sexta-feira, 26 de julho de 2013

Vênus: sonegação fiscal, violência e corrupção


 
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Imprensa boicota os grandes eventos no Brasil por finalidade política



Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre

O município do Rio de Janeiro, segundo dados do IBGE de 2010, tem quase 6,5 milhões de habitantes. Vieram à Cidade Maravilhosa para participar da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) cerca de dois milhões de pessoas — dados não oficiais —, o que, sobremaneira, vai sobrecarregar a infraestrutura da cidade, que, evidentemente, é a mais preparada do Brasil para receber megaeventos, a exemplo do Rock in Rio, da JMJ, da Copa de 1950, dos Jogos Panamericanos, da Copa das Confederações, do Carnaval, dos Jogos Militares, da Rio/Eco 92, da Rio+20, das Olimpíadas, dos Reveillons, que chegam a atrair três milhões de pessoas, e de tantos outros incontáveis eventos que os cariocas estão acostumados a ser seus anfitriões.

Eis que surge novamente a imprensa de mercado para transformar qualquer problema de estrutura em uma tragédia ou caos, palavra esta predileta da imprensa de negócios privados, incansável em sua cruzada que visa, sobretudo, transformar definitivamente o Brasil em um País incompetente, completamente atrasado e que não tem condições para receber, administrar e coordenar grandes eventos nacionais e internacionais, o que, também definitivamente, não é a verdade, porque a imprensa alienígena e colonizada mente, dissimula e distorce os fatos e as realidades. A imprensa corporativa age, sistematicamente, contra o Brasil e a emancipação do povo brasileiro.

Não restam dúvidas que o Brasil está a caminhar para o seu desenvolvimento e, consequentemente, avançar no que é relativo à sua infraestrutura e ao estado de bem-estar social. São visíveis essas questões principalmente nos últimos 11 anos, quando os políticos trabalhistas assumiram o poder. Existem muitas coisas ainda para fazer e realizar neste País? Certamente que sim. Contudo, sabe-se que vivemos o pleno emprego, com a taxa de desemprego em 5% enquanto na Europa as taxas flutuam entre 10% e 40%, sendo que os jovens são as principais vítimas da irresponsabilidade dos governantes e da classe empresarial, que implementaram, em termos mundiais, o neoliberalismo, pensamento econômico e ideológico de rapinagem e pirataria, imposto ao mundo em meados da década de 1970 e com maior ênfase a partir de 1989, com o Consenso de Washington.

No Brasil, os governos militares, por intermédio de Eugênio Gudin, Roberto Campos, Mário Henrique Simonsen e Delfim Netto abraçaram essa nefasta teoria econômica, que continuou a ter seguidores nos  governos de Fernando Collor (1990/1992) e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995/2003), o FHC, conhecido também como o Neoliberal I, dirigente que vendeu o patrimônio público brasileiro e quebrou o Brasil três vezes, porque foi três vezes ao FMI pedir esmolas de joelhos e com o pires nas mãos, além de se submeter aos ditames dos interesses comerciais e geopolíticos dos Estados Unidos, ao ponto de o ministro tucano das Relações Exteriores, Celso Lafer, certa vez tirar os sapatos no aeroporto de Nova York, a mando de um subalterno membro da segurança local.

A questão primordial é que a imprensa hegemônica boicota e sabota todo e qualquer evento que aconteça no Brasil, porque o que interessa aos proprietários e porta-vozes do sistema de capital é causar má impressão e negatividade ao País perante a comunidade internacional e também ao público interno e dessa forma preparar o caminho para que a oposição partidária de direita possa, efetivamente, chegar com chances de vencer o pleito eleitoral para presidente da República em 2014. Isto é fato. Ponto. Por isto e por causa disto qualquer problema, mesmo se for a espera por parte das pessoas para se locomover de ônibus ou de metrô se torna, para a imprensa golpista, um caos.

Agora vamos aos fatos. O Rio de Janeiro recebe quase dois milhões de pessoas e a imprensa comercial e privada não quer que haja filas, não somente na área de transportes, bem como em restaurantes, além de atendimento ao público por parte da prefeitura e do governo do estado, no que tange a resolver problemas de toda ordem, desde os simples furtos como também questões no que é relativo à rede hoteleira, às pensões e aos albergues. Obviamente que problemas vão acontecer quando uma cidade, mesmo sendo o Rio de Janeiro, torna-se anfitriã de cerca de dois milhões de pessoas.

Aliás, qualquer cidade do mundo, inclusive as do considerado mundo desenvolvido passariam por perrengues e situações difíceis quanto à logística e a mobilidade urbana. Por seu turno, considero que fazer críticas é normal e justo quando o autor da crítica a faça para melhorar as coisas. Entretanto, não é o que se vê. Percebe-se, sem sombra de dúvida, que as críticas são açodadas e superdimensionadas, porque o propósito é desqualificar, desmoralizar e dar uma pecha de incompetência ao poder público, ao povo brasileiro que elege os seus representantes e principalmente ao Brasil, País sede dos principais megaeventos do mundo nesta década, e que, evidentemente, subiu, e muito, de patamar, no que diz respeito à sua força econômica e importância politica em termos planetários.

Além do mais, quem é a pessoa ou o cidadão, independente de sua condição social, ideológica e partidária, que não percebe que vivemos o recrudescimento político que chegou, por enquanto, ao seu ápice nas manifestações de junho quando os filhos da classe média tomaram ferozmente as ruas e protestaram, segundo eles, de forma “apolítica” e “apartidária” “contra tudo o que está aí”, frase sub-reptícia tão repercutida pela imprensa de direita e que significa Lula, Dilma e PT. Ponto. Só faltou aos vorazes de classe média afirmar mesmo com as provas das filmagens das televisões que as manifestações foram pacíficas, como quiseram fazer crer os repórteres, os comentaristas e os colunistas da imprensa burguesa mesmo com as imagens a mostrar o contrário. Cara de pau para essa gente é pouco. As caras deles são de aço, e inoxidável.

Mesmo assim não há trégua. A campanha midiática conservadora que poderia e pode ser chamada de “O Brasil é uma porcaria!” não tem fim até que um governo de direita, da direita e para a direita volte a ocupar o Palácio do Planalto e, por conseguinte, dar continuidade ao seu programa de governo e projeto de país, ou seja, nenhum, pois é de conhecimento público e notório que a direita não dá nada. Ao contrário, a direita toma e se puder deixa o povo à míngua, porque os conservadores não têm compromisso com a Nação brasileira e muito menos com o seu desenvolvimento social e econômico, porque nem emprego o nobre trabalhador brasileiro tinha quanto mais poder cobrar melhorias ou querer mais, como demonstrou a classe média, que está empregada, recebe salários e consome, o que não ocorria nos governos conservadores de Fernando Collor e principalmente no governo de FHC — o Neoliberal I —  vendilhão da Pátria e traidor do Brasil.

