terça-feira, 13 de maio de 2014

Vilania e covardia: as armas usadas contra o PT

Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre



De agora em diante e cada vez mais a direita brasileira, herdeira da escravidão e violenta por natureza, vai brandir seu tacape com mais ferocidade contra o Governo trabalhista do PT. A intenção é destruí-lo e para isso não haverá limites e muito menos ponderação contra as conseqüências que é a desconstrução e o aniquilamento do partido mais importante e organizado da história do Brasil, forjado nas lutas sociais e de classes, bem como vinculado a inúmeros setores e segmentos da sociedade.

O PT não somente dos operários, mas também força e voz dos intelectuais das universidades federais, que, juntamente com a Igreja Católica progressista e suas Comunidades Eclesiais de Base (CEB), com opção preferencial pelos pobres, fundaram o partido mais popular do Brasil em todos os tempos, a superar, inclusive, o grande Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) de Getúlio Vargas, João Goulart, Leonel Brizola, San Tiago Dantas e Alberto Pasqualini. O PTB, construtor da Vale do Rio Doce, da Petrobras, da CSN, e formulador da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

O Partido dos Trabalhadores, herdeiro do PTB, porém, mais orgânico, porque presente em quase todos os setores da sociedade e, consequentemente, a agremiação política mais democrática e que nunca, mesmo a controlar a Presidência da República há 12 anos, reprimiu quaisquer movimentos sociais e reivindicações de trabalhadores, ao contrário do que se sucedeu no governo de Fernando Henrique Cardoso — o Neoliberal I —, aquele que afundou o Brasil três vezes, porque foi ao FMI três vezes, de joelhos, humilhado, pois com o pires nas mãos.

O PT é alvo constante de uma das classes dominantes mais perversas e violentas do mundo: a brasileira. A classe que passou séculos a disfarçar sua natureza mórbida, seu caráter mau, seu juízo de valor racista, bem como seu diabólico preconceito de classe, que se baseia na intolerância, que a leva à violência. Os grupos econômicos, os midiáticos, em especial, os partidos que rezam pelas cartilhas dos ricos e dos interesses de governos internacionais (EUA/UE) são os combustíveis, a força motriz que edifica muros e implanta cercas para impedir que o Brasil seja, de fato, independente e que seu povo se emancipe definitivamente.

Com o fim do PTB como partido trabalhista, em plena redemocratização do País, no início da década de 1980, surgiu o PT, a partir da vontade e do desejo dos trabalhadores do ABCD paulista, à frente o operário Luiz Inácio Lula da Silva, que décadas depois se tornaria um dos presidentes mais populares da história do Brasil, a rivalizar com o estadista Getúlio Vargas. Lula deixou a Presidência com mais de 80% de aprovação, índices maiores que o do famoso político comunista e revolucionário, Nelson Mandela, quando terminou seu mandato de presidente da República da África do Sul.

Contudo, e apesar de tudo, o campo da esquerda trabalhista sempre foi combatido ferrenhamente pela direita brasileira, com o apoio e a cumplicidade dos grandes capitães da indústria e dos banqueiros internacionais, os mesmos que elegem os presidentes dos Estados Unidos e dos principais países europeus, hoje decadentes para a infelicidade da “elite” brasileira e de seus coxinhas de classe média amestrados, mas ferozes, que replicam, muitas vezes sem saber por quê, os valores e os princípios da classe dominante da qual essa gente formalmente mediana jamais vai fazer parte. Assunto para a psiquiatria resolver.

Entretanto, o que está em jogo não é somente a existência do PT, o partido nascido revolucionário e que hoje, sem sombra de dúvida, transformou-se em uma agremiação política reformista, que formalizou alianças com setores conservadores, para, prioritariamente, vencer as eleições de 2002, depois conseguir a maioria no Congresso, e, por seu turno, poder governar. Governabilidade que seria impossível de acontecer no primeiro Governo de Lula, que quase sofreu um golpe no ano de 2005, quando o presidente trabalhista teve que ameaçar ir às ruas, ao afirmar aos seus ministros: "Olhem, vocês fiquem aqui porque essa gente vai me enfrentar é na rua".

