segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Ariel Sharon e o sionismo que sangra o Oriente Médio

Por Davis Sena Filho Blog Palavra Livre


Não sei o que dizer de Ariel Scheinermann, o general Ariel Sharon, a não ser que, independente dos interesses políticos, econômicos, étnicos e geográficos do Estado de Israel, o líder sionista era radical e extremado à direita. Sharon nunca quis a paz com os palestinos, mesmo quando retirou os colonos israelenses de terras da Palestina, além de persegui-los e tratá-los com brutalidade similar a que os judeus foram vítimas quando ainda da existência do Terceiro Reich.

A retirada dos colonos e a demolição de suas casas foram ações políticas unilaterais do já primeiro ministro Ariel Sharon, que, na verdade, fez com que o processo de negociação parasse, e, com o tempo, comprovou-se que, apesar da retirada, os colonos sionistas voltaram aos lugares anteriormente ocupados, e, consequentemente, todos os esforços de entendimento para se conquistar a paz não se concretizaram. Não se negocia de forma unilateral. Quem o faz é porque não quer negociar. Ponto.

O general Ariel Sharon é um criminoso de guerra e responsável por ações militares estratégicas, que visavam, sobretudo, conquistar territórios árabes, além de fontes e reservas de água e, por sua vez, dar continuidade ao que os sionistas chamam de o Grande Israel, um estado beligerante e que ocupa territórios por intermédio de assentamentos em localidades ocupadas milenarmente pelo povo palestino.

Com o fim do Mandato Britânico da Palestina, em 1948, as terras palestianas se tornaram alvos da ambição de egípcios e jordanianos, que, no mesmo ano, ocuparam os territórios, pois contrários à Resolução 181 da ONU, que dividia as terras da banda ocidental do território em dois estados, sendo que a ficar sob o controle internacional as regiões de Belém e Jerusalém, o que nunca foi aceito pelos sionistas israelitas, como comprovam as ações de guerra dos líderes históricos, David Ben-Gurion e Golda Meir.

Contudo, a partir do fim dos anos 1950 e na década de 1960, surge um militar de nome Ariel Sharon, que depois se tornou primeiro ministro e que tem em suas mãos o sangue de inocentes palestinos, que foram vítimas de ações militares que visavam, sem sombra de dúvida, a conquista de territórios e a limpeza étnica.

Sharon nunca se importou com questões políticas e eticamente humanas. O general e primeiro ministro de Israel se tornou o idealizador e o estrategista de ataques militares e de massacres que foram contestados duramente por parcela do povo de Israel e de políticos do Partido Trabalhista e até mesmo do Likud, partido direitista do qual Ariel Sharon era, nos últimos tempos, sua principal representação política.

O militar foi membro do Hanagah, uma organização paramilitar secreta e que agia muitas vezes sem o conhecimento do governo israelita. Além disso, comandou a brutal Unidade 101, que cometeu eventos hediondos e que, indubitavelmente, não condizem com os princípios civilizatórios de um povo que se considera desenvolvido e historicamente inserido entre os povos mais antigos do planeta.

A Unidade 101 envergonha a humanidade, pois se trata de um comando de caráter imoral e infame, de extermínio de palestinos e de árabes em geral, porque criado para expulsar os palestinos de suas terras, de suas casas, sendo que milhares deles, através das décadas, eram crianças, mulheres, muitas delas grávidas, idosos, inválidos e homens desocupados, porque desempregados, por falta de oportunidades ou impedidos de saírem de seus lugares para trabalhar.

Ariel Sharon é um carrasco, ao tempo que herói dos extremistas de direita, dos colonos ortodoxos e do establishment internacional, que sempre o apoiou e o financiou, a exemplo das grandes corporações de petróleo e de armas, além dos governos dos Estados Unidos e da Inglaterra, parceiros “eternos” e cúmplices dos crimes de Israel, bem como garantidores de suas ações armadas e até mesmo de extermínios praticados por militares e paramilitares, que nunca foram, de forma efetiva, punidos pela Justiça de Israel, pela ONU e seu órgão máximo de Direitos Humanos.

O general israelita, filho de sionistas cujas origens são a Bielorrússia e a Ucrânia foi pródigo em combater aqueles que, de uma forma ou outra, resistiam, por intermédio de protestos ou ações armadas, às ocupações e à limpeza étnica, posteriormente simbolizada pela construção de um gigantesco muro, a partir do ano de 1983. O muro é tão longo e alto que perto dele o Muro de Berlim se torna um aprendizado de engenharia para impedir o direito de ir e vir de palestinos, israelitas e povos de outras nacionalidades. É uma aberração fascista e que envergonha a humanidade.