Enquanto isso, a mídia manipuladora e imperialista continua o seu périplo edificado pelo seu indelével complexo de vira-lata e de desprezo pelo Brasil, a superdimensionar qualquer problema, pois portadora de fins políticos e caixa de ressonância dos interesses privados dos grandes capitalistas, conhecidos também como tubarões. Contudo, 2014 vem aí, e o candidato do PT vai ter de mostrar na propaganda eleitoral gratuita, no rádio e na televisão, as ações sociais, as obras de infraestrutura, os programas e os projetos, e rebater, duramente, acusações infundadas, muitas delas simplesmente mentirosas. As classes média e alta querem a volta da direita ao poder.

A classe média cansou de ganhar dinheiro, de estar empregada, de ter acesso ao consumo de bens duráveis, como carros, elétricos-eletrônicos e casas e apartamentos. Cansou de lotar os supermercados a qualquer hora do dia e da noite, de viajar a hora que quiser de avião, de frequentar como nunca frequentou os bons restaurantes e de ter o acesso facilitado aos empréstimos consignados, bem como de viajar para o exterior e deixar na Europa e nos Estados Unidos bilhões de dólares, o que fez, inclusive, alguns desses países facilitarem a entrada dos brasileiros, porque o dinheiro que eles deixam em suas terras falidas é muito importante para combater a crise que os países desenvolvidos enfrentam desde 2008.

Todavia, milhões de brasileiros veem todos os dias nos meios de comunicação privados e concessionários de autorização pública para funcionar a novela sem fim cujo nome é “O Brasil é uma porcaria!”. A imprensa não mostra o Brasil real, as conquistas sociais do povo, as obras construídas e que estão a ser construídas, as reformas e a recuperação das rodovias, a luta pela volta do sistema ferroviário, a recuperação da indústria naval brasileira, a construção, as reformas e a recuperação dos portos e dos aeroportos, a construção de universidades públicas e de escolas técnicas, a inclusão dos filhos das famílias humildes ao estudo universitário e técnico.

Por sua vez, os programas sociais recuperaram a autoestima dos brasileiros pobres, bem como fomentaram as economias de seus municípios e de suas regiões, a resultar em um ciclo formidável de desenvolvimento e de busca por melhores condições de vida, pois é exatamente essas coisas que os trabalhistas e os socialistas querem, apesar da obtusidade política e ideológica e do reacionarismo da classe média e de seus filhos, que foram às ruas exigir mais, o que é correto e legítimo, mas haveremos de julgar e reconhecer que o Brasil e os seu povo avançaram muito e conquistaram coisas que até então nunca tinham sido experimentadas e permitidas neste País até então edificado para poucos privilegiados e dominado economicamente e politicamente por uma das mais perversas elites que se tem notícia no mundo. Os ricos, a casa grande que escravizaram seres humanos por cerca de 400 anos — um recorde mundial.

As manifestações demonstraram que o brasileiro quer mais. Ponto. E o que já foi feito não pode ser esquecido, relegado a um segundo plano ou negado por questões políticas e ideológicas como o faz a imprensa dominante e que hoje enfrenta reações e questionamentos na internet, que não deixa os meios de comunicação controlados por meia dúzia de magnatas midiáticos — os barões da imprensa — distorçam as realidades e manipulem os fatos em prol de seus interesses financeiros e de classe social.

Considero que faltam muitos avanços sociais para o Brasil se tornar um País desenvolvido. Porém, reconheço que o Brasil é outro, e se tornou terra para bem se viver. O poderoso País sul-americano é o destino de milhares de imigrantes que aportam nessas terras historicamente sempre abertas a todos, principalmente no Nordeste, o que torna incontestável que o País mudou para melhor, pois o Nordeste sempre foi uma região pobre, e, com a ascensão dos trabalhistas e dos socialistas ao poder, os nordestinos passaram a ter mais investimentos, bem como ficaram libertos do voto de cabresto com a extinção dos currais eleitorais, o que, irrefragavelmente, irritou profundamente as oligarquias dos noves estados daquela região, além de mexer com o mau humor dos barões da imprensa, aliados históricos que são dos coronéis do Nordeste.  

Contudo, a imprensa continua a insistir com a sua insensatez, intransigência e perversidade. Continua a mentir e a difundir boatos no que concerne, por exemplo, à Prefeitura do Rio ter investido R$ 11 milhões com o evento do Papa, que não aconteceu em Guaratiba por causa do mau tempo e que foi transferido para Copacabana. A Cúria do Rio desmentiu os boatos da imprensa, bem como o prefeito Eduardo Paes, no RJ TV, jornal de meio-dia da Rede Globo de Televisão, empresa golpista, manipuladora e que distorce a verdade porque resolveu boicotar e sabotar todos os eventos que acontecem no Brasil, porque tais atividades têm acontecido neste País em um tempo que os mandatários são o ex-presidente Lula, a presidenta Dilma Rousseff, e, no caso, o prefeito Eduardo Paes, aliado dos petistas.

Além disso, Paes disse que a imprensa exagera quando cobra rapidez e agilidade para que os peregrinos se deslocassem de Copacabana ao fim do evento religioso. Estiveram presentes nas areias da Princesinha do Mar 1,5 milhão de fiéis católicos. Paes disse à repórter da Globo: “Há um exagero quererem cobrar rapidez para que os fiéis se deslocassem. São 1,5 milhão de pessoas, e, evidentemente, terá fila e lentidão para pegar o transporte público. Não se evacua 1,5 milhão de pessoas com facilidade. A festa para o Papa está linda. O que estiver ruim vamos melhorar”.

Rapidamente a repórter mudou de assunto e disse: “Vamos falar agora de coisas mais amenas...” É dose para mamute. Ninguém aguenta uma imprensa tão reacionária e mentirosa. Por isso, volto a falar: o Brasil tem de efetivar o marco regulatório para as mídias, conforme reza a Constituição. Não é possível uma empresa, dentre muitas que fazem a mesma coisa, pautar a vida brasileira, distorcer e direcionar as informações e fazer campanha oposicionista direta, sem trégua e água, durante anos a fio ao tempo em que os políticos e os partidos que estão no poder, a exemplo de Dilma Rousseff, só podem apesentar seus resultados administrativos, além de poder se defender somente na televisão aberta em tempos de horário eleitoral. É o fim da picada esse processo draconiano e casuístico.

    O Papa Francisco conhece a imprensa sul-americana. O Pontífice é argentino. O líder católico vivenciou a ditadura militar argentina, uma das mais violentas da história da humanidade. Francisco sabe que o sistema midiático privado pertence a famílias politicamente conservadoras e que foram cúmplices ativos das desumanidades colocadas em prática por esses regimes autoritários, que dominaram o cenário político na América do Sul. Um exemplo retumbante é o Grupo Clarín, que é as Organizações(?) Globo do país portenho, foi useiro e vezeiro em apoiar a ditadura militar, bem como encobrir e amenizar os crimes dos generais presidentes.