Posteriormente, Lula afirmou: “Se a direita quer luta de massas, vamos fazer luta de massas”. Acontece que o problema maior do PT é que a direita esteve no poder durante séculos e a máquina estatal ainda “pertence” à burguesia, tanto em âmbito federal quanto nas esferas estaduais. Não é à toa que hoje um partido de vocação democrática e voltado às massas se depare com um processo de destruição de sua imagem e as prisões injustas e sem provas contundentes para colocar em presídio lideranças petistas históricas e que influenciaram na construção de um partido com vocação para governar e lutar para distribuir renda e riqueza.

Um partido de massas que, sobremaneira, não agrada aos donos dos meios de produção e que ainda controlam setores influentes de partidos políticos conservadores, do Executivo, do Judiciário, do Congresso e do Ministério Público Federal. O Estado burguês em toda sua intolerância e violência política e de coerção contra setores e segmentos populares que ousaram colocar a cabeça de fora do quadrado estabelecido no decorrer de séculos pelas classes dominantes.

As mesmas que escravizaram seres humanos durante quase quatro séculos, porque, evidentemente, não toleram e demonstram inconformismo com a ascensão social de milhões de miseráveis, que superaram ou transpuseram a linha de pobreza, bem como o ocorrido com os pobres, a classe média baixa e setores da classe média tradicional, que passaram a ter o direito de consumir, de forma plena, e a cooperar para que a roda da economia gire sem parar, e, consequentemente, a permitir, ininterruptamente, que nos últimos 12 anos fossem criados cerca de 20 milhões de empregos, realidade que transformou o Brasil em um dos mercados internos mais poderosos, pujantes e atrativos do mundo.

Se alguma pessoa de direita ou simplesmente incrédula não acredita nos fatos, faça, então, o favor de se levantar de seu sofá e pergunte aos empresários e a seus gerentes, mesmos os reacionários e ingratos, o quanto de dinheiro eles ganharam nos últimos 12 anos com o País sob a batuta dos presidentes trabalhistas Lula e Dilma Rousseff. Ponto! Enquanto isso, a Europa Ocidental, referência da classe média coxinha e dos ricos empedernidos e portadores de um incomensurável e inenarrável complexo de vira-lata, pois colonizados desde os tempos do capitão-mor e fidalgo Pedro Álvares Cabral, está a enfrentar, desde o ano de 2008, uma crise sem precedente, que superou, inclusive, o crash de 1929, que levou a economia dos Estados Unidos e de países europeus à bancarrota.

Depois de anos a ser apedrejado pelo poderoso sistema midiático privado, alinhado aos interesses de classe e internacionais, o PT finalmente percebeu, talvez tardiamente, que não apenas a imprensa de negócios privados e alienígena se contrapõe aos seus programas de governo e projeto de Pais, mas, sobretudo, agentes do estado brasileiro com poder decisório, de mando, que rivalizam com o PT e o Governo trabalhista, porque filhos diletos e fiéis da burguesia nacional, a exemplo dos juízes do STF e STJ, dos promotores e procuradores, de muitos delegados da Polícia Federal, bem como generais, almirantes e brigadeiros, politicamente e ideologicamente conservadores.

Esses grupos políticos e quase anônimos se juntam, discretamente, aos partidos de direita e aos magnatas bilionários de todas as mídias, em uma frente política que age e atua como formiguinha e atenta, ordinariamente, contra o estado democrático de direito, a Constituição e a democracia, sem se prenderem a questões institucionais e éticas, porque a briga pelo poder vai muito além do jogo democrático e das regras e normas eleitorais vigentes. Esse modus operandi é como uma colcha de retalhos onde os desenhos são disformes e se misturam como se fossem um só, a impedir a percepção e o discernimento de quem tenta distinguir as figuras da colcha ora observada, que na verdade trabalham nos bastidores do poder.  

A direita domina e conhece como ninguém esses mecanismos, pois fez caixa dois a vida inteira, além de contar com a permissividade de pessoas que controlam os órgãos de repressão e fiscalização. Tanto é verdade que nenhum dos principais membros dos que transitam pelo espectro da direita está preso ou a responder processos, que são publicados em manchetes da mídia venal quando se trata do PT. A imprensa de mercado e de natureza golpista jamais vai dar repercussão às tramoias, aos golpes e aos crimes de seus aliados políticos, pois eles o são instrumentos de defesa dos interesses da burguesia nacional e internacional. Para quem não sabe ou finge não saber desse processo hipócrita e draconiano, é exatamente dessa forma que a banda toca. Ponto!