Um muro que estabelece fronteiras, o que se torna uma contradição ou um paradoxo, porque Israel e seus governos sionistas sempre se recusaram a reconhecer fronteiras, até porque sempre invadiram e ocuparam as terras palestianas, bem como reconhecê-las é dar razão aos palestinos quando reivindicam a criação de um estado próprio, independente e que possa cuidar de sua população, em busca de desenvolvimento econômico e social de maneira livre, porque sem liberdade e justiça não há condições para almejar e conquistar a paz.

O assim considerado guerreiro de Israel, Ariel Sharon, no decorrer de sua vida, atuou como um “anjo” da morte, pois, então, veremos: em 1953, no Campo de Refugiados de El-Bureig, em Gaza, o comando de Sharon matou 50 refugiados. Segundo relatos do comandante das Nações Unidas, general Vagn Bennike, bombas foram lançadas nas cabanas onde dormiam os “inimigos” a serem derrotados pelo general sionista. Evidentemente, muitas pessoas foram estraçalhadas e as que conseguiram sair das cabanas para salvarem suas vidas foram, impiedosamente, fuziladas com armas automáticas. O exército sionista matou civis desarmados.

Entretanto, as atrocidades de Sharon não acabam nesse massacre de refugiados, ou seja, gente que não tem nada, além de uma barraca para dormir. No mesmo ano de 1953, o militar israelita, à frente da Unidade 101, invadiu a Vila de Qibya, na Jordânia. Trata-se de um verdadeiro extermínio cujas manchas de sangue estão tatuadas no Estado de Israel. O ministro das Relações Exteriores do estado sionista escreveu em seu diário: “Essa mancha estará grudada em nós e será impossível de ser lavada por muitos anos”.

Ariel Sharon deu ordens para explodir 45 casas, 69 pessoas foram assassinadas sem direito à reação para se defender, e Qibya foi destruída, pois reduzida a escombros. Tão grave e covarde quanto às mortes foram as desculpas do general exterminador: “Nós acreditávamos que as casas estavam vazias” — afirmou. A Unidade 101 matou civis desarmados, porque Sharon era o comandante autorizado pelo estado sionista de Israel para limpar o terreno e “limpar” o terreno significa conquistar território e fazer a limpeza étnica.

Israel é beligerante. Historicamente, como demonstra de forma irrefutável o Velho Testamento, vive em guerra, em um tempo de milênios, pois forjado em valores hegemônicos cujo Deus atende aos desejos e aos interesses do “povo escolhido”, enquanto a humanidade é composta por gentios, que hoje formam, populacionalmente, a maioria dos que professam o cristianismo, ou seja, os fiéis que aceitaram a fé judaica ao unirem o Velho Testamento à Igreja que Jesus fundou cujos ensinamentos estão presentes no Novo Testamento, que, além de completar o Velho Testamento, o abrange. O Novo Testamento é a Nova Aliança apregoada por Jesus Cristo. Assim acredito.

Voltemos ao general: É importante lembrar da Rua Wreckage. Tratava-se de uma passagem que atravessava o Campo de Praia da Cidade de Gaza. O lugarejo era ocupado com poucas casas edificadas para os refugiados da guerra de 1948. Eis que de repente surge o comandante Ariel Sharon que, sem titubear, dá ordens para que os tratores destruam centenas de pequenas casas. A demolição foi total. O militar sionista queria um campo amplo, sem obstáculos, para que o exército israelita e seus tanques pudessem transitar livremente e caçar os membros da OLP, criada em 1964 e liderada por Yasser Arafat.

Todavia, antes de acontecer as demolições de simples moradias, aconteceu um episódio que incomoda bastante a quem detesta injustiça e combate a covardia, o egoísmo e a intolerância social e racial, além de o fato se reportar à história dos judeus perseguidos pelos nazistas. Os soldados de Israel, antes de cumprir as ordens para demolir as residências, marcaram as casas a serem destruídas com tinta vermelha. Este fato é irremediavelmente mórbido e sem escrúpulo, porque os nazistas marcavam com a estrela de David, de cor amarela, as pessoas de etnia judaica.

A marcação com tinta vermelha que transformavam as casas em alvo de demolição é atroz, bem como tirar o teto de uma pessoa é um dos atos humanos mais covardes e por isso considerado uma infâmia inominável. Quem perde a casa, perde tudo, porque o lar é essencial para o descanso, o bem-estar e a paz de espírito entre os membros de uma família. Ariel Sharon foi chamado de o “Grandioso Guerreiro” e eu o reputo como um dos maiores assassinos do mundo contemporâneo, além de ser especialista em praticar o terrorismo de estado.

