terça-feira, 13 de outubro de 2015

Dilma tem de ir à TV enfrentar o golpe e dar os nomes dos "bois"

Por Davis Sena Filho — Palavra Livre


Há muito tempo a presidenta Dilma Rousseff deveria ter ido à televisão para enfrentar duramente os conspiradores do golpe e citar um por um para o povo brasileiro saber quem é quem nesta história de horrores, porque golpe contra mandatários que não cometeram crimes comuns e de responsabilidade é realmente uma coisa terrível, vide o golpe civil-militar de 1964, que durou intermináveis 21 anos.

Como agora a direita de índole escravocrata deste País não conta mais com os generais, e, ao que parece, as vivandeiras de quartéis estão extintas ou não tem mais espaço para choramingar o choro de crocodilo nos ombros dos militares, resta a essa gente irresponsável optar pelo golpe paraguaio, que, cinicamente e hipocritamente, tenta dar uma conotação de legalidade e legitimidade ao crime de derrubar presidentes constituídos pelo povo brasileiro por intermédio das urnas e de sua vontade soberana.

Evidentemente se percebe, até com certa facilidade para quem não se deixa ser tratado como idiota, que golpe sem motivos concretos é crime, bem como quem comete crimes é considerado criminoso, e fim de papo. Quem apoia criminoso, mesmo se não colocar diretamente a mão na massa, torna-se cúmplice, como ocorreu, vale lembrar novamente, com muitos brasileiros ideologicamente conservadores no ano desastrado de 1964.

Contudo, está mais do que na hora de a presidenta Dilma Rousseff mostrar sua autoridade, que se alicerça em 54,5 milhões de votos, bem como na sua condição de mandatária, que tem poder para enfrentar golpistas sem limites, que não aceitaram a derrota eleitoral, principalmente no que concerne à conduta e à postura do tucano Aécio Neves, o pior perdedor de eleições na história do Brasil.

Aécio Neves é o típico garoto perna de pau, mas dono da bola, que encerra o jogo porque não consegue superar seus adversários. Conheci alguns garotos assim na minha infância. Vencedor de eleições até então, o tucano torna-se mau perdedor por ser um playboy mimado, que nunca tinha sido derrotado eleitoralmente e, mais do que isto, seus desejos e caprichos nunca foram-lhes sido negados. Porém, o foram em 2014, por força de determinação e vontade do povo brasileiro, que, por sinal, ele não respeita.

A partir desta derrota, Aécio "enloqueceu", radicalizou seu discurso e se tornou o golpista-mor do Brasil para a vergonha de seu avô, Tancredo Neves, que se fosse vivo e por causa de sua biografia combativa não iria compactuar com os caprichos de seu neto, playboy mimado, que resolveu guardar mágoas e rancores de sua derrota eleitoral no freezer, ao ponto de criar factoides sem fim, como sua viagem à Venezuela, que foi uma verdadeira pantomima.

É o fim da picada, em pleno século XXI, a pauta do Brasil imposta por uma imprensa privada de caráter corrupto e antinacionalista se resumir a golpe de estado, com um "colorido" mequetrefe de golpe jurídico-parlamentar à moda paraguaia, cuja finalidade, ridiculamente, é legitimar as más ações de criminosos que querem derrubar uma mandatária como se derrubassem mangas de árvores.  Durma-se com um barulho desses, porque é inacreditável a que ponto chegam os inquilinos representantes da casa grande, uma das mais preconceituosas, corruptas, ricas e violentas do mundo.

Dilma tem de ir à televisão e dizer que Aécio Neves, Carlos Sampaio, Agripino Maia, Ronaldo Caiado, Cássio Cunha Lima, José Serra, Fernando Henrique Cardoso — o Neoliberal I —, Sérgio Moro, delegados aecistas, Deltan Dallagnol e companhia, bem como Rodrigo Maia, Roberto Freire, Paulinho da Força, Álvaro Dias, Jair Bolsonaro, além de Gilmar Mendes, Aroldo Cedraz, Augusto Nardes, dentre muitos outros personagens da direita brasileira que frequentam os poderes da República, apostam em golpe contra o Brasil, a democracia, o Estado de Direito, a Constituição, as instituições republicanas e, principalmente, contra o povo brasileiro, como ocorreu em 1954 e 1964.

Autoridades de oposição que são inquilinas do Congresso, do STF, do TSE, do TCU, da Polícia Federal e do Ministério Público, que vazam criminosamente processos e inquéritos para a imprensa de mercado dos magnatas bilionários sonegadores de impostos fazerem uma oposição sistemática e completamente divorciada do jornalismo isento, investigativo e que ouvisse os dois lados de um mesmo episódio, a fim de permitir o contraditório.

Tal realidade que, de forma surreal, acontece também nos âmbitos da PF, da Justiça e do MP, que são instituições integrantes do Estado nacional e que, em hipótese alguma, deveriam agir e se comportar como empresas privadas descompromissadas com a Nação, a exemplo das mídias corporativas e familiares, que editam e repercutem um jornalismo de péssima qualidade editorial.  

Autoridades que formaram uma frente única de caráter conservador, que defendem seus interesses políticos, econômicos e ideológicos, com unhas e dentes, não dão ponto sem nó ao tempo que dão nó em pingo d'água, porque a finalidade, sem sombra de dúvidas, é conquistar a cadeira da Presidência da República antes das eleições de 2018, que poderá ter Lula como um dos candidatos favoritos. É tudo o que a direita antidemocrática brasileira, já desesperada, não quer: um presidente trabalhista novamente no poder.

A verdade é que os políticos de oposição tem muitos esqueletos escondidos em seus armários, notadamente o chefe da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que, apesar de ser do PMDB, sempre foi oposição as governos Lula e Dilma. Na presidência do Legislativo, Cunha se esmerou em efetivar pautas que prejudicassem o Governo Trabalhista e o País, bem como conspirou o tempo todo para que Dilma Rousseff fosse derrubada em um golpe por vias jurídicas e parlamentares.

Um verdadeiro absurdo, porque fatos são fatos e a verdade, nua e crua, é que a mandatária brasileira nunca cometeu crimes de responsabilidades. Dilma Rousseff não é o caso de Fernando Collor e, seguramente, jamais cairia sem reagir. Dilma tem base parlamentar, mesmo que atualmente frágil, mas que está a consolidá-la, de acordo com o enfraquecimento de Eduardo Cunha, que já abandonado pela mídia empresarial e pelo PSDB se tornou um cadáver político, bem como a reforma ministerial colocou os pontos em quase todos os 'is'.

Por seu turno, os militares querem distância do poder político, assim como os movimentos sociais apoiam a administração petista, mesmo a discordar de vários pontos, além de as confederações e federações sindicais, urbanas e rurais, estarem ao seu lado. A reação dos legalistas contra o golpe seria rápida e dura, as ruas seriam tomadas pelos brasileiros de bom senso e que não aceitam golpes tradicionais à base da força das armas, bem como os de embalagens matreiramente e sorrateiramente jurídicas, a fingir que são "legais". Pura hipocrisia...

Além disso, o Brasil não é um País de bananas, como o quer transformá-lo a direita brasileira, apátrida, antinacional e portadora de um incomensurável e inenarrável complexo de vira-lata, pois subalterna e subserviente à gringada, a quem a casa grande tanto admira e não se importa de perder a vergonha na cara, a fim de se submeter aos ditames dos países ricos e admirados pelas burguesia e pequena burguesia pusilânimes e ignorantes sobre a história do Brasil e de seu povo criativo, inteligente e corajoso. O povo é luxo. A burguesia é lixo, com exceções, obviamente.

Dilma Rousseff tem de fazer, o mais rápido possível, um pronunciamento em cadeia nacional e explicar, de forma didática, clara e objetiva o que está acontecer no Brasil, no que tange às tentativas de impeachment por parte da oposição, notadamente o PSDB e o DEM, com repercussão e cumplicidade das mídias nativas e de históricos lamentavelmente golpistas.

