quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

História une Lula a Getúlio para derrotar FHC e Lacerda


Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre

No dia 24 de agosto de 2013 vai se completar 59 anos da morte do grande estadista Getúlio Dornelles Vargas. Ao acordar, pensei no notável político que foi o gaúcho da cidade de São Borja, berço do trabalhismo brasileiro. Lembrei que o Senado homenageou, em 2004, o grande estadista, em uma sessão especial, da qual participei por meio de convite, pelo transcurso dos 50 anos de seu trágico desaparecimento e que, contraditoriamente, propiciou naquele momento a derrota da direita brasileira, que estava há poucos momentos de efetivar mais um golpe de estado.

O Senado, instituição republicana por onde passaram vultos importantes de nossa história, entre eles o general gaúcho, Pinheiro Machado, e o doutor das letras, o baiano Rui Barbosa, sempre relembrou e homenageou as pessoas que ajudaram a pensar e a construir este País. É tradição, e, a meu ver, assim continuará, pois se trata de uma Casa augusta, enraizada na história do Brasil, além de ser um fórum político muito importante de deliberações e decisões em âmbito nacional.

Pensei em Getúlio e em sua grandiosa obra. Refleti sobre seu imenso legado, e, conseqüentemente, em seus opositores, ferozes e injustos, desrespeitosos e ousados, mas, principalmente, oportunistas e mentirosos, combustíveis da violência daqueles que querem assumir o poder pela força das armas. Uma oposição de direita, sobretudo, herdeira da escravidão e contrária ao desenvolvimento social e econômico que a população brasileira estava a experimentar pela primeira vez em sua história.

O Brasil, até então, era um País de herança escrava, atrasado. Cerca de 70% da população, em 1930, vivia no campo. Para ilustrar ou dimensionar o que foi Getúlio Vargas recorro ao saudoso professor, fundador da Universidade de Brasília (UnB) e criador do CIEP, senador Darcy Ribeiro, que disse a seguinte frase: "Quando você pensa que coisas elementares para qualquer País como os Ministérios da Educação, da Saúde e do Trabalho não existiam no Brasil antes de 1930; quando você pensa que não havia jornada de oito horas de trabalho, não havia direito a férias, a sindicato, à greve, e constata que quem introduziu isso tudo foi Getúlio, mesmo reconhecendo seus defeitos não se pode esquecer sua importância histórica".

A constatação do mineiro Darcy Ribeiro personifica e sedimenta a vida política, o ideário do estadista gaúcho, herdeiro de Júlio de Castilhos e, filosoficamente, positivista. Não há como, de forma imparcial, dissociar Getúlio Vargas do desenvolvimento do Brasil, e, por conseguinte, da inserção de nosso País no rol dos países que são considerados civilizados.

Getúlio civilizou a sociedade brasileira, porque garantiu os direitos civis e trabalhistas, bem como permitiu que o cidadão brasileiro se tornasse independente, por intermédio da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), da instituição do salário mínimo, da organização dos sindicatos, do direito à greve, do acesso das massas à educação, da criação da Previdência Social e da Justiça do Trabalho.

Além disso, Getúlio reorganizou o estado nacional ao instituir o concurso público, para depois centralizá-lo e com isso obrigar os estados a serem, de fato, federados. Naquela época, os governadores eram chamados de presidentes, e as oligarquias rurais e urbanas controlavam os governos estaduais, administravam o dinheiro público sem darem satisfações a um poder central, que hoje tem instrumentos como a Receita Federal, a Polícia Federal, o Ministério Público e as procuradorias, que combatem o desvio de recursos e apontam aqueles que são os responsáveis pela corrupção e por diversas modalidades de crimes financeiros e fiscais. A punição fica a cargo dos tribunais do Judiciário, não se pode confundir.

Por tudo isso, não é correto, historicamente, negar o valor e a importância de um homem, raro, como Getúlio Vargas. Ele, juntamente com homens da importância de Oswaldo Aranha, Lindolfo Collor, Francisco Campos, Gustavo Capanema, Pedro Ernesto, Juarez Távora, Tancredo Neves, Assis Brasil, Juracy Magalhães, Alberto Pasqualini, João Goulart e, posteriormente, Leonel Brizola, entre muitos outros, revolucionaram o nosso País, que até então era rural, voltado à agricultura e à pecuária, além de exportar minérios, sem, entretanto, agregar valor algum.

Essa brilhante geração de políticos realmente pensou o Brasil e o construiu, solidificando-o para o futuro, mesmo quando este mesmo futuro não foi tão bom para os brasileiros — vide os homens que vieram a governar este País após a morte de Getúlio Vargas e da queda de João Goulart, o Jango, no ano de 1964. Em vez de darem continuidade à sua monumental obra, tentaram desconstruí-la, aos poucos, de governo a governo.

