sexta-feira, 20 de março de 2015

Gilmar faz o que quer, na hora que bem entender. Devolve Gilmar! Ou dane-se o Brasil

Por Davis Sena Filho — Palavra Livre


Daqui a poucos dias completar-se-á um ano desde que o juiz do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar “faço o que eu quero e na hora que bem entender” Mendes pediu vistas do processo da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4.650, de autoria da OAB, que, dentre outros itens, proíbe as doações privadas para as campanhas políticas, que, inegavelmente, também se transformaram em um meio sujo para se pagar propinas a corruptos ou ladrões do dinheiro público travestidos de servidores públicos, empresários, executivos e políticos, com a cumplicidade também de juízes e de policiais que resolveram incorrer em crimes.

Gilmar “faço o que eu quero e na hora que bem entender” Mendes, sempre atuou e agiu de forma autoritária, além de no decorrer desses anos todos se envolver com decisões judiciais polêmicas e contestáveis, bem como se tornou uma referência político-partidária para os partidos de direita, a exemplo do PSDB, DEM e PPS, e, com efeito, uma das “estrelas” das mídias de negócios privados pertencentes aos magnatas bilionários de imprensa, que sempre premiaram e cantaram loas e boas a juízes conservadores, ideológicos e dispostos a se comportar como verdadeiros políticos, a serviço do status quo e de interesses do grande empresariado, inclusive o internacional, além da oposição aos mandatários trabalhistas eleitos e reeleitos pelo povo a presidentes da República desde o ano de 2002.

Neste momento, Gilmar “faço o que eu quero e na hora que bem entender” Mendes senta em cima da Adin 4.650, sem delongas e despido de quaisquer constrangimentos, a demonstrar sua natureza casuística e arrogante, a indicar que não vai sair de cima do processo, a despeito de saber que é exatamente o financiamento de campanhas políticas pelo setor privado que tem permito a corrupção em âmbito público, a lavagem de dinheiro e o pagamento de propinas, como se fossem financiamentos de campanhas eleitorais, por parte de executivos e empresários criminosos.

Essas realidades têm causado graves prejuízos à estabilidade política e institucional, bem como favorecido o desenvolvimento de um clima golpista contra o Governo Trabalhista. Por sua vez, o frenesi histérico, vitaminado pela imprensa meramente de mercado, mexe com a direita, que, irresponsavelmente, sai às ruas a vociferar “contra tudo o que está aí”, porque é sua única pauta, a demonstrar intolerância e, sobretudo, ignorância sobre as questões brasileiras para pedir, absurdamente, a efetivação de um golpe militar. Chagall e Salvador Dali não seriam tão surreais.

Enquanto o caldo ferve e a jiripoca pia, Gilmar “faço o que eu quero e na hora que bem entender” Mendes aproveita o tempo que tem para conspirar e, por seu turno, dar declarações no sentido de ele afirmar que é o Congresso Nacional que vai decidir sobre questões relativas à reforma política, como se o juiz, pupilo de Fernando Henrique Cardoso — o Neoliberal I —, não fosse um magistrado com um passado repleto de enfrentamentos de carácteres políticos, contra a Presidência da República e as lideranças da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, a se intrometer, equivocadamente, em assuntos pertinentes ao Executivo e ao Legislativo, a criar crises propositalmente para impedir o Governo de governar e o Legislativo de legislar. Gilmar, sobretudo, optou por falar mais nos microfones das televisões ao invés de falar com mais assiduidade nos autos.

Quantas vezes o magistrado politicamente conservador não fez chicanas, a cooperar com a oposição tucana e seus aliados, a judicializar a política e a criminalizar o Governo e o Partido dos Trabalhadores, por meio dos bastidores do STF e das luzes das câmeras de televisões, das palavras escritas e faladas de jornalistas e “especialistas” de prateleiras, xeleléus, sabujos de uma nota só, bajuladores de patrões e chefes golpistas, que rejeitam e não se submetem à vontade do voto da maioria, pois inconformados com a derrota eleitoral de 2014.

Essa gente, incrivelmente, conspira de forma aberta, livre e ainda têm a desfaçatez de acusar o Governo petista de ser ditatorial, comunista, bolivariano, autoritário e que daqui a pouco vai tomar à força a poupança, os móveis e imóveis da classe média coxinha de alma lacerdista e que, em plena democracia e a pleno pulmões, reafirma sua incontinência verbal e ideológica ao pedir por um golpe militar. É assim: o Governo do PT, que governa democraticamente, é autoritário; mas, uma ditadura militar sonhada e reivindicada pelos coxinhas, ignorantes da história do Brasil e despolitizados, não. Então, tá. Durma-se com um barulho desses...       

Advogado-Geral da União do Governo FHC, o juiz condestável age e atua de forma política e parcial desde que foi nomeado para o mais importante tribunal deste País. Suas polêmicas decisões sempre deram a impressão à sociedade de algo estar no ar, porque Gilmar Mendes foi o primeiro dos presidentes do STF, após Lula chegar ao poder, a imiscuir-se de forma sistemática em assuntos políticos distantes de sua alçada como juiz e, obviamente, um dos mandatários do Judiciário brasileiro.

