmente, conspira de forma aberta, livre e ainda têm a desfaçatez de acusar o Governo petista de ser ditatorial, comunista, bolivariano, autoritário e que daqui a pouco vai tomar à força a poupança, os móveis e imóveis da classe média coxinha de alma lacerdista e que, em plena democracia e a pleno pulmões, reafirma sua incontinência verbal e ideológica ao pedir por um golpe militar. É assim: o Governo do PT, que governa democraticamente, é autoritário; mas, uma ditadura militar sonhada e reivindicada pelos coxinhas, ignorantes da história do Brasil e despolitizados, não. Então, tá. Durma-se com um barulho desses...       

Advogado-Geral da União do Governo FHC, o juiz condestável age e atua de forma política e parcial desde que foi nomeado para o mais importante tribunal deste País. Suas polêmicas decisões sempre deram a impressão à sociedade de algo estar no ar, porque Gilmar Mendes foi o primeiro dos presidentes do STF, após Lula chegar ao poder, a imiscuir-se de forma sistemática em assuntos políticos distantes de sua alçada como juiz e, obviamente, um dos mandatários do Judiciário brasileiro.

Este magistrado, fragorosamente de direita, repercutiu o verbo e abriu as cortinas do plenário do STF, que em seu mandato presidencial, bem como no mandato do juiz Joaquim Barbosa, vivenciaram um verdadeiro show de descalabros, gritos, ofensas e provocações, a deixar nuas as intenções políticas de juízes bravateiros e fanfarrões que, ao invés de silenciar e somente falar nos autos, resolveram optar pelos microfones e luzes das mídias familiares, que os trataram como “estrelas” da República de oposição aos governos populares de Lula e de Dilma Rousseff.

Lamentáveis o foram inúmeras decisões deste juiz, que tinham e ainda têm a finalidade de criar fatos políticos e jornalísticos, causar instabilidade institucional e, sobremaneira, favorecer os interesses da oposição demotucana. A última ação de Gilmar “faço o que eu quero e na hora que bem entender” Mendes é segurar por um tempo de um ano a proposta que dá fim ao financiamento privado de campanhas.

Agora, vamos à pergunta que não quer calar: se o juiz Gilmar Mendes critica com veemência a corrupção e a oposição de direita de maneira altissonante denuncia os malfeitos da República, porque, então, o magistrado “ídolo” da imprensa familiar e alienígena está a segurar a votação de importante ação direta de inconstitucionalidade de autoria da OAB? Afinal, o placar está 6 a 1 em favor do fim do financiamento privado a campanhas eleitorais, e é exatamente por causa disto que o condestável juiz pediu vistas do processo, ou seja, engessou sua aprovação pela maioria dos juízes do Supremo. Casuísmo na veia.

Qual é a intenção de Gilmar “faço o que eu quero e na hora que bem entender” Mendes? Por que a Rede Globo, a Globo News e suas congêneres se calam, não comentam, ao tempo em que apoiam e repercutem, como se fosse uma lavagem cerebral, as manifestações de índoles golpistas dos coxinhas udenistas, muitos deles fascistas e portadores de suásticas, como estupidamente fizeram questão de mostrar suas “puras” e “bem intencionadas” ações em prol da democracia, contra a corrupção e talvez a “tudo o que está aí”.

Contudo, não são possuidores de quaisquer pautas favoráveis aos trabalhadores e à melhoria de setores como a educação, a saúde, bem como jamais questionaram as corrupções cometidas pelos tucanos, notadamente em São Paulo, Paraná e Minas Gerais, além de não pedirem punições aos barões da imprensa empresarial, que cometem crimes de sonegação e depositam fortunas em contas numeradas no HSBC da Suíça, banco este acusado de lavar dinheiro até do tráfico de armas e de drogas, que, recentemente, pagou altas somas por meio de multas, nos Estados Unidos. Não vi e não ouvi nenhum coxinha fascista reclamar disso. Até os protestos dessa gente são seletivos, tais quais às notícias da imprensa burguesa de histórico golpista. Realmente, eles se entendem, pois farinha do mesmo saco.

Entretanto, para o desassossego de Gilmar Mendes, o ministro e presidente do STF, Ricardo Lewandowski, parece não conjugar com as intenções do reacionário colega, que bloqueou decisão que proibia expediente que mascara propinas como se fossem doações de campanhas, e a mídia corporativa e entreguista mais uma vez se calou. Lewandowski, de forma discreta, mas que para bom entendedor meia palavra basta, anunciou que vai dar prioridade ao julgamento de processos com pedido de vista. E para já. Evidentemente, que a Adin nº 4.650 vai ter sua votação de 6 a 1 colocada em pauta, com a aprovação do fim do financiamento privado às campanhas eleitorais.