A presidenta trabalhista tem de dizer que Aécio Neves não aceitou a derrota e, por conseguinte, fomenta todo tipo de mentiras e manipulações para que o governo petista seja engessado, a impedir que se pense e debata o Brasil, bem como mostre os avanços conquistados pelo povo brasileiro.  A direita quer duas coisas: 1) derrubar, criminosamente, Dilma Roussef, em um golpe paraguaio; e 2) impedir o debate e, por sua vez, fazer com que o povo esqueça como sua vida melhorou nos últimos 13 anos. Ponto.

Dilma Rousseff tem de dizer: "Eu não roubo e não permito que roubem. Meu governo foi o que mais prendeu gente poderosa politicamente, economicamente e financeiramente, a exemplo de grandes empresários, funcionários públicos de alto escalão e políticos que se deixaram corromper. Meu governo prendeu os corruptos e, pela primeira vez, os corruptores. Sim, os corruptores, os mesmos que financiam os partidos que concorrem às eleições e dá no que dá: corrupção! Isto mesmo, o financiamento privado de campanhas eleitorais, que o PSDB, o DEM e o PPS, a imprensa familiar, certo juiz do STF, dentre outros personagens da direita brasileira apoiam. Mesmo a saber que campanhas financiadas por empresários são o mal principal da corrupção, essa gente lutou até o fim para que o financiamento continuasse, o que, felizmente, não aconteceu, porque a maioria dos juízes do STF não permitiu".   

Depois desta fala, Dilma deveria encerrar desse modo: "Jamais permitirei que me derrubem e que os votos dos brasileiros que votaram em mim sejam rasgados e jogados no ralo. Além disso, certamente que muitos brasileiros que não votaram em mim não apoiam golpes por serem legalistas e civilizados". Encerra-se a fala, com um "Boa noite". Ponto.

Dilma não vai cair, porque a direita está inconformada e histérica. Que esperem pelo ano de 2018. Depois veremos quem tem mais garrafa para vender. O Brasil não é e nunca será uma República das bananas. Jamais. Provinciana, subserviente e golpista é a "elite" também conhecida como casa grande. Quanto ao golpe, não somos indulgentes. Dilma tem de ir à TV enfrentar o golpe e dar os nomes dos "bois". É isso aí.






domingo, 11 de outubro de 2015

Globo estreia Lauro Jardim, ataca Lulinha e mostra todo seu jornalismo de esgoto

Por Davis Sena Filho — Palavra Livre

O Globo, como toda a imprensa de negócios privados e alma golpista, na verdade ataca o Lulinha para atingir o Lula, virtual candidato do PT às eleições presidenciais de 2018.
Lauro Jardim começou “com tudo” o seu ciclo no O Globo. Ou melhor, Jardim continua a fazer no jornal da famiglia Marinho o que sempre fez na Veja: fofoca, maledicência, meias verdades e notinhas que funcionam como mini torpedos para desqualificar e desconstruir os adversários de seus patrões, os magnatas bilionários monopolistas de todas as mídias cruzadas e que, historicamente, sabotam e boicotam mandatários de esquerda, são porta-vozes dos interesses da plutocracia e combatem, a ferro e fogo, a emancipação do povo brasileiro e a independência do Brasil.

Antes, Lauro Jardim se submetia aos interesses dos Civita, e, agora, está a soldo dos Marinho, que há 13 anos tratam as lideranças petistas na condição de inimigas de seus interesses ideológicos e econômicos, bem como o PT é considerado por essa gente apátrida e entreguista, mas politicamente imperialista, como um partido que tem de ser extinto, como retiraram a alma do combativo e tradicional PTB, de Getúlio Vargas, João Goulart e Leonel Brizola, que hoje é dominado por políticos oportunistas e conservadores, que colocam a sigla à venda e a serviço dos interesses da direita brasileira — a casa grande de índole escravocrata.

Lauro Jardim mostra ao seu “novo” patrão para o que veio. E começa com uma informação que ainda não é fato real ou verdade acontecida, pois suposta informação do lobista Fernando Baiano, velho conhecido do PSDB e do PMDB, que “abriu o bico” para sair da cadeia ao acusar o Lulinha, filho do ex-presidente Lula, alvo constante da direita brasileira, que há 13 longos anos repercute boatos e maledicências de que ele é “ladrão”, porque “dono” de quase tudo o que tem no Brasil, sendo que conseguiu ficar bilionário, tal qual a famiglia Marinho na ditadura militar, atual patroa de Lauro Jardim, no decorrer do Governo Lula.

Um absurdo, pois os vazamentos do MP do batman Dellagnol, da Vara do juiz Sérgio Moro, dos delegados aecistas são crimes e, portanto, pessoas antirrepulicanas, que deveriam responder por seus vazamentos e afastadas sumariamente de seus cargos e funções, porque tomaram partido, tem lado, são moralmente e politicamente seletivas e compactuam com os interesses golpistas, ou seja, apostam na ilegalidade constitucional, além de aliadas da oposição liderada pelo PSDB. Inaceitável, sem dúvida, que funcionários públicos vazem informações, porque decidiram, a seus bel-prazeres, tornarem-se políticos sem votos e, por sua vez, sem a posse de mandatos.

Ridículo, sendo que, certamente, Lauro Jardim está a jogar para o público, causar confusão para desinformar, com sua notinha mequetrefe e rastaquera, publicada neste fim de semana na capa do panfleto de direita, O Globo, pasquim ultraconservador e useiro e vezeiro em fomentar maledicências, e, consequentemente, dar combustível às acusações que serão propositalmente dimensionadas no Congresso e pela “boca” desenfreada da imprensa comercial e privada (privada nos dois sentidos, tá?), no decorrer de toda semana que vem. Notícias que farão de Lulinha bucha de canhão.

Até aposto, inclusive, que os parlamentares golpistas, que vicejavam sob o guarda-chuva do também golpista e já hoje cadáver político, Eduardo Cunha, serão capazes de pedir até uma CPI do Lulinha, porque a verdade, nua e crua, é que essa gente de direita está desesperada por não controlar o orçamento federal e muita mais ainda com a dura realidade de ter de enfrentar novamente uma virtual candidatura Lula, em 2018. As ilações não comprovadas da imprensa burguesa, como a nota mequetrefe de Lauro Jardim, são um desserviço ao jornalismo de informação e investigativo, bem como uma ode ao jornalismo de esgoto, tão a caráter da imprensa imperialista e proprietária da casa grande.

Certamente, o propósito dessa lama toda publicada na capa de O Globo tem a intenção de fazer com que o público pense que Lula deixou seu filho à vontade para roubar. Perceba, só, a política rasteira e o jornalismo de quinta categoria elaborado pela imprensa alienígena, que, na verdade, tal notícia do Lauro Jardim não é comprovada, pois apenas permite que se tenha dúvidas sobre o caráter e a honestidade do Lulinha. Absurdamente os patrões das mídias estão envolvidos até o pescoço com a desconstrução moral de Lula e por isso não medem consequências para derrotá-lo em 2018. E nada acontece com esses coronéis midiáticos, que são muito piores que os coronéis antigos dos sertões brasileiros.

Realmente é o fim da picada a imprensa irresponsável e de negócios privados deste País, cujos empregados que escreveram matérias moralmente danosas estão sendo processados pelo ex-presidente Lula. Eles estão obcecados e, com efeito, tratam de destruir a imagem do presidente mais popular e o mais conhecido internacionalmente na história do Brasil. Retaliação pura e diretamente aplicada na veia. Processe a imprensa mercantilista e veja no que dá? Retaliação, manipulação e mentira!