Este magistrado, fragorosamente de direita, repercutiu o verbo e abriu as cortinas do plenário do STF, que em seu mandato presidencial, bem como no mandato do juiz Joaquim Barbosa, vivenciaram um verdadeiro show de descalabros, gritos, ofensas e provocações, a deixar nuas as intenções políticas de juízes bravateiros e fanfarrões que, ao invés de silenciar e somente falar nos autos, resolveram optar pelos microfones e luzes das mídias familiares, que os trataram como “estrelas” da República de oposição aos governos populares de Lula e de Dilma Rousseff.

Lamentáveis o foram inúmeras decisões deste juiz, que tinham e ainda têm a finalidade de criar fatos políticos e jornalísticos, causar instabilidade institucional e, sobremaneira, favorecer os interesses da oposição demotucana. A última ação de Gilmar “faço o que eu quero e na hora que bem entender” Mendes é segurar por um tempo de um ano a proposta que dá fim ao financiamento privado de campanhas.

Agora, vamos à pergunta que não quer calar: se o juiz Gilmar Mendes critica com veemência a corrupção e a oposição de direita de maneira altissonante denuncia os malfeitos da República, porque, então, o magistrado “ídolo” da imprensa familiar e alienígena está a segurar a votação de importante ação direta de inconstitucionalidade de autoria da OAB? Afinal, o placar está 6 a 1 em favor do fim do financiamento privado a campanhas eleitorais, e é exatamente por causa disto que o condestável juiz pediu vistas do processo, ou seja, engessou sua aprovação pela maioria dos juízes do Supremo. Casuísmo na veia.

Qual é a intenção de Gilmar “faço o que eu quero e na hora que bem entender” Mendes? Por que a Rede Globo, a Globo News e suas congêneres se calam, não comentam, ao tempo em que apoiam e repercutem, como se fosse uma lavagem cerebral, as manifestações de índoles golpistas dos coxinhas udenistas, muitos deles fascistas e portadores de suásticas, como estupidamente fizeram questão de mostrar suas “puras” e “bem intencionadas” ações em prol da democracia, contra a corrupção e talvez a “tudo o que está aí”.

Contudo, não são possuidores de quaisquer pautas favoráveis aos trabalhadores e à melhoria de setores como a educação, a saúde, bem como jamais questionaram as corrupções cometidas pelos tucanos, notadamente em São Paulo, Paraná e Minas Gerais, além de não pedirem punições aos barões da imprensa empresarial, que cometem crimes de sonegação e depositam fortunas em contas numeradas no HSBC da Suíça, banco este acusado de lavar dinheiro até do tráfico de armas e de drogas, que, recentemente, pagou altas somas por meio de multas, nos Estados Unidos. Não vi e não ouvi nenhum coxinha fascista reclamar disso. Até os protestos dessa gente são seletivos, tais quais às notícias da imprensa burguesa de histórico golpista. Realmente, eles se entendem, pois farinha do mesmo saco.

Entretanto, para o desassossego de Gilmar Mendes, o ministro e presidente do STF, Ricardo Lewandowski, parece não conjugar com as intenções do reacionário colega, que bloqueou decisão que proibia expediente que mascara propinas como se fossem doações de campanhas, e a mídia corporativa e entreguista mais uma vez se calou. Lewandowski, de forma discreta, mas que para bom entendedor meia palavra basta, anunciou que vai dar prioridade ao julgamento de processos com pedido de vista. E para já. Evidentemente, que a Adin nº 4.650 vai ter sua votação de 6 a 1 colocada em pauta, com a aprovação do fim do financiamento privado às campanhas eleitorais.

“Pretendemos fazer um esforço para liberarmos o maior número possível de votos-vista em atendimento ao direito fundamental previsto no artigo 5º, inciso LXXVII, que é duração razoável do processo” — afirmou o presidente Lewandowsk. Portanto, vamos à segunda pergunta que teima em não se calar: como é que um juiz, a exemplo de Gilmar Mendes, prejudica uma votação tão importante para a cidadania, que aperfeiçoa o processo eleitoral brasileiro e que ajuda a combater a corrupção, tem a insensatez, a prepotência, a arrogância de ainda afirmar, após um ano sentado em cima da adin, que o STF não tem legitimidade para votar tal matéria, porque, segundo o juiz, somente o Congresso vai poder analisar o processo?

Assim não dá, cara pálida. Então quer dizer que enquanto o Congresso teve maioria governamental a política pode ser judicializada, bem como criminalizada, de acordo com os interesses da oposição tão afeita a Gilmar “faço o que eu quero e na hora que bem entender” Mendes. Como o Congresso está em uma fase de confronto com o Governo e uma maioria conservadora elegeu um presidente (deputado Eduardo Cunha – PMDB) oposicionista contumaz ao Governo Trabalhista de Dilma Rousseff, Gilmar acha por bem considerar que o Congresso é quem deve decidir sobre a adin, até porque no STF o magistrado de direita está derrotado, porque voto vencido.

Para finalizar, ressalta-se que, ao pedir vista da matéria votada, Gilmar Mendes deliberadamente favoreceu a corrupção eleitoral. E por quê? Respondo: as eleições de outubro de 2014 já poderiam se submeter às novas regras, com a aprovação da Adin nº 4.650. A resumir: as empresas, as corporações privadas teriam muito mais dificuldades para corromper servidores públicos e políticos, porque legalmente não poderiam mais financiar campanhas eleitorais.