Quando juízes e promotores, a exemplo de Marco Aurélio de Mello, Luiz Fux, Gilmar Mendes, Joaquim Barbosa e Roberto Gurgel, entre outros, imputam culpas a terceiros sem terem em mãos provas inquestionáveis, bem como deitam falação sobre a vida política do País, além de asseverarem opiniões ao público sobre fatos e questões de pessoas que estão a ser julgadas por eles, realmente não se pode tergiversar sobre a má conduta dessas autoridades. Tais indivíduos, na verdade, não são apenas agentes de estado concursados ou nomeados. Sobretudo, são políticos, que, obviamente, têm lado, preferência e cor, do jeito que ensinaram seus pais, as escolas que frequentaram, as igrejas em que rezaram e a classe social a qual pertencem.

Eles se aproveitam de seus cargos para defenderem suas ideologias, preferências políticas, bem como favorecer seus aliados, atualmente exemplificados nos tucanos, que até hoje não foram objetos de julgamento do mensalão do PSDB, que é mais antigo do que o do PT, este que, evidentemente, nunca existiu, porque nunca foi juridicamente comprovado, mesmo com a arbitrariedade do “domínio do fato” imposto por juízes e promotores de direita, que detestam o PT, os trabalhistas, os socialistas e lutam diuturnamente contra a ascensão social do povo brasileiro. E por quê? Porque se tem uma coisa que essa “elite” infame e perversa detesta, mais do que ver o pobre melhorar de vida, é ter de dividir seu espaço com aqueles que ela considera seus empregados e por isso pessoas inferiores.

Nada como a declaração da dondoca Danuza Leão quando disse que ficou sem graça ir a Nova Iorque ou a Paris e ter que encontrar na rua o seu porteiro. Para a socialite, viajar ao exterior ficou sem graça, porque a “graça” era exatamente não ver a cara de gente pobre. É dessa maneira que funciona a cabecinha preconceituosa e arrogante dessa gente, que, equivocadamente, considera sua classe acima das outras quando na verdade é a classe dos trabalhadores que carrega quaisquer nações nas costas.

Danuza é um blefe, como o é também a classe dominante, que prega a separação entre as pessoas, porque aposta em um País VIP, disposto a trabalhar e dar lucros para poucos, que, sectários e insidiosos, preferem ver o mundo pegar fogo a ter que conviver com as desigualdades, e, mais do que isso, aceitar que os desiguais e os diferentes sejam tratados de forma desigual e diferente, porque somente com esse propósito se alcançará a igualdade e a paridade entre as pessoas, porque afinal a maioria deseja e quer um País de classe média, como acontece nos Estados Unidos e na Europa, tão admirados pelos coxinhas reacionários de classe média, que adoram ir também a Orlando para ver o Mickey e poder bancar o Pateta.

O PT é o alvo da direita. José Dirceu está preso, encarcerado e mesmo assim não sai das manchetes de conotações mequetrefes e não consegue sair da prisão para trabalhar. O político petista foi punido pelo plenário do STF com uma pena de regime semiaberto. O senhor condestável juiz Joaquim Barbosa não permite que o preso tenha seus direitos constitucionais e penais respeitados. Joaquim Barbosa atende aos desejos da direita brasileira e tem como seu porta-voz principal as Organizações(?) Globo, aquelas empresas midiáticas dos Marinho que teimam ousadamente interferir no processo político brasileiro.

A empresa golpista de 1964, além de ter sido protagonista do caso Proconsult que quase roubou a eleição de Leonel Brizola em 1982, bem como editou criminosamente o último debate entre Lula e Collor, em 1989, a favorecer o segundo a apenas dois dias da votação. Interferiu também em 2006 e 2010 quando ajudou a levar os candidatos tucanos, seus aliados e cúmplices, ao segundo turno. Quem não se lembra do caso rastaquera e mequetrefe da bolinha de papel, que quase “causou” um “AVC” em José Serra e desmascarado por uma reportagem do SBT?

Agora, o senhor midiático e mais vaidoso do que um pavão, juiz Marco Aurélio de Mello, resolve afirmar que o PT pagou com o fundo partidário a defesa de seus militantes condenados por causa do “mensalão”. Até hoje tal caso não foi juridicamente comprovado, para o desgosto da magistratura que o condenou sem provas e que, no futuro, por intermédio da História, vai ter sua atuação e ação duramente questionadas. Afinal, Joaquim Barbosa, por exemplo, criou sua própria jurisprudência e resolve, a seu bel-prazer, prender e libertar quem ele quiser e desejar, pois, sois rei, sois rei, sois rei!... E que se dane a jurisprudência brasileira e a legalidade do estado de direito.

