segunda-feira, 26 de novembro de 2012

João Mendes de Jesus: "o Rio não pode mais perder"

Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre

Vereador João Mendes de Jesus: "O esvaziamento do Rio é o esvaziamento do Brasil".
O vereador João Mendes de Jesus (PRB/RJ) disse hoje, na Câmara dos Vereadores, que o povo carioca e fluminense, os empresários e as autoridades eleitas estão preparados para defender os interesses econômicos e financeiros do Estado do Rio de Janeiro. Segundo o parlamentar, o Rio não pode mais perder os recursos de seu orçamento e muito menos ser esvaziado, como ocorreu quando deixou de ser a capital do País, foi vítima de uma fusão imposta pela ditadura militar, além de ter, durante décadas, perdido a influência política junto ao Governo Federal.
O político republicano disse ainda que a população do Rio está mobilizada e vai se reunir em um grande ato de protesto nos arredores da Candelária e na Cinelândia e mostrar para Brasília que o Projeto de Lei nº 2.565 vai contra os interesses do Rio quanto aos royalties e à legislação aprovados pelo Congresso. Para o vereador, a matéria subverte os direitos do Estado fluminense como o principal produtor de petróleo do País e que, certamente, teria as maiores receitas oriundas do Pré-Sal, além de ter contratos já assinados e sacramentados rompidos, o que sem sombra de dúvida, acarretaria uma briga sem fim no Judiciário.
         “O projeto aprovado no Congresso tem de ser vetado pela presidenta Dilma Rousseff. Como está não pode ficar, porque perderemos, em 20 anos, R$ 77 bilhões, sendo que R$ 3,4 bilhões, agora, em 2013, o que é um absurdo e um esvaziamento da economia fluminense que se torna perigoso, pois somos o segundo estado da Federação e temos uma região metropolitana com 10 a 11 milhões de habitantes, além de sermos o principal polo turístico do Brasil. O bordão é “Veta Dilma!”, porque esse projeto é uma covardia contra os interesses do povo do Rio de Janeiro” — afirma João Mendes de Jesus.
         O político ressaltou ainda que as receitas do petróleo recebidas pelo Rio são cerca de R$ 500 milhões de reais por ano. Com a diminuição do orçamento, setores como a saúde, a segurança e a educação vão sofrer um impacto muito grande, porque vão ter também suas receitas diminuídas. João Mendes de Jesus alertou ainda para o fato de o dinheiro arrecadado grande parte é para o pagamento dos aposentados, que não poderiam, de forma alguma, serem prejudicados. Entretanto, pondera o vereador, a saúde e a educação, de imensa importância social, teriam suas receitas diminuídas, o que acarretaria uma enorme crise para o Estado e a cidade do Rio de Janeiro.

ENTREVISTA - JOSÉ GENOÍNO



O Blog Palavra Livre reproduz entrevista de José Genoíno  concedida ao Portal Conversa Afiada, do jornalista Paulo Henrique Amorim.


PHA – Deputado José Genoíno, o senhor foi condenado pelo fato de ter assinado dois cheques avalizando empréstimos considerados fantasmas, quando o senhor era presidente do PT. Como o senhor se defende disso?

Genoíno – Em primeiro lugar, Paulo Henrique, os dois empréstimos que eu assinei, um com o Banco Rural e outro com BMG, esse dois empréstimos foram registrados na contabilidade do PT junto à Justiça Eleitoral.
Quando eu saí da Presidência, eles foram cobrados judicialmente, inclusive com minha conta bloqueada, com a do PT. O presidente do PT que me substituiu, Ricardo Berzoini, negociou com os advogados dos bancos e com os advogados do PT o pagamento dos empréstimos em quatro anos. Eles foram pagos com aval judicial.

Portanto, a Justiça cobrou e a Justiça avalizou o pagamento em quatro anos. Não foi em 2011, foi de 2007 até 2011. Os empréstimos, portanto, são atos jurídico perfeitos e absolutamente legais.


PHA – O senhor foi condenado, porém, por ter conhecimento,  domínio de fatos considerados ilegais e criminosos. Como o senhor avalia esse tipo de interpretação? De que o senhor tinha domínio dos fatos de uma ilegalidade, e, por fim, de uma criminalidade.