Simples assim, apesar de eu saber que os tribunais regionais eleitorais, o TSE, o Ministério Público, os partidos políticos, a Polícia Federal e os cidadãos brasileiros estariam atentos para combater quaisquer ilegalidades e malfeitos, a denunciar criminosos e evitar que candidatos preferidos de empresários e das mídias conservadoras e golpistas recebam milhões, enquanto seus adversários ficam à míngua.

Gilmar Mendes atrasa o processo democrático brasileiro. Não trabalha em prol dos interesses do povo do Brasil. Este juiz soltou o multi-estuprador, médico Roger Abdelmassih, concedeu dois habeas corpus ao banqueiro, Daniel Dantas, em apenas 48 horas, e, com efeito, evitar suas prisões, bem como tentou deixar o ex-presidente Lula em uma situação difícil perante a sociedade, ao dizer que o líder trabalhista pediu a ele para julgar o caso “mensalão” após as eleições municipais de 2012. 

Não satisfeito em demonstrar sua vocação autoritária, o magistrado criou uma forte crise com o Governo Lula, a instigar controvérsias diplomáticas entre o Brasil e a Itália, a alimentar com notícias a imprensa conservadora, no caso do militante e ativista de esquerda, Cesare Battisti, a quem Lula concedeu asilo político, a evitar sua extradição para a Itália. Gilmar Mendes, o juiz de direita, tentou extraditar o italiano, ou seja, optou por fazer, deliberadamente, uma política de confronto ao presidente da República, que, verdadeiramente e constitucionalmente, é a autoridade responsável por decidir sobre extradição ou asilo político. Até hoje setores da direita partidária e a imprensa corporativa se mostram inconformados, distorcem os fatos sobre o assunto e tratam o asilo de Battisti com histerismo ideológico.    

Uma mentira terrível, desmesurada, coberta de maldades, interesses políticos e midiáticos, porém, desmentida pelo ex-ministro do STF e da Defesa, Nelson Jobim, e jamais comprovada, a exemplo dos grampos sem áudio entre Gilmar e o senador cassado do DEM, Demóstenes Torres, o ex-varão de Plutarco da Globo e da imprensa de mercado em geral, além do grampo com áudio, quando Gilmar “faço o que eu quero e na hora que bem entender” Mendes foi gravado pela PF, com a autorização do STF, a conversar com o ex-governador do Mato Grosso, Silval Barbosa, exatamente no dia que ele fora preso, em seu apartamento, na cidade de Cuiabá.

A Procuradoria Geral da República investigava o governador sobre casos de corrupção, e Gilmar Mendes telefona para um investigado, que teve a autorização do próprio Poder ao qual ele pertence para que sua residência fosse invadida pela Polícia Federal. Além desses fatos narrados sobre personagem da República envolto há anos em polêmicas, atos e ações reprováveis por muitos cidadãos deste País, aconteceram uma série de outras ações de tal juiz, que, se uma pessoa se interessar basta consultar a internet. A verdade é uma só: Gilmar Mendes não é um magistrado republicano. Ele faz o que quer, na hora que bem entender. Devolve Gilmar! Ou dane-se o Brasil. É isso aí.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Classe média mostra sua face antidemocrática e fascista, PT precisa reagir e Globo é inimiga



Por Davis Sena Filho — Palavra Livre

AH! EU SOU COXINHAAA!!!                  foto-  via brasilpost.com.br

As classes médias tradicionais e emergentes, compostas por grupos sociais reacionários, foram às ruas — aos milhares. Essas pessoas estão realmente dispostas a derrubar do poder a presidenta trabalhista legitimamente eleita, Dilma Rousseff, e, de forma autoritária e antidemocrática, mostram, sem quaisquer constrangimentos, seus lados fascistas, como o faz, historicamente, a direita em todos os países quando perde eleições e fica sem o controle dos governos centrais. A direita, por vocação e essência, é golpista, porque seu objetivo é o lucro e a hegemonia de classe social.

As palavras de ordem de conotações golpistas, os gritos recheados de palavrões e ofensas pesadas contra uma senhora mandatária da Nação, os bonecos de Lula e de Dilma enforcados, cartazes e símbolos a representar a suástica nazista, além de toda sorte de preconceitos e intolerâncias expressados sem qualquer ética e civilidade, deixariam o diabo, o pai da mentira, com náuseas e com as faces coradas de tanta vergonha.

Eis as multidões de classe média porta-vozes das forças políticas, ideológicas e econômicas que mais uma vez, a exemplo das passeatas de 1964, que alavancaram o golpe civil-militar, saem às ruas a carregar um ódio ideológico jamais visto nos últimos cinquenta anos, porque imagino que tal atitude desses reacionários só deve ter acontecido nos idos de 1964 e 1954, quando Jango e Getúlio tiveram de se deparar com movimentos politicamente à direita, a ter à frente setores golpistas das Forças Armadas, do empresariado, dos magnatas bilionários de imprensa (sempre eles) e da classe média sempre rancorosa e conservadora, que, a despeito das gerações, continua imutável no que concerne ao seu enraizado golpismo.

Percebe-se, nitidamente, que a classe média, principalmente a paulista, nostálgica da Marcha da Família, com Deus e pela Liberdade, de 1964, que descambou para uma ditadura de 21 anos, bem como saudosa da reação elitista e armada de 1932 contra um governo revolucionário, colocou em sua agenda a derrubada de uma mandatária eleita pela maioria dos eleitores brasileiros e que teve mais de 54 milhões de votos.