Em plena democracia, juízes se transformam em algozes, verdadeiros verdugos e assombram a quem discorda de tanta arbitrariedade e casuísmo em plena democracia. E tudo isso para derrotar o maior partido criado no Brasil em todos os tempos — o PT. Evidentemente, que toda instituição, agremiação política, associação, empresa pública ou privada, entidade possui em seus quadros pessoas que incorrem em erros, malfeitos, corrupções e crimes. E o PT, a exemplo de outros partidos, também está à mercê de malfeitores.

Porém, é inadmissível, além de ser uma grande covardia, tratar um partido da grandeza histórica do PT como um covil de malfeitores quando sabemos que a Polícia Federal nunca prendeu tanto, investigou tanto exatamente nas administrações do PT. Quem duvida, levante-se do assento e acesse os sites da Polícia Federal e do Ministério da Justiça. Verifique e veja, e pare de falar bobagem por acreditar na imprensa corporativa e corrupta. Não engravide pelos ouvidos. Compare os números de prisões entre a PF do PT e a PF do PSDB. São incomparáveis, porque os governantes trabalhistas realmente combateram a corrupção.

O PT está a ser sufocado e mal consegue respirar. Não é fácil enfrentar o status quo, o establishment, que enfrentam o Governo a partir das entranhas do próprio estado. Marco Aurélio de Mello e Gilmar Mendes, de tempos em tempos, enfatizam dúvidas a respeito do PT e de seus integrantes à imprensa alienígena. Gilmar disse certa vez que a vaquinha do PT para pagar multas dos petistas presos poderia ser lavagem de dinheiro. Um absurdo, mas calculado para gerar polêmicas, virar manchetes de jornais e causar mais desgastes à imagem dos presos e do partido junto à população.

Já Marco Aurélio, ainda presidente do TSE e que deixou recentemente o cargo ao ser substituído pelo ministro Dias Toffoli, afirmou que o PT bancou a defesa dos réus da Ação Penal 470. A declaração do juiz foi publicada no Estadão, um jornal provinciano, reacionário ao extremo e que até hoje o seu proprietário pensa que está a viver no período da República do Café com Leite. Lamentável, é o que eu tenho a dizer, porque a prestação de contas do Partido dos Trabalhadores ao Tribunal Superior Eleitoral foi vazada. A intenção é sustentar a tese de que a agremiação trabalhista e socialista pagou a defesa dos réus com o dinheiro do fundo partidário.

Agora, as perguntas que se recusam a calar: “Quem cometeu o crime de vazar informações sigilosas do PT enviadas ao TSE cujo presidente era o vaidoso e direitista juiz Marco Aurélio de Mello”? Por que o PSDB, por exemplo, ou o DEM ou o PPS não tiveram suas contas vazadas por “alguém” do TSE ao Estadão? Pago um chopp para quem descobrir ou adivinhar quem foi o tosco, o leviano, o imprudente que faz política sem ser candidato a nada e resolve, arbitrariamente, vazar informações sigilosas sobre as contas do PT.

A verdade é que a direita quer também impedir o PT, o maior partido do Brasil e que administra o Governo Federal de ter direito ao fundo partidário. Seria cômico se não fosse trágico, bem como seria de bom alvitre que o PT parasse de ficar em estado de letargia e começasse responder à altura, inclusive por meio de denúncias, seja de quem for ou cargo que ocupe se, porventura, sentir-se prejudicado.

O PT não pode perder o poder de se defender, coisa que sempre soube fazer em sua história. Os parlamentares têm de ir para a tribuna das casas legislativas, a Secom tem de rebater acusações e ilações levianas, infundadas quando não mentirosas. E a Presidência da República tem de ir às televisões abertas e privadas e ocupar o tempo necessário para responder às acusações e denúncias que somente têm o propósito de desqualificar e desconstruir o Governo trabalhista e suas autoridades constituídas pelo povo, o verdadeiro dono da soberania dos governantes e deste País. A vilania e a covardia são as armas da oposição de direita contra o PT. É isso aí.          


sábado, 10 de maio de 2014

BEM-QUERER


ESPAÇO BICO DE PENA — BLOG PALAVRA LIVRE




Tristeza...
Irremediavelmente somos tristes.
E não há espaço para a euforia, alegria — júbilo.
O regozijo em forma de sonho da felicidade.
O alvo da humanidade tão ilusório como o horizonte do poente.
Lindo e essencialmente um painel de luzes intangíveis,
Pois sonho de consumo, a triste felicidade
Vendida pelas propagandas e os sorrisos de rotina daqueles que sequestram o seu desejo de desejar,
Para que possamos acreditar no amor, no trabalho e que a vida vale à pena se você comprar e vender sem perder um braço ou a dignidade.