Ao contrário dos Estados Unidos, cujos presidentes, em sua maioria, deram continuidade à obra social e econômica de Franklin Delano Roosevelt, os ditadores do período militar e os presidentes José Sarney, Fernando Collor e o tucano Fernando Henrique Cardoso, conhecido também como FHC — o Neoliberal — anunciaram o fim da Era Vargas.

FHC — o Lesa-Pátria —, com sua vaidade e petulância de "aristocrata" ou de cafeicultor paulista quatrocentão, além da vocação para intelectual sociológico, colocou em prática sua característica principal como mandatário: nenhuma praticidade e vontade para fazer do povo brasileiro um povo orgulhoso e satisfeito com os rumos de seu País.

Vendeu empresas públicas lucrativas e organizadas, que serviram de base para o nosso desenvolvimento. Estatais, a exemplo da Vale do Rio Doce (obra de Getúlio) e a Telebras hoje mutilada e dividida entre os estrangeiros em várias partes, foram alienadas do patrimônio público brasileiro e vendidas a preços tão baixos que hoje soam como piada. De mau gosto, é claro.

Em vez de ter papel social, a Telebrás, dividida pela iniciativa privada estrangeira e nacional, transformou-se apenas em prestadora de serviços de telefonia dos mais caros do mundo. Por seu turno, essas empresas são as campeãs de reclamações no Procon. Realmente, as telefônicas privadas dão nos nervos da população, porque quando algo ou alguém somente visa o lucro, não há como priorizar a sociedade e nem respeitar seus direitos fundamentais, garantidos pela Constituição e pelo Código do Consumidor. Portanto, considero que as agências reguladoras e o governo têm de ser duros com os maus empresários e cobrar, sem tergiversar, o que é definido pelos contratos.

As empresas de telefonia se recusam a investir nos rincões do Brasil e até hoje não disseminaram o sistema de banda larga, porque não têm competência para realizar tal projeto, além de considerá-lo caro para seus cofres abarrotados de dinheiro, valores monetários que, evidentemente, vão para fora em forma de remessa de lucro e com isso ajudar a gringada a amenizar o colapso financeiro, econômico, social e moral pelo qual estão a passar, por causa do derretimento do fracassado e desumano neoliberalismo, a partir de 2008. Somente os "especialistas" da imprensa de negócios privados comprometidos com o grande capital "não percebem" essas realidades. Eles não são uns gênios, prezado leitor?

O neoliberal tucano FHC, na verdade, não governou como presidente de uma Nação, e sim como corretor de imóveis e de empresas à venda. Lula trilhou um caminho contrário e fortaleceu o estado nacional, que, posteriormente, tornou-se o maior responsável pelo Brasil praticamente não sofrer com a crise econômico-financeira internacional, que acometeu o mundo no ano de 2008. Lula vem do trabalhismo paulista, que é diferente do gaúcho, mas que, no fim das contas, tem os mesmos interesses políticos e sindicais, porque se trata de defender os interesses dos trabalhadores. E é esta a questão primordial.

Lula, mandatário que já tem um lugar de honra na história do Brasil, tal qual Getúlio Vargas, apenas compreendeu o trabalhismo do antigo PTB e do PDT e passou a trabalhar, de forma programática, essa realidade na Presidência da República. A direita percebeu e sua ponta-de-lança, a imprensa de mercado, passou a combatê-lo, como o fez com Getúlio, Jango e Brizola, ao ponto de, em 2005, quase ser derrubado por essa estratégia conservadora, que se valeu do caso do mensalão para sangrá-lo politicamente, enfraquecê-lo, porque no ano seguinte haveria as eleições para presidente. Todo esse processo teve a cumplicidade da cúpula do PSDB e, obviamente, do DEM, que é o pior partido do mundo, pois tão conservadores quanto os republicanos do Texas. Eles, juntamente com os tucanos paulistas, são o Tea Party brasileiro.

Lula percebeu, juntamente com Marco Aurélio Garcia, assessor para Assuntos Internacionais da Presidência, Márcio Thomaz Bastos, ministro da Justiça, Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores, Dilma Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil e Luiz Dulci, ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, que estava em jogo não apenas a luta pelo poder em termos civilizados, partidários, eleitorais e constitucionais. O que estava a acontecer era uma conspiração de setores reacionários da vida brasileira, que colocavam em risco o seu mandato de presidente da República conquistado, inquestionavelmente e democraticamente, nas urnas.

O presidente trabalhista avisou aos seus ministros: "Continuem trabalhando no Ministério, porque eu vou para as ruas". Dito e feito. Lula subiu para o Nordeste, e de lá avisou aos golpistas que não aceitaria golpe de estado. Posteriormente, o político fundador do PT e da CUT disse que o problema da direita, dos conservadores é que eles nunca se depararam e trataram com um presidente cuja origem tem raízes profundas no sindicalismo, na ala progressista da Igreja Católica e nas organizações sociais. Trata-se de um triunvirato poderoso, porque ele é enraizado na alma do povo, e, por conseguinte, ramificado em todos os setores da sociedade brasileira. A direita percebeu e recuou. Ela é cruel, mas não é e nunca foi idiota.