Genoíno – Eu sempre disse, desde a minha primeira defesa na apresentação da denúncia, que eu estava sendo acusado, e fui condenado, por ser presidente do PT. Não pratiquei nenhum ato ilícito nem criminoso. Os empréstimos são legais. E as reuniões que eu fazia eram para cumprir minha missão como presidente do PT. Não só em relação à base do PT, como em relação às forças aliadas. Portanto, eu fui condenado por ser presidente do PT.
Eu considero que isso é o que se chama no direito penal de “responsabilidade objetiva”.  E a “responsabilidade objetiva”,  que é uma releitura da teoria do domínio do fato,  não exclui a necessidade de ter provas. O próprio autor dessa ”teoria Roxin”,  um alemão [Claus Roxin], afirma que o domínio do fato exige prova concreta.
Portanto, eu me considero inocente, eu estou com a minha consciência tranquila. Cumprirei as imposições do Supremo Tribunal Federal. No Estado Democratico de Direito, a gente cumpre o que as instituições e o que os poderes determinam.  Mas,  continuarei até o fim da minha vida a lutar pela minha inocência e pela história da minha vida.
A minha vida, Paulo Henrique, a minha vida, de 47 anos de militância, sempre foi dedicada a causas. Movimento estudantil de 68, guerrilha do Araguaia, cinco anos como preso político, fundador do PT, 24 anos como deputado federal, e a minha vida não representou acúmulo de riqueza e de bens. Eu tenho, portanto, a minha inocência e a minha dignidade pra defender e vou defender. Mesmo, democraticamente, cumprindo as determinações do Supremo Tribunal Federal.


PHA – O senhor tem como pagar a multa de 468 mil reais?

Genoíno – Eu não tenho bens. O único bem que tenho é uma casa que eu comprei com o BNH, quando assumi o cargo de deputado federal em 1983, e moro na mesma casa desde 1984. Não tenho outro bem e nenhuma fonte de renda. Eu vivo com uma aposentadoria complementar que eu paguei desde 83, portanto há 29 anos.


PHA – Como deputado federal ?

Genoíno – É, mas como previdência complementar. Tenho uma vida modesta, trabalho na minha casa, não tenho escritório, não tenho assessoria, trabalho na minha casa, onde moro há 28 anos e é isso… Minha família é muito simples. Aliás, o meu pai costuma dizer uma coisa: ‘meu filho, você é o filho mais velho, ia ser o doutor da família e aí a política lhe tirou da universidade’. Eu não me formei, o AI5 me excluiu da universidade, pelo (decreto) 477.  Eu queria sair da roça para estudar. Voltei para a roça pra fazer a resistência contra a ditadura na guerrilha do Araguaia. Depois, fiquei cinco anos preso,  virei deputado federal por São Paulo, um estado grande, que não conhecia e não fiquei rico.
Portanto, Paulo Henrique, o meu destino é lutar. Eu sou um militante de ideias, eu sou um militante de causas, eu sempre fiz isso no Congresso, sempre fiz no movimento de fundação do PT, no movimento estudantil. Eu estou muito tranquilo, e eu vou – evidentemente, o processo não acabou, existe a fase de recurso, existe um processo ainda em curso – eu vou continuar sempre lutando pela minha inocência. Jamais aceitarei a humilhação e a subserviência. Respeito e cumprirei as imposições do Supremo Tribunal Federal, repito, mas sempre vou discuti-las.


PHA – O senhor cogita de recorrer a alguma instância internacional ?

Genoíno – Essa questão nós não discutimos ainda, eu não conversei com os meus advogados, porque nós temos um processo em curso no Brasil. O processo ainda não acabou. Nós temos a fase da publicação do acórdão. Depois temos a fase dos recursos na forma de embargos. Espero que esse clima de criminalização, esse clima maniqueísta, dê lugar a um clima de lucidez, a um clima de individualizar as condutas, de examinar prova.
O processo penal não pode ser binário. Nós não podemos ficar à mercê de uma grande mídia que fez campanha pela condenação. Nós não podemos ficar à mercê de um maniqueísmo do bem contra mal. Isso já causou grandes prejuízos à humanidade. Eu sou um democrata, sou um militante de esquerda, sou um socialista. E dei a minha vida pela democracia. Por isso, eu respeito as instituições democráticas do meu país. O Executivo que é o poder que emana do povo, o Legislativo que é o poder que emana do povo, e o Supremo Tribunal Federal.  Eu não confundo as instituições com as pessoas das instituições.


PHA – O senhor sabe evidentemente que a maioria dos juízes do Supremo Tribunal Federal foi escolhida pelo presidente Lula e pela presidente Dilma, ambos do PT.  Como o senhor explica o comportamento do Supremo diante dos réus do PT?