Não há como remediar as atividades e a conduta desses empresários midiáticos, os mais atrasados politicamente e socialmente dentre os empresários de qualquer setor de atividade econômica. Essas pessoas lutam contra os interesses de seus povos, especificamente os do Brasil. São golpistas em toda a sua essência e não medem consequências para terem seus desejos e planos concretizados.

Não se brinca com essa gente e nem com os seus empregados, que trabalham diuturnamente, muitos deles a peso de ouro, para difundir, repercutir e irradiar o pensamento das elites donas dos meios de produção e os planos de seus patrões. O Papa sabe dos esqueletos guardados no guarda-roupa da imprensa de mercado. A mídia boicota os grandes eventos no Brasil por finalidade política. E os maiores eventos tem a influência de Lula. O caos é a imprensa. É isso aí.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Governo, saúde, médicos, imprensa e classe média

Por Davis Sena Filho - Blog Palavra Livre



Eu não sei por que o Governo Federal administrado por uma presidenta trabalhista eleita pela maioria do povo brasileiro se torna refém de pressões levadas a cabo pela imprensa de negócios privados e por categorias ou classes profissionais como, por exemplo, a dos médicos, que se recusa, terminantemente, a trabalhar no interior do País, desenvolver o Brasil profundo, que a maioria dos brasileiros não conhece e nem pretende conhecer, pois prefere, obviamente, estabelecer-se em cidades e regiões consideradas por eles mais aprazíveis e “civilizadas”, além de adequadas aos seus interesses econômicos, financeiros e logísticos.

Esta é a conduta e a postura de grande parte dos médicos. Isto acontece porque a medicina se tornou há muito tempo um segmento venal, estritamente dedicado ao comércio e ao consumo, dominada pelos propósitos econômicos dos grandes laboratórios internacionais, clínicas e hospitais privados, bem como à mercê de médicos e administradores, que se tornaram poderosos empresários do setor de saúde, que, inclusive, controlam politicamente o Conselho Federal de Medicina (CFM) e têm forte influência no que diz respeito aos acordos e contratos firmados com o SUS, que sustenta unidades hospitalares privadas, sendo que muitas delas não dão o retorno devido à população, no que concerne a zelar por um bom atendimento, além de não oferecer serviços médicos e hospitalares de boa qualidade.

Contudo, o que mais me chama a atenção sobre a crise na saúde é a desfaçatez e o cinismo perverso da oposição político e partidária (PSDB, DEM, PPS e lamentavelmente o PSOL) da direita brasileira, totalmente desprovida de bom senso ao tempo que vitimada severamente pelo alzheimer, pois “incapacitada” por conveniência de ter memória, e, consequentemente, de lembrar que fez campanha com a ajuda da imprensa de mercado contra a CPMF, bem como também votou contra a contribuição nos plenários do Congresso, o que acarretou o desfalque de R$ 40 bilhões anuais, dinheiro este que financiava a saúde pública, que precisa urgentemente de melhores serviços de saúde para oferecer à sociedade brasileira.

Tudo isto foi esquecido pelos políticos e partidos de direita e pela grande imprensa alienígena, entreguista e que despreza o Brasil e o povo brasileiro. A mesma imprensa colonizada e historicamente golpista que apoiou o “apartidarismo” e o modo “apolítico” de a classe média se conduzir e se expressar, principalmente quando os seus protestos e a sua “indignação” inundaram as ruas do Brasil após o Movimento Passe Livre (MPL), com sua pauta de esquerda, apanhar violentamente da polícia tucana de São Paulo, comandada pelo governador Geraldo Alckmin, um dos líderes nacionais do PSDB, partido que em sua sigla se autodenomina social democrata, mas que na verdade é um partido conservador, neoliberal, e que se pudesse venderia o que restou do patrimônio público deste País, que, indubitavelmente, não foi construído através do tempo pelos homens e pelas mulheres do PSDB.

Considero também leviandade e oportunismo dessa mesma classe média, herdeira legítima da passeata realizada antes do golpe de 1964, que, cinicamente e equivocadamente, chamou-se Marcha da Família com Deus e pela Liberdade, realizar os protestos somente no período da Copa das Confederações, para logo encerrar as suas manifestações após o seu término, sendo que a maioria das pessoas que viram os jogos era também integrante dessa classe reacionária politicamente e preconceituosa socialmente, que desde a Revolução Industrial se alia às oligarquias dominantes, porque é portadora dos mesmos valores e princípios das classes privilegiadas, que, entre outras coisas, lutam incansavelmente para não permitir a distribuição de renda e de riqueza, bem como tratam a questão latifundiária urbana e rural como caso de polícia quando o problema é fundamentalmente social. Os latifúndios improdutivos pertencem não a fazendeiros, mas simplesmente a agentes imobiliários, que vez ou outra usam botas e chapéu.

Por seu turno, a classe média é sempre barrada na porta do baile dos ricos, porque, evidentemente, para o seu desgosto e frustração, não tem dinheiro no cofre, mas apenas uns caraminguás nos bolsos. Coitada, tão reacionária e perversa ao tempo que equivocada e despolitizada. E eis que os sabujos e os pitbulls servidores dos barões da imprensa se voltam contra a vinda de médicos estrangeiros para o Brasil, “esquecem” do fim da CPMF, e, não satisfeitos, dão voz ativa, de forma constante, aos médicos conservadores que controlam o Conselho Federal de Medicina e aos administradores e empresários de planos de saúde, que não atendem de maneira digna o povo brasileiro.

A verdade é que essa imprensa ideológica e de direita manipula a informação e se recusa a democratizar as comunicações no Brasil. O sistema midiático privado e hegemônico não quer que nada mude, avance e se desenvolva. Tal imprensa quer que tudo fique como está, pois, volto a afirmar, ela é a ponta de lança do establishment, que garante através dos séculos o status quo dos proprietários da casa grande, que, se estivessem a viver no século XIX, seriam, sem sombra de dúvida, escravocratas.

De repente, não mais do que de repente, os médicos, os residentes e até mesmo os estudantes de medicina se mobilizam, e, em tom uníssono, abrem a boca e saem às ruas em protesto contra o programa do governo trabalhista que, ao ouvir as vozes dos manifestantes no mês de junho, começa a tentar cumprir a pauta (positiva) de reivindicações dos trabalhadores, dos estudantes e da classe média oportunista, que se mobilizou com a intenção de mostrar o seu descontentamento com a ascensão de parte da massa de cidadãos brasileiros que passaram a ter acesso ao consumo de bens duráveis, bem como a frequentar os aeroportos, os restaurantes e as universidades públicas até então enclaves da classe média, que as recebeu do poder público e político como contrapartidas por não ser proprietária dos meios de produção.