O governo neoliberal e entreguista do tucano FHC, que envergonhou a verdadeira social-democracia, principalmente a europeia, deveria, na verdade, ter se espelhado em Getúlio Vargas, que ofereceu propostas e efetivou não um programa de governo, mas, sim, de estado para o País, com sua equipe e, obviamente, com a força dos trabalhadores brasileiros. Se Getúlio é considerado em um período ditador, como gostam de afirmar os "gênios" da imprensa privada golpista, o que pensar então das políticas econômicas e sociais dos cinco ditadores militares, de José Sarney, Fernando Collor e, principalmente, do neoliberal Fernando Henrique Cardoso?

Existe ditadura mais cruel? E há crueldade maior do que a da imprensa comercial e privada? Esta, historicamente, liga-se a políticos que fomentam o jogo de interesses do grande capital nacional e internacional. Barões da imprensa que compactuam, como sempre, com os conspiradores de outros segmentos, que se dedicam a derrubar ou ridicularizar quaisquer políticos que tenham propostas nacionalistas, projetos para o País e programas de governo voltados para o desenvolvimento social, que visam emancipar o povo brasileiro. Programas e projetos exemplificados em Getúlio Vargas, João Goulart e Luiz Inácio Lula da Silva, bem como em Juscelino Kubistchek, que, por pensar em seu futuro político, apoiou, em um primeiro momento, o golpe de estado de 1964. Depois Juscelino percebeu seu grave erro e passou também a combater, corajosamente, a ditadura civil-militar, que o perseguiu e o humilhou.

CARLOS LACERDA E FHC: TUDO A VER... PLIM PLIM!
Por sua vez, a corrente política trabalhista dos gaúchos, também dos uruguaios e dos argentinos, enfim, foi derrotada em 1964, por intermédio de políticos e militares udenistas e golpistas umbilicalmente ligados à Guerra Fria, promovida e patrocinada no ocidente pelos Estados Unidos, e apoiada por parte da classe média despolitizada e conservadora e, logicamente, como não poderia deixar de ser, pela imprensa alienígena e pelos religiosos conservadores da Igreja Católica, além de banqueiros como o governador de Minas Gerais, Magalhães Pinto, que tiveram ainda a cumplicidade dos empresários da Fiesp, da Fierj e de outras federações empresariais menos importantes.

Não procede e não reflete a verdade histórica a interpretação de muitos historiadores, sociólogos, políticos e jornalistas que Getúlio Vargas, em 1945, teve de renunciar por causa da vitória da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na II Guerra Mundial, como, por exemplo, declarou, na época, o presidente do Senado, José Sarney. O político maranhense, de origem udenista da ala Bossa Nova, afirmou tais palavras ao "Jornal do Senado", em sua edição especial de 24 de agosto de 2004, em homenagem a Getúlio Vargas.

A verdade é a seguinte: em 1945, Getúlio Vargas teve de renunciar, pois o Palácio do Catete estava sitiado pelos militares (sempre eles). Agiu dessa forma para manter o regime democrático e com isso garantir a vitória do marechal Eurico Gaspar Dutra, seu ministro da Guerra, nas eleições constitucionais de 1946. Tanto é verdade que Getúlio foi eleito democraticamente, em 1950, fato este que recrudesceu o ódio feito de bílis da direita reacionária udenista-militar, que nunca teve voto e continuou a não tê-lo através da história. Nem mesmo as mudanças constantes de nomes, como, por exemplo, Arena, PDS, PFL e agora DEM, partido que está a se transformar em uma agremiação média para pequena, serviu para que os udenistas melhorassem suas imagens perante os eleitores. Mudar o nome da sigla não convence ninguém. A direita é o que é, porque seus propósitos são o que são, e todo mundo sabe disso, até um recém-nascido.

Com o ressurgimento do PSD (sigla partidária fundada por Getúlio) do ex-prefeito paulistano Gilberto Kassab, acarretou que muitos demoníacos (desculpem, foi um lapso!) do DEM pulassem do barco para não afundar com o partido direitista. Kassab percebeu que ser aliado de José Serra é dar abraço em afogado, e apoiar Geraldo Alckmin significa não ter acesso livre para concorrer a governador de São Paulo. Esperto o Kassab, não achas, caro leitor? Com isso, o DEM, que é o PFL e a UDN, vai seguir o seu destino: o fracasso retumbante e, quiçá, a extinção, palavra esta muito íntima de ex-senador e ex-governador de Santa Catarina e ex-"ideólogo" do DEM, Jorge Bornhausen. Quem sobrou para o DEM? O ACM Neto, atual prefeito de Salvador. Só que o neto do falecido coronel ACM não tem expressão nacional, mas mesmo assim o DEM, o pior partido do mundo, ergue as mãos aos céus por ter conquistado a capital dos baianos.