“Pretendemos fazer um esforço para liberarmos o maior número possível de votos-vista em atendimento ao direito fundamental previsto no artigo 5º, inciso LXXVII, que é duração razoável do processo” — afirmou o presidente Lewandowsk. Portanto, vamos à segunda pergunta que teima em não se calar: como é que um juiz, a exemplo de Gilmar Mendes, prejudica uma votação tão importante para a cidadania, que aperfeiçoa o processo eleitoral brasileiro e que ajuda a combater a corrupção, tem a insensatez, a prepotência, a arrogância de ainda afirmar, após um ano sentado em cima da adin, que o STF não tem legitimidade para votar tal matéria, porque, segundo o juiz, somente o Congresso vai poder analisar o processo?

Assim não dá, cara pálida. Então quer dizer que enquanto o Congresso teve maioria governamental a política pode ser judicializada, bem como criminalizada, de acordo com os interesses da oposição tão afeita a Gilmar “faço o que eu quero e na hora que bem entender” Mendes. Como o Congresso está em uma fase de confronto com o Governo e uma maioria conservadora elegeu um presidente (deputado Eduardo Cunha – PMDB) oposicionista contumaz ao Governo Trabalhista de Dilma Rousseff, Gilmar acha por bem considerar que o Congresso é quem deve decidir sobre a adin, até porque no STF o magistrado de direita está derrotado, porque voto vencido.

Para finalizar, ressalta-se que, ao pedir vista da matéria votada, Gilmar Mendes deliberadamente favoreceu a corrupção eleitoral. E por quê? Respondo: as eleições de outubro de 2014 já poderiam se submeter às novas regras, com a aprovação da Adin nº 4.650. A resumir: as empresas, as corporações privadas teriam muito mais dificuldades para corromper servidores públicos e políticos, porque legalmente não poderiam mais financiar campanhas eleitorais.

Simples assim, apesar de eu saber que os tribunais regionais eleitorais, o TSE, o Ministério Público, os partidos políticos, a Polícia Federal e os cidadãos brasileiros estariam atentos para combater quaisquer ilegalidades e malfeitos, a denunciar criminosos e evitar que candidatos preferidos de empresários e das mídias conservadoras e golpistas recebam milhões, enquanto seus adversários ficam à míngua.

Gilmar Mendes atrasa o processo democrático brasileiro. Não trabalha em prol dos interesses do povo do Brasil. Este juiz soltou o multi-estuprador, médico Roger Abdelmassih, concedeu dois habeas corpus ao banqueiro, Daniel Dantas, em apenas 48 horas, e, com efeito, evitar suas prisões, bem como tentou deixar o ex-presidente Lula em uma situação difícil perante a sociedade, ao dizer que o líder trabalhista pediu a ele para julgar o caso “mensalão” após as eleições municipais de 2012. 

Não satisfeito em demonstrar sua vocação autoritária, o magistrado criou uma forte crise com o Governo Lula, a instigar controvérsias diplomáticas entre o Brasil e a Itália, a alimentar com notícias a imprensa conservadora, no caso do militante e ativista de esquerda, Cesare Battisti, a quem Lula concedeu asilo político, a evitar sua extradição para a Itália. Gilmar Mendes, o juiz de direita, tentou extraditar o italiano, ou seja, optou por fazer, deliberadamente, uma política de confronto ao presidente da República, que, verdadeiramente e constitucionalmente, é a autoridade responsável por decidir sobre extradição ou asilo político. Até hoje setores da direita partidária e a imprensa corporativa se mostram inconformados, distorcem os fatos sobre o assunto e tratam o asilo de Battisti com histerismo ideológico.    

Uma mentira terrível, desmesurada, coberta de maldades, interesses políticos e midiáticos, porém, desmentida pelo ex-ministro do STF e da Defesa, Nelson Jobim, e jamais comprovada, a exemplo dos grampos sem áudio entre Gilmar e o senador cassado do DEM, Demóstenes Torres, o ex-varão de Plutarco da Globo e da imprensa de mercado em geral, além do grampo com áudio, quando Gilmar “faço o que eu quero e na hora que bem entender” Mendes foi gravado pela PF, com a autorização do STF, a conversar com o ex-governador do Mato Grosso, Silval Barbosa, exatamente no dia que ele fora preso, em seu apartamento, na cidade de Cuiabá.

A Procuradoria Geral da República investigava o governador sobre casos de corrupção, e Gilmar Mendes telefona para um investigado, que teve a autorização do próprio Poder ao qual ele pertence para que sua residência fosse invadida pela Polícia Federal. Além desses fatos narrados sobre personagem da República envolto há anos em polêmicas, atos e ações reprováveis por muitos cidadãos deste País, aconteceram uma série de outras ações de tal juiz, que, se uma pessoa se interessar basta consultar a internet. A verdade é uma só: Gilmar Mendes não é um magistrado republicano. Ele faz o que quer, na hora que bem entender. Devolve Gilmar! Ou dane-se o Brasil. É isso aí.