sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O meio ambiente nas mãos dos municípios

Por *Davis Sena Filho e *João Mendes de Jesus

      A questão ambiental, exemplificada na luta pela preservação da natureza e das espécies, no combate à poluição e ao aquecimento global, sem sombra de dúvida, inicia-se pelas administrações municipais. A regulamentação do Projeto de Lei Complementar 12/2003, que regulamenta o Artigo 23 da Constituição é de enorme importância para os municípios brasileiros, porque amplia as ações deles no que concerne à questão ambiental. Não podemos, portanto, protelar esse assunto, que os problemas ambientais que acontecem neste País são muitos e por isso temos de agilizar mecanismos para que possamos entregar às futuras gerações um País que proporcione melhor qualidade de vida àqueles que estão a crescer ou que estão ainda por nascer.


     O PLC 12 é fundamental para consolidar na legislação brasileira a competência originária do município no licenciamento das atividades de impacto local. Esta prerrogativa é prevista pela Resolução 237/97, do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), porém governantes estaduais fazem muitos questionamentos jurídicos, o que causa prejuízos aos municípios, que, na verdade, pertencem ao âmbito mais importante do País, que suas esferas tratam diretamente com os interesses do cidadãos, que moram em cidades e sofrem diretamente, por exemplo, com a poluição do ar, dos rios e com a degradação do meio ambiente.

   Alguns estados da Federação resistem à descentralização de responsabilidades sobre o assunto e querem que ela seja realizada por convênios de delegação de competências, além da participação do Ministério Público. O Estado tem o direito de participar desse processo, mas nunca querer assumir as responsabilidades dos municípios, que age no impacto local. Defendemos que os governos estaduais somente devem intervir quando houver omissão ou a comprovada falta de estrutura das prefeituras para realizar e efetivar os trabalhos tangentes à questão ambiental.

        Por não termos uma definição no que se enquadra como impacto local, menos de duzentos municípios assumiram o licenciamento ambiental, mesmo com a vigência há cerca de 14 anos da Resolução 237. Por isso, é muito importante que a Lei Complementar nº 12 seja rapidamente observada, para que o nosso Pais se torne, em termos mundiais, a vanguarda e o exemplo para humanidade, que aos poucos está a perceber que uma nova ordem mundial está a ser estabelecida, no que concerne à preservação, à segurança e à existência do planeta Terra.

      O processo de elaboração, de estudos, de debates, de discussões e de negociações sobre a Lei Complementar 12 teve a participação do Governo Federal, por intermédio da Casa Civil, do Ministério do Meio Ambiente (MMA), das Associação de Órgãos Municipais de Meio Ambiente (Anamma), da Comissão Tripartite Nacional, das Comissões da Câmara, da Associação Brasileira de Entidades Nacionais de Meio Ambiente (Abema) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

      Citamos o nome de todas essas instituições com o objetivo de esclarecer que a Lei Complementar 12 foi amplamente discutida e portanto não há razão para o Brasil não efetivá-la rapidamente já que é um dos países que ainda possui enormes reservas de água e de florestas. Precisamos estabelecer paradigmas que regulamentem as questões ambientais, sem tirarmos de vista o desenvolvimento econômico que deve ser sustentável. Os municípios são a razão de ser do povo brasileiro. É onde o povo vive e por isso as autoridades municipais eleitas têm de responder e administrar o ambiente em que o cidadão vive.

*João Mendes de Jesus é vereador do PRB na Câmara Municipal do Rio de Janeiro e presidente da Comissão Permanente do Idoso.

*Davis Sena Filho é jornalista e editor do Portal do Blog da Dilma e do Blog Palavra Livre.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Barões da imprensa, jornalistas e jornalismo burguês


Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre

Há algum tempo, quando eu era um jovem jornalista, percebi nas redações da imprensa comercial e privada (privada nos dois sentidos, tá?) que o jornalismo empresarial, de negócios, tem lado, cor, ideologia e preferências culturais, raciais e de classe social.


Sabem por que essas distorções acontecem? Porque o jornalismo é tratado como produto por empresas de comunicação cujos proprietários são megaempresários, que estão a fim de ganhar dinheiro, aliás, muito dinheiro, como qualquer empresário de outro ramo de negócios.

Por isso e por tudo isso, temos um jornalismo partidário, sectário e conservador elaborado, escrito e apresentado por jornalistas filhos das classes média e média alta quando não de origem rica. São profissionais burgueses e que sonham desde sempre com ascensão social e fama.

Esses jornalistas não conhecem o Brasil, as suas diferentes regiões e culturas e muito menos compreendem as questões, as necessidades e as dificuldades das classes sociais menos privilegiadas. Agem assim porque inexiste neles o compromisso com o País e o seu povo, porque prezam essencialmente os valores individuais, que se alicerçam em uma sociedade de consumo, que, equivocadamente, mede e avalia as pessoas pelo o que elas tem e não pelo que elas são.

Parte desses jornalistas por ser assim integram, de forma espontânea e natural, um sistema midiático de direita acumpliciado com os interesses econômicos e financeiros dos barões da imprensa, dos proprietários de mídias cartelizadas e monopolistas, que, por sua vez, são sócios dos grandes capitalistas nacionais e internacionais.

MAURICINHOS E PATRICINHAS QUE DESPREZAM O POVO BRASILEIRO.
  Percebo, evidentemente, que essas características me levam a crer e a afirmar que os barões da imprensa são imperialistas, colonialistas e os replicadores do pensamento conservador nacional e internacional, de forma que ao controlar os meios de comunicação e de informação eles passam a domesticar os pensamentos, os valores e até mesmo os sonhos e os propósitos da população em geral e em especial das classes média e média alta, que, alienadas e muitas vezes de forma involuntária, aliam-se àqueles que não querem distribuir renda e riqueza e muito menos desejam ver um Brasil justo, livre, independente, democrático e soberano.

Os jornalistas os quais faço críticas são exatamente isto. Eu os conheço e sei de suas vaidades e manias de grandeza que se baseiam na ascensão social. São burgueses porque acreditam em valores estritamente comerciais e de modismos. Detestam ter de lidar com o que seus pais sempre desprezaram: conviver com os mais pobres e ter de ouvir suas queixas e necessidades ou perceber que a redoma de cristal onde vivem é para os poucos que eles consideram seus semelhantes.

Os homens e as mulheres comprometidos com seus patrões e, por conseguinte, com o jornalismo de negócios privados se vestem e se comportam como yuppies cujos valores se confundem com o mundo neoliberal que derreteu as economias, as almas e o orgulho da Europa Ocidental, do Japão e dos Estados Unidos. É um mundo fútil e leviano, que se alicerça em falso moralismo que edifica a ganância, o egoísmo, o materialismo e constrói a guerra entre as pessoas, as sociedades e os países.

O JORNALISMO DE NEGÓCIOS PRIVADOS É ELABORADO POR JORNALISTAS YUPPIES.
  Por isso e por causa disso resolvi, no já longínquo ano de 1995, não trabalhar em redações da imprensa comercial e privada (privada nos dois sentidos, tá?). É isso aí.