Voltemos ao Sarney. Udenista que também foi da Arena e do PDS, conhece a história do Brasil. Ele sabe que Getúlio Vargas foi vítima de um golpe. Vargas caiu porque sofreu um golpe "branco" e foi traído pelos coronéis e generais, inclusive pelo seu ministro da Guerra, general Zenóbio da Costa. Os generais, a maioria, dizia-se, até então, legalista, portanto, constitucionalista. Esses mesmos coronéis e generais, dez anos mais tarde (1964), ascendem ao poder, por meio de um golpe militar, com amplo apoio de forças estrangeiras, como a CIA e o Departamento de Estado, da IV Frota dos EUA, de civis brasileiros de oposição, aqueles com influência junto aos empresários que controlam os meios de produção e de comunicação, bem como o importantíssimo apoio logístico, geográfico e político de governadores poderosos como Magalhães Pinto de Minas Gerais, o intrépido, loquaz, agressivo, ambicioso sem limites pelo poder e multifacetado Carlos Lacerda do Rio de Janeiro, denominado pelos seus adversários de o Corvo, além do governador de São Paulo, Ademar de Barros, "o rouba, mas faz".

Para o bem da verdade é necessário que fique claro que Getúlio não foi derrubado porque era "ditador", e sim porque era nacionalista, contrariava interesses internacionais e elaborou leis e assinou resoluções que beneficiaram o trabalhador. A questão política (ser ditador ou não) sempre ficou em segundo plano, mas foi usada e manipulada, sistematicamente, como questão principal. A imprensa atacava violentamente Getúlio (a Tribuna da Imprensa, do golpista Carlos Lacerda, publicou, de forma cruel e infame, a seguinte manchete: "Somos um povo descente governado por um ladrão"). Os proprietários de jornais, rádios, televisões e revistas pertencem à classe do patronato e, igualmente, aos patrões de outros segmentos da economia, eram e ainda o são até hoje contra os avanços sociais efetivados pelos governantes trabalhistas. Eles sempre, quando podem, pedem a revisão das leis trabalhistas. Sempre.

Considerar Getúlio ditador realmente foi um subterfúgio para a burguesia brasileira combatê-lo e derrubá-lo. Tanto é verdade que depois a imprensa empresarial apoiou como cúmplice e de forma subserviente os militares a partir de 1964. Ou seja, a imprensa privada foi um dos principais alicerces da ditadura militar. Ao apoiarem o golpe de estado, os barões da imprensa e das mídias enriqueceram a tal ponto que hoje enfrentam governos e tentam pautá-los conforme seus interesses políticos, ideológicos, econômicos e financeiros. Ainda mais se determinado governante for trabalhista, a exemplo de Getúlio, Jango, Lula e agora a presidenta Dilma Rousseff.

A verdade é que a ditadura Vargas perto da dos militares de 1964 era coisa de amador. A imprensa da época, os ricos e parte da classe média derrubaram Getúlio porque seu governo estava a distribuir renda, além de inserir muitos milhares de brasileiros no mercado de trabalho e nas escolas públicas. Getúlio Vargas foi derrubado em 1945 e morto em 1954 porque era nacionalista e tinha um projeto de autodeterminação e de independência para o Brasil. Fato este que não interessa e nunca interessou aos EUA e à nossa burguesia herdeira do sistema de escravidão.

Os militares e civis que passaram a controlar o Brasil com mão de ferro em 1964 se alinharam aos interesses internacionais, a ter como base a Guerra Fria. Os Estados Unidos não permitiriam jamais que o Brasil, bem como a Argentina de Perón e o Uruguai se desenvolvessem sem sua aquiescência. Era uma questão geopolítica e colonialismo, sem sombra de dúvida, pois os estadunidenses passaram a ficar histéricos quando a União Soviética dividiu o mundo, simbolicamente, com o muro de Berlim.

O Brasil, então, passou a abrir as portas, com ênfase, às multinacionais. Os economistas, de pensamento monetarista,/liberal, como Eugênio Gudin, Roberto Campos e equipes direcionaram a economia do País para o que hoje é conhecido como neoliberalismo, sistema perverso alicerçado na globalização, que é o colonialismo maquiado, com nova estampa, a fim de atender às demandas da nova ordem mundial, que é a mesma ordem secular de sempre: manda quem pode (países ricos); obedece quem tem juízo (países pobres). Como ocorreu com a Líbia. Os países colonialistas, por meio da ONU, órgão de supremacia e defasado; superado e de espoliação internacional, calou-se e mais uma vez se tornou cúmplice da rapinagem e da pirataria que se pratica por meio da força nos países árabes, como exemplificam muito bem a Palestina, o Iraque e o Afeganistão, somente para ficar nesses.