Genoíno – Em primeiro lugar, eu não tenho elementos para examinar a conduta desse ou daquele ministro, e nem posso examinar. Eu tenho respeito pelo Supremo e não confundo a instituição com essa ou aquela pessoa. Em segundo lugar, isso é uma prova de que os governos do Lula e da Dilma não tiveram critérios partidários, nem políticos e nem ideológicos para escolher esse ou aquele ministro. Portanto, eu prefiro manter essa posição de equidistância em relação a avaliar as escolhas ou condutas desse ou daquele ministro. Eu, como democrata, respeito o STF, mesmo considerando minha condenação injusta, e me considerando inocente.


PHA – O senhor acha que o senhor vai assumir o mandato de deputado?

Genoíno – Isso não depende de mim, Paulo Henrique. O que dependia de mim foi conquistar 92 mil votos. Isso é um problema que depende da Constituição, artigo 55. Depende da Câmara. Eu entendo que haverá uma relação de independência e de autonomia entre os três poderes, que é fundamental na democracia. Nós que lutamos tanto pela democracia, queremos que os poderes tenham uma relação harmoniosa, independente e autônoma. Espero que isso tenha uma solução. Isso não depende de mim, o que dependia de mim, repito, foi concorrer à eleição e ter 92 mil votos.


PHA – Como o senhor vai continuar, depois dessa condenação, como político?

Genoíno – Olha eu sou militante político, independente do cargo, independente da roupa que vou vestir. Porque eu fui militante político quando eu estava na selva, eu fui militante político quando eu estive cinco anos preso, fui militante político quando dava aula em cursinho… Enfim, sou militante político. A política é a minha vida, a política tá no meu sangue, nos meus neurônios, eu não vivo sem a política, em qualquer situação eu vou fazer política. Às vezes é um gesto, um hino, às vezes é um olhar, às  vezes é um microfone, às vezes é uma fala. Teve épocas que a gente fazia política cantando, quando a gente  tava incomunicável. E apanhava porque cantava. Então, a vida nos ensina que a política pode ser feita das mais diferentes formas. Não há um padrão de como fazer política. Eu vou ser sempre um político, e me orgulho da minha história política. Não me arrependo do que fiz, sempre me dediquei às causas cem por cento, nunca tive medo do risco, nunca tirei a cara do risco, e nem coloquei a culpa nesse ou naquele companheiro. Eu só assumo as minhas responsabilidades.


PHA – O senhor se referiu ao papel da imprensa no julgamento da ação penal 470, e eu lhe pergunto: como o senhor explica que  nem Lula nem Dilma tenha tomado qualquer posição institucional  em relação à hegemonia, por exemplo, da Rede Globo, que teve papel tão importante no julgamento do mensalao ?

Genoíno – Bem, Paulo Henrique, em primeiro lugar, eu conheci o lado poético e o lado sanguinário da mídia. Você sabe, teve uma época em que eu era a estrela da mídia. Inclusive quando eu conheci você pessoalmente, em um debate, quando eu representava a Câmara dos Deputados, em Nova York. E você me levou a um debate numa universidade.


PHA – Quando o senhor era o chamado de “o PT que pode entrar na Rede Globo”.

Genoíno – É, e eu conheci também o lado sanguinário, o lado perverso, o lado do julgamento, o lado da campanha, o lado do julgamento de qualquer jeito. Eu  lutei pela liberdade de imprensa na Constituinte  e vou continuar defendendo  a  liberdade de imprensa.
Segundo, eu acho que a informação é um bem público, nem estatal e nem privado, a informação é um direito da cidadania.
Terceiro, eu acho que tem que haver uma democratização. Não tem nada a ver com censura. A mídia não pode interditar esse debate. A mídia não pode, de maneira maniqueísta, dizer: ‘qualquer pessoa que discute esse assunto quer censura’. Ninguém quer censura. Quem se autocensurou, quem foi censurado – e a maioria da imprensa se autocensurou na época da ditadura – não fomos nós, que lutamos contra a ditadura. Portanto, eu fico muito à vontade.
Agora, sobre a posição dos dois governos, eu respeito as escolhas, as opções que são feitas. Acho que a questão também depende do Congresso Nacional.  Não se trata de ser contra A, B ou C, se trata de democratizar o acesso à informação. É disso que se trata, e acabar com essa visão maniqueísta, porque, no Brasil, a imprensa funciona como aquilo que o Gramsci fala: é o partido do status quo, o partido da ordem. Então, isso é um desafio que tem de ser enfrentado democraticamente, sempre reafirmando a liberdade de imprensa como um valor fundamental.

sábado, 24 de novembro de 2012

O choro de Boris Casoy e o sorriso do gari Francisco Gabriel



Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre


 Réveillon de 2009. Horas antes da virada de ano. O tom do comentário foi de desprezo, ironia, torpeza, e, mais do que tudo: profundo preconceito social, pois arraigado em sua alma elitista, e, ao que parece, em seus mais secretos princípios, guardados em segredos e somente pronunciados àqueles que o Boris Casoy considera como seus iguais.