O coração a bater como mistério de fundo da alma,
Já desconstruída por insondáveis desejos e ansiedades — venenos sepulcrais do espírito,
O raciocínio direcionado para canalizar o pensamento, a fim de pasteurizá-lo como leite misturado à água de todos os empresários que estupram quaisquer princípios para angariar vintém.

A cocaína dos que acumulam o vício de acumular vaidades, prepotências, e fazer da vileza a bíblia de sua vida vazia alicerçada no diabólico desconhecimento que a vida viceja quando temos saúde e por isto temos prazo de garantia, como o tem os amores que te acompanham por toda a vida, igualmente os que perdemos, deixaram saudades, bem como os dissabores que enfrentamos até o último suspiro dos pulmões.

O parar do coração e o pensamento e raciocínio que nos transformam essencialmente em seres imortais e eternos através da existência dos nossos filhos e nostalgia dos verdadeiros amigos, que lhes estenderam a mão em momento de fraqueza moral, penúria material, dor carnal, desajuste psíquico e sofrimento emocional.

A transformação do homem pela experiência, o que permite perceber e compreender que chegou a idade pródiga, sem ao menos nunca ter abraçado um desconhecido que chora nas ruas, mas sabe, empiricamente e tristemente, o porquê de tal dor que o aflige, porque a condição humana equivale a todos em vida e nos iguala no justo silêncio do cemitério cujo espelho reflete todas nossas vilezas, preconceitos, maledicências, ofensas, traições e egoísmos cuja chibata é a nossa língua matreira e desonesta, porque somos viciados, dependentes em último grau da nossa oportunista hipocrisia e desejo incontrolável de nos considerarmos especiais, quando a verdade é que cedemos o lugar para um idoso no ônibus desgostosos por não podermos continuar a sentar em nossa confortável miserabilidade humana digna da misericórdia de Deus e do ódio de nossos semelhantes frágeis mortais que lutam a vida inteira para serem um pouquinho reconhecidos pela sociedade – mãe dos “santos” ao tempo que dos bandidos, que a trata como caça, pois predadores de suas almas e do sofrimento alheio.

Eu, tristemente, sou impuro como a felicidade que os homens acreditam ter, e por isso tentam em vão transformá-la em poesia concreta, cujo combustível é a infelicidade intoxicada por sua humana tristeza, que corre em minhas veias e de todos nós.

O ser nascido nu. Evidentemente despido de vaidade, preconceito, intolerância e arrogância perante “Seu” Deus misericordioso em trabalho de parto. O tempo — o senhor da razão e da inconsciência – o sabedor do segredo da vida em todas as plenitudes e infinitos números desconhecidos de toda humanidade, porque não sabemos quem somos e desconhecemos a nossa origem mais profunda e não dimensionamos a nossa felicidade, porque sabemos o que é dor, a que nos causa tristeza – o amparo e o anteparo que, na realidade, é o que nos faz seguir em frente mesmo a temer o que não sabemos, o que nos espera.

Sinto-a como o estranho que mora em meu espírito e que se recusa a sentar no sofá da sala para dizer quem você realmente é.

Penso que existência, desconhecimento e coragem são os combustíveis do medo.
Sabotam a vida e emboscam o teu presente,
Porque o futuro é irremediavelmente a morte.

A pérola que não enfeita a concha das águas,
Mas embeleza o colo da mulher e os sorrisos moldados pelo batom da fêmea que se enfeita para seu contentamento e satisfação de ser notada para ser cortejada pelo macho, porque o objetivo final é a procriação e a apropriação da humanidade, que, de dor em dor, luta para subir no pódio da Felicidade.