Acontece que Getúlio Dornelles Vargas tinha juízo. Quem não tinha e continua a não tê-lo são os políticos de partidos (extintos ou não) como a União Democrática Nacional (UDN), o PL, a Aliança Renovadora Nacional (Arena), o Partido Democrático Social (PDS), o DEM (ex-PFL), o Partido Popular Brasileiro, atual Partido Popular (PP), além de outros partidos de centro e de direita como o PPS e o PSDB, aquela agremiação política que vendeu o País e por causa desse grave motivo perdeu as últimas três eleições para presidente da República. Lembro ainda que partidos que se dizem de esquerda, como o PPS e o PSOL foram cooptados pelo establishment, como o foi também o partido de Marina Silva, o Rede, que antes de ser legalizado no TSE já é uma metáfora de si mesmo.

Getúlio Vargas estava tão à frente de seu tempo que, em 1929, na campanha à Presidência da República, pela Aliança Liberal, ele propunha uma legislação que efetivasse as férias remuneradas e a regulamentação do trabalho do menor e da mulher, o que venhamos e convenhamos, deixou a "elite" econômica nacional inconformada, com raiva, ou melhor, com ódio. Getúlio Vargas foi o maquinista da revolução industrial brasileira, a transformar, desse modo, um País rural em urbano.

Criou a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), a Vale do Rio Doce e a Petrobras. O mundo hoje, com as guerras no Oriente Médio, na África e na Ásia árabe, está a enfrentar mais uma crise de petróleo, na verdade de vários tipos de energia, e o Brasil é autossuficiente e, portanto, não sente em demasia a alta nos preços do combustível fóssil. É verdade que o preço da gasolina, por exemplo, não é barato, mas, contudo, o Brasil, com a descoberta do Pré-Sal e com seu mercado interno cada vez mais forte, torna-se um País mais poderoso do que já é, e preparado para enfrentar crises, bem como ter o controle de suas diferentes fontes de energia.

Retornemos a Getúlio. Além disso, a construção da CSN permitiu que o Brasil liderasse o segmento do aço e assim se tornasse proprietário de seu destino, sem precisar exportar ferro bruto e depois comprar o mesmo ferro de países industrializados a preços altíssimos, em dólares, o que, sobremaneira, não agradou aos industriais norte-americanos do segmento do aço. Só que produzir aço é uma questão de segurança nacional e de independência para qualquer País, e Getúlio percebeu isso. Alguns grandes empresários sempre remam contra a maré e contrariam os interesses de seu próprio País.

Lula, quando presidente, pressionou o ex-manda-chuva da Vale do Rio Doce, Roger Agnelli, a agregar valor à produção da Companhia, ou seja, construir siderúrgica, fábricas que pudessem propiciar empregos no Brasil para os trabalhadores brasileiros. Lula demonstrou, em público, sua contrariedade. Agnelli pagou para ver. E viu; pois demitido. No governo Dilma ele teve de sair da presidência da Vale do Rio Doce. Como se vê, existem empresários, executivos atuais que agem como os empresários e executivos do passado. O tempo passa, mas a cabeça é a mesma. São tacanhos e medíocres, porque não pensam no País. Eles não têm compromisso. Não dá para deixar na mão de um executivo predador uma empresa do gigantismo da Vale do Rio Doce, identificada com o povo brasileiro, além de ser obra do estadista nacionalista Getúlio Vargas. E a imprensa e seus "especialistas" de prateleira têm a insensatez e a total falta de noção ao defender o injustificável e o indefensável, tudo para manter privilégios e atender os interesses do mercado internacional, mesmo se o preço for o prejuízo do Brasil e do seu povo competente, criativo e trabalhador.

Fernando Henrique Cardoso — o Neoliberal — quando se despediu do Senado em 1994, com o propósito de desmontar a Era Vargas, afirmou: "Um pedaço do nosso passado político ainda atravanca o presente e retarda o avanço da sociedade. Refiro-me ao legado da Era Vargas, ao seu modelo de desenvolvimento autárquico e ao seu Estado Intervencionista". FHC queria o quê? O País não tinha nada. Era rural. Getúlio remodelou o estado nacional e o organizou. Somente o estado teria e tem (como demonstrou na crise mundial de 2008) condições de fomentar e desenvolver a economia e, por conseguinte, permitir a melhoria da qualidade de vida da população, ainda mais naquela época de Vargas.

Nada mais natural aos tucanos do que as palavras de FHC, que depois de terminar seu mandato não deixou legado algum. O político neoliberal e entreguista deixou, certamente, um legado de miséria, de diminuição da renda do trabalhador, de desemprego, de venda das estatais, que FHC não construiu e não lutou para construí-las, de subserviência ao FMI (faliu o Brasil três vezes e pediu dinheiro de joelhos e com o pires na mão), de não efetivação séria da reforma agrária, de degradação do meio ambiente, de destruição das nossas estradas, ferrovias e portos, de racionamento de energia durante nove meses, que redundou no famoso apagão, e, como não poderia deixar de ser, de crescimento da violência.