"Que merda! Dois lixeiros desejando felicidades do alto das suas vassouras. O mais baixo na escala do trabalho" — comentou, o mordaz e inconformado Casoy ao seu colega, Joelmir Beting, politicamente tão conservador como ele, com a presença de garis na tela da Band, a desejarem “feliz ano novo” no intervalo publicitário do Jornal da Band.

Eis que um dos garis, o senhor Francisco Gabriel de Lima, tal qual ao “âncora” da Band ficou igualmente inconformado com tamanha falta de respeito, e, sentindo-se humilhado ainda mais porque milhões de telespectadores ouviram tais impropérios do veterano jornalista, procurou seus direitos na Justiça, que depois de quase três anos condenou a TV Bandeirantes e o jornalista Boris Casoy a pagarem R$ 21 mil ao trabalhador que se sentiu ofendido, desconsiderado.

O gari Francisco, em 2009, na Band (d): processo na Justiça e indignação. 
  À época, ao saber que o áudio foi ao ar e ao vivo e com isso permitiu que sua opinião sobre os garis estava a ser visualizada e ouvida por milhares de internautas, o conservador jornalista decidiu se retratar em público e na tevê. Casoy afirmou que suas palavras foram “infelizes” e pediu “profundas” desculpas aos garis e a todos os telespectadores

Eu vi e ouvi suas desculpas, pois soube do grande furo na internet por intermédio de amigos, de colegas de trabalho e fiquei atento para assistir o Jornal da Band. Contudo, Casoy se desculpou mecanicamente, conciso, lacônico, quase a demonstrar tédio ou enfado. Percebia-se a má vontade e a falta de arrependimento para se desculpar, bem como sua incondicional e inseparável arrogância. Não poderia ser o contrário, afinal ele integra um grupo de jornalistas que trata seus patrões como colegas, quando na verdade são empregados, de confiança, lógico, mas sempre empregados.

A família Saad, proprietária do Grupo Bandeirantes, não gostou da determinação da 8ª Câmara de Direito Privado de São Paulo e já anunciou que vai recorrer, porque está inconformada em ter que pagar o gari, ou seja, ressarci-lo por o seu empregado ter humilhado, em público, os garis que saudaram os telespectadores da Band, com o desejo de um próspero ano novo. O advogado da família midiática considera que o gari “quer ganhar dinheiro fácil”. Além das palavras ríspidas e grosseiras do Boris, o trabalhador tem de ouvir picardia barata como essa.

"Vou ajudar os garis a limpar toda essa sujeira das ruas e da imprensa".
         

Nada é tão emblemático e sintomático quando ouvimos advogado como esse, porque temos a oportunidade de confirmarmos mais uma vez a forma cruel e preconceituosa de agir da burguesia brasileira, separatista, arrivista, hedonista e que luta, incessantemente, por um País VIP, para poucos privilegiados, como se fosse um clube privê à disposição dos herdeiros ideológicos da escravidão viverem intensamente seus sonhos de superioridade racial, de classe e de consumo a seus bel-prazeres.

Para os inquilinos das classes abastadas e hegemônicas, a intenção do gari de ganhar dinheiro (mesmo com a determinação do Judiciário) não condiz com sua classe social e sua origem natural. Os capitalistas poderosos pensam assim, sem sombra de dúvida. Essas coisas se percebem quando ouvimos o gari Francisco alegar que “jamais pensou que sua participação”, no intervalo do Jornal da Band, acarretaria em “preconceito e discriminação”.

O TJSP considerou que “as desculpas {do Casoy} não são suficientes para reparar o dano causado ao gari”, e ponderou: “Francisco Lima avisou aos familiares que iria aparecer na televisão”, e completou: “Lamentável ocorrência efetivamente ofendeu a dignidade do autor (gari)”. Os Saad donos da Band não aceitam e acham que o gari está a se aproveitar para ter vantagens monetárias. É dessa forma que os barões da imprensa, os donos das mídias de negócios privados agem, se comportam.