Quem mandou o PT em 13 anos no poder não efetivar o marco regulatório para as mídias no Brasil. Aí dá nisso. Empregados de patrões midiáticos a fazer o jogo sujo de seus interesses sem serem praticamente chamados a responder por seus crimes de injúria, calúnia e difamação. Magnatas bilionários de imprensa que há muito tempo deveriam estar a responder nas barras dos tribunais pelos seus crimes, a começar pelo apoio à ditadura militar, bem como responder duramente pelos crimes de sonegação de impostos, tráfico de influência, contrabando de equipamentos, empréstimos a bancos estatais não pagos e acusações a seus inimigos políticos sem provas por intermédio de seus meios de comunicação, que são verdadeiros instrumentos de dominação do mercado e dos trustes sobre o povo brasileiro.   

A resumir: para a direita brasileira, que está a morrer de medo de ser presa pela Polícia Federal sob o comando do Ministério da Justiça, que responde diretamente ao Palácio do Planalto, onde ocupa a cadeira da Presidência da República a presidenta Dilma Rousseff, do PT, derrotar o Governo e impedir o Lula de ser presidente é também uma estratégia de escapar da cadeia. E por quê? Porque os únicos governos que prenderam megaempresários, políticos e funcionários públicos de alto escalão foram os governos de Lula e Dilma. Ponto.

Os mandatários petistas nomearam procuradores-gerais e não um engavetador-geral, como era conhecido o procurador de Fernando Henrique Cardoso — o Neoliberal I —, cujo desgoverno privatista e entreguista não prendeu ninguém. Pelo contrário, os processos eram, sistematicamente, engavetados. A verdade é que muita gente da oposição está a morrer de medo de ser presa, porque vai ter uma hora que o MP, a PF e os juízes de tribunais superiores terão de se debruçar também no que concerne à corrupção dos governos tucanos, bem como já existem inúmeros processos e denúncias contra os políticos do PSDB e do DEM que haverão de sair das gavetas para serem analisados e, por seu turno, seus autores e réus, julgados.

Um dia esse processo haverá de acontecer, porque a Justiça de um Estado de Direito sempre haverá de dar satisfação à Nação e não apenas a uma casta social rica e protegida por setores do Estado nacional que ainda não se democratizaram, pois tratam suas responsabilidades como se fossem uma concessão ao povo, quando a verdade é que se trata de obrigação à sociedade, que paga altos salários para que esses funcionários públicos cumpram com as leis e respeitem a cidadania. Tais realidades que, absurdamente, muitos servidores arrogantes e sem noção do que é republicano não cumprem.

Contudo, temos mais um roteiro meticulosamente programado para colocar o Lulinha no olho do furacão e com isso atingir o ex-presidente Lula, virtual candidato do PT, com chances reais de se eleger. Lauro Jardim, um dos áulicos da famiglia Civita, dona da Veja, semanário de extrema direita também conhecido como a Última Flor do Fascio, está acostumado a praticar o jornalismo de ilações, presunções e que se baseia, no caso de Lulinha, em delação premiada do lobista Fernando Baiano, que preparou sua cama para dormir livre da cadeia e incluiu, supostamente, de acordo com a nota de Lauro Jardim, o filho do Lula em crimes de corrupção. A verdade é que a nota de Jardim se parece mais com um danoso e espinhento factoide.

A mídia de alma golpista e amante de recursos do Estado publica, em suas manchetes garrafais, o disse me disse do delator, mas sem provas. O delator vai ser solto, em novembro, mas Jardim faz uma ressalva: o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, o aliado até então da imprensa de mercado e do PSDB para dar um golpe paraguaio em Dilma, “não falou nada arrasador” contra o chefe de um Poder da República que tem, comprovadamente, contas no exterior sem terem sido declaradas ao Fisco.

Contra Eduardo Cunha, o delator não disse nada muito forte, segundo Lauro Jardim. Em compensação, contra o Lulinha o dedo duro pegou pesado, porque para a imprensa de negócios privados o PT e o Governo Trabalhista são ladrões, enquanto no lado demotucano todos o são santos, verdadeiros anjos, vítimas de quatro derrotas eleitorais do perverso PT, e por causa dessa realidade atroz não podem perder a quinta, porque antes das eleições a casa grande quer jogar no tapetão e, com efeito, chegar ao poder por meio de um golpe vergonhoso, a diminuir o Brasil a uma República das bananas, bem como efetivar um processo de amnésia coletiva contra o povo, no que é relativo a ele lembrar de suas conquistas ocasionadas pelo desenvolvimento social e econômico que o Brasil vivenciou nos últimos 13 anos.

Aliás, fazer o povo esquecer suas conquistas nos períodos dos governos petistas é uma das metas draconianas da direita brasileira, até porque a burguesia não tem projeto de País e programas sociais para apresentar ao povo, o que é muito natural, afinal, e todo mundo sabe disso, inclusive os mortos, os recém-nascidos e os extraterrestres, a casa grande brasileira nunca pensou o Brasil, quanto mais desenvolvê-lo.

A resumir: a burguesia deste País é pária internacional e se notabiliza por se sentir satisfeita em pegar as esmolas e as sobras que a plutocracia internacional concede, contanto que seja fiel aos seus interesses de corporações colonialistas e imperialistas. É de sentir indignação, revolta, ira, nojo e náusea de tanta pusilanimidade, subserviência, subordinação e entreguismo desses grupos dominantes e de passado escravocrata que infernizam o Brasil e seu povo em um tempo de 513 anos.

O jornalismo de O Globo já era de péssima qualidade editorial. Há muito tempo tal jornal parou de editar um jornalismo sério. Porém, a famiglia Marinho se esmerou, e agora o jornalismo editado e publicado pelas Organizações(?) Globo se equivale ao da revista Veja, ou seja, o diário de Irineu Marinho praticará, agora com mais ênfase, o verdadeiro e inenarrável jornalismo de esgoto. Aposto que depois de jogarem o nome de Lulinha na lama, nada, como em outros muitos casos, será comprovado.


Somente cabe ao Lulinha processar o jornal O Globo, assim como os jornalistas que transformam seus ofícios em máquinas de moer reputações. Lauro Jardim disse que (...) ”Espero continuar a fazer, com prazer, o que tenho feito nos últimos anos”. Com certeza, o jornalista teve uma “ótima e profícua” escola na fascista Veja, e, sem sombra de dúvidas, continuará a fazer o que ele sempre fez. Quem viver verá. É isso aí.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Gilmar e Nardes conspiram para cassar Dilma e envergonhar o Brasil como República das bananas

Por Davis Sena Filho — Palavra Livre

GILMAR OU NARDES (FOTO) OU VICE-VERSA QUEREM O BRASIL COMO REPÚBLICA DAS BANANAS PARA A CASA GRANDE FICAR MAIS RICA DO QUE JÁ É E SEMPRE FOI.
A oposição quatro vezes derrotada (leia-se PSDB e seus aliados) tem muita esperança de dar um golpe jurídico em Dilma Rousseff, e, consequentemente, afastar também o vice-presidente, Michel Temer, do PMDB. Aliás, depois da reforma ministerial, que fortaleceu o partido do vice-presidente, ficou quase impossível para os tucanos golpistas e iracundos concretizarem o golpe, e, por sua vez, somente restou o caminho do tapetão.

Chicanas jurídicas por intermédio do TCU, onde exercem seus mandatos juízes que respondem a processos na Justiça, a exemplo do relator sobre as contas do Governo, Augusto Nardes, que, inacreditavelmente, antecipou seu voto pela imprensa alienígena, bem como o presidente da Casa, Aroldo Cedraz, que, igualmente a Nardes, também é acusado de atuar politicamente contra o Governo, além de ter um filho que fazia lobby no TCU, a se aproveitar da posição privilegiada e influente de seu pai.