Os médicos e os futuros doutores da saúde resolveram por as manguinhas de fora. Muitos deles se comportaram como verdadeiros playboys, filhinhos de papai, mimados, cujos egos deixam os dos artistas hollywoodianos humilhados. Trata-se de um contrassenso total e de uma arrogância e prepotência somente comparável às dos representantes da burguesia, eleitos ou não, que lutam por seus interesses em todos os fóruns públicos, em busca de fazer prevalecer às vontades e os desejos daqueles que são inquilinos do pico da pirâmide social, que, equivocadamente, consideram a ascensão da chamada classe c um problema que poderá acarretar em diminuição de seu poder de barganha, no que tange a ter privilégios e favorecimentos.

A classe médica e os estudantes de medicina querem, na verdade, manter seus privilégios, a começar pela luta para que nada mude, bem como garantir a reserva de mercado no que tange aos empregos, mesmo sabendo que o Brasil necessita de dezenas de milhares de médicos, pois temos uma população de 200 milhões de habitantes e que não são atendidos de forma adequada, porque a demografia médica neste País é muito mal distribuída, o que acarreta desequilíbrios regionais no que é relativo à distribuição e à fixação de profissionais de saúde, além de, não é conveniente esquecer, que o estado brasileiro tem de melhorar, e muito, questões referentes ao financiamento e à infraestrutura do setor da saúde pública e também privada, afinal o segmento particular tem de arcar com as suas responsabilidades e não apenas se preocupar em ter somente lucro.

Os dados e índices divulgados em fevereiro pelo Ministério da Saúde mostram que o Brasil tem 1,83 médicos a cada mil habitantes. Ponto. Sendo que a média mundial é de 1,4 mil médicos a cada mil habitantes. O Ministério da Saúde projeta oferecer ao povo brasileiro 2,5 médicos para cada mil habitantes. A Inglaterra, por exemplo, tem 2,7 médicos a cada mil habitantes.

Portanto, o déficit de pessoal é uma questão séria e por isto não pode ficar à mercê de demagogia política da oposição partidária de direita, das polêmicas artificiais da imprensa corporativa, que visam criar confusão para manipular a população, além do corporativismo insensato e irresponsável de parte da classe médica representada pelo presidente do CFM,Roberto Luiz d'Avila.

O porta-voz da classe médica não quer, afirmo novamente, mudanças. O Governo trabalhista pretende trazer médicos estrangeiros para exercerem suas profissões em localidades distantes e nas periferias. Um dos motivos dessas áreas não terem médicos é porque muitos desses profissionais de saúde se recusam a ir para locais carentes, pois preferem morar em grandes e médias cidades, por diversos motivos diferentes. É fato.

O Governo trabalhista primeiro se prontificou a não exigir a revalidação dos diplomas dos médicos estrangeiros. Contudo, o CFM quer que tais médicos façam o Revalida, o que pode ser atendido. Além disso, os estrangeiros assinariam contratos temporários de apenas três anos, com salários de R$ 10 mil e clinicariam somente nos lugares distantes ou carentes. Para conseguir atingir tais metas, o Brasil necessitaria ter mais 168.424 médicos, conforme os estudos do Ministério da Saúde.

Mesmo assim a gritaria é altissonante, e os conservadores aproveitam para criar crises artificiais, a fim de engessar as ações do Governo trabalhista, pois em outubro de 2014 vai haver mais uma eleição presidencial. A casa grande morreria de desgosto e amargura se ficar mais quatro anos sem subir a rampa do Palácio do Planalto. Ponto.

Todavia, o Governo quer cumprir a pauta positiva reivindicada nos protestos, e todo mundo sabe que a questão da saúde consta na pauta. Entretanto, pelo andar da carruagem, quem não tem pressa é a oposição de direita e a sua porta-voz: a imprensa, que cria polêmica falsa para trazer a classe média consumidora contumaz de seus produtos novamente para o seu lado político. A manipulação e a sabotagem são bem feitas e realmente confunde as pessoas menos politizadas e atentas.

A mediocridade campeia nos quatro cantos e nos sete mares. Essa gente obtusa não consegue enxergar que a inclusão social é o combustível do desenvolvimento econômico e financeiro. Quanto mais gente incluída, mais a sociedade vai se desenvolver, além de propiciar a diminuição da pobreza e da violência, porque os despossuídos são geralmente os agentes da violência cotidiana, tão comum nos bolsões de pobreza, a exemplo das favelas e das periferias das grandes e das médias cidades. Esses burguesinhos saem às ruas vestidos de branco, com cartazes agressivos ao tempo que preconceituosos e desrespeitosos, que levaria um cidadão desavisado a pensar que estaria a ver um desfile da Ação Integralista Brasileira (AIB), movimento de caráter fascista liderado por Plínio Salgado. Só que estamos em pleno século XXI - início do terceiro milênio. Anauê!

Instantaneamente, a imprensa burguesa tratou de criar mais uma contenda, “azeitar” mais uma polêmica, e, para não perder o costume, ouviu muito mais um lado do que o outro. E adivinhe qual foi o lado que a imprensa mercantilista ouviu? O lado dos que podem mais, dos que controlam e dominam os gigantescos e bilionários mercados da medicina e dos laboratórios, que têm como aliados históricos o Conselho Federal de Medicina, a poderosa bancada desse setor no Congresso, os inúmeros ministros que ocuparam a cadeira de ministro da Saúde, além da imprensa comercial e privada (privada nos dois sentidos, tá?), que atua em diferentes mídias, e por causa disto favorecida com contratos publicitários milionários pagos pelos laboratórios, clínicas, hospitais e planos de saúde, que difundem as suas marcas e monopolizam o mercado de medicamentos e de atendimento médico e hospitalar.

Por isto e por causa disto, considero o fim da picada ver os “mauricinhos” e as “patricinhas” - ainda jovens e vestidos de branco - a protestar sem ao menos discernir sobre as realidades dos fatos. Um absurdo. Esses caras não sabem o que está a ocorrer, e quais as forças envolvidas nessa grande questão que é a saúde pública e privada brasileira, e, por que não, mundial. Afinal de contas, o presidente dos EUA, Barack Obama, passou praticamente todo o seu mandato em luta constante contra os republicanos e a imprensa privada de lá para aprovar o projeto de seu governo em favor da efetivação de um sistema de saúde público e universal, que atenda o povo estadunidense. Esta é a verdade: a medicina se tornou apenas um incomensurável negócio nas mãos de empresários e médicos sem escrúpulos.