Os soldados do general bateram em crianças, em idosos e em mulheres. As pessoas tiveram de ir para casas de parentes e escolas. Muitas famílias foram obrigadas a irem para o exílio, em localidade no deserto do Sinai. O motivo: foram acusadas por Israel de serem parentes de ativistas políticos. Porém, não acaba aqui a trilha violenta de Ariel Sharon. Em 1971, os comandados do general recentemente falecido demoliram duas mil casas e deixaram “a Deus dará” 16 mil pessoas. O episódio de mau agouro aconteceu na Faixa de Gaza. Palestinos foram deportados para o Líbano e a Jordânia.

Além disso, seiscentos parentes de guerrilheiros foram exilados. E adivinhe para onde? Evidentemente para o Sinai. Naquele mesmo tempo, 104 guerrilheiros foram mortos, porque o Estado sionista de Israel não prendia os suspeitos de fazer guerrilhas e, sim, os assassinava. Nada de prender os inimigos de Israel. A ordem era matar, e ponto final.

Ariel Sharon teve também relação política e militar com a África do Sul, país do infame apartheid. O general sionista aconselhou as forças racistas da África do Sul que estavam a lutar ao lado de Jonas Savimbi, operador da CIA e chefe do grupo armado de direita conhecido como Unita. Contudo, Agostinho Neto, do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), e depois José Eduardo dos Santos, derrotaram a direita armada angolana apoiada pelos Estados Unidos, África do Sul e Israel. A guerra civil de Angola foi um dos últimos conflitos longos da Guerra Fria, com a derrota da direita, que até hoje lamenta muito a vitória dos liderados por Agostinho Neto.

Em 1982, o militar israelita continuou a caminhar em sua estrada de sangue e luta para edificar o Grande Israel. No governo de Menachem Begin, liderou a invasão do Líbano. O objetivo era eliminar os militantes da OLP, além de enviar palestinos para a Jordânia, bem como controlar o Líbano, o que foi feito. Israel bombardeou para ocupar territórios estrangeiros e matou quase 20 mil palestinos e libaneses. Israel reconhece que cerca de mil soldados de seu exército foram mortos.

Após o domínio e a ocupação do Líbano completamente bombardeado e destruído, o general e futuro primeiro ministro de Israel do estado sionista realiza a sua grande obra prima pintada com sangue. Sharon simplesmente permite que refugiados dos campos de Sabra e Shatilla sejam massacrados por falangistas cristãos aliados das forças israelitas. Os números são estarrecedores, porque 762 corpos foram encontrados pelo governo libanês, bem como se descobriu, posteriormente, que os sobreviventes desse verdadeiro holocausto enterraram ainda mais 1,2 mil pessoas.

A Falange matou refugiados indefesos durante 62 horas ininterruptas. Era como colocar pessoas em um abatedouro onde o gado não tem a mínima chance de escapar com vida. Bebês, crianças, mulheres, grávidas, idosos, jovens e homens adultos foram mortos impiedosamente. Limpeza étnica na veia, pois a intenção era eliminar as pessoas para que elas não voltassem aos seus lugares de origem.

São acontecimentos de 1982 e que até hoje marcam, como ferro em brasa, a biografia de Ariel Sharon, bem como o estado sionista de Israel. Outro holocausto, um dos genocídios que foram investigados pelo governo israelita e publicado para o conhecimento do público. Porém, tal governo tratou de não divulgar o Apêndice B, porque considerado secreto. A verdade é que o massacre foi um escândalo de proporções planetárias e o líder militar dessa ignomínia é o senhor Ariel Sharon, ministro de Defesa do estado sionista.

Outra característica peculiar do general ultradireitista era sua vocação contra qualquer acordo. Todos os principais acordos ou tentativas de acordos sofreram críticas açodadas do general. Quando o gabinete, as lideranças políticas, parlamentares e governamentais votavam sobre acordos com os palestinos, Sharon era contra. Ele foi ministro de várias pastas e depois foi primeiro-ministro, mas sempre teve uma posição contrária à paz. Israel quando fala em paz ao mesmo tempo ocupa terras palestinas, o que inviabiliza qualquer acordo. Sharon dizia: “Nem um metro quadrado de terra vai ser cedido”. O militar e político, além de não ceder terras, também nega água e controla militarmente as fontes do precioso líquido, que não é tão abundante como nas terras do Brasil.