Contudo, sabe-se que o TCU é um órgão auxiliar da Câmara, pois estritamente técnico, mas que ultimamente se politizou, como forma de pressionar o Governo Dilma, porque juízes que já foram parlamentares e ligados à direita partidária do País, exemplificados nas pessoas de Aroldo Cedraz e Augusto Nardes, acumpliciaram-se com os interesses políticos do PSDB e do DEM e, com efeito, politizaram o Tribunal de Contas da União.

E por quê? Porque o Brasil vivencia uma luta política sem precedentes desde sua redemocratização. A direita, inquilina da casa grande, não se conforma com suas sucessivas derrotas, sendo que nesta última o PSDB e seus aliados políticos e do empresariado sentiram os reveses eleitorais de mais. Praticamente a oposição abandonou o debate político e não apresenta quaisquer programas e projetos ao povo brasileiro, de forma que a Nação opte por suas propostas e, quiçá, resolva votar nos candidatos conservadores do PSDB em 2018.

Todavia, a direita brasileira não quer respeitar o calendário eleitoral, porque prefere efetivar um golpe jurídico-midiático, à moda paraguaia, e dessa forma antidemocrática e autoritária conquistar o poder. Danem-se os 54,5 milhões de votos de Dilma Rousseff, o Estado de Direito, a democracia e as instituições republicanas. Danem-se os eleitores da mandatária petista. O que importa para o PSDB e seus apoiadores, a exemplo de juízes como Gilmar Mendes (TSE) e Augusto Nardes (TCU), dentre outros juízes das duas instituições, é que a presidenta Dilma seja cassada, bem como, se possível, o vice, Michel Temer, não assuma, a fim de que sejam realizadas novas eleições.

Evidentemente que a intenção do tucano Aécio Neves é o de ter uma nova oportunidade de se eleger em um virtual "terceiro" turno, promovido por um golpe jurídico, com o apoio da imprensa dos magnatas bilionários e sonegadores de impostos, além de permitir que o neto de Tancredo se livre de uma dura luta dentro do PSDB, no que diz respeito ao tucano carioca-mineiro ter de enfrentar o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e talvez o senador José Serra,  o que não muito provável.

Disputar a indicação do seu partido dominado pelos paulistas para concorrer à Presidência da República é tudo o que Aécio Neves não quer. O playboy da Zona Sul carioca prefere a via do golpe, sem a menor preocupação com nada e coisa alguma, porque se tem algo com que a direita brasileira não se preocupa, este "algo" é o Brasil e seu povo, conforme registra, sem dar espaço às dúvidas, a história.

O PSDB se tornou golpista, bem como suas principais lideranças, a começar por Fernando Henrique Cardoso — o Neoliberal I —, que aos 84 anos vive a deitar falação pela imprensa de negócios privados, por intermédio de seus artigos confusos e mal escritos, mas que tem a finalidade de fomentar a crise política e, por seguinte, abrir um leque de opções para que o golpe seja concretizado por meio da cassação do mandato legítimo de Dilma Rousseff. Veja só: os tucanos por causa de poder jogam suas biografias no esgoto da história.

E assim são as coisas no Brasil de um povo que não consegue se livrar de uma casa grande bilionária e de antepassados escravocratas. "Elite" antidemocrática, que se recusa a se livrar de sua pequenez cívica e de seu provincianismo e reacionarismo atávicos. Patrões de autoridades nomeadas, que diariamente se vestem com capas de zorros e ternos pretos bem cortados, para se esmerar em tripudiar o povo brasileiro, a aceitar chicanas jurídicas, porque querem derrubar um governo eleito pela força das urnas, por intermédio de "pedaladas" fiscais e de reprovação de contas de campanhas.

Contas estas aprovadas pelo juiz político, Gilmar Mendes, notório aliado dos tucanos, que já deixou claro que odeia o PT e, por seu turno, persegue suas lideranças e somente faz cargas contra os interesses do Governo Trabalhista até em assuntos que não lhes competem funcionalmente. Um juiz de caráter condestável, que há 13 anos realiza todo tipo de obstrução para que os governos do PT não governassem com tranquilidade e fossem impedidos de mostrar ao povo suas realizações, que são os milhares de projetos de infraestrutura e logística, além dos programas de inclusão social, que são às dezenas, muitos deles premiados e reconhecidos internacionalmente.

No Brasil temos uma oposição que não debate programas de Governo, porque temos uma classe dominante que não pensa o Brasil e jamais vai pensá-lo. A única preocupação é a conquista do poder central e fazer do Estado o que sempre fizeram em cinco séculos, ou seja, transformá-lo novamente em tetas de vacas para que a burguesia possa mamá-las à vontade, como sempre o fez, sem se preocupar com a ascensão econômica dos pobres e a consequente inclusão e emancipação social do povo brasileiro.

Gilmar Mendes, no TSE, e Augusto Nardes, no TCU, são as pessoas que tem e terão muita influência no processo de caráter discricionário que visa, sobretudo, a cassação de uma presidente constituída legalmente e que nunca cometeu crimes comuns e de responsabilidade. É, simplesmente, o fim da picada! Dois juízes, cada um a seu modo, que não tem nenhum respeito pela democracia, como registram suas ações e atos, no decorrer de suas vidas como homens públicos.

As contas do PT são praticamente as mesmas do PSDB, os dois partidos hegemônicos e que lutam pelo poder central. Aécio Neves recebeu mais dinheiro do que Dilma Rousseff, no que é relativo ao financiamento de campanhas eleitorais por parte de empresas privadas, notadamente os recursos provenientes da UTC, os que mais causaram polêmicas e acusações. As contas da mandatária foram anteriormente aprovadas pelo TSE, inclusive pelo juiz condestável, Gilmar Mendes.

Após tal resolução, a imprensa golpista (esta é sua realidade histórica: ser golpista) faz pressão sem parar e jamais cita a dinheirama recebida pela campanha de Aécio Neves. Simplesmente não toca no assunto, como também se recusa a repercutir os tantos escândalos de autoria do PSDB e aliados, desde as privatarias de FHC — o Neoliberal I — até a operação Zelotes, a passar pelos HSBC, Trensalão, Metrozão, Lista de Furnas, Cantareira e os já moribundos casos do Banestado e do Mensalão do PSDB, escândalos, dentre dezenas de outros acontecidos, nos quais estão presentes tucanos de alta plumagem, além de "gente" do DEM (o pior partido do mundo), a bicar o dinheiro público e a receber contribuições empresariais nada republicanas.

Então, depois do que foi dito, vamos à pergunta que não quer se calar: "Somos todos idiotas?" Porque, venhamos e convenhamos, o Judiciário e todas suas diferentes instâncias, bem como o Ministério Público, teriam de ter, obrigatoriamente, placas em todas as portas com os seguintes dizeres: "Pau que bate em Chico bate também em Francisco". Afinal, somos uma democracia sob o Estado de Direito, que se submete à Carta Magna. Por sinal, trata-se de uma das constituições mais avançadas do mundo, realidade esta que deixa a direita com ódio, porque autoritária e, portanto, antidemocrática.

A verdade é que o sistema politicamente conservador e seus porta-vozes midiáticos, trituradores da moral alheia, estão a jogar todas suas fichas no TCU e no TSE, porque no Congresso já perderam. Derrotados o foram no campo político-partidário, e agora somente resta judicializar a política e criminalizar o Governo Trabalhista e o PT. É porque certos juízes, promotores, delegados aecistas, políticos da oposição e a imprensa corporativa e de direita considera o Brasil idiota e, consequentemente, sem capacidade para julgar o que é certo ou errado, justo ou injusto, correto ou incorreto, democrático e antidemocrático.

Dilma não vai ser cassada por meio de canetadas de funcionários públicos a mando dos coronéis oligarcas de todas as mídias monopolizadas, pois pautados por eles. A imprensa burguesa não é a patroa do Brasil. Luta para ser, mas vai ter de lutar muito para se transformar em ditadura midiática. Juízes não são autorizados a perseguir apenas um lado da história e deixar o outro livre para bater, acusar, bem como não ter seus crimes investigados e julgados.