Entretanto, o Brasil já há algum tempo tem o seu sistema de saúde – o SUS - que é universal e sustenta, sem o dinheiro bilionário da CPMF, a saúde pública e também a particular, pois repassa recursos bilionários à iniciativa privada, que, em contrapartida, oferece um serviço sofrível, às vezes de péssima qualidade, com filas enormes e atendimento recorrentemente desumanizado, que gera conflito e reclamação de quem paga planos de saúde caríssimos, que não cobrem totalmente as necessidades dos cidadãos, dos pacientes, dos enfermos, porque existe um casuísmo, uma pilantragem chamada “carência”, que força o paciente e consumidor a esperar para ter o direito de ser atendido.

Porém, antes o cidadão precisa rezar e cruzar os dedos, tomar um banho de sal grosso e depois se benzer para não morrer nos bancos de espera da tão propalada saúde VIP, que a classe média sempre quis fazer questão de elogiar o que, seguramente, não é elogiável. Moral da história: não é somente o SUS o vilão dos acontecimentos. A iniciativa privada tem o seu quinhão de vilania também. Só que a imprensa não mostra com a devida ênfase que dá ao setor público de saúde. E por quê? Já disse e vou repetir: porque é a saúde privada que paga pela publicidade nos meios de comunicação, e esses meios são os porta-vozes mais importantes do sistema capitalista.

Além disso, o SUS é o sistema responsável pelo atendimento de alta complexidade aos pacientes e enfermos brasileiros. Pode acreditar. Inclusive o cidadão leitor e consumidor de pasquins de péssima qualidade editorial, a exemplo de Veja, O Globo, Estadão, Folha de S. Paulo, Correio Braziliense e Zero Hora, sem me esquecer de citar rádios e televisões como a Globo News, a TV Globo, a TV Bandeirantes, a CBN e a Jovem Pan, dentre muitos outros meios de comunicação que fazem e fizeram oposição política, ideológica e sistemática aos governos trabalhistas dos presidentes Lula e Dilma Rousseff, bem como tiveram a mesma conduta no que é relativo aos governantes trabalhistas Getúlio Vargas e João Goulart, além do governador Leonel Brizola, político brasileiro que mais tempo foi obrigado a ficar no exílio. O mandatário gaúcho amargou 15 anos (1964/1979) de desterro.

O SUS precisa ser financiado. O problema do Sistema Único de Saúde é dinheiro. Todavia, o SUS é um sistema extremamente importante para o Brasil e para os brasileiros, porque somente os hospitais da rede do SUS têm equipamentos, medicamentos, administradores e pesquisadores que refletem a grandeza do SUS, que, de acordo com o Governo Federal e a vontade soberana do Congresso Nacional, vai receber 30% dos recursos do Pré Sal, pois os outros 70% vão ser destinados à educação.

Os avanços na saúde pública são visíveis, mas a propaganda contrária é tão sistemática e contundente que leva a população desconhecer as virtudes, o trabalho do SUS, principalmente no que diz respeito ao atendimento de alta complexidade, a equipamentos caros e de última geração, ao financiamento de viagens para pacientes ao exterior, à valorização da pesquisa, à concessão e distribuição de medicamentos, ao financiamento de programas estaduais e municipais, principalmente às comunidades carentes, por meio da construção de Clínicas de Saúde da Família e Unidades de Pronto Atendimento (UPA), onde os pacientes são acompanhados por intermédio de cadastros informatizados, atendidos pelo mesmo médico, o que favorece o vínculo e a confiança entre o paciente e o médico, além de as consultas serem marcadas pelo telefone.

Agora, a pergunta: como e que eu sei disso? Poderia dizer que soube por meio de informações e reportagens, o que já aconteceu, pois algumas foram escritas por mim. É verdade. Mas não é isso. Eu sou cadastrado e já fui atendido na Clínica da Família do bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro. Fui muito bem atendido, por sinal. Portanto, eu sou uma testemunha de que tudo no SUS não é ruim e incompetente, como apregoa a imprensa manipuladora, aliada de governos e estados imperialistas. A mídia fundamentalista do mercado, que quer pautar a vida pública para governar no lugar de quem é eleito pelo povo brasileiro, o que é um acinte ao estado democrático de direito.

Por sua vez, os principais hospitais, órgãos e instituições de pesquisa avançada são vinculados ao sistema público de saúde, inclusive os hospitais universitários. Essas instituições são incomparavelmente mais importantes e mais competentes do que a saúde privada, cartelizada, que, inegavelmente, também é financiada pelo estado brasileiro. Quando vejo os médicos playboys se recusarem a ir para o interior e portarem cartazes como eu vi uma jovem mostrar e que dizia a seguinte frase: “Dilma, vai curar seu linfoma no SUS”, percebi mais uma vez que a nossa sociedade e especificamente a classe média globalizada e informatizada perdeu a noção do que é humano, do que é direito e do que é razoável.

O que esta estudante tem na cabeça? Vento e maledicência? Uma “patricinha” egoísta, que não conhece o Brasil e muito menos o seu povo e que mostra um cartaz desumano, perverso e infame, pois como futura médica deveria ter ao menos a sensibilidade de que não se brinca com o câncer, com a dor e o sofrimento dos outros, ainda mais quando se trata de uma doença de tratamento complexo e que poderá se transformar em mortal. A “patricinha” vai ser médica. Talvez se torne uma profissional fria, calculista e, portanto, irremediavelmente, desalmada.

E assim milhares de profissionais se formam e dessa mesma maneira efetivam as suas atividades, o que me leva a dizer que o problema do SUS e da saúde em geral não é somente de caráter financeiro e estrutural. Existe uma questão fundamental, que é o respeito ao semelhante, mesmo se o seu “igual” for uma autoridade como o é a presidenta Dilma Rousseff, que obviamente tem trabalhado e se esforçado para melhorar as condições de vida do povo brasileiro. O orçamento da saúde pública no Brasil é gigantesco, e o gerenciamento do sistema é complexo, porque a sua administração se dá nas esferas municipal, estadual e federal. Não é fácil.

Um jornalista pegar um microfone e portar uma câmara escondida é fácil, rotineiro e um direito constitucional, baseado na liberdade de imprensa e de expressão. Mostrar as péssimas condições de um hospital também é fácil. Contudo, cobrar de quem deveria zelar pelo atendimento médico e hospitalar é mais difícil, porque, além de casos de corrupção e da leniência e incompetência de administradores, servidores e políticos eleitos, existe também a questão importantíssima do segmento empresarial e do inegável corporativismo da classe médica, retratado, indubitavelmente, na pessoa do presidente do Conselho Federal de Medicina, que demonstrou, insofismavelmente, que não quer mudanças, nem o ingresso de médicos estrangeiros para atender o interior e a periferia, além de ser contrário ao projeto do governo de fazer com que os médicos formados trabalhem por dois anos para o estado nacional, sendo que a maioria se formou nas universidades públicas e por isto não só devem, mas têm a obrigação de dar o retorno em forma de trabalho para a sociedade, que financiou os seus estudos. Nada como experiência e aprendizado para se tornar um bom profissional. Se depois desses dois anos o médico ou a médica quiserem voltar a serem playboys, que fiquem à vontade, pois os seus caminhos estão livres para ganhar dinheiro.