O sionismo não é religião, apesar de os maus intencionados tentarem confundir os incautos e os desinformados. O sionista é o indivíduo que adere ou concorda com tal movimento político, nacional socialista hebraico. Os primeiros sionistas são descendentes de judeus europeus, que antes de Segunda Guerra e após a derrota dos nazistas, foram colonizar a Palestina e, consequentemente, fundar o Estado de Israel em um lugar que sempre foi habitado.

Muitas pessoas consideram o sionismo racista e que aposta na supremacia entre as pessoas e as raças. Para os críticos e muitos historiadores, o sionismo comete os crimes hediondos de genocídio e limpeza étnica. O sionismo exige lealdade política a um estado (beligerante), enquanto o Judaísmo exige lealdade aos ensinamentos e princípios de Deus. Sionismo e Judaísmo não se misturam, porque são diferentes, antagônicos e paradoxais. Ponto. 
  
Antes de sofrer dois AVC, o general, a fim de desqualificar o governo israelense para eleitoralmente derrotá-lo, resolve em setembro de 2000 visitar, com forte aparato de segurança, a Esplanada das Mesquitas — Monte do Templo, na cidade de Jerusalém. Os palestinos interpretam a “visita” como uma provocação e se dá início à segunda Intifada. Pau puro e muita violência. Sharon se aproveita dos episódios e promete, no decorrer das eleições, acabar com a Intifada ao tempo que critica o Governo de Ehud Barak, político trabalhista, a quem o general sionista acusou de ser o responsável pela insegurança em Israel. Sharon foi eleito.


O militar assumiu a cadeira de primeiro-ministro. Acenou com conversações e acordos com os palestinos, mas as retiradas dos colonos de algumas terras palestinas foram unilaterais, porque, na verdade, Ariel Sharon nunca quis a paz. Ele é considerado por muitos israelitas como o “Grandioso Guerreiro”. Contudo, todos aqueles que foram suas vítimas e tem gosto de fel em suas bocas e sangue em seus corações e pensamentos sabem que o general Ariel Sharon era um assassino. É isso aí. 

INIMIGA DO BRASIL!

a hora da charge  Blog Palavra Livre


quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

AMOR

ESPAÇO BICO DE PENA — BLOG PALAVRA LIVRE



Nada me fará, em vão, sentir alegria ...
Pois a quem amo de mim não quer saber
O que transforma meus dias em melancolia
E o meu coração aos poucos para de bater

Não sei qual a lei que rege o fim do amor
Sentimento imortal que habita o nosso ser
Sua indiferença é o portal de minha dor
Não ver mais seu olhar é como perecer

Sei que você desistiu de nossos planos
Mas para mim é quase impossível te esquecer
Apesar de nossos desencontros e desenganos

Que nos afastaram e me fizeram receber
A herança de um amor com perdas e danos
Um vazio na vida como se eu fosse morrer

Davis Sena Filho — 29/01/1995




LIBERDADE

ESPAÇO BICO DE PENA — Blog Palavra Livre





Eu sou fruto
Da fúria da minha mãe
E do inconformismo do
Meu pai

15/11/1988



JORNALISMO PARA INICIANTES

Por Marcelo Migliaccio Direto do Rio Acima
 
 
Por uma molecagem do destino, caiu-me nas mãos a edição desta semana daquela revista que pensa que o leitor é cego.

Depois de passar de passagem por páginas e páginas de anúncio, que mostram quem são os verdadeiros donos de qualquer meio de comunicação privado, cheguei ao editorial, que eles chamam de Carta ao Leitor e que, sabendo a imagem que a revista tem de seu público, me surpreendi por não estar escrito em Braille.

Com uma foto da presidente Dilma chorando em recente cerimônia de troca de ministro, o sempre deliberadamente míope semanário ataca o governo dela, bem como os de Lula, o que não é novidade. Critica a coalizão montada pelo Executivo para ter maioria no Congresso e, assim, aprovar seus projetos. Diz que essa prática, usada em qualquer regime democrático, gera apadrinhamentos e corrupção (como ocorreu nos governos do PSDB, aliás, só que com menos gente sendo presa ou demitida).

Em suma, na primeira metade do texto, a revista para quem somos todos caolhos, surdos, mudos e retardados, prepara o que vem a seguir. E é aí que ela se revela.

Afirma o texto que Dilma deveria usar sua ampla base de apoio para"fazer as reformas pelas quais o Brasil todo clama" (bonito isso...)