A pequena burguesia, indiscutivelmente, optou pelo confronto ao Governo Trabalhista, e vai continuar a realizar passeatas e protestos antidemocráticos, a “virilizar” pelas redes sociais seus interesses até então dissimulados, mas sistematicamente repercutidos por seus aliados e cúmplices da imprensa de mercado, por intermédio de cartazes, faixas, palavras de ordens, dizeres em camisas e camisetas, além dos sons dos trios elétricos, que não deixaram dúvidas que a intenção da burguesia não é patriótica, pois, com efeito, o propósito é conquistar o Estado, e, consequentemente, chegar ao poder, e, por sua vez, implementar-se a agenda política e econômica dos partidos derrotados nas eleições.

Soa como ridículo os coxinhas de classe média, de almas udenistas, chamarem o Governo Dilma de autoritário, bolivariano, comunista e até mesmo golpista, quando a verdade é que esse segmento social de valores direitistas se aproveita da plena democracia que viceja no Brasil para pedir “intervenção” militar, ou seja, simplesmente um golpe de estado, a usar, inclusive, a Constituição, que, segundo os golpistas, dispõe sobre o impedimento de presidentes da República.

Só que os coxinhas antinacionalistas e entreguistas têm de entender que a presidenta Dilma não cometeu crimes de responsabilidade ou qualquer malfeito, o que inviabiliza o golpe e a instabilidade constitucional. Ao contrário, se tem uma pessoa que não enriqueceu, esta pessoa atende pelo nome de Dilma Rousseff. Além do mais, as passeatas são bem-vindas, porque dessa maneira poder-se-á perceber o quanto esse segmento reacionário da sociedade se equivoca quando pede por uma intervenção militar em plena democracia. Trata-se, sobremaneira, de acinte e deboche contra a inteligência e a sensatez alheia.

De pensamento colonizado, a pequena burguesia golpista não suporta o Brasil e muito menos compreende o momento histórico que o País está a vivenciar. Na verdade, ela odeia o poderoso País sul-americano, como demonstra, inquestionavelmente, suas atitudes e palavras repercutidas pelas redes sociais. Diz cada coisa, que um cara como o Mussolini se sentiria um amador, porque ficaria espantado com tanta infâmia e desumanidade.

Depois saem às ruas, hipocritamente, a vestir a camisa da Seleção Brasileira, a empunhar mastros com bandeiras do Brasil e a dissimular, ao tempo que manipular suas verdadeiras intenções, que se propõem a derrubar uma presidenta constituída e que representa uma vertente do pensamento ideológico à esquerda do espectro político.

Trata-se do nacionalismo “global” praticado há décadas por essa gente portadora de um incomensurável complexo de vira-lata e que só dá “as caras” com seu nacionalismo alienado e despolitizado em corridas de fórmula 1 e esportes coletivos, como o futebol, pois compactuam com os interesses das empresas dos magnatas bilionários de todas as mídias cruzadas, que  se resumem a ganhar muito dinheiro de publicidade com as transmissões, de preferência por intermédio de dinheiro público, via Banco do Brasil, Caixa Econômica, BNDES, Petrobras, dentre outras estatais. Alguém deveria avisar aos magnatas bilionários, neoliberais e privatistas, que suas empresas deveriam ser privatizadas, pois quem as alimenta é o dinheiro do contribuinte. Ponto.

O nacionalismo coxinha é iníquo, pueril e leviano, sem eira nem beira, bem a gosto das classes médias “revoltadas”, vazias de pleitos sociais, porque desconhecem as realidades mais prementes do povo brasileiro e, por sua vez, não possuem capacidade para formular uma pauta reivindicatória, a ter, então, como saída para tanta incompetência e desconhecimento a reclamação, de forma altissonante ou histérica, sobre a corrupção e “tudo o que está aí”, sem, no entanto, perceberem que foi exatamente o Governo de Dilma Rousseff, por meio da Polícia Federal, que é subordinada ao Ministério da Justiça, que prendeu e puniu os ladrões do dinheiro público.

São servidores concursados no fim da década de 1980 e início dos anos 1990, que no decorrer do tempo não foram investigados, como, por exemplo, nos governos do tucano Fernando Henrique Cardoso — o Neoliberal I —, aquele que foi ao FMI três vezes, de joelhos, humilhado, com o pires nas mãos, porque quebrou o Brasil três vezes, além de hoje, aos 83 anos e somente lembrado pelas “elites” as quais serviu com esforço e dedicação, não ruborizar suas faces ao apoiar, recentemente, o impeachment de Dilma Rousseff.

Lamentável é o outono político de Fernando Henrique, pois medíocre e antinacional, que vendeu o Brasil igual a um caixeiro viajante e se recusou a pensá-lo, e, com efeito, transformar-se em estadista. Fazer o quê, né? Cada um e cada qual tem a dimensão histórica adequada ao seu tamanho político. E FHC é um anão político em toda sua plenitude, como verificarão inapelavelmente os historiadores e não os “historialistas” a serviço das famílias midiáticas, que nunca tiveram, não têm e jamais terão quaisquer compromissos com a independência do Brasil e com a emancipação do povo brasileiro. Sem sombra de dúvidas.
  