A resumir: um dos arautos do establishment, o presidente do CFM, que inclui também outros segmentos da saúde, quer que tudo fique como dantes no quartel de Abrantes. Só que os médicos playboys não querem trabalhar no interior do País continental e se recusam terminantemente servir o povo nas periferias. Eles querem, a exemplo do Rio de Janeiro, trabalhar na Zona Sul, no Centro e em bairros de classe média da Zona Norte, como a Tijuca, Vila Isabel e o Grajaú.

Os playboys querem emprego público de meio expediente, atender em clínicas particulares ou em seus consultórios e faltar quando quiser e quando der aos plantões e até mesmo aos serviços de rotina. O que eu afirmo é verdade e acontece, como ocorre também em outros setores profissionais do serviço público. Os médicos têm o direito de ganhar dinheiro e fazer de sua profissão apenas uma ferramenta para ter lucros e dividendos. O médico pode ser frio, calculista, oportunista, dinheirista, egoísta, despolitizado e portar cartazes levianos. O médico pode até cometer crimes, a exemplo do foragido Roger Abdelmassih e do cirurgião plástico Hosmany Ramos. Abdelmassih foi libertado pelo juiz do STF, Gilmar Mendes, useiro e vezeiro em conceder habeas corpus a personagens da crônica policial.

Agora, se o médico não quer trabalhar em todo o Brasil mesmo quando ele ainda é jovem, não tem o direito de impedir que o Governo trabalhista procure soluções para o problema e o dilema. A presidenta Dilma e o Ministério da Saúde não podem ficar à mercê de interesses de médicos ligados ao sistema capitalista que controla o setor da medicina e dos laboratórios. Um presidente é eleito para resolver os problemas da população e não se submeter aos ditames de gente, de empresas e de instituições que querem fazer da medicina apenas um segmento para ganhar dinheiro. Aliás, muito dinheiro. Realmente, os ricos dão trabalho; mas a saúde é um direito de todos. Que sejam bem-vindos os médicos estrangeiros. É isso aí. 

quinta-feira, 4 de julho de 2013

A verdade é dura, a Rede Globo apoiou a ditadura!


Blog Palavra Livre

Realmente, a Globo só vai poder ir às ruas de helicóptero, bem como tirar a logomarca da empresa de seus microfones, como ocorreu nas manifestações de junho. Na favela da Maré, no Rio de Janeiro, onde recentemente dez pessoas morreram em confronto com o Bope da PM, a Globo mais uma vez teve de enfrentar a consciência do povo e a insatisfação daqueles que não aceitam a exploração mercantil da violência. (DSF)

Globo, fascista! Sensacionalista!


A VERDADE É DURA, A REDE GLOBO APOIOU A DITADURA!

Um dia sem Globo, o povo não é bobo... a presidenta e o marco regulatório

Por Davis Sena Filho Blog Palavra Livre


Há muitos anos, em Brasília, no fim da década de 1980, um amigo me disse a seguinte frase: “Cara, se não fosse a grande imprensa e em particular a Globo, o Brasil estaria mais avançado em seu processo político e econômico”. Por alguns segundos fiquei pensando na frase do meu interlocutor enquanto nos encaminhávamos para um restaurante. Olhei para o meu amigo, e disse: “É verdade...” E fomos almoçar.

Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula, candidato do PT a presidente da República, tinha, recentemente, sido derrotado para o candidato da direita, Fernando Collor de Mello (PRN), com a visível e inquestionável intervenção dos barões da imprensa, notadamente a TV Globo, empresa pertencente ao magnata de comunicações, Roberto Marinho, cidadão useiro e vezeiro em intervir no processo político brasileiro desde os tempos idos da década de 1920.

O jornal O Globo foi fundado por seu pai, Irineu Marinho, em 1925, morto 21 dias após a fundação do diário, o que levou o seu filho, Roberto, a ser o seu sucessor e praticamente ter sido durante toda a sua vida o único responsável pelo futuro e as escolhas políticas do jornal conservador e da TV Globo, fundada em 1965, com o beneplácito da ditadura militar e o dinheiro e a cooperação técnica do grupo norte-americano Time-Life, na época associado a Roberto Marinho.

O magnata das comunicações foi muito questionado e, consequentemente, teve de depor, em 1965, em CPI na Câmara dos Deputados para dar explicações sobre a sua parceria com corporações empresariais estrangeiras, pois de acordo com a Constituição brasileira tais grupos são proibidos de serem proprietários ou gestores de meios de comunicação. Marinho negou em seu depoimento e afirmou que firmou dois contratos com a Time-Life.

O primeiro era relativo à assistência técnica, e o segundo se tratava de um contrato, conforme as palavras do próprio Roberto Marinho, a seguir: “O outro contrato que achamos poder estabelecer foi uma conta de participação joint venture, que, como vossas excelências sabem, é um contrato de financiamento aleatório, uma vez que não dá nenhum direito de direção ou de propriedade a uma empresa, apenas participando o financiador dessa empresa dos seus lucros e prejuízos”.

Evidentemente, como foi provado posteriormente, os Marinho se associaram aos norte-americanos, que tinham participação de 30% nos lucros da empresa e, por conseguinte, influência na gestão, porque os donos da Time-Life, juntamente com os Marinho, eram os principais acionistas da Rede Globo e, obviamente, não abririam mão de influenciar, inclusive no que diz respeito ao jornalismo global, que sempre combateu, indelevelmente, qualquer movimento ou campanha nacionalista, os partidos e os governantes trabalhistas em todas as épocas, bem como, sem sombra de dúvida, contrariaram sistematicamente os interesses do Brasil.

Em 1989, após o último debate entre o Lula e o Collor, o magnata Roberto Marinho deu uma ordem a um dos diretores de telejornalismo da TV Globo, Alberico de Sousa Cruz, para que editasse o debate entre Lula e Collor, a favorecer o ex-caçador de marajás. Alberico negou ter interferido na edição, mas o diretor da Central Globo de Jornalismo (CGC), Armando Nogueira, até há pouco tempo, antes de sua morte, em março de 2010, afirmava que Roberto Marinho sabia o que estava a acontecer sobre a edição pró-Collor, bem como se sentia traído pelo seu subordinado, Alberico de Sousa Cruz, que em 1990 assumiu a CGC no lugar de Armando, só saindo em 1995, quando o diretor de O Globo, Evandro Carlos de Andrade, assumiu a direção do telejornalismo global.