O executor do neoliberalismo no Brasil, o tucano FHC, criticou o legado de Getúlio Vargas no Senado, em 1994, como se fosse uma senha. Ele sinalizou aos estadunidenses, credores históricos, que desmontaria o estado brasileiro, com as vendas das estatais e do fechamento de instituições e órgãos públicos e com isso permitir a diminuição do estado nacional. Estado menor mais dinheiro para pagar a dívida. Atitude que os estadunidenses, por não serem entreguistas, não fariam com o estado deles.

FHC, o Neoliberal, trabalhou bem para os ricos e manchou de vergonha todos os brasileiros que um dia acreditaram que a social-democracia fosse democratizar a vida nacional, a começar pela distribuição de renda e de riqueza. Afinal, foi isso que os sociais democratas europeus fizeram. Somente eleições não bastam. Tem de haver democracia na economia. Distribuição de renda, de terra, apoio à micro e média empresas, crescimento nos índices de emprego e, sobretudo, aplicação massiva de recursos para a educação. Foi isso que Getúlio e Lula fizeram. Cada uma com as realidades e as diferenças de suas épocas.

FHC (ele é professor) e seu governo entreguista não construíram uma escola de ponta, uma escola técnica. As universidades públicas foram quase desmanteladas e as faculdades particulares surgiram como sarampo em criança, a maioria delas somente de olho nas mensalidades pagas pelo aluno trabalhador, despossuído de dinheiro e de ensino de qualidade. Quanto a Lula, o que dizer?

Lula (e muitos sindicalistas da CUT, alguns deles, inclusive, foram eleitos deputados), antes de ser presidente e por desconhecimento, pensava de uma maneira bem parecida com a de FHC, no que tange ao trabalhismo e ao sindicalismo. Lula considerava a CLT como o AI-5 dos trabalhadores. Para o presidente petista, Getúlio Vargas era o pai dos pobres e a mãe dos ricos. Lula afirmava que o PT nasceu dos operários de macacão e por isso tem de escolher seu destino em vez de ficar à mercê do cajado de políticos que deveriam andar com os trabalhadores e não dizer o que eles têm que fazer.

Na Presidência da República, Lula, homem inteligente, dotado de uma clarividência política ímpar, percebeu que sua condição de político, sua realidade de vida e seu pensamento ideológico eram mais próximos dos trabalhistas gaúchos do que ele pensava. Ele não somente percebeu como começou a governar como tal, ou seja, com as características inconfundíveis de um mandatário trabalhista, tanto no Brasil como na Argentina ou no Uruguai.

Lula sempre quis os sindicatos desvinculados do estado. Os sindicatos foram criados na era Vargas. Lula tem forte influência nos sindicatos, pois a CUT é um conjunto imenso dessas importantes entidades. A verdade é que se não existissem os sindicatos, Lula não existiria como grande líder político que é hoje. Lula, portanto, é fruto do sindicalismo criado por Getúlio. Por mais que os sindicatos paulistas e confederações e federações de trabalhadores não tenham oficialmente vínculo com o estado, não há como desvincular Lula de Getúlio, porque ambos são (ressaltadas suas diferentes épocas e origens) umbilicalmente e historicamente ligados aos trabalhadores brasileiros.

Contudo, de uma coisa eu tenho certeza: não se consegue desmontar a história; e Getúlio Vargas vai ficar para sempre na memória do povo brasileiro. Antes de dar fim à Era Vargas (coisa que muitos tentaram, mas não conseguiram), todo dirigente político tem de procurar não imitar FHC — o neoliberal. Se tal mandatário pensa em realmente ficar na história que ele faça por onde. Não basta ser um presidente administrador dos interesses das classes privilegiadas e dos trustes nacionais e internacionais. Tem de ser estadista. E Lula se fez estadista igual a Getúlio. Ponto.

FHC falou demais e fez de menos. Lula aproveitou a crise mundial e parou de administrar somente a macroeconomia (exportações, bancos, grandes indústrias e serviços) e passou, inclusive antes da crise, a valorizar o mercado interno para fazer o País crescer, além de se preocupar com a criação de universidades, extensões e escolas técnicas. Dilma Rousseff vai agora implementar a construção de creches e melhorar o ensino público fundamental.

Todavia, quem quer pagar ensino que pague. O estado é o provedor maior, pois o estado é a própria população. Quando o estado não cuida de seu povo, ele não é democrático. Esse negócio de empresa privada, livre iniciativa é papo para boi dormir. Conversa mole para favorecer os ricos. A livre iniciativa mama nas tetas do estado há muito tempo, como ocorreu há pouco nos Estados Unidos e na Europa, por causa da crise de 2008, que derreteu o neoliberalismo, sistema de rapina e desregulamentado de propósito para privilegiar ainda mais a quem já era privilegiado.