Todavia, a realidade é que essa gente está inconformada e com os olhos vermelhos de ódio e preconceitos. Estão furibundos, pelo motivo de seus candidatos e partidos não terem vencido as eleições, bem como a verdade é que essas pessoas não estão a brincar, e, se tiverem oportunidades, vão tentar derrubar a presidenta Dilma Rousseff, que até agora não reagiu à altura, por intermédio de comunicação do Governo, de seus líderes no Congresso Nacional e de seus aliados dos movimentos sociais, sindicais, estudantis e dos eleitores, aos milhões, que fizeram com que pela quarta vez consecutiva o PT vencesse as eleições presidenciais.

O que Dilma Rousseff espera? Por um golpe? O PT vai continuar a tergiversar sobre a realidade que se apresenta e não reagir a esse processo de imolação, criminalização, calúnia e difamação? A imprensa imperialista vai falar sozinha? O ex-presidente Lula e a presidenta Dilma têm de se reportar à sociedade, reconquistar a interlocução com sua base, que é a própria sociedade, a que é inquilina das camadas sociais mais pobres e populares. São nesses segmentos que estão os trabalhadores, os estudantes, os autônomos, a grande maioria dos servidores públicos, enfim, o povo.

O PT tem de entender que deve governar para quem elegeu sua candidata a presidente da República. Governar para quem acredita e apoia os programas e os projetos do Governo Trabalhista. A inimiga é a Globo. Ponto. Não há mais espaço para não compreender esta realidade, porque ela é factual e não hipotética. Ou o PT e o Governo Trabalhista tratem as Organizações(?) Globo como inimigas que querem, de fato, derrubar a presidenta Dilma Rousseff, ou arquem com as consequências — o golpe.

O PT tem de se reportar ao PMDB, negociar com paciência e cobrar desse partido, tradicionalmente moderador dos conflitos políticos, sua responsabilidade quanto à governabilidade. No Brasil de dimensões geográficas continentais não se governa e não se tem maioria no Congresso sem fazer alianças. Se um presidente brasileiro, seja qual for o partido e a ideologia, pensa que vai conseguir governar sem costurar a colcha de retalhos, que é formalizar uma coalizão, está redondamente equivocado, e, por seu turno, poderá sacramentar o fim de seu próprio governo.

Contudo, ainda tem solução viável para estancar esse sangramento, cuja adaga está nas mãos de uma imprensa familiar, massacradora, irresponsável, historicamente golpista e que diuturnamente lincha a mandatária eleita, criminaliza o PT e judicializa a política para fins de conquistar o poder central antes das eleições de 2018, a considerar, inclusive, uma aliança com o PMDB, até porque este partido tem força moderadora e, quando o processo político se encontra estável, a governabilidade se torna menos crítica e conflituosa.

Dividir o PMDB e levá-lo à oposição é o que quer a direita midiática e os partidos PSDB, DEM e PPS. Vale ressaltar que o PSDB quando esteve no poder também contou com a força moderadora do PMDB. Evitar esse processo draconiano de dissolução da aliança governista tem de ser a prioridade do PT e do Governo Trabalhista. Esta é a leitura correta a ser feita, pois, do contrário, o PT fica sem base política e vai ter enormes dificuldades para governar. Além disso, este é o desejo da oposição derrotada em 2014 e inconformada por não ter o controle dos recursos orçamentários federais há 12 anos, sendo que ainda tem quatro anos para Dilma Rousseff governar.

Por isto e por causa disto, a tentativa de engessar o Governo Trabalhista, fazê-lo sangrar, impedir que seus programas e projetos sejam realizados e criminalizá-lo ao máximo, por meio das mídias de negócios privados, do Judiciário e do Ministério Público burgueses, que jogam no time dos ricos, 24 horas por dia, todos os dias da semana, mês a mês, no decorrer de 365 dias, até que em certa eleição futura os pobres e os trabalhadores, as classes populares e os movimentos sociais ligados ao PT, ou que sempre optaram em votar no Partido dos Trabalhadores, troquem de lado e votem na direita dos coxinhas golpistas.

A direita que sempre explorou economicamente as classes populares, violou seus direitos humanos e trabalhistas e sistematicamente atuou contra os interesses do Estado brasileiro e dos trabalhadores. A direita da ditadura militar. É tudo isto que está em jogo. Se o PT e o Governo Trabalhista não enxergam estas realidades, então, que preparem seus caixões, encomendem o velório e se satisfaçam com seus enterros. Reagir é necessário e imperativo. O Governo Dilma e o PT ainda têm, sem sombra de dúvidas, muita força para se contrapor ao golpe, com a parceria estratégica do PMDB. É isso aí.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Revolta dos miamiplayboys visa o golpe — o crime. Protestar pode. Dar golpe, não



Por Davis Sena Filho — Palavra Livre
 
Sabe-se como os golpes começam, mas nunca como acabam. Foto- pragmatismo político


Os miamiplayboys sem causa ou de causa reacionária, iguaizinhos aos coxinhas udenistas e lacerdistas de classe média dos idos de 1964, usam o tema da corrupção para afrontar a inteligência alheia, pois o propósito é manipular os fatos e as realidades que ora acontecem na política brasileira, bem como dissimular a verdade que está por trás de seus interesses, que é pura e simplesmente dar um golpe institucional na presidenta trabalhista, Dilma Rousseff, recém-eleita para governar o Brasil por mais quatro anos.