E, veja só, a revista começa a enumerar suas prioridades, que, felizmente, não são as de Dilma Rousseff:

"(...) reformar as leis trabalhistas brasileiras dos tempos do fascismo e, assim, baratear o custo da mão de obra" - Ou seja, a revista quer que você, trabalhador, dê menos despesa ao seu patrão, possivelmente deixando de receber adicional de 30% nas férias, aviso prévio de 30 dias, multa de 40% no FGTS em caso de demissão sem justa causa. 

"(...) acabar com a injstiça tributária (...)" - Claro, o choro de todo o sovina, que diz que vende caro porque paga impostos demais. Gozado é que, quando cortam os impostos, ele continua vendendo caro e põe no bolso a diferença...

"(...) reduzir o gigantismo do estado" - Aqui a meta é que seja vendido o que resta do patrimônio brasileiro, mas o estado brasileiro somos nós. A Petrobras, uma das maiores empresas do mundo, é minha e sua, no entanto eles querem que seja vendida a preço de banana a um desses megaempresários que guardam a ferrari na sala de jantar. Reduzir a presença do estado é aumentar a concentração de renda nas mãos de uns poucos, é fazer das insensíveis leis de mercado as senhoras da vida e da morte. A iniciativa privada gosta muito é de um subsídio, pergunte aos concessionários das barcas, trens e metrô aqui no Rio.

Ou seja, a revista apenas defende os anseios dos empresários que a sustentam com seus anúncios.

É de chorar, não é mesmo? Não. Ainda há o grand finale, quando o texto se encerra com a defesa do voto distrital, que leva ao bipartidarismo, favorece candidatos com maior poder econômico, dificulta a renovação dos ocupantes de cargos eletivos e vem sendo abandonado por um número de países muito maior do que aqueles que o adotam.

Agora pode chorar.

Sorrindo, só na posse. Agora, a presidente só aparece chorando

ALGUMAS DICAS PARA LER JORNAIS

Por Marcelo Migliaccio Do Blog Rio Acima

 


Aproveitando o texto Jornalismo para iniciantes, aqui vão algumas dicas de um jornalista experiente para que você consuma produtos da indústria da informação com um mínimo de segurança, ou seja, sabendo o que é realmente informação e o que é conversa fiada com interesses camuflados.

I - Comece a ler a primeira página dos grandes jornais de baixo para cima. Normalmente, o espaço superior, que os editores julgam ser mais nobre, é ocupado por manchetes destinadas a prejudicar a imagem de alguém ou de alguma corrente política, além disso, é no lá alto que os jornais colocam as promoções que usam para atrair o leitor que já não se interessa tanto por suas reportagens (tipo dar relógio de presente). É no alto também que são estampadas notícias de grande apelo popular mas discutível relevância, como o resultado do jogo do Flamengo ou a bela modelo eliminada do reality show.

Outro dia, a importante notícia de que o desemprego entre os jovens no Brasil havia caído pela metade estava lá embaixo, pequenininha, enquanto o desfile da Unidos da Tijuca era escancarado lá no alto…

Em geral, as marolas e intrigas políticas de ocasião, ganham grande destaque, enquanto fatos de importância para além da nossa época são negligenciados. Veja o destaque dado agora à suposta "crise" na base de apoio do governo.

Nos telejornais e nos informativos radiofônicos, em primeiro lugar eles dão aquela notícia que querem que você esqueça logo, como a denúncia de corrupção contra o político apoiado pelos donos da emissora e pelos empresários que a sustentam com seus anúncios. Deixam para o final aquelas informações que, para servirem a seus interesses, devem ficar na sua cabeça.

II - Repare nos verbos usados. Em jornalismo, o verbo é tudo. Se escrevem que o governador "afirmou", é uma coisa. Mas escrevem que ele "admitiu", já vem uma carga desfavorável implícita na semântica. "Sustentar", "reconhecer", "argumentar", entre outros, são verbos usados para colocar alguém em posição defensiva, jogando sobre este sempre alguma suspeição.

Por outro lado, se optam por "decretou", "sentenciou", "definiu" e "concluiu", isso mostra que o fulano em questão é um grande amigo do jornal. "Garantiu", então, é assinar embaixo do que o entrevistado falou.
Se o fulano "sacramentou", ele é amicíssimo!

III - Aos amigos, tudo, principalmente uma boa foto. Aos inimigos, uma careta. Uma vez, um ator e diretor de TV e teatro ligou para o jornal em que eu trabalhava para reclamar de uma foto dele publicada em ângulo desfavorável, Vaiodoso que só, não gostou de sair nas páginas de rosto franzido, Bolas, ele fazia um papel de vilão, a foto, do personagem, era pertinente... Com os políticos, essa distinção de imagem é muito usada. Algumas fotos chegam a ser sonegadas ao público, como foi recentemente aquela em que Dilma Rousseff e o ator Sean Penn apareceram lado a lado. Você viu?