A palavra-chave, essência da propaganda para que o sistema edificado na família continue a vender e a comprar, e, consequentemente, nos drogar, te chapar de todas as formas para que possamos aceitar, resignadamente, o nosso destino de bucha de canhão, de escravos que trabalham décadas, que transformam seus casamentos em sucursais do inferno e as ruas em frentes de guerras, pois o que interessa é manter intacto o sistema, que atende a uma minoria, que igualmente sente tristeza, porque ser feliz em um mundo violento e perverso como esse só matando de forma definitiva o que resta de dignidade para continuarmos vivos e olharmos sem muito trauma nossa cara no espelho.

As mulheres que em algum momento pensaram que me amaram e que tem a Graça e a condescendência de me considerarem pequeno para entender o amor. Como se tivessem pena da minha incapacidade em compreendê-las, apesar de meu esforço quase hercúleo de pelo menos agradá-las.

E me deixaram... Mataram meu amor, apesar de minha cumplicidade com o amor que eu sentia por elas.
Menino solto na amplidão do tempo e prisioneiro da vida que flerta com a morte, que, em troca, oferece-lhe a tristeza de sonhar em conquistar a felicidade, o dínamo que faz pulsar e ensanguenta  o coração solitário da humanidade.

A tristeza tão simplória e frágil e submissa que troca e cede tudo por ter desejado uma vida inteira ser amada por um bem-querer, que aceite ser seu, se possível “até que a morte nos separe”.

Engano, engodo... Trapaça promovida pelo sistema, mas tolerada pelos que se sentem amar, afinal todos sabemos que não é bem assim, mas somos sozinhos, vítimas da tristeza e amantes da felicidade. Todos, humanamente, buscamos companhia e o amor, mesmo quando não acreditamos mais em nada, a não ser quando alguém diz que gostaria muito de sair com você ou comigo. Não tem jeito. Irremediavelmente ressuscitamos a esperança que corre em nossa essência apesar da tristeza e da dor que a busca pela felicidade nos causa.

O que as pessoas querem é doar seu amor e recebê-lo em forma de sentimento verdadeiro em forma de cumplicidade — o seu e o meu olhar.
A metafísica, a energia tornada preocupação em amar. O cuidar, a esperança de sair da vida livre de saber que nem tudo é dor e abandono, culpa e tristeza.

As flores de minha paixão se transfiguram em perfumes delicados e suaves.
Cheiros dispersos e incontáveis como as estrelas tão infinitas como os céus e os ódios e paixões da humanidade perversa e violenta, mas que, incompreensivelmente, quer amar e ser amada.

Tão voláteis como o suor do meu corpo, as lágrimas de minhas emoções e sonoras como a minha voz já rouca pelo tempo e insincera, pois penso nos amores que tive e na poesia em que me enganei, a fim de exorcizar a solidão — a minha indissociável solidão em relação ao tempo que compartilhei com a minha razão. Amante fiel de minha tristeza. Leal à morte e porta-voz dedicada da minha intangível felicidade.

Jamais saberei o que a Felicidade pensa, porque no fundo toda mulher sabe que o homem tem medo do seu olhar quando percebe que ela pode ler sua alma e por ele sentir amor.

Triste e torturado pelo tempo, o relógio não move suas horas libertas para pisar o chão e caminhar pela vida sem fronteiras e conquistar a felicidade, que não tem hora e nem lugar para se transfigurar em verbo.

Bem-querer.

Davis Sena Filho 
Rio de Janeiro, 4 de março de 2014.





LULA X FHC — TRABALHISTAS X NEOLIBERAIS — COMPARE!

BLOG PALAVRA LIVRE




quarta-feira, 7 de maio de 2014

Imprensa e high society: “Eu sou cara; gasto muito”.


Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre


As relações dos jornalistas empregados das grandes corporações midiáticas com o mundo empresarial e com os caciques políticos do campo conservador são antigas e muitas delas promíscuas. A verdade é que muitos jornalistas se transformam em porta-vozes de grandes negócios e, evidentemente, defendem e repercutem nas diferentes mídias os interesses e os pensamentos de seus patrões, que são os magnatas bilionários da imprensa de mercado.

Quando a madame Ticiana Villas Boas, apresentadora do Jornal da Band concede uma entrevista e começa a deitar falação sobre seu mundo farto e luxuoso, ela apenas reflete o que acontece com muitos profissionais de mídias que mantêm relações com homens poderosos os quais se tornam seus aliados de interesses, bem como muitos deles vão mais além quando, por exemplo, resolvem casar com uma jornalista, a exemplo de Ticiana.