É sempre assim que procede a pequena burguesia, massa de manobra da grande burguesia, que terceiriza seu ódio a esses patetas ideológicos despolitizados, que não têm um mínimo de compreensão sobre a história do Brasil, além de não saberem o que realmente está em jogo, quando a direita brasileira, recentemente derrotada nas urnas, não reconhece a vitória legítima da candidata do PT e passa a apostar em golpes e, portanto, no rompimento institucional, a rasgar a Constituição e a mandar para o espaço o estado de direito.

A verdade é que os miamiplayboys desse Brasil varonil não se preocupam realmente com a corrupção e “tudo o que está aí”, como indica o bordão dos que preferem, quando sem respostas no que concerne ao contraditório relativo às suas ideias e atitudes, defenderem-se ou simplesmente debochar ou desprezar por meio da onomatopeia “mimimi”, que, sem dúvida, demonstra a pouca capacidade cognitiva desses coxinhas udenistas, além da baixa tolerância que esse grupo social possui quando se depara com pensamentos e conceitos antagônicos aos seus.

O que se percebe de fato é que os miamiplayboys sem causa e reacionários por natureza estão revoltados mesmo é com a ascensão social de enorme camada da população, que, antes dos governos petistas, tinham apenas o direito de se locomoverem para seus bairros de classe média e média alta para servirem apenas como empregados, mas nunca como cidadãos com direitos e deveres plenos, bem como terem acesso ao consumo, o que, sem sombra de dúvida, realidade esta que deixa a pequena burguesia extremamente revoltada, rancorosa, inconformada e até violenta.

Afinal, esses segmentos são reacionários, ideologicamente conservadores e socialmente preconceituosos. Não se combate esses sentimentos macabros, pérfidos e infames em apenas 12 anos de governos trabalhistas. A sociedade brasileira é herdeira de uma escravidão de quase quatro séculos e, evidentemente, que amplos setores da sociedade, os que sempre estiveram por cima da carne seca, jamais vão permitir tamanha “ousadia” e “atrevimento”.

Por isso, os miamiplayboys jamais concordarão que seus empregados domésticos, os operários de obras, os eletricistas, marceneiros, vidraceiros e bombeiros hidráulicos de empresas ou autônomos, além dos que trabalham como servidores do estado, a exemplo dos garis, que sempre os serviram de forma invisível, de repente terem acesso aos paraísos de consumo e de desenvolvimento humano, retratados em seus bairros aprazíveis e seguros, shoppings, restaurantes, praias, aeroportos, clínicas médicas, clubes, supermercados, cabeleireiros, escolas e universidades públicas.

De forma alguma. Para certos grupos de coxinhas miamiplayboys é preferível morrer de que ter que compartilhar, não somente “seus” pretensos espaços, mas, sobretudo, verificar que grupos sociais historicamente abaixo de suas condições sociais cheguem perto do status quo conquistado por seus pais e antepassados.

Este sentimento de rejeição recrudesce ainda mais quando certos inquilinos da classe média e alta são emergentes, o que os leva a ficar furiosos, porque acreditam que suas “vitórias”, no que tange à ascensão social, foram conquistadas por eles próprios, sem quaisquer ajuda do estado e de quem quer que seja, apesar de terem empregados a fazer crescer seus negócios, e, em um momento ou outro de suas trajetórias, terem, certamente, sido beneficiados com empréstimos e financiamentos de bancos estatais, bem como pela melhoria da desburocratização, que, inclusive, legalizou milhares de empresas de portes pequenos e médios, como se verifica nos últimos 12 anos.

Os protestos de parte da população conservadora e que surfa no campo ideológico da direita são politicamente estéreis, porque se visam o impedimento de uma presidenta legalmente e constitucionalmente eleita pela maioria da população, tornam-se sem fundamento a partir da hora que a Presidenta Dilma Rousseff nunca teve seu nome, nem de longe, envolvido em quaisquer ilegalidades ou malfeitos, bem como sua conduta moral, no decorrer de toda sua vida política e pessoal, nunca deu margem a desconfianças e a acusações referentes à corrupção ou a qualquer crime de responsabilidade.

A crise do Brasil se chama imprensa. As mídias cruzadas dos magnatas bilionários são a crise, e não reconhecem os avanços sociais, políticos e econômicos que ocorreram neste País nos governos trabalhistas de Lula e Dilma.  E quem são os replicadores das “crises” midiáticas e sistemáticas, pois consumidores vorazes de notícias corriqueiramente manipuladas e distorcidas? Respondo: os coxinhas udenistas de classe média — os miamiplayboys do Brasil —, que odeiam seu País, porque não conhecem suas realidades, povo, regiões, culturas e história. Em contrapartida, adoram os Estados Unidos, a demonstrar, sem quaisquer constrangimentos, seus complexos de vira-latas e seus pensamentos completamente colonizados.

Apesar de suas vidas terem melhorado e a ascensão social dos mais pobres não influenciar em suas vidas individualistas que propagam a tal de “meritocracia”, os coxinhas neoliberais acreditam que o Brasil acabou tal qual ao Armagedom bíblico. Puro embuste e talvez equívoco, porque é difícil acreditar que essa gente pense que o País está em situação de calamidade administrativa, econômica, financeira e totalmente entregue à iniquidade e à corrupção.