IV - Um jornal não é do dono, é das empresas que nele anunciam. Por isso, H.L. Mencken, grande jornalista americano, dizia, já nos anos 1920, que um pasquim popularesco é mais confiável do que um gigante da mídia. Sem anúncios, um jornal é verdadeiramente independente (pena que não dura).

Imagine se um dos jornais em que eu trabalhei publicaria a denúncia de que o banheiro do Mc Donalds da Cinelândia havia se transformado em ponto de encontro de homossexuais e garotos de programa. Um absurdo, funcionários dizendo que nada podiam fazer e crianças se arriscando a se deparar com aquelas cenas. Claro que o editor disse pra eu jogar a apuração no lixo…

Outro chefe meu ignorou a situação caótica que testemunhei no Hospital da Posse, em Nova Iguaçu, porque a divulgação daquilo não seria nada boa para a facção política que detinha o poder na época.

Da mesma forma, jornais com muitos anúncios dos governos estaduais, municipais ou federal pensam dez vezes antes de publicar algo que realmente vá incomodar seus mantenedores. Fica sempre aquele morde e assopra entediante, em que pequenas denúncias frívolas se alternam a matérias escancaradamente chapa branca. Quando o governo Lula pulverizou a verba de publicidade em impressos, diluindo-a por jornais menores do interior, os grandes da mídia ficaram fulos da vida.

V - Leia os editoriais. Ali, onde os editores manifestam de forma mais clara a posição do jornal, fica evidente que corrente política eles apoiam e qual querem ver longe do poder, ou melhor, da chave dos cofres públicos. Gozado é que lá, onde têm a prerrogativa de opinar, eles procuram fazê-lo da forma mais suave possível, com uma linguagem rebuscada e fugidia que torna todo editorial chatíssimo de ler.

VI - Dê uma olhada na escalação do time de colunistas. Em geral, todos dizem o que o patrão quer, e por isso ele os coloca lá. Esses papagaios permitem ao dono reverberar suas opiniões e posições. já que só pensam em garantir seus empregos e têm como traço comum, além da cara de pau, a mediocridade. A tarefa calhorda é considerada tão nobre hoje em dia que alguns colunistas até se tornam imortais da Academia Brasileira de Letras.

Não deixe que aluguem a sua cabeça, mas, se não houver outro jeito, cobre um aluguel bem caro.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

NEM TODOS OS GATOS SÃO PARDOS...

Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre


Rodrigo de Grandis é procurador da República, em São Paulo. Procurador, como define o nome, procura e, quando acha, denuncia e acusa. Contudo, alguns procuradores e também juízes se transformam em políticos e, sendo assim, fazem política, escolhem lado partidário para apoiar e geralmente são conservadores ideologicamente, ou seja, cidadãos que “surfam” pelo espectro ideológico à direita.

O procurador De Grandis deixou, recentemente, dúvidas na sociedade, porque não pareceu muito cônscio de seus deveres, bem como deve ter sentido e percebido a mesma coisa o procurador-geral da República e seu xará, Rodrigo Janot, que acionou a Corregedoria do Ministério Público Federal para apurar a conduta de De Grandis, porque ele simplesmente, durante dois anos e oito meses, arquivou em pasta errada a solicitação de investigação do MP da Suíça.

Sendo assim, o procurador do MPF em São Paulo, Rodrigo de Grandis, paralisou as investigações sobre os supostos crimes de propinas pagas pela multinacional francesa Alstom a autoridades e servidores de São Paulo. Um absurdo a desculpa de De Grandis ou de qualquer servidor do MPF em São Paulo que trabalhe diretamente com o procurador esquecido e, consequentemente, com fraca memória.

É evidente que o arquivamento “equivocado” impediu uma investigação mais rápida e pontual sobre o escândalo das propinas pagas pela Alstom aos tucanos paulistas e seus aliados. Por sua vez, o MP suíço arquivou o caso na época, por falta de cooperação do MP chefiado por Rodrigo de Grandis. Os suíços solicitaram à Justiça brasileira que fossem feitas diligências de busca e apreensão na residência do ex-diretor da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), João Roberto Zaniboni, cidadão suspeito de ter uma conta na Suíça abastecida com US$ 836 mil (R$ 1,84 milhão), a  propina paga pela Alstom.