A candidata a madame, ora deslumbrada, cometeu uma indiscrição e “infeliz” gafe, e com isso mostrou, irrefragavelmente, que grande parte dos jornalistas da imprensa-empresa são completamente divorciados do mundo real e alienados sobre as condições sociais do povo brasileiro, da luta política e das questões econômicas e financeiras que norteiam o Brasil, no que diz respeito a programas de Governo e projetos de País.

Porém, não há como ser de outra forma. Os jornalistas, como muitos juízes e médicos, somente para exemplificar, geralmente são filhos das classes dominantes, médias e médias altas. São pequenos burgueses e realmente não se preocupam em conhecer as realidades do País e muitos menos as dores e dilemas que incomodam e fazem seu povo sofrer. Pelo contrário, levam para seus ofícios todos seus preconceitos e valores aprendidos em seus lares, em casa e ensinados pelos seus pais e grupos sociais que integram desde suas infâncias.

São pessoas geralmente urbanas, que não conhecem o Brasil e foram criadas para acreditar que o País não presta, enquanto consideram algumas capitais europeias e norte-americanas como suas referências e as cortes a serem admiradas, como se eles vivessem ainda nos tempos do Brasil colônia e por isso não conseguem, de forma alguma, perceber que este País é o lar de uma Nação poderosa, multifacetada, multirracial e cultural, bem como dona de um PIB que a coloca em sétimo lugar no mundo, sendo que em um prazo de dez anos ou menos o Brasil vai ser a quinta potência econômica do planeta.

Contudo, todos esses fatores não importam para gente como a Ticiana Villas Boas. O complexo de vira-lata, o desprezo pelo Brasil e seu povo, aprendido e ensinado em seus lares, escolas, clubes, associações e grupos sociais diversificados, mas pertencentes à burguesia, os impedem de enxergar, de forma transparente e clara, as realidades brasileiras, além de se colocarem contra os interesses do Brasil e a favor das classes privilegiadas e dos países ditos desenvolvidos, que controlam o sistema capitalista em dimensão global.

Existem muitos jornalistas — homens e mulheres — que, tal qual à Ticiana, são membros integrantes  das oligarquias e como tais se comportam, só que de forma discreta. Engana-se aquele que pensa que os meios de comunicação privados estão a serviço da população e em defesa da coisa e da causa pública. Quem pensa assim não passa de um tolo, ou, obviamente, trata-se de uma pessoa que ideologicamente e politicamente conservadora e, por conseguinte, comunga com o que a imprensa de negócios privados pensa e quer para o País e a sociedade.

Entretanto, grande parcela do povo brasileiro não é cúmplice dos desejos dos magnatas bilionários de imprensa, da classe rica em geral e da direita partidária, e se recusa a apoiar o que os burgueses e os pequenos burgueses (classe média) consideram como prioridade para si e para os outros, quando um homem ou mulher do povo sabe que sua vida melhorou, e muito, nos últimos 12 anos, com a ascensão de governantes trabalhistas.

A verdade é que os jornalistas da chamada grande imprensa são mancomunados com os interesses patronais e por isso é praticamente impossível para essa categoria desunida e pseudamente intelectualizada realizar, por exemplo, um movimento grevista organizado, reivindicatório e voltado à defesa do ofício de jornalista, uma das profissões mais difíceis de exercer.

Ofício laboral de caráter tenso por causa dos baixos salários da grande maioria dos jornalistas, das más condições de trabalho, de chefes autoritários, do elitismo social dos que controlam as redações com mão de ferro e, principalmente, da cumplicidade dos que receberam espaço e por causa disso vendem suas almas àqueles que deveriam ser combatidos, a exemplo de seus patrões — os megaempresários oligarcas de mídias, que lutam, ferozmente e historicamente, contra o desenvolvimento do Brasil e a emancipação do povo brasileiro.

Chefetes vaidosos, ignorantes e intolerantes, que transformam as redações em sucursais do inferno para se darem bem na vida, sem se preocuparem com seus colegas e com o que determinam em reuniões de pauta, que se um leitor, ouvinte e telespectador tivesse a oportunidade de participar de uma delas sairia de tal  encontro de jornalistas com os olhos esbugalhados, os pelos arrepiados e os cabelos em pé, a sentir calafrios e a perceber que realmente a imprensa burguesa e alienígena é golpista e não tem o mínimo compromisso com o Brasil e seu povo.