Seria muita burrice ou má-fé. Talvez as duas opções juntas, porque o que se vê, de fato, é a Petrobras cada vez mais forte, pois, com efeito, a brasileiríssima estatal está a ser depurada e os corruptos e corruptores a serem punidos no Governo de Dilma Rousseff, onde atua uma Polícia Federal livre para agir e subordinada ao Ministério da Justiça.

Não vai ser de bom alvitre se os miamiplayboys rebeldes sem causa não perceberem que, a despeito do reacionarismo natural de quem tem alma udenista, O Governo Trabalhista é forte, não está sitiado, como propagam o tucano derrotado e golpista, senador Aécio Neves e seus prepostos, que até hoje estão inconformados com a quarta derrota para o PT e querem tirar na marra uma mandatária que manda investigar crimes contra o patrimônio público e não passa a mão na cabeça de quem cometeu malfeitos.

A imprensa de negócios privados e seus abutres podem voar atrás de carniça ou cacarejar sem parar e a fomentar o golpe, porque não conseguirão mais uma vez trair o povo brasileiro, como em 1964. Podem os políticos do PSDB, do DEM e do PPS apostarem na destituição de Dilma Rousseff, mas não passarão. Pode a esquerda de pensamento radical e simplório, que não percebe que faz o jogo da direita, a exemplo do PSOL, ficar histérica, mas não vai conseguir derrubar o Governo Trabalhista.

Enfim, pode o presidente da Força Sindical, o Paulinho da Força, juntar-se ao que tem de pior na política do País, que são os segmentos reacionários que desejam a volta do atraso e do retrocesso. Uma vergonha este homem, porque representa parcela importante dos trabalhadores. E podem os lorpas e pascácios acreditarem que a marcha dos miamiplayboys despolitizados vai fomentar o impeachment de Dilma Rousseff.

Evidentemente que não. É como se o Brasil, a sétima economia do mundo, integrante importante e fundador dos Brics, do Mercosul, da Unasul e do G-20, além de ter uma democracia consolidada, fosse ficar de joelhos e permitir que aventureiros, em nome de seus interesses privados e escusos, tomassem para si a Presidência da República por intermédio de um golpe, ou seja, de crimes. O Governo de Dilma Rousseff tem a força das urnas e a compreensão dos outros poderes da República de que a legalidade constitucional é o que norteia a Nação. Miamiplayboy protestar pode. Dar golpe, não. É isso aí.     

segunda-feira, 9 de março de 2015

O coxismo paneleiro ou o panelaço dos sem fome

Por Davis Sena Filho — Palavra Livre


"Será que essas panelas batem por que não há carros de luxo para pronta entrega nas concessionárias, já que a oferta está muito menor do que a demanda? Será que batem por que as filas de espera em restaurantes de luxo continuam grandes? Ou será que batem por que as viagens a Miami e os gastos de brasileiros no exterior continuam crescendo? Só tenho certeza que elas não batem pelos milhões de brasileiros que nos últimos anos, durante os governos Lula e Dilma, deixaram a linha da pobreza. Ou pelos outros milhões que chegaram à classe média". (Luiz Marinho, prefeito de São Bernardo do Campo)

O Mau Dia Brasil, um dos jornais panfletários da Rede Globo e a serviço do campo político conservador, locupletou-se, hoje, com informações propositalmente editadas sobre o caso de corrupção na Petrobras, que está a ser severamente combatida pelo Ministério da Justiça, do Governo Dilma Rousseff, a ter como subordinada à Pasta a Polícia Federal, que nunca em sua história esteve tão livre para atuar e concretizar suas ações de investigações e prisões de corruptos e corruptores.

Até então, os governantes anteriores, como, por exemplo, os do PSDB, nunca investigaram nada e não prenderam ninguém. Pelo contrário, o Governo de Fernando Henrique Cardoso — o Neoliberal I — contava com a atuação desastrosa para o País do procurador-geral, Geraldo Brindeiro, autoridade conhecida também como engavetador-geral da República, que ficou célebre em não permitir que denúncias e processos fossem à frente e chegassem às barras dos tribunais.

Agora, o Brasil está a se deparar com os protestos de eleitores conservadores e pessoas não afeitas à democracia, e, portanto, contra a inclusão social e a distribuição de riqueza e renda. Afinal, se tem uma coisa que coxinha udenista de classe média não admite é seu indisfarçável elitismo, seus preconceitos que remontam os seus mais longínquos antepassados, que são demonstrados, na maior “cara dura”, por intermédio das redes sociais, em seus lares e trabalhos, além de repercutirem ódios e intolerâncias nos bares espalhados por este País.

Os jornais televisivos, as rádios, as publicações e a internet replicam o pensamento da direita e não abrem espaços aos seus adversários para que eles possam falar de seus propósitos como governo e ao menos se defender de acusações, muitas delas levianas, seletivas e manipuladas, pois o objetivo é hegemonizar o pensamento conservador e fazer com que grande parte da população brasileira tenha acesso a um jornalismo monocórdio, no qual apenas um lado fala, acusa, denuncia e inapelavelmente massacra seus adversários, sem dar oportunidade ao contraditório e àqueles que são acusados, mas não podem se defender na mesma dimensão dos aliados políticos dos magnatas bilionários de todas as mídias cruzadas e cartelizadas.