Afinal, os brasileiros não são idiotas, e sabem onde o sapato aperta o calo, bem como sabem ponderar e julgar os atos e as ações de juízes, que são pagos pelos contribuintes. Dilma não cometeu crimes. O Brasil não vai ser envergonhado internacionalmente como se fosse uma República das bananas, porque a burguesia irresponsável está inconformada com as sucessivas derrotas eleitorais e a pequena burguesia (classe média coxinha), papagaio de pirata, está furiosa com a ascensão social dos pobres. Dilma não vai ser cassada. O TCU não tem autoridade para destituir um presidente. Gilmar e Nardes conspiram contra o Direito para o TSE cassar Dilma com a cumplicidade do TCU. É isso aí. 

terça-feira, 6 de outubro de 2015

O fascismo se olha no espelho e vê a face da imprensa familiar — Dutra

Por Davis Sena Filho — Palavra Livre

BENITO MUSSOLINI FEZ ESCOLA NO BRASIL.
 "O fascismo é o capitalismo em decomposição". (Vladimir Lenin)

São inúmeros e diferenciados os atores que, a partir de junho de 2013, quando aconteceram as manifestações, e, principalmente, após a derrota eleitoral do tucano Aécio Neves para a petista Dilma Rousseff, que os fascistas apostam em golpe contra a mandatária eleita legalmente e constitucionalmente, sem se preocupar com as consequências desconhecidas que podem, por exemplo, infernizar o País, pois muitos eleitores de Dilma, além da sociedade civil organizada, evidentemente, não vão ficar de braços cruzados.

Além disso, as Forças Armadas deste País não irão se aventurar em um novo 1964 e, com efeito, não estão propensas a entrar em uma crise sem precedentes e muito menos agir em prol dos interesses antidemocráticos e inconfessáveis dos fascistas, que depois de saírem da caixa de Pandora, demonstram arrogância e prepotência com quem pensa diferente de suas opiniões políticas e ideológicas, bem como vociferam seus desprezos pelas vidas de pessoas humanistas e que tem pensamentos e valores de esquerda.

A direita brasileira, e, principalmente a extrema direita, repetem suas histórias e, em tom altissonante, cantam o hino brasileiro, perfilam-se como se militares fossem, vestem a camisa da Seleção Brasileira, consideram-se nacionalistas, mas, contraditoriamente, são privatistas, entreguistas, portadores de um imenso complexo de vira-lata, sendo que muitos desses filhotes de Mussolini ou de Pinochet deblateram palavras de ordem de conotação militarista e de extrema agressividade contra as autoridades constituídas por intermédio do voto do povo brasileiro.

No decorrer de um ano, fascistas e fascitoides estão histéricos ou neurastênicos e há muito tempo desejam efetivar ações que acabem em derramamento de sangue. Vai ser o ápice... Ferozes e ditatoriais, afirmam barbaridades nas ruas, na internet e apostam no quanto pior melhor. Trata-se de grupos sociais com imenso ódio e desprezo pelo Brasil e, principalmente, consideram-se prejudicados socialmente com a ascensão salarial e material dos mais pobres.

"Odeiam" a corrupção, mas a corrupção que essa gente radical à direita detesta é de ordem seletiva, porque jamais, e em hipótese alguma, questionam, através da internet ou em seus arroubos histriônicos pelas ruas, os roubos e malfeitos perpetrados pelo grande empresariado e pelos políticos de oposição, a liderá-la o PSDB, o partido que se autodefinia como social democrata e que há muitos anos parou de flertar com a direita raivosa e passou a ser ele mesmo a própria direita, mais organizada, rica, a controlar estados poderosos da Federação e a ter representatividade no Congresso, onde parlamentares como Carlos Sampaio, Aécio Neves, Aloysio Nunes Ferreira, Cássio Cunha Lima e Álvaro Dias, dentre outros, fazem política com a bílis, guardam o rancor no freezer, criam factoides com a imprensa de mercado, alimentam o ódio nas ruas e apostam em golpe institucional contra a presidenta que, legitimamente, venceu as eleições nas urnas.

Os fascistas são perigosos e violentos e estão à solta nos restaurantes, nos saguões dos aeroportos, nos hospitais, nos shoppings, nos estádios, cinemas e teatros, bem como nos clubes, nos condomínios residenciais, além de se fazerem presentes nos trabalhos, nas escolas e universidades. Eles são portadores de carácteres intolerantes, que os levam a realizar ações e atos violentos, a verbalizar, conscientemente, seus preconceitos de classe e raciais, ideológicos e políticos — até mesmo religiosos. São os fascistas que perderam a vergonha, saíram dos casulos onde se encontravam adormecidos e hoje tem a companhia do diabo para infernizar a República.

Entretanto, as principais responsáveis por fomentar, alimentar, incitar, repercutir e irradiar a intolerância, a insensatez, o preconceito, a mentira e a violência para que os fascistas e os fascistoides se sintam à vontade para cometerem todo tipo de provocação são as mídias privadas dos magnatas bilionários de imprensa, a acompanhá-los seus sequazes, os empregados dessa gente irresponsável e elitista, que quer preservar, a fogo e a ferro, o status quo conquistado na razão de cinco séculos.

Não se pode mais sair com uma camisa vermelha, nem dar opinião em um bar ou restaurante, tornou-se proibido se dizer eleitor do PT e, quando uma pessoa de esquerda tenta falar ou se defender, é logo agredida verbalmente ou através de gestos obscenos, e, se não apaziguar o ambiente para se retirar, o cidadão que não pensa como um fascista pode ser alvo de violência física.

Ocorreram inúmeros episódios que corroboram para ratificar o que eu digo. Contudo, já os citei aos montes em outros artigos escritos por mim. Por sua vez, e com efeito, cito o último episódio, no qual as pessoas que estavam presentes ao velório do petista histórico, José Eduardo Dutra, ex-senador e presidente da Petrobras, foram objetos de ataques em forma de panfletos apócrifos, mas, sabidamente, distribuídos por neofascistas, que de tão à vontade que se sentem para cometer crimes e barbaridades inomináveis, passam a não respeitar nem a morte de um homem que serviu ao Brasil e sempre lutou pelo desenvolvimento desta Nação.

Panfletos de baixo nível humano e de caráter hediondo, no que tange a que ponto pode chegar a miséria humana e o desrespeito à própria vida. Fascistas da pior espécie, que se sentem e se consideram livres para cometer atos atrozes e de uma vulgaridade que não se encontra em uma casa de meretrício ou em um covil de bandidos. Dizeres como "Petista bom é petista morto", além de panfletos com a presidenta Dilma Rousseff sentada em um vaso sanitário, com palavras que não valem a pena pronunciar.

Tudo isso em pleno velório, onde estavam presentes autoridades brasileiras, os amigos, os parentes e os correligionários de José Eduardo Dutra. Evidentemente que essas ações de cunho fascista e desumano foram premeditadas, propositalmente organizadas, a fim de se criar uma atmosfera de violência moral e de provocação política contra o PT, a presidenta Dilma e o ex-presidente Lula.