Quem ri agora é o gari Francisco Gabriel.

O gari de origem pobre e nordestina, acompanhado de um colega, é humilhado e sua profissão, uma das mais úteis e importantes para a sociedade ao tempo que de alta insalubridade, tem sua queixa atendida pelo Judiciário, que, ao contrário do que fizeram no STF, não foi necessário distorcer e manipular a tese do “domínio do fato” para verificar e compreender que o senhor Boris Casoy “pisou na bola” e, como ensina o adágio popular: “Quem fala de mais dá bom dia a cavalo”.  É isso aí.

CLIQUE AQUI  E LEIA ARTIGO E VEJA O VÍDEO DE BORIS CASOY





sexta-feira, 23 de novembro de 2012

NOTA DO PT RESPONDE A MARCONI PERILLO

Blog Palavra Livre

 

PARTIDO DOS TRABALHADORES

 

GABINETE DA LIDERANÇA NA CÂMARA DOS DEPUTADOS

 

NOTA DA BANCADA DO PARTIDO DOS TRABALHADORES NA CÂMARA DOS DEPUTADOS SOBRE AS RELAÇÕES PERIGOSAS DO GOVERNADOR MARCONI PERILLO COM O “EMPRESÁRIO” CARLOS CACHOEIRA

 

A nota oficial do governador Marconi Perillo em que tenta desqualificar o relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investigou o senhor Carlos Cachoeira apenas revela uma tentativa desesperada de salvar seu mandato e seu governo, em razão dos vínculos estreitos e perigosos mantidos com a organização criminosa chefiada por Cachoeira.

Diferentemente do que afirma o chefe do Executivo goiano, trata-se de um relatório sereno, coerente e contundente na demonstração de que o governador e a alta cúpula de seu governo estavam à mercê dos desígnios de uma organização criminosa incrustrada no estado de Goiás.

O relatório demonstra com riqueza de detalhes, substanciado em provas amealhadas pela Polícia Federal durante vários meses de investigação e em documentos em poder da CPMI, que o governador Marconi Perillo havia firmado, já durante a campanha que o levou ao governo de Goiás, uma verdadeira parceria política e econômica com a sociedade Delta/Carlos Cachoeira naquele estado.

A participação do governador Perillo na CPMI, longe de significar um gesto de lisura ou compromisso ético, foi, ao contrário, uma manobra preparada para tentar afastar suas vinculações com Carlos Cachoeira, como se viu em toda a farsa criada em torno da venda de sua casa para o criminoso.

A investigação realizada pela CPMI apontou com clareza que o governador efetivamente beneficiava o grupo Delta/Cachoeira, nomeava para cargos estratégicos em seu governo pessoas indicadas pelo chefe da organização criminosa e, em troca, recebia recursos financeiros e outros favores da quadrilha.

O trabalho sério da relatoria mostrou para todo o Brasil, e principalmente para a sociedade goiana, que, além do próprio governador, vários secretários, procuradores de Estado e auxiliares diretos do governo de Goiás também haviam aderido à organização criminosa, em troca de vantagens financeiras diversas.

Diferentemente do que afirma o senhor Perillo, o relatório faz uma investigação ampla da empresa Delta para além da região Centro-Oeste e aponta todos os indícios, inclusive com a identificação de mais de 116 empresas, de irregularidades que poderão ser aprofundadas pelo Ministério Público e pela própria Polícia Federal.

Não há revanchismo, perseguição ou espírito de vingança por parte do relator. O relatório final da CPMI retrata uma situação que já se mostrava pública. Caberá agora ao governador explicar à sociedade brasileira o motivo que levou seu governo ser partilhado e, em grande parte, conduzido efetivamente pelo chefe de uma das maiores organizações criminosas já estruturadas no país.