O Brasil está a vivenciar o coxismo paneleiro ou o panelaço dos sem fome. É inacreditável, pois, com efeito, surreal a manipulação midiática sobre tal “protesto” quando indivíduos das classes média, média alta e ricas resolveram bater em panelas, como se esse ato de conotação demagógica tivesse a autenticidade daqueles que realmente passam fome ou que foram reprimidos pelas ditaduras militares, que vicejaram durante décadas na América do Sul.  

Ao tempo que batiam nas panelas, tais coxinhas de barrigas cheias e de modos raivosamente lacerdistas começaram a desligar e ligar as luzes de suas casas e de seus apartamentos confortáveis, localizados nos melhores bairros de Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Belo Horizonte. De acordo com o Mau Dia Brasil, os protestos têm como motivo principal o pronunciamento de Dilma Rousseff na televisão, quando a mandatária trabalhista falou à Nação para explicar as últimas decisões do Ministério da Fazenda, bem como sobre a corrupção na Petrobras, que começou no fim dos anos 1980 e praticada por funcionários de carreira, concursados, que, com o tempo, conquistaram postos de poder e mando, para, no fim, envolverem-se em corrupções, que hoje estão à mostra para todo o Brasil, de forma transparente e livre de tergiversações.

O coxismo histérico, desembestado e o panelaço dos sem fome, ocorridos na noite de domingo é um prévia das manifestações que ora acontecerão, no dia 15 de março. Pelo o que eu vi, essas encenações podem até chamar a atenção, porque a imprensa meramente de mercado e que deseja há mais de um século pautar os governantes e a sociedade brasileira vai repercuti-las a exaustão. É assim que a banda toca nesses pagos ou plagas. Não há como ser diferente, porque por meio do voto a direita brasileira está a perder a quatro eleições.

Entretanto, é salutar que as instituições democráticas exijam que o estado de direito seja respeitado, para que não haja no futuro confrontos entre os partidários da direita deste País contra os militantes das esquerdas brasileiras e dos movimentos sociais ligados a elas. Uma tentativa de golpe de estado não seria sensata e muito menos possível de acontecer, porque não vivemos mais em um Brasil ainda quase agrário, desinformado e com uma população com muitos analfabetos, como acontecia em 1964.

Reconheço que a direita não desiste nunca para ter seus privilégios e benefícios jamais diminuídos, porque deixar de tê-los é quase impossível em um País como o Brasil, onde viceja um capitalismo selvagem, patrono de uma das mais perversas e mórbidas concentrações de renda do mundo. O que nós, da esquerda, queremos é distribuição de renda e riqueza, combate à pobreza, inserção social plena à população, além de um Estado nacional forte e que facilite o acesso à saúde, à educação, ao emprego e à moradia de boa qualidade. O restante vai se conseguir aos poucos, mas sistematicamente. O que a esquerda e o Governo do PT querem é o Brasil independente e o povo emancipado. Ponto.

Esses pontos centrais são o que a direita quer evitar que se concretizem. Os reacionários de classe média, os ricos e seus partidos conservadores aliados da imprensa de negócios privados sabem disso. Porém, por sabê-lo, dissimulam, manipulam e mentem sobre as realidades ora apresentadas nesse contexto de crise na Petrobras, que se transformou em uma novela de estilo mexicana nos telejornais, que dia a dia massacram seus adversários, porque são matrizes do ódio político e da intolerância racial e de classe social.

Se alguém duvida, que se dê o trabalho de ler os comentários de coxinhas udenistas sedentos de sangue, que odeiam a igualdade entre as classes e que se mostram, indisfarçadamente, rancorosos e intolerantes com a ascensão social de parcela da população, que sempre serviu a essa gente como trabalhador braçal e mão de obra barata. Para um coxinha, ver negros, nordestinos e pobres a frequentar os shoppings, as universidades públicas, os aeroportos, os restaurantes, os cinemas e os bairros onde moram como consumidores é o fim da picada. Para os coxinhas udenistas de almas lacerdistas é preferível morrer.

Por isso, essa gente se sente traída pelo Governo Trabalhista e popular, que também a beneficiou e facilitou seu acesso aos bens de consumo tão afeitos ao coxismo paneleiro amante de Miami e Nova York. A quem interessou o panelaço dos sem fome? Respondo: ao PSDB e ao DEM, aos magnatas bilionários de imprensa, ao empresariado rural e urbano direitista e fundamentalista, que age por intermédio de suas federações e confederações, à parte da classe média ideologicamente conservadora e vingativa, pois inconformada, deveras, em dividir “seus” espaços com os mais pobres.


A verdade é a seguinte: o protesto de classe média não teve o alcance desejado pela oposição demotucana. De forma alguma. Tanto o é verdade que o hashtag#DilmadaMulher, que teve a intenção de apoiar a mandatária deste País foi uma das mais usadas pelos internautas, ao ponto de entrar para o trending topics do Twitter. Este fato ocorreu no decorrer do pronunciamento da presidenta Dilma Roussef. A resumir: os coxinhas não representam a maioria do povo brasileiro, que deu à Dilma mais de 54 milhões de votos. O panelaço e o coxismo aconteceram somente em bairros nobres de algumas capitais. Protestar pode; dar golpe, não. É isso aí.