Armando Nogueira fez duras críticas a respeito da edição manipulada do Jornal Nacional, a favor de Collor, para o magnata Roberto Marinho, que logo afastou o seu diretor de jornalismo e o aposentou. Além disso, existe outro nome importante envolvido nesse escândalo midiático, e que atende pelo nome de Ronald de Carvalho. Editor de Política da emissora, Ronald é acusado de modificar a edição veiculada horas antes no Jornal Hoje, com a intenção de prejudicar o candidato Lula em favor de Collor, candidato de Roberto Marinho e da maioria do empresariado.

Marinho, tal qual a grande maioria dos grandes empresários brasileiros na época, temia a vitória de um político de esquerda e principalmente do PT, partido orgânico, inserido em quase todos os setores da sociedade organizada e praticamente a única agremiação política deste País que é verdadeiramente um partido político na acepção da palavra e por causa disto combatido ferozmente pela direita empresarial e partidária, com o apoio das classes médias tradicional e alta, pois portadoras que são dos valores e dos princípios dos ricos.

Armando Nogueira disse: "Alberico, à minha revelia, mandou fazer alterações, das quais eu só tomei conhecimento no ar. Então eu estava diante de um caso típico de deslealdade, de traição profissional, traição funcional. Foi um caso típico de deslealdade profissional desse rapaz que era uma pessoa de minha confiança e que segue até hoje e vai continuar negando até o juízo final. Mas, no juízo final, continuarei a responsabilizá-lo por isso".

Pelo o que se observa, Ronald de Carvalho assumiu a responsabilidade pela manipulação da edição ordenada por Roberto Marinho, que Alberico sempre negou ser um dos mentores. Ronald disse: "Eu, desde o primeiro momento, sempre tenho dito e repito: o único responsável pela edição do debate fui eu. Não recebi instruções de ninguém". A verdade é que Alberico de Sousa Cruz recebeu ordem de Roberto Marinho para efetivar as modificações na matéria sobre o debate e o Ronald de Carvalho obedeceu ao chefe imediato, e foi mais além ao dizer que “não concordava com a isenção, que naquele momento era preciso mostrar a realidade” {dos acontecimentos}, ou seja, que o Collor foi melhor que o Lula no debate e teria que vencer as eleições, porque a vitória de Lula não interessava às Organizações(?) Globo.

A conclusão que chego é que realmente o magnata Roberto Marinho tentou influenciar no que concerne às eleições presidenciais de 1989, a primeira após os 21 anos de ditadura militar. Essa realidade pode ser facilmente comprovada e respaldada por outros episódios em que a Globo foi protagonista, a exemplo do escândalo da Proconsult, SNI e Globo, quando tentaram derrotar o candidato do PDT, Leonel Brizola nas eleições para o Governo do Estado do Rio de Janeiro. Um escândalo inominável, por se tratar de fraudar as eleições garantidas pelo TSE e TRE, além desprezar o jogo democrático, bem como o povo brasileiro, especialmente o fluminense que esperou mais de duas décadas para ter o direito de votar.

Todavia, a família Marinho e os seus empregados porta-vozes de seus interesses e pensamento ideológico não se fazem de rogados e não desistem nunca, porque acima de tudo a Globo, máquina midiática poderosa, é uma ferramenta de convencimento e de propaganda do sistema capitalista, que luta, diuturnamente, pela supremacia das classes sociais hegemônicas, das corporações privadas e dos governos que dominam o establishment internacional, pois o Brasil é um dos países mais ricos do mundo, com um mercado interno gigantesco e que atualmente efetiva uma diplomacia não alinhada aos Estados Unidos, bem como tem a mesma postura com os países imperialistas da Europa, a exemplo de França e Inglaterra.

Por seu turno, salutar se torna também lembrar a atuação das empresas dos Marinho, no que é relativo aos comícios das Diretas Já. Em novembro de 1983, a Globo noticiava a movimentação de dezenas de milhares de pessoas como sendo a comemoração pelo aniversário da cidade de São Paulo. Ridículo e má fé na veia, porque o movimento cívico passou a acontecer nas principais capitais do País, a atrair milhares de pessoas em cada praça, que queriam o fim da ditadura e a volta das eleições diretas para presidente da República. Durante o comício, o povo gritou em tom uníssono: “O povo não é bobo abaixo a Rede Globo!” Este brado é uma manifestação antiga e que perdura até hoje, como bem se ouviu nas manifestações de junho deste ano.

Eu estive no comício das Diretas Já que ocorreu em abril de 1984, na Candelária, no Rio de Janeiro, evento que me deixou impressionado, porque a multidão de um milhão de pessoas ocupou a Avenida Presidente Vargas, bem como as ruas transversais e adjacentes à avenida. Como sempre, os principais meios de comunicação se comportaram contrários ao movimento de massas ou atuaram de forma dúbia, para depois aderir. É o caso da Folha de S. Paulo, propriedade da família Frias, que apoiou os comícios, ao tempo em que colocava no alto da capa do jornal uma faixa verde e amarela.

A Folha, aquela mesma que emprestava os seus carros para os agentes do DOPS — instituição tenebrosa comandada pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury — carregarem os presos políticos, muitos deles torturados e mortos pela repressão à esquerda armada. A mesma Folha que há 11 anos efetiva e repercute uma campanha insidiosa contra os governos trabalhistas de Lula e Dilma e que busca, incessantemente, por intermédio de matérias e notas, algumas implantadas e encomendadas, desqualificar as ações do Governo, desconstruir as imagens dos dois mandatários do campo da esquerda e desvalorizar as conquistas socioeconômicas do povo brasileiro.

Entretanto, e apesar de tudo, a Globo nunca desistiu de manipular e distorcer as informações, se necessário. Quando as manifestações de junho começaram, os comentaristas, blogueiros e colunistas empregados da imprensa de mercado trataram logo de desqualificá-las. Boris Casoy e Arnaldo Jabor, dentre muitos outros, foram os mais emblemáticos, porque se apressaram para criticar os protestos açodadamente e até mesmo colericamente.

Com o decorrer das inúmeras manifestações, os jornalistas mudaram de opinião como se troca de camisa e passaram a elogiar as manifestações porque perceberam que poderiam atingir o Governo Federal, além de evidentemente ficar mais do que óbvio que grande parte dos manifestantes eram e ainda o são conservadores, “apartidários” e “apolíticos”, como se autodenominavam, além de inquestionavelmente serem integrantes de uma classe média antipetista e insatisfeita com a ascensão de mais de quarenta milhões de brasileiros que entraram na classe média baixa, ou seja, transformaram-se em consumidores, de acordo com o que compram e recebem por mês.

Em muitas manifestações, os protestantes empunhavam cartazes contra a Globo e a cartelização do setor de comunicação no Brasil. Repórteres da Globo foram vaiados, xingados e até mesmo ameaçados de agressão física, o que é um absurdo, mas aconteceu. Rapidamente os diretores da Globo perceberam que os protestos poderiam chegar às sedes da Globo e por isto mudaram de postura em relação às manifestações. Os repórteres para não serem agredidos ou ofendidos retiraram a logomarca da Globo de seus microfones.