A verdade é a seguinte: empresário empregador tem de ter apoio sempre e financiamento. Empresário especulador "tem que passar a ser competente para se estabelecer", como define o principal bordão empresarial, além de ser a regra número um do mercado, tão admirada inclusive pelos maus empresários. Getúlio Vargas é mais moderno que todos os presidentes brasileiros, juntamente com Lula. Acontece que até hoje a nossa elite econômica tem rancor do grande estadista, por ele ter colocado ordem no País, quando assumiu o poder em 1930 e depois derrotou a "revolução" Cartola Constitucionalista de 1932, que queria manter os privilégios de uma oligarquia que ainda sonhava com o tempo da escravidão (política do café com leite).

Inclusive, infelizmente, parte da elite acadêmica, universitária e de viés tucano, analisa Getúlio com uma ponta de desdém, que é a inveja dissimulada. Getúlio Vargas foi um fenômeno político. Quando ele assumiu o poder e passou a modernizar o estado e as relações trabalhistas a libertação dos escravos tinha acontecido há apenas 42 anos, depois de 350 anos de escravidão, a mais longa da história da humanidade. Acham isto pouco? Mas não é. É muito. A Era de Getúlio não foi devidamente dimensionada pela história e pelos historiadores, e vai levar tempo enquanto viverem neste País pessoas rancorosas, conservadoras e que lutam, incessantemente, pela manutenção do status quo das classes dominantes.

O estadista brasileiro, o "ditador" esclarecido Getúlio Dornelles Vargas reorganizou os partidos, fundou o PSD e o PTB, estabeleceu o voto feminino, o voto secreto, criou a Previdência Social, criou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), estatizou a geração de energia elétrica, criou a carteira de trabalho, criou a Fábrica Nacional de Motores (lembra-se do caminhão FNM?), criou a Rádio Nacional, criou o Museu Imperial de Petrópolis, a resguardar assim a memória do Século XIX, criou a Eletrobras, criou o Serviço Nacional da Indústria (Senai) e o Serviço Social da Indústria (Sesi), instituições essenciais para a formação de mão-de-obra especializada, pois Getúlio Vargas estava a iniciar a industrialização do País. Os empresários da Fiesp acham que foram eles que criaram o Sesi e o Senai. E os Marinho e os executivos das Organizações(?) Globo pensam que o "Criança Esperança" é programa de governo. Seria cômico se não fosse trágico. Realmente... Sem comentários.

Criou ainda o presidente gaúcho e trabalhista o Departamento Administrativo do Serviço Público (Dasp), responsável pelo treinamento e profissionalização da carreira dos funcionários públicos, criou a "Voz do Brasil", para divulgar as ações do governo, além de limitar a remessa de lucros de empresas estrangeiras para o exterior. Somente este último item me leva a imaginar o que Vargas deve ter arrumado de inimigos, tanto estrangeiros quanto nacionais. O político trabalhista era, sobretudo, um homem corajoso. Getúlio Dornelles Vargas fez essa obra gigantesca em 19 anos. Os outros presidentes, juntos, com exceção do também estadista e trabalhista Lula, não fizeram nem a terça parte do que fez o Getúlio. É isso aí.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Cuba, o embargo injustificado, o papel do Brasil e dos EUA

 Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre

         
     O bloqueio econômico, financeiro e comercial a Cuba, imposto pelos Estados Unidos em 1962, no governo do democrata John F. Kennedy, é um dos bloqueios mais longos que se tem notícia no mundo contemporâneo, além de ser considerado cruel pelos organismos internacionais, a exemplo da Assembléia Geral da ONU, que aprovou, em 13 de novembro de 2012, a 21ª resolução de condenação ao embargo econômico a Cuba. Apenas os Estados Unidos, Israel e Palau ficaram a favor do embargo.  No dia 7 de fevereiro deste ano, o bloqueio completou 51 anos, ou seja, mais de meio século, e foi transformado em lei em 1992 e 1995. O ex-presidente dos EUA, Bill Clinton, também democrata, ampliou o embargo comercial ao pequeno país caribenho em 1999, o que acarretou a proibição de filiais estrangeiras de empresas do país yankee de comercializar com Cuba valores que ultrapassem a US$ 700 milhões, o que é um absurdo e uma gota no oceano em termos de comércio exterior.
       
       A Assembleia das Nações Unidas rejeita, reiteradamente, a política isolacionista promovida pelo governo estadunidense e o seu Departamento de Estado contra Cuba. Tal Departamento, cuja doutrina de política externa é o porrete, transformou-se em alvo de críticas internas contundentes por parte de entidades estadunidenses, contrárias ao bloqueio, ao argumentarem que não existem normas no direito internacional que justifiquem um embargo tão radical em tempo de paz, de globalização, além do fim da Guerra Fria, que ocorreu, simbolicamente, com a queda do Muro de Berlim, em 1989.