Só os ingênuos ou os de má-fé acreditam integralmente no que a imprensa-empresa repercute. Somente os completamente alienados ou os que politicamente têm interesses inconfessáveis podem acreditar e ter fé em uma pessoa como a Ticiana Villas Boas, uma magnata que ocupa a bancada de um jornal de âmbito nacional sem saber o que acontece em volta de si, bem como no Brasil e no mundo sempre em conflito.

Alienação e deslumbramento que demonstram, à toda prova, que existem muitos jornalistas que não têm a mínima condição de dar pitaco ou fazer críticas açodadas, sem, no entanto, não ter conhecimento algum sobre os desejos e os anseios de uma sociedade, como a brasileira, que luta para ter uma vida de melhor qualidade, já que vítima e alvo de uma burguesia perversa, que escravizou seres humanos por quase 400 anos, além de negar-lhe o acesso à terra, ao emprego e à esperança de viver com respeito e dignidade.

E é essa imprensa mercantilista que faz a vez dos partidos políticos, com o apoio inequívoco de promotores, procuradores e juízes, aliados do campo político ocupado pela direita e atores importantes de um processo draconiano, que pune seus adversários e inimigos, mas não efetiva as mesmas medidas para muitos de seus aliados políticos e empresariais, que cometeram toda sorte de crimes, mas mesmo assim considerados cidadãos inimputáveis, porque “amigos” de uma imprensa corrupta, que tem lado e de um sistema judicial capataz e feitor da Casa Grande.

A madame Ticiana Villas Boas não é a única profissional de imprensa a girar pelos salões do high society. Existem muitos que desfilam nesses pagos ou que fingem e desejam ardentemente frequentá-los, como se isso fosse a coisa mais importante do mundo, quando a verdade é que não é.

Volto a repetir: a imensa maioria dos jornalistas ganha mal, vive em um ambiente ridiculamente vaidoso e cruelmente competitivo, é explorada com uma carga horária por demais longa, alimenta-se mal, sofre pressões inerentes ao ofício, bem como se torna muitas vezes alvo de bullying de chefetes mequetrefes e rastaqueras, que não têm a mínima noção de civilidade, porque, indubitavelmente, defendem seus espaços e seus interesses como cães esfomeados defendem seus ossos.

Ticiana é apenas mais uma. A moça nem sabe o que diz e se bobear não está nem aí para o jornalismo e o que pensam dela, pois dá a impressão que apenas ocupa espaço na Band por vaidade. Afinal, seu marido, Joesley Batista, é o dono da Friboi. A direita e seus órgãos de imprensa espalhavam boatos, calhordas e mentirosos, que tal empresa pertencia ao Lulinha, filho do ex-presidente trabalhista Luiz Inácio Lula da Silva.

E os coxinhas de classe média, reacionários, desinformados e ignorantes, ficavam a espalhar a “notícia” cafajeste nas redes sociais... Assim são as coisas. Nada como um dia após o outro. O marido da Ticiana, para quem não sabe, é ainda dono da Neutrox, Seara e dos sabonetes Francis, e seus produtos são objetos de publicidade na Rede Bandeirantes. Bingo!

Essas relações imprensa-empresários-políticos são muito comuns no meio jornalístico. Existem inúmeros jornalistas da considerada mídia tradicional (Folha, Estadão, O Globo, Zero Hora, Correio Braziliense, Veja, Época, Redes Globo, Band, SBT, CBN, Jovem Pan etc.) envolvidos até a medula com o projeto hegemônico dos grandes empresários, dos interesses de governos estrangeiros (EUA/UE) e seus patrões controladores de monopólios midiáticos e golpistas de carteirinha desde os tempos do estadista Getúlio Vargas.

A madame Ticiana Villas Boas é apenas mais uma, e deve ter deixado com muita raiva o mundo burguês, porque ela foi indiscreta e ostentou a riqueza dos ricos e dos muito ricos. A classe alta não gosta disso, pois gasta seus bilhões em silêncio, pois só abre a boca para impedir que as riquezas e rendas sejam distribuídas. Ticiana não somente ostentou a riqueza dela. Ela não compreendeu as regras da “elite” e mostrou o quanto as classes dominantes são fúteis, descompromissadas e alienadas. E completou: “Eu sou cara; gasto muito”. Que beleza! É isso aí.