Dilma barateia energia, Fiesp volta apoiá-la e Aécio defende acionistas

Por Davis Sena FilhoBlog Palavra Livre

Propaganda da Fiesp cobra atitude positiva em prol de energia mais barata no País.
  A Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) deu início, após um tempo em silêncio, à campanha publicitária nos meios de comunicação privados para cobrar apoio dos congressistas para que seja aprovada a Medida Provisória nº 579, de autoria da presidenta Dilma Rousseff, que tem por propósito diminuir a conta de luzo preço das tarifas de energia e dessa forma incrementar e fortalecer ainda mais a economia interna do País
 
 Porém, nem sempre o caminho está livre, e, consequentemente, os obstáculos tem de ser superados.  A pedra no caminho se chama Aécio Neves (PSDB), senador tucano, ex-governador de Minas Gerais e que representa os interesses dos acionistas privados das companhias de energia. Aécio é o lobista mais importante que luta contra a redução da conta da luz, compromissado que é com aqueles que tem muitas ações na Cemig e não querem ter seus lucros diminuídos, mesmo se for em detrimento dos interesses da população brasileira e dos capitães da indústria, que há anos pedem tarifas de energia mais baratas. Tucanos, os que venderam o Brasil, realmente trabalham pelo capital o privado é claro. Não tem jeito. São viciados.

     A campanha publicitária para baixar o preço da energia iniciou após a presidenta trabalhista Dilma Rousseff chamar às falas a Fiesp e seu presidente, deputado Paulo Skaf (PSB/SP), além de ter questionado também o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Eugênio Gouvêa Vieira. Os empresários reclamavam que o custo da energia elétrica no Brasil estava a prejudicar a competitividade da indústria nacional. Só que os dois capitães da indústria, de forma estranha, calaram-se por vários dias.
Skaf: discurso não é coerente com sua conduta. Silêncio e depois apoio ao decreto de Dilma.
    Dilma, então, assinou a MP 579, que estabelece novas regras para o setor elétrico brasileiro e estima uma redução média de 20,2%. A MP trata da renovação antecipada da concessão das usinas hidrelétricas que estão prestes a vencer, o que propiciará a redução das tarifas de energia. Entretanto, para sua surpresa, a presidenta passou a enfrentar resistência de parlamentares de oposição e até mesmo de alguns da base do Governo que são ligados às empresas geradoras de eletricidade, a maioria empresas estatais sob a administração de governadores do PSDB, conduta de típicos tucanos neoliberais que não causa nenhuma surpresa.
     Os empresários da indústria, os que mais abriam a boca por causas dos custos da energia e os maiores beneficiados pelo marco regulatório do governo, malandramente ficaram quietos, diferente do que fizeram na época da CPMF, quando foram até a Praça da Sé e montaram um circo para que o Congresso não a prorrogasse, o que causou sérios prejuízos no que  é concernente à arrecadação do SUS. 
     Com a pressão da presidenta trabalhista, eles resolveram se mexer, porque ficariam muito mal na fita perante a categoria empresarial, o povo brasileiro, além de terem sido duramente questionados pelo Governo. Contudo, nada a estranhar, grandes empresários formam uma classe corporativa, de perfil neoliberal, e nem sempre o que apregoam reflete a verdade de suas intenções.
Gouveia reclamava do preço da energia, calou-se e agora apoia o Governo.
     Skaf é deputado pelo PSB, mas, evidentemente, tal homem de negócios não é socialista. Está no PSB por questões de espaço ou porque achou charmoso ser um grande empresário e ser filiado a um partido cuja sigla tem a palavra "socialista". Quando Paulo Skaf foi candidato ao governo de São Paulo em 2010, ele apresentou a seguinte proposta digna de um neoliberal: cobrança de mensalidade nas universidades públicas, além de outras propostas que nem vale à pena citar.
      Não sei até que ponto e os motivos pelos quais os dois principais dirigentes da poderosa indústria brasileira quase recuaram. Os acionistas das companhias transmissoras de energia elétrica são poderosos, muito ricos, estrangeiros e brasileiros, que não tem compromisso com o Brasil por serem rentistas. A mesma coisa acontece com a telefonia e a banda larga. 
       A verdade é que os governos tucanos de FHC — o Neoliberal — jamais deveriam alienar bens públicos e estratégicos para o País, como o fizeram com a Telebras e a Vale do Rio Doce. Deu no que deu: tarifas altíssimas, decumprimento de contratos, liderança de reclamações nos Procons e a negativa de disseminar a telefonia e a banda larga por todos os rincões do Brasil.

Dilma quer fortalecer a economia do País. Aécio defende o bolso de acionistas.
          Por seu turno, os presidentes da Fiesp e da Firjan resolveram aderir as ações do Governo Federal, bem como já deram início à campanha para que os preços de energia caem, tanto no âmbito doméstico quanto no empresarial — industrial. É por intermédio da observação atenta que passamos a conhecer aqueles que são lobos e usam peles de ovelhas. Pelo menos eles reformulam suas ações até então muito questionadas. Antes tarde do que nunca. É isso aí.