Posteriormente, os jornalistas se retiraram da “muvuca” e se afastaram das multidões. Passaram, então, a cobrir os eventos por intermédio de helicópteros. Incrível, mas aconteceu, e a Globo ainda insiste em mostrar uma imagem positiva de si mesma de que grupos de manifestantes não são contrários à Globo, empresa que desde 1965 quer pautar os governantes e os parlamentares deste País, bem como determinar o modo de vida do povo brasileiro.

E agora a pergunta que insiste em não calar: Como a Globo, as suas coirmãs e os proprietários dos diferentes meios de comunicação vão se comportar quando manifestações, a exemplo de “Um Dia Sem A Globo” começarem a chamar atenção do público, que vai protestar em frente as sua principais sedes? Tem de ficar claro que aos barões da imprensa que esses manifestantes certamente não vão ter o mesmo perfil político e ideológico da maioria dos manifestantes de junho, que se diziam, de forma ridícula e perigosa para o sistema democrático, “apolíticos” e “apartidários”, ou seja, despolitizados.

Certamente que os protestos vão ser realizados por pessoas que votam em políticos e partidos de esquerda ou não, que são membros de associações, ongs e sindicatos, bem como atuam em movimentos populares, que lutam pela democratização do sistema midiático no Brasil, que, efetivado, vai propiciar melhor acesso à informação, além de efetivar um processo de disseminação da banda larga rápida e mais barata em todo o País.

Além disso, pessoas do povo e também das classes médias tradicional e alta também vão participar dos protestos contra a Globo e a favor do fim do monopólio nos meios de comunicação. Afinal, existem muitos indivíduos de classe média que fazem questão de serem cidadãos politizados, que votam em políticos e em partidos, bem como acreditam que o Congresso tem de ser protegido e prestigiado para não ser fechado, como ocorreu na ditadura militar.

Acreditam ainda que a Casa do Povo, de forma alguma, pode ser tutelada, por exemplo, pelos barões da imprensa de negócios privados e pelo Poder Judiciário, onde atuam juízes, como o Gilmar Mendes, useiro e vezeiro em intervir nos trabalhos do Parlamento, e o Marco Aurélio de Mello, este último, ora veja, teve a desfaçatez e a insensatez de afirmar que “a ditadura foi um mal necessário”. Fazer o quê, né? Durma-se com um barulho desse ou compre tampões para os ouvidos.

A verdade é que a presidenta Dilma Rousseff estancou os movimentos e os encontros que tratam da democratização dos meios de comunicação no Brasil. O Governo trabalhista tem uma péssima Secretaria de Comunicação (Secom) chefiada pela jornalista Helena Chagas. A Secom é inoperante, pois, além de não divulgar os trabalhos, os programas, os projetos, as obras e as ações do governo, também não o defende quando é necessário.

Não sei o que acontece com a jornalista Helena Chagas, que transformou a Secom em apenas uma repassadora de verbas publicitárias para os meios de comunicação privados, que há décadas deitam e rolam com esses recursos, sendo que o retorno contumaz é o ataque sistemático contra o Governo trabalhista. Um Governo que, como se estivesse amarrado e amordaçado, não consegue ao menos se defender. Lamentável. Um absurdo.

A não implementação de um marco regulatório para os meios de comunicação é um verdadeiro tiro no pé para os interesses do País, que fica à mercê dos ditames dos homens de negócios e de uma oposição partidária totalmente vinculada ao sistema de capital. A ausência de um marco regulatório é como se um granjeiro não tivesse a ajuda de um cão para afastar as raposas de sua granja. A regulamentação das mídias consta nada mais e nada menos na Constituição de 1988. Ponto.

A presidenta trabalhista está a fazer ouvidos moucos, porque não escuta um enorme contingente da sociedade organizada que luta para a lei ser cumprida, afinal a regulamentação é assunto constitucional. Diferentemente do presidente Lula, Dilma insiste em cruzar os braços, mesmo a saber que os países mais importantes do mundo regulamentaram esse importante setor da economia, que não pode ficar ao bel-prazer dos barões midiáticos, imperialistas e que detestam o Brasil e desprezam o povo brasileiro.

O projeto de marco regulatório para as mídias, do jornalista e ex-ministro de Lula, Franklin Martins, deve estar completamente empoeirado e com cheiro de mofo. Martins viajou para vários países para obter informações sobre os marcos regulatórios efetivados pelos governos, com o apoio dos seus respectivos parlamentos. Voltou para o Brasil, reuniu um grupo de estudos e apresentou a proposta para o presidente Lula, que o enviou para o Ministério das Comunicações para ser avaliado e estudado. Até hoje o projeto está em alguma gaveta ou armário do ministério. Dilma Rousseff cruzou os braços e o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, agradece penhoradamente, porque há muito tempo ele faz o jogo dos que têm o domínio do sistema midiático comercial e privado.

Há muitos anos ouço falar que as Organizações(?) Globo devem ao fisco, às instituições bancárias estatais e coisa e tal. Recentemente tem sido publicado na blogosfera e em alguns veículos de comunicação hegemônicos, como a “insuspeita” Veja, que na coluna Radar, do jornalista Lauro Jardim, publicou a seguinte nota: Depois de uma longa discussão jurídica, o Leão rugiu mais alto: a Globo perdeu e terá que pagar 2,1 bilhões de reais à Receita Federal por operações que resultaram em um recolhimento menor de impostos. Das setenta grandes empresas autuadas em procedimentos semelhantes, a Globo foi a única cujos argumentos não foram aceitos. Cabe, no entanto, recurso.

Como se observa, o blá blá blá antigo de que a Globo deve e sonega se concretizou. Contudo, venhamos e convenhamos, não é necessário ser um gênio ou matemático ou fiscal ou contador ou economista para que se possa desconfiar da riqueza bilionária de um pool de empresas, que cresceu e se consolidou na ditadura militar, e que no passado escolhia e nomeava até ministro da Fazenda, a exemplo do senhor Maílson da Nóbrega, que certa vez afirmou, para quem quisesse ouvir e acreditar, que foi sabatinado pelo magnata Roberto Marinho, para logo depois do encontro receber um telefonema de que seria ministro da Fazenda. Esses episódios aconteceram em 1987.

Enquanto isso, espera-se pela regulamentação das mídias e a democratização dos meios de comunicação, como tal acontece nos países europeus desenvolvidos e nos Estados Unidos, referências de nossas “elites” bárbaras, de passado escravocrata e apoiada por uma classe média que cinicamente e hipocritamente se autodenomina “apolítica” e “apartidária”. Só que a Globo está com a barba de molho, porque as manifestações de junho vão chegar às suas portas. Afinal, os protestos, indubitavelmente, foram também contra a “Vênus Platinada”. É isso aí.