Esta é a ponta do iceberg, porque muita gente de diferentes escalões do governo paulista está envolvida, não somente com a francesa Alstom, mas também com a alemã Siemens, outra multinacional poderosa, com tentáculos no Metrô de São Paulo. E o procurador De Grandis a protelar e a praticamente esconder tais escândalos e tudo fica como está, como se nada tivesse acontecido, pois a impressão que se tem é que quando se trata de malfeitos de tucanos a impunidade corre solta e a Constituição é rasgada.

Trata-se, aparentemente, de um Judiciário e de um MPF do um peso e duas medidas, sendo que em pleno estado democrático de direito o sentimento de muitos brasileiros é de que esses poderes republicanos são seletivos ao investigar e punir. Por isso, resguardam certos nomes da política nacional, bem como protegem partidos e entidades que se aproximam de suas crenças, ideologias e conceitos ideológicos e políticos, ao tempo em que combatem, sem trégua, aqueles que porventura não rezam por suas cartilhas.

Seus “adversários”, virtuais ou não, são tratados como inimigos a serem derrotados, em nome de não sei o quê e quem, porque, não restam dúvidas, o papel de promotores e juízes é tratar das pessoas que cometem malfeitos. Entretanto, o que se vê e se percebe é que somente pessoas ligadas ao PT ou que participaram, por exemplo, da constituição de seu caixa dois de campanha é que são consideradas criminosas. Concomitantemente, os indivíduos que efetivaram e participaram das arrecadações milionárias do caixa dois do PSDB, do DEM e do PPS estão livres, leves e soltos.

O STF inaugurou no Brasil o quarto “P”, dos que sempre devem ser execrados, punidos e presos. O novo “P” é o P de petista, pois até então a tradição brasileira rezava pela cartilha dos três pês: puta, preto e pobre. Com isso, a democracia, às avessas, do Judiciário e do MPF brasileiros está a avançar. Afinal, os donos da Casa Grande provaram que ainda mandam neste País, pois eles são o próprio establishment, e gente togada e que se veste de preto, com absoluta certeza, é parte integrante e, por seu turno, essencial para que o sistema edificado para aquele que tem o domínio do capital perdure para sempre, mesmo com os trabalhistas e reformistas, mas jamais revolucionários estejam no poder há quase 12 anos.

Rodrigo de Grandis e muitos de seus colegas de perfis conservadores sabem que a luta de classe existe. Aliás, vou além: esquerdista, socialista, comunista e trabalhista que acredita que o episódio da derrubada do Muro de Berlin acabou com as ideologias e, consequentemente, com o fim da luta de classes, incorrem em grave erro filosófico, ideológico e político. É tudo o que a direita quer e deseja.

O mundo apenas mudou seus conceitos, mas os ricos, os exploradores, o sistema de capitais, o sentimento de colonizador e os procedimentos imperialistas jamais vão sumir da face da terra enquanto existirem as grandes corporações privadas e os estados beligerantes, a exemplo dos EUA e da Inglaterra, que vivem da guerra e fazem da morte o combustível de suas sobrevivências. Os conceitos apenas se modificaram para confundir a mente e a visão dos incautos, como o gato pardo à noite confunde o olhar de seus olhos.

Este foi o grande erro do PT. O partido e muitos de seus principais líderes e militantes consideraram que ao conquistar o poder seriam aceitos pelo establishment controlado pelos inquilinos da Casa Grande e proprietários dos diferentes meios de produção, dos bancos e das indústrias de armas e de petróleo. Em um primeiro momento, poucos meses de o presidente Lula assumir o poder em janeiro de 2003, a imprensa de negócios privados tentou compor com os novos “donos” do poder, e Lula, logo após sua vitória eleitoral, deu uma entrevista a William Bonner diretamente da bancada do Jornal Nacional.

Lula cometeu um erro estratégico, porque em hipótese alguma ou em qualquer tempo os magnatas bilionários da imprensa, da estirpe dos Marinhos, pensariam, com sinceridade, em apoiar ou pelo menos amenizar suas vocações golpistas e direitistas, no que tange à esquerda no poder, como provaram no passado quando tal oligarquia midiática combateu, sem água e trégua, os presidentes trabalhistas Getúlio Vargas e João Goulart, bem como o governador da mesma corrente política, Leonel Brizola.

A luta de classe existe, com outras características, sendo que ainda é preservado pelos conservadores os ditames da Guerra Fria, que tanto os beneficiaram e os enriqueceram. A direita tem mais saudade do dinheiro que ganhou quando o mundo era bipolar do que com os novos tempos, onde todos os gatos são pardos e seus antigos aliados se transformam em tigres, porque a concorrência econômica e geopolítica é voraz e feroz, sem tempo para ideologia, que o Cazuza queria ter uma para viver.