       Cuba enfrenta mais de cinco décadas de guerra econômica. Para se ter uma ideia do que é isto, ao longo de 51 anos a ilha cubana teve prejuízos que chegam a mais de US$ 1 trilhão, valor este elevado para um país tão pequeno. É algo incompreensível, com o fim da Guerra Fria, os Estados Unidos ainda não mudarem sua política externa para com cubanos. E sabem por que essa realidade acontece? Respondo: Cuba atual não é importante economicamente, mas o é politicamente e ideologicamente, com forte conotação simbólica, que remonta a guerrilha de Fidel Castro e Che Guevara, ícones internacionais e que até hoje povoam o imaginário de diversas gerações — as mais jovens e as mais antigas. Combater e sufocar Cuba é essencial para os grandes capitalistas e seus governos, porque acreditam que dessa forma "matam" o sonho do socialismo.

       As contradições da política estadunidense no que tange a Cuba são questionadas pela comunidade internacional. Lembro que, ao tempo em que Cuba é boicotada por um tempo de 51 anos, os Estados Unidos se constituíram nos principais parceiros comerciais da China comunista, além de retomarem o diálogo com a Coreia do Norte e o Vietnã, seus arqui-inimigos do passado e do presente, com o propósito de criarem uma nova fronteira de negócios com os países que, juntamente com o Laos e o Camboja, formam a Indochina. No momento, a Coreia do Norte realiza experimentos atômicos, mas o diálogo com os EUA e a Coreia do Sul prosseguem. Somente indivíduos ingênuos ou jornalistas a serviço da mídia imperialista e de direita brasileira acreditariam que os EUA, no momento, abririam mão de negociações e optariam por uma invasão militar.

          É necessário salientar e relembrar também que representantes da Coreia do Norte e dos Estados Unidos se reuniram no ano passado em Genebra, na Suíça, com a intenção de desbloquearem as conversações sobre o desarmamento nuclear dos coreanos, considerados à revelia pelos yankees como um dos países formadores do “eixo do mal”, juntamente com o Irã e o invadido Iraque, que desde 2003 está ocupado pelas forças militares dos EUA, que têm interesses geopolíticos na região, além de controlarem o petróleo e uma nação como a do Iraque cujo povo tem cinco mil anos de história, pois eles são a própria Mesopotâmia.

       Se a questão fundamental fosse ideológica, os estadunidenses não negociariam com a China, que é comunista como Cuba e muitas vezes contrária, por exemplo, aos interesses dos estadunidenses no Conselho de Segurança da ONU. Negócios são apenas negócios. Ou como gostam os nossos complexados e colonizados tupiniquins: business to business (B2B). Os Estados Unidos, mesmo na Guerra Fria e em alta escala, sempre negociaram com a extinta União Soviética, e nem por isso o mundo acabou. O bloqueio comercial a Cuba não tem mais sentido, tanto é verdade que muitos países, inclusive o Brasil, negociam comercialmente com o país caribenho e pedem o fim do embargo nos fóruns internacionais.
 
       Além disso, considero o Brasil, que tem uma das diplomacias mais avançadas do mundo, um grande mediador. Com o fortalecimento do Mercosul com a entrada definitiva da Venezuela e o reconhecimento por parte dos grandes países ocidentais de que o Brasil é o principal País da América Latina, o Governo Federal, por meio do Ministério das Relações Exteriores, deveria se empenhar de forma mais assertiva junto à OEA, à ONU, aos blocos econômicos como a Comunidade Europeia para que os Estados Unidos façam uma revisão de suas políticas públicas e diplomáticas em relação a Cuba, país independente e autônomo, que se recusa a ser tutelado por quem quer que seja, como bem demonstra a história cubana desde 1959, quando os revolucionários, à frente do movimento de libertação Fidel Castro e Che Guevara, assumiram o poder político e militar na ilha caribenha.

       Considero fundamental que o Governo Federal recrudesça e procure efetivar a inserção de Cuba no mercado econômico e financeiro internacional, por intermédio de negociações do Itamaraty na OEA, na ONU, na OMC, no Mercosul e nos bancos internacionais, como o Banco Mundial (Bird), o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Cuba tem de ser integrada urgentemente, bem como a Palestina à comunidade internacional, e com celeridade. Nenhum país deve ser tratado como se fosse de segunda categoria, porque povo algum é de segunda categoria. A humanidade pode até diferir na cor da pele e na textura dos cabelos, mas ela é uma só, única e indivisível, porque vivemos em um planeta do qual somos filhos, e, quando da nossa morte, voltamos para o útero dele em forma de pó. Existem, sim, países poderosos, com força econômica e bélica incomensurável e que se aproveitam de sua posição para impor sanções e bloqueios, além de, se puderem, promover invasões militares.


      Contudo, faço uma ressalva: essas organizações financeiras têm de, urgentemente, reformular seus programas de financiamento, voltando-se mais para o desenvolvimento social dos países subdesenvolvidos e endividados e deixar em segundo plano as estratégias que visam apenas o