Fascistas que realmente desprezam a sociedade brasileira, que está a viver sob o jugo de agressões sucessivas, que se contrapõem ao Estado de Direito, à Constituição, à democracia, aos eleitos escolhidos pela maioria do povo e, principalmente, contra a sociedade brasileira. A Nação tem de exigir ações duras da Justiça, do Governo, do Ministério Público e das polícias, porque hão de combater os radicais de direita, os apostadores do caos, que odeiam a igualdade de oportunidades, a democracia e a ascensão social dos pobres — a começar pela mídia corporativa. O fascismo se olha no espelho e vê a face da imprensa familiar. As ruas não pertencem aos fascistas. É isso aí.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Nardes sai da posição de desassombrado do TCU e vira ministro tagarela e fanfarrão

Por Davis Sena Filho — Palavra Livre

NARDES ERA DA ARENA, FAZ POLÍTICA NO TCU E QUER O IMPEACHMENT DE DILMA.
Augusto Nardes é ministro do TCU e sempre foi vinculado aos interesses da oposição partidária e da direita brasileira em geral, a começar pelo grande empresariado. Sempre se aproveitou de sua posição para fazer política, porque ligado ao DEM, o pior partido do mundo, cruzado do reacionarismo brasileiro, pois herdeiro direto da UDN, da Arena e do PDS, que depois se tornou PFL para apear da ditadura e, rapidamente, montar de carona no galope da candidatura Tancredo Neves, que venceu as eleições indiretas, mas não assumiu, porque vítima de enfermidade que o levou à morte.

Augusto Nardes é político da direita gaúcha e sempre combateu os trabalhistas no berço do trabalhismo brasileiro, que é o Estado do Rio Grande do Sul. Ultimamente tal ministro do TCU, que pertenceu à Arena e ao PDS, siglas de sustentação da ditadura civil-militar, tem se envolvido em polêmicas de casos que ele e seus colegas de tribunal estão a apreciar, sem, contudo, ainda a ter um veredito, no caso, sobre as "pedaladas" fiscais de que é acusada a presidenta Dilma Rousseff e seu governo.

Pedaladas essas que todos os governos cometeram, mas que foram criminalizadas, judicializadas e repercutidas como escândalos pela imprensa de mercado, tais quais as contas da campanha eleitoral do Partido dos Trabalhadores, no que concerne, principalmente, a receber dinheiro da UTC, sendo que o candidato do PSDB, Aécio Neves, recebeu mais dinheiro da mesma construtora do que Dilma, mas somente o PT é acusado de cometer crimes eleitorais, sendo que suas contas foram aprovadas pelo TSE, inclusive pelo juiz de direita, Gilmar Mendes, que também tem a mania de falar pelos cotovelos sobre processos que ele, o condestável, está a analisar, mas não se faz de rogado para atacar sistematicamente o PT e suas lideranças, ao tempo em que participa de reuniões e de eventos promovidos pelas mídias dos magnatas bilionários de imprensa e pela oposição capitaneada pelo PSDB.   

Entretanto, nada do que acontece, que são os fatos, parece ser ponderado e avaliado com sobriedade e sentido de justiça por certos juízes, que se tornaram efetivamente políticos, que, não satisfeitos em dar declarações inconvenientes e fora dos autos, metem a mão na massa e se acumpliciam com a oposição de direita, que após um ano das eleições presidenciais se recusa a aceitar, democraticamente e civilizadamente, os resultados das eleições vencidas pelo PT, e, consequentemente, inconformados e encolerizados.

A verdade é que o Governo Trabalhista de Dilma está a reagir e a AGU questiona, duramente, a posição política do ministro Augusto Nardes, bem como sua conduta antiética e antirrepublicana, ao ponto de muito antes de qualquer processo ser analisado para se ter um veredito, o político conservador, Augusto Nardes, resolveu, a seu bel-prazer, proferir seu voto à imprensa de negócios privados, que seria o de virtualmente reprovar as contas do Governo Dilma. Nardes, ridiculamente e antidemocraticamente, trabalha sob os auspícios do partido mais à direita de todos as agremiações políticas, que vem a ser o Partido da Imprensa.

Tais atitudes do ministro fanfarrão do TCU supostamente abriria um flanco para que a oposição no Congresso Nacional pudesse fazer questionamentos e, com efeito, dar início a um processo de impeachment, com a cumplicidade e a manipulação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), que é acusado de ter cinco contas no exterior não declaradas ao Fisco. Cunha, daqui a pouco, pode se tornar um cadáver político e ter de renunciar ao poder para responder às acusações que lhes são atribuídas, bem como se defender, o que, evidentemente, tomará seu tempo, além de sua condição moral para ocupar o terceiro cargo mais importante da República será mínima e questionada pela sociedade e pelos poderes constituídos.

Nardes, como todo fanfarrão, mostrou-se vaidoso e arrogante, pois são adjetivos peculiares aos soberbos. E deitou falação pela imprensa alienígena, que abre seus umbrais a todos aqueles que, porventura, combaterem os governantes trabalhistas eleitos pelo PT. Não importa o passado e a conduta dos adversários do Governo Trabalhista. De forma alguma, nem mesmo seus crimes quando estiveram no poder federal e agora nos estados da Federação os quais governam.

O que está em jogo, realmente, é a eleição de 2018, bem como derrotar o candidato petista, que pode ser o ex-presidente Lula, alvo diário dos jornais e, semanalmente, das revistas sensacionalistas pertencentes a empresários bilionários, que os utilizam como plataformas e palanques de ataques diuturnos a Lula e a Dilma, porque a intenção é enfraquecê-los ou "sangrá-los" até às vésperas das próximas eleições presidenciais.    

O ministro Augusto Nardes, bem como o presidente do TCU, Aroldo Cedraz, dentre outros, são "peças" de uma engrenagem de direita e do sistema burguês que visa derrotar o PT. Aroldo Cedraz, por exemplo, durante cerca de 20 anos foi deputado federal pelo Estado da Bahia e, como homem do PRN e do PFL que foi e ainda o é, sempre trabalhou em prol de interesses empresariais e de seus próprios negócios. Político discreto, mas influente, nunca subiu muito à tribuna da Câmara para discursar e muito menos se dispôs a votar a favor de matérias de interesse dos trabalhadores e do funcionalismo público. Seu filho, o advogado Tiago Cedraz, é acusado de fazer lobby dentro do TCU e, por causa da posição do pai, beneficia-se para ganhar muito dinheiro, conforme notícias da imprensa familiar e de políticos no Congresso.

Esses, dentre outros, são os homens que se dizem a favor da reprovação das contas de Dilma Rousseff. Cedraz é discreto e Nardes é um fanfarrão desde quando era vereador na cidade de Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul. Pois é... Quem diria. O Estado de políticos da grandeza de Getúlio Vargas, Alberto Pasqualini, José Plácido de Castro (o conquistador do Acre), Pinheiro Machado, João Goulart, Leonel Brizola, Luís Carlos Prestes, Assis Brasil, Osvaldo Aranha, marechal Osório, dentre outros vultos da história brasileira, também tem filhos medíocres, como o Augusto Nardes, e toda a atual casa grande da qual o ministro é um de seus representantes.

A casa grande que viceja por aqueles pagos e tem como compromisso principal defender seus negócios e do empresariado que frequenta os salões da burguesia gaúcha e as colunas sociais de seus jornais porta-vozes, a exemplo do Zero Hora e da RBS(Globo), da família midiática dos Sirotsky. Augusto Nardes é o fim da picada como ministro que vai julgar contas governamentais, sem ao menos se preocupar em se calar e se ater aos autos dos processos. Tal senhor vaidoso, assim como politicamente reacionário e conservador, firmou um pacto com a mídia e antecipou seu voto pela imprensa. Veja bem como é irresponsável o ministro Nardes.

Ele simplesmente disse que o TCU fará história, sendo que o TCU não cassa ninguém, porque é um órgão auxiliar da Câmara. O Tribunal apenas julga as contas e elabora um relatório que é enviado à Câmara dos Deputados. A fanfarronice no caso desse cidadão é algo realmente de caráter assombroso, pois de uma leviandade atroz e de uma tagarelice incomensurável. Nardes é o ministro "desassombrado" do colunista de direita do jornal O Globo, Ricardo Noblat.  

O jornal dos Marinho deu corda ao Augusto Nardes para ele se "midiatizar" e fazer política rasteira. Vamos ver se a corda dos magnatas bilionários de imprensa e de seus empregados que reproduzem os pensamentos dos patrões não se tornará a forca do Nardes. As contas do Governo Trabalhista serão aprovadas, apesar dos Nardes e Cedraz da vida, como o foram aprovadas as contas eleitorais do PT, bem como proibido o financiamento privado de campanhas eleitorais. O resto é pólvora seca da oposição de direita inconformada e alimentada pelo ódio por ser oposição. Nardes sai da posição de ministro desassombrado do TCU a ministro tagarela e fanfarrão. É isso aí.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Os Negros, a Cidadania, a Economia e a Escravidão. Para não esquecer

Por Davis Sena Filho — Palavra Livre


Tem um pensamento que eu gosto muito. Mais do que gostar, eu acredito neste pensamento, porque, para mim, ele significa a verdade. “Raça não existe; o que existe é a espécie humana”. Quando o homem, ou melhor, a humanidade se organizou em sociedades. Quando ela passou a dominar a agricultura e, consequentemente, construir cidades para alojar milhares ou milhões de pessoas, a luta pelo controle político e pela hegemonia econômica recrudesceu. Desta luta deriva todo tipo de preconceito, inclusive o pior deles: o racismo.

O preconceito do racismo é a forma mais infame e cruel de intolerância moral que o ser humano pôde expressar, porque se trata da negação da vida, da negação de Deus. O racista nega a vida e reafirma a indiferença, a desigualdade social e a violência. A pobreza material de grande parte dos povos da África negra e do povo brasileiro é intrínseca ao racismo. Eu quero afirmar, sem dúvida alguma, que a miséria material do nosso povo tem como raiz o racismo. Este sentimento, além de ser comportamental e cultural, o é também de fundo econômico, o que o torna intolerável para as pessoas civilizadas e de filosofia humanista e democrática.

Quando os ancestrais do povo brasileiro foram escravizados em um tempo de quase cinco séculos pelas potências colonialistas, o trabalho humano escravo foi visto como solução para que os colonizadores europeus pudessem ocupar os territórios por eles conquistados, além de desenvolver suas economias e, por conseguinte, disputar o mercado, em seus diferentes setores, pois a corrida pela hegemonia econômica e militar se encontrava em um processo de disputa entre a Inglaterra, a França, a Espanha, a Holanda e Portugal, dentre outros países, que buscavam riquezas, com o objetivo de colonizar terras e dominar os oceanos.

Com a explosão demográfica no continente europeu e o fim da Idade Média, considerada a era mais sombria das sociedades ocidentais, iniciou-se o ciclo das grandes navegações. Historiadores afirmam que foi a opção e a realidade encontradas pelos governos das potências europeias, para que a Europa não sucumbisse economicamente e seus povos não ficassem sem espaço para desenvolver suas atividades econômicas, principalmente a agricultura, a estratificação, e, posteriormente, a mineração, razão pela qual foi efetivado o sistema de escravidão, com a cumplicidade entre os europeus e suas diversas nacionalidades, com apoio, inclusive, das igrejas Católica e Protestante, bem como de agentes africanos que participavam e lucravam com o tráfico negreiro.

A escravidão de africanos começou no Brasil ainda em meados do século XVI. Duarte Coelho, donatário da Capitania Hereditária de Pernambuco, solicitou, em 1539, ao rei de Portugal, João III, o Piedoso, a isenção de impostos de “peças” africanas. As “peças”, na verdade, eram os escravos. Grandes extensões de terras e agricultura baseada na monocultura de cana-de-açúcar, que propiciou ao Brasil colonial o Ciclo do Açúcar, foram as primeiras razões dos colonizadores para que o comércio de homens, mulheres e crianças negros se perpetuasse até o ano de 1888, quando oficialmente foi abolida a escravidão no Brasil.

O tráfico de escravos foi um comércio tão lucrativo que somente acabou em âmbito mundial em 1865. A partir deste ano, o Brasil se tornou o único no mundo ocidental a efetivar a escravidão institucionalizada. Essa realidade prejudicava a chegada de imigrantes que preferiam outros países das Américas. Enquanto o mundo se transformava por meio da revolução industrial, as elites brasileiras, principalmente os usineiros do nordeste e do sudeste, e, mais adiante, os cafeicultores paulistas, insistiam com o sistema de escravidão, o que prejudicou, sobremaneira, o Brasil nos fóruns internacionais, bem como a sua economia, que, baseada na mão de obra escrava, não conseguia competir, satisfatoriamente, com os países, inclusive muitos da América do Sul, que pagavam salários aos trabalhadores, principalmente aos imigrantes europeus que tinham conhecimento técnico para exercer suas funções nas fábricas e no campo.

O Brasil foi o último País a dar fim ao comércio de escravos, além de Cuba, que, apesar de ter escravidão em seu território, a ilha caribenha era usada mesmo como entreposto de escravos, que eram distribuídos pelo Caribe, América do Norte e América Central. Países escravagistas como a Inglaterra, a França, a Espanha e a Holanda tinham grandes interesses econômicos nessas regiões. A presença da Espanha na América do Sul também era muito forte, bem como Portugal, pequeno país ibérico, mas que se tornou potência marítima, que, através do tempo, transformou o Brasil colonizado por ele em um País continental.

A escravidão dos negros africanos era essencialmente mercantilista. Sempre houve escravidão no mundo. A humanidade sempre pecou no que concerne a explorar à própria humanidade. Os países muito antigos, as sociedades antigas, as do tempo de Jesus Cristo e as de épocas anteriores as do Filho de Deus escravizavam, mas, geralmente, os derrotados eram considerados troféus, os quinhões, os prêmios dos vencedores de batalhas. Eram militares e civis que perderam guerras e pagaram com o preço alto e desumano da escravidão.

Por seu turno, a escravidão dos negros não tinha razões outras que não apenas a comercialização de seres humanos, por cerca de 400 anos, no mundo ocidental, que já tinha passado pelo Renascimento e se preparava para entrar no mundo moderno, que se iniciou, primeiramente, com as grandes navegações. O sentimento, realmente é de vergonha. Não a minha vergonha, não a sua vergonha, não a vergonha dos milhões de negros brasileiros, mas daqueles que enriqueceram e conquistaram terras com a morte e a escravidão de milhões de homens e mulheres, que morriam nos navios negreiros, em cerca de 40%, vítimas de maus tratos, de todo tipo de doença, além de serem jogados aos mares, como punição ou por causa da fiscalização do exército e da marinha ingleses, cujo governo, no ano de 1806 para 1807, decidiu dar fim ao tráfico de escravos. A Inglaterra era a potência mundial daquela época.

Portugal, que edificou uma nação importante em termos mundiais na América do Sul, foi o maior mercador de escravos de todos os tempos, no que tange aos interesses especificamente comerciais e econômicos. O Brasil, além de ser o último País a libertar os escravos, foi também o destino de três milhões e 600 mil escravos, dos dez milhões dos cativos que chegaram vivos e foram trazidos para as Américas. Como se percebe, o Brasil, nos séculos da escravatura, foi o responsável por 36% de todo comércio escravagista em âmbito mundial. Esses números o são realmente assombrosos.

A escravidão dos negros foi e ainda o é a maior diáspora da história da humanidade. Se a comunidade negra, a brasileira e a internacional, fosse rica e controlasse as mídias, a imprensa comercial e privada, os bancos e as terras, evidentemente, que essa dolorosa história nunca deixaria de ser comentada, nunca seria esquecida, bem como o genocídio dos índios de todas as Américas nunca ficaria relegado a um segundo plano. Como se observa, a divulgação política da escravidão e dos massacres e genocídios dos negros e dos índios o são também questões políticas, econômicas e financeiras, além de morais e de justiça, a que nunca foi feita, e considero que tal reparação nunca acontecerá.

Os escravocratas nunca ganharam tanto dinheiro. A comercialização de pessoas era mais lucrativa do que a estratificação, a agricultura, a pecuária, a mineração e a pesca. A indústria praticamente não existia, porque começou a se desenvolver na segunda metade do século 19, quando a Inglaterra começou — por questões econômicas e não morais, que fique registrado, a perseguir, a apreender e a afundar navios, bem como a boicotar as economias e a agredir militarmente os países que insistiam em traficar seres humanos com finalidade comercial. Era o início da industrialização, quando surgiu, de forma incipiente, a classe operária, melhor qualificada, sem direitos trabalhistas, contudo, assalariada. Os salários baixíssimos, os trabalhadores explorados até a exaustão, porém, reitero, assalariados.

Os negros africanos, cujos filhos e descendentes são brasileiros, desembarcavam nos portos da Bahia, de Pernambuco e do Rio de Janeiro. Depois da chegada, eles eram espalhados e distribuídos por todo o País. Trabalhavam na mineração, na lavoura, na pecuária, nas instituições governamentais, nas ruas e nas casas residenciais. Eles estavam presentes no dia a dia da vida brasileira e ajudaram, indubitavelmente, a construir o Brasil de hoje, País que teve, em 2014, um PIB de R$ 5,52 trilhões, segundo o IBGE, e que atualmente tem influência planetária, além de possuidor de um mercado interno poderoso, apesar dos ciclos de aceleração e desaceleração da economia e do crescimento. Sem sombra de dúvida, a plural, multicultural e multirracial sociedade brasileira deve muito aos homens e às mulheres negros, que trabalharam, arduamente, sendo que milhares de pessoas pagaram com a própria morte, como vítimas que foram da terrível e inominável escravidão.

Os escravos negros, que buscavam se livrar do cativeiro e serem reconhecidos como cidadãos, combateram na Guerra de Canudos e na Guerra do Paraguai para não receber retorno algum, a não ser o abandono por parte do estado e da sociedade brasileira. Os ex-escravos foram morar nos morros da Favela e da Providência, as primeiras favelas deste País. As desigualdades sociais são gritantes. A miséria e a pobreza, históricas, são a razão da prostituição, do tráfico de drogas e de armas, bem como da violência em todas suas generalidades. As desigualdades e a falta de oportunidades são as essências da degeneração de milhões de famílias, e, consequentemente, da sociedade de consumo e de princípios e valores descartáveis.

Os negros, observemos, pertencem às camadas mais pobres da sociedade brasileira, as que estão em risco constante de serem vítimas de todo tipo de miséria humana e de ignorância. O ignaro é mais perigoso que o marginal, porque ele é parte de milhares, quiçá milhões, e por isso se anulam as condições para que as nossas cidades e o País se desenvolvam, de maneira equânime, justa e democrática. Não há paz se não existir justiça social. Os governos, em todas as esferas, têm de deixar de ser patrimonialistas. O Estado tem de ser devolvido ao povo e não continuar a servir à pequena parcela da sociedade, que há séculos trata os interesses do Estado nacional e da maioria da população como se fossem interesses privados — particulares. É uma luta árdua, perene e constante a ser travada pelo povo brasileiro.

Os governos trabalhistas de Lula e agora o de Dilma Rousseff têm lutado e conseguido melhorar o quadro social e econômico das classes sociais carentes e populares. É uma revolução silenciosa e duramente combatida pela casa grande, mas da grandeza da que foi efetivada pelo presidente Getúlio Vargas, em 1930, e, posteriormente, em 1950, quando o Brasil deixou de ser rural e passou a ser urbano, por meio da industrialização, da organização do serviço público de forma centralizada, em âmbito federal, e da criação de meios de fiscalização das receitas públicas, bem como dos serviços de arrecadação de tributos do estado nacional, além da criação de estatais como a CSN, a Vale do Rio Doce (os neoliberais só querem chamá-la de Vale), a Telebras e a Petrobras, dentre outras dezenas de estatais, que permitiram a industrialização do Brasil, o seu fortalecimento como uma economia diversificada e uma das dez mais poderosas do mundo.

Os programas dos governos trabalhistas de Lula incluíram 42 milhões de brasileiros na classe média (quase a população da Argentina) e tiraram 36 milhões da pobreza extrema, da miséria absoluta, bem como a fome praticamente foi extinta no Brasil. Realidades estas reconhecidas por organizações internacionais como a ONU (FAO), que considera o Brasil um modelo de combate à pobreza e à miséria.  A maior parte dessa gente brasileira que vive e vivia em situação de risco e desprovida de segurança alimentar é formada por brasileiros de etnia negra.

Trata-se de uma revolução silenciosa, certamente, e que não tem o apoio e a publicidade da imprensa de mercado dos magnatas bilionários, que sabotam e boicotam os avanços sociais e econômicos conquistados pelo povo brasileiro. Só para ficar nisto, porque os governo trabalhistas fizeram muito mais, como, por exemplo, fortalecer o nosso mercado interno ao ponto de o Brasil praticamente não sentir em demasia a crise econômica e financeira que aconteceu no mundo em 2008, apesar de a imprensa de negócios privados não reconhecer tal feito e por isso mentir e manipular, porque a verdade é que as mídias burguesas são as porta-vozes dos trustes internacionais e nacionais, bem como pontas-de-lanças dos interesses dos inquilinos da casa grande, que habitam o pico da pirâmide social, além de se transformarem em partidos de direita — o Partido da Imprensa.

O Estado Democrático de Direito, conforme reza a Constituição de 1988, é o agente que determina as políticas públicas, no que é relativo à saúde, à educação, à moradia, à segurança e à luta para favorecer a distribuição de terras, de renda e fomentar a geração de empregos. Todas essas coisas essenciais para a vida o são desejos dos brasileiros, principalmente dos negros e dos índios, que ainda não foram resgatados e justificados historicamente e socialmente.

A sociedade brasileira, com todos seus contrastes, antagonismos e incoerências tem de continuar a lutar para se transformar, de fato, em uma democracia plural. Temos de edificar uma sociedade justa e democrática, que pertença aos brancos, aos amarelos, aos vermelhos e aos negros, enfim, a todas as raças e culturas. Todavia, sabemos que a grande parcela negra da população tem de ser ouvida por todos os segmentos da sociedade, bem como ser alvo de políticas públicas positivas que garantam a inclusão social e econômica dos negros e dos índios, no mercado de trabalho e nas escolas básicas e universitárias.

Até hoje, em pleno século XXI, parte significativa do povo brasileiro não tem acesso a benefícios sociais e ao direito de ter uma vida de melhor qualidade. Os negros continuam a ter os piores empregos, a morar nas periferias, nas favelas, nos morros e nas comunidades pobres. Seus empregos são os mais insalubres, os mais perigosos e mal pagos. Continuam a ser vítimas do pior sentimento dentre os piores sentimentos que é o racismo, porque, como cidadão negro, ele é medido por sua cor, por seu cabelo, por suas características físicas e não pela sua conduta e propósitos, pela sua competência, pelo seu caráter, digo melhor, bom caráter, pelo seu coração. Os indivíduos são pertencentes à espécie humana. Raça é terminologia superada, que somente os desinformados, os ignorantes, os preconceituosos e os racistas insistem em assim se comportar. Comportar-se mal, diga-se de passagem.


É um direito inalienável do homem e da mulher, independentemente de sua origem e cor, ter suas cidadanias ratificadas, reconhecidas e reiteradas pelo estado e pela sociedade a qual pertencem. Ser cidadão não se reduz a pagar impostos. Ser cidadão é também saber de seus direitos e, dentre um elenco de direitos, um deles é não ser humilhado ou esquecido ou relegado por sua condição social e por sua cor de pele e etnia. Os negros estão para sempre, eternamente, na história do Brasil e do seu povo. Ele é parte dele. O negro é o povo, e o Brasil é de todos e para todos os brasileiros. É isso aí.