É ilusão a esquerda pensar que a luta de classe acabou, com o fim da União Soviética. Todo dia, rotineiramente, as classes dominantes e médias demonstram que a estratificação da sociedade em diferentes classes é uma realidade concreta e preservada pelos que freqüentam a parte de cima da pirâmide social. Os ricos e os médios odeiam a igualdade de oportunidades, as cotas e os programas sociais. Principalmente os que permitem aos subjugados se tornarem independentes. É uma questão primordial para quem está por cima e quer manter o status quo para dominar aquele que não tem nada, inclusive estudo.

A luta de classe é ideológica, existe e vai sempre existir, só que agora de forma mais dissimulada. A verdade é que a luta de classe representa o próprio embate ideológico, o que renega a igualdade entre os homens, para que uma classe minoritária se beneficie, mantenha seus privilégios, com o propósito de manter a hegemonia, a ser garantida pelo estado, por intermédio do dinheiro público, que financia os salários e as condições de trabalho dos policiais.

O Judiciário brasileiro e o Ministério Público são compostos por juízes e promotores dedicados e que trabalham em prol da sociedade. Contudo, inúmeros profissionais desse segmento são completamente desvinculados e dissociados dos interesses da população, além de serem politicamente conservadores e inseridos no contexto da luta de classe e também nos valores e princípios da burguesia.

Há muito tempo afirmo que o STF e o MPF são verdadeiras cidadelas da classe conservadora e que luta contra a inserção das classes mais pobres no mercado de consumo e no acesso à escolaridade de boa qualidade e superior. O procurador Rodrigo de Grandis representa fidedignamente os interesses do establishment, fato este que ocorre com muitos juízes dos tribunais superiores e com o ex-procurador da República, Roberto Gurgel, de triste memória.

Rodrigo de Grandis tem de responder por seus atos e ações. O procurador-geral Janot quer saber. A Corregedoria do MPF também. A sociedade está à espera. Afinal, trata-se de valores que superam o R$ 1 bilhão. O procurador De Grandis tem problema de memória, pois erra de pastas e por isso solicitações do MP da Suíça ficaram quase três anos arquivadas em alguma gaveta empoeirada da Procuradoria.

Não é a primeira vez que tal procurador comete erros graves e polêmicos. No decorrer da Operação Satiagraha, que prendeu o banqueiro Daniel Dantas duas vezes e duas vezes foi libertado pelo juiz do STF, Gilmar Mendes, Rodrigo de Grandis rapidamente pulou do barco e deixou à deriva o delegado e hoje deputado Protógenes Queiroz, bem como o juiz Fausto de Sanctis, que, sozinhos, enfrentaram a pressão fortíssima da imprensa de mercado e de Gilmar Mendes, que, prontamente, concedeu dois hábeas corpus em tempo recorde ao banqueiro.

A conduta de De Grandis aproximou o procurador do grupo de José Serra e da imprensa corporativa, pois até hoje os processos e investigações que envolvem o PSDB não tramitam com a celeridade necessária e muito menos os investigados, acusados ou denunciados são levados, concretamente, à Justiça. Quem não sabe, por exemplo, que os escândalos do Banestado, da compra de votos para a reeleição de FHC, dos mensalões do PSDB e do DEM, da privataria dos tucanos, que alienaram o patrimônio público brasileiro, da Lista de Furnas e agora os casos Alstom e Siemens, dentre inúmeros outros escândalos, nunca foram levados aos tribunais, no que concerne aos envolvidos responder à Justiça e, se culpados pelos malfeitos, punidos e presos?

O que não pode acontecer é o MPF e o Judiciário atuarem e agirem de forma seletiva, ou seja, não republicana. Essas instituições públicas devem satisfação ao povo brasileiro, porque as carreiras de juízes e promotores são, indubitavelmente, ligadas à sociedade quase que umbilicalmente, pois são partes integrantes de defesa do poder público, que representa os cidadãos ao tempo que lhes servem. 

O procurador Rodrigo de Grandis pode não ter cometido malfeitos, como a prevaricação ou simplesmente exercer sua função de forma seletiva quanto à tramitação dos processos e às investigações e denúncias. Contudo, ele é investigado pela Corregedoria do MPF. Afinal, procuradores não deveriam ser gatos pardos, principalmente quando se trata do PSDB. É isso aí.


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