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terça-feira, 3 de outubro de 2017

Delegada Érika Marena e Lava Jato: o arbítrio e a morte do reitor Cancellier — Meganhagem e fascismo

Por Davis Sena Filho — Palavra Livre


A primeira vítima mortal da meganhagem irresponsável, inconsequente e de caráter fascista foi a dona Marisa Letícia, esposa do ex-presidente Lula. A segunda vítima é o reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, Luiz Carlos Cancellier, que se atirou do alto de um shopping. Os dois são o sangue nas mãos sujas e fascistas do Estado policial estabelecido no Brasil por intermédio de um golpe de Estado violento e terceiro-mundista. O golpe de direita, que entrega as riquezas do Brasil aos estrangeiros, aos empresários e banqueiros, retira direitos fundamentais do povo, arrasa a economia propositalmente e desmonta criminosamente o Estado brasileiro em tempo recorde.

Antes e após a instalação do Estado policialesco no Brasil, a sociedade brasileira, principalmente os setores democráticos, acadêmicos, bem como as entidades e os grupos sociais organizados perceberam logo que o golpe de estado bananeiro e travestido de legal e legítimo, porque foi sacramentado pelo Congresso mais corrupto, entreguista e desprovido de quaisquer interesses públicos e noções de soberania, que viabilizem definitivamente a independência do Brasil, tem como propósito maior consolidar o golpe, independente se inocentes serão massacrados ou não.

Juízes, procuradores, promotores, delegados da PF e até mesmo alguns generais, que estão a dar declarações irresponsáveis e inconsequentes, pois a favor de "intervenção" (golpe) militar, resolveram intervir no processo político brasileiro, a criminalizar a política e a judicializar até mesmo as ações e os atos legais e legítimos de presidentes, que foram legalmente eleitos e reeleitos para governar, a ter a Constituição e o Estado Democrático de Direito como alicerces de suas autoridades e governabilidades.

Entretanto, a partir da Lava Jato, o processo golpista se fortaleceu, porque se tornou extremamente intervencionista e de caráter macartista, o que possibilitou a hipertrofia do Poder Judiciário em relação aos outros dois poderes da República, a acompanhá-lo neste processo maquiavélico e draconiano as corporações Ministério Público Federal/PGR e Polícia Federal, que passaram, não mais a somente investigar e denunciar os responsáveis por roubos e corrupções, mas, sobretudo, fazer política, a má política, diga-se de passagem, sem a necessidade de comprovar a materialidade das provas de quem cometeu crimes.

E por quê? Porque os membros dessas instituições estatais começaram a escolher lado partidário, a expressar suas ideologias e a pender a balança para os partidos que pertencem ao establishment, a favorecer, inclusive, o desmonte do Estado nacional, a subordinação humilhante do Brasil aos EUA, além de cooperar, inquestionavelmente, para o gigantesco desemprego de 15 milhões de pessoas, conforme os índices oficiais, porque o desemprego de brasileiros é muito maior, pois dezenas de milhões de trabalhadores estão a trabalhar na economia informal.

A Lava Jato é, seguramente, uma das principais responsáveis por este caos que, propositalmente, tomou conta do Brasil e arrasou com sua economia, bem como sua soberania ficou de joelhos perante os países hegemônicos. É neste panorama terrível e sombrio que o projeto de poder dos golpistas e usurpadores que traem o Brasil e seu  povo diariamente que a Lava Jato e seus integrantes efetuam seus atos e ações.

É neste ambiente de atmosfera torpe e obscura que togados e meganhas se elevam em suas corporações e tomam uma dimensão que jamais teriam em um país civilizado ou num período em que determinada nação, mesmo em desenvolvimento como o Brasil, preza pelo Estado Democrático de Direito, a ter a Constituição como a sentinela sempre atenta, a fim de garantir os direitos e as garantias fundamentais de um povo que luta há séculos para ser emancipado e, por sua vez, soberano de sua vida e de seu destino.

Agora, depois da morte de dona Marisa Letícia, os protagonistas do golpe de estado e os "intocáveis" da Lava Jato já têm em suas mãos sujas de sangue o segundo cadáver. Trata-se do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier, que se suicidou ao se atirar do vão do prédio do shopping Beira Mar. O reitor e mais seis colegas, a mando da delegada Érika Mialik Marena, foram presos e humilhados, pois quando chegaram à prisão tiveram de ficar desprovidos de suas roupas e encarcerados nus em suas celas.

Nada contra o reitor foi comprovado e por isto libertado da cadeia. A delegada e seus parceiros delegados e procuradores, com a cumplicidade de juízes, acostumados a pedir por prisões temporárias de pessoas, sendo que muitas delas não cometeram crimes, como ocorreu e ocorre no decorrer de três anos de Lava Jato, não se importam com as consequências destrutivas que desconstroem a humanidade de quem foi violado em sua cidadania, humilhado e conduzido por servidores do Estado à execração pública e ao linchamento moral.

Seguramente, dezenas, quiçá centenas de pessoas, que foram acusadas e não cometeram crimes estão a passar por tratamentos médicos e psiquiátricos, porque mesmo os que aparentemente não somatizaram psicologicamente ou fisicamente as denúncias, acusações, coerções, prisões e humilhações de todo tipo e monta, certamente que levarão para o resto da vida as aflições e dissabores pelos quais passaram, em nome de um moralismo conservador, barato e cruel, de um falso moralismo udenista/lacerdista a toda prova.

E por quê? Porque os verdadeiros ladrões e corruptos estão no poder, com endereços certos no Congresso, no Palácio do Planalto, nos ministérios, na Petrobras, no STF e no Judiciário, além dos pilantras de estimação do MPF e da Vara do juiz Moro, que delataram conforme a música pedida pelos togados e meganhas, e agora estão a se dar bem, a aproveitar a vida no conforto de suas mansões. Tais pulhas estão bem, obrigado..., com a cumplicidade e a aquiescência do MPF, da Justiça e da PF. Para se safar de crimes, basta conjugar com os interesses golpistas e, com efeito, ser delator mentiroso e safado, a serviço da meganhagem aos estilos DOI-Codi e Dops.

O reitor Luiz Carlos Cancellier não cometeu quaisquer irregularidades, ilegalidades e malfeitos à frente da UFSC. Ponto. As acusações da delegada Érika M. Marena são  um misto de suposições com convicções à moda procurador Deltan Dallagnol do powerpoint midiático, leviano e mentiroso, para variar.

Porém, a morte é real, pois o professor e reitor evidenciou seu ato político e de protesto contra os desmandos, as arbitrariedades e as covardias por parte de agentes do Estado, que no pré golpe, durante o golpe e após o golpe consideram que o Brasil e os cidadãos brasileiros pertencem a eles e às suas vontades cabotinas e ações discricionárias e casuísticas. É simplesmente o fim da picada o que está a passar o Brasil, porque essa gente autoritária resolveu tomar o poder a fórceps!

O professor não roubou e as acusações levianas imputadas a ele e a seus colegas o levaram a uma prisão injusta no dia 14 de setembro para depois ser libertado. A operação que matou o professor ganhou o nome de "Ouvidos Moucos", sendo que "moucos" são os ouvidos das autoridades policiais e do MPF que foram responsáveis por tamanha insensatez, desfaçatez, burrice e selvageria.

Observa-se que se trata de coisa de meganha década de 1970 mesmo. Para a delegada, do alto de sua vaidade vã e autoritarismo de cunho fascista, o reitor poderia até não ter roubado, mas "supostamente" — esse pessoal da Lava Jato adora ferrar com os outros por causa de suas "convicções" e ausência de provas materiais e reais — deveria ter feito alguma coisa para "coibir os abusos".   

Agora vamos à pergunta que não quer calar: "Como é que é cara pálida?" Então, raciocinemos. O reitor foi acusado de desvio de recursos no que concerne aos cursos de educação a distância da Universidade Federal de Santa Catarina. Entretanto, ressalvo, a própria PF reconhece que ele não cometeu crimes, mas foi, digamos, "negligente", por não "coibir os abusos", o que não é a verdade, até porque, ao que parece, a verdade não é o que nos últimos tempos tem apetecido os personagens de cinema, loucos por fama, luzes e palmas.

Se recusaram a ouvi-lo e não permitiram que o reitor se defendesse e apresentasse provas. Trata-se de uma operação policial e midiática, que visa, mais do que tudo, alimentar as manchetes de uma imprensa meramente de mercado, corrupta e criminosa, que há décadas é promotora de golpes de estado e que achincalha e insulta aqueles que são tratados por ela como inimigos.

A intenção, como já fizeram com dezenas e dezenas de pessoas, foi desmoralizar e condenar o reitor Cancellier e seus colegas pela imprensa de negócios privados e, por seu turno, receberem o apoio da classe média conservadora, ou seja, dos coxinhas tão golpistas ou mais do que os usurpadores que tomaram o poder de assalto e estão a roubar o Brasil a partir de Brasília, sendo que para esta mórbida e infame realidade o MPF e a PF, assim como inúmeros juízes fazem caras de paisagens.

A delegada Érika M. M. será denunciada, processada e afastada de seu cargo e função? Como fica agora? A "intocável" será punida por ter cometido tal imprudência e irresponsabilidade? O magnífico reitor, que,  comprovadamente, possui modesto patrimônio foi acusado e denunciado como ladrão e corrupto por agentes do Estado irresponsáveis e midiáticos.

É insuportável este estado de coisas que acontece no Brasil dos golpistas e usurpadores bestiais, que tomaram o Palácio do Planalto porque não aceitaram a quarta derrota nas eleições de 2014, e que, definitivamente, para a vergonha da inteligência e da sensatez, acabaram com a democracia brasileira e deram um pontapé no Estado Democrático de Direito, a seus bel-prazeres. A PF e o MPF, absurdamente, queriam que o reitor Cancellier respondesse pelos atos administrativos e corrupções de outros atores que administraram a UFSC, considerada a sexta melhor universidade federal do País.

A perseguição política de meganhas e togados ao reitor, que lavou sua honra em holocausto por ser honrado e honesto, como comeu o pão que o diabo amassou ao ser humilhado com o cárcere, de forma que mesmo livre foi impedido de entrar na universidade em que ele era o reitor. Teve de dar aula durante duas horas, quando os meganhas fascistas e amantes das luzes da ribalta impuseram a ele esse curto tempo.

Do contrário, Luiz Carlos Cancellier seria preso novamente se ficasse em sala um minuto a mais sequer, mesmo depois de a juíza o ter liberado por total falta de provas materiais. Escorraçado e humilhado pela Justiça que atendeu o MPF e a PF de condutas persecutórias, o professor ficou impedido de transitar em liberdade em seu próprio mundo, sem ter cometido quaisquer crimes. Não lhe deram o direito à ampla defesa e ao contraditório, e o mataram por não saberem que estavam a lidar com um homem honrado, que na desonra preferiu a morte.

O reitor Cancellier, como dona Marisa Letícia, foi assassinado pelos meganhas e togados da Lava Jato, bem como pela imprensa burguesa, tendenciosa e manipuladora. Seu corpo, como bandeira da democracia e da liberdade, passou em frente à sede da Polícia Federal em Florianópolis, a formalizar perante o povo de Santa Catariana e do Brasil o seu holocausto, pois levado ao suicídio em nome de sua honra.

Coloque na conta da Lava Jato a morte do reitor Luiz Carlos Cancellier, delegada Érika Mialik Marena. Coloque na sua conta também e na de quem te acompanhou nessa covardia e imprudência. A lista de arbitrariedades e covardias é longa. Delegada, responda por seus atos administrativamente, civilmente e criminalmente. O restante deixe com as penas e as letras da história. E viva a meganhagem! Viva! É isso aí.

Um comentário:

Marcos Lúcio disse...

Seu brilhante texto é de uma lucidez denunciadora e absoluta. Quem dera fosse possível dele discordar. Sinto vergonha, receio e asco pelo estado de putrefação moral do Patropi golpeado criminosamente. Temos que parar os neofascistas JÁ.

O desembargador do Tribunal de Justiça de Santa Catarina e professor da Universidade de Santa Catarina (UFSC), Lédio Rosa de Andrade, fez um discurso emocionado no último dia 5, em homenagem a Luiz Carlos Cancellier de Olivo.

"Como desembargador, tenho vergonha. Porcos e homens se confundem. Fascistas e democratas usam as mesmas togas", lamenta. E terminou o potente e acusador discurso falando: "o Cal sempre foi um professor e morreu como professor nos dando a última lição. A última lição do nosso mestre foi de que contra a mais absoluta injustiça, que contra o terrorismo de Estado, só a tragédia pode chamar a atenção de uma população que vive uma histeria coletiva. Só a tragédia.

Essa noite, com dificuldade de dormir, eu fiquei a pensar quanto a humanidade errou e não parou Hitler no tempo certo. Quanto a humanidade errou e não parou Mussolini no tempo certo. E fiquei pensando... Eles estão de volta.

Será que nós vamos errar de novo e vamos deixar eles tomarem o poder? Para nós termos que trocar as flores por armas e fazer outra guerra para derrubá-los? Será que já não basta? Será que já não é hora de todos nós nos unirmos e exigirmos consequências? Se a família assim quiser. De irmos até as últimas consequências, pedindo que sejam apurados esses atos de arbitrariedade? Já não é hora?

Bertolt Brecht já nos disse. Já estão levando não só os vizinhos, já estão levando nossos amigos próximos, e vão nos levar. A vida é isso, companheiros. É luta permanente. E a democracia não permite descanso. Não permite descanso.

Eu, hoje, como professor da UFSC, sou uma pessoa que tem orgulho e alegria. Como desembargador, tenho vergonha. Porcos e homens se confundem. Fascistas e democratas usam as mesmas togas.

Eles estão de volta, temos que pará-los. Vamos derrubá-los novamente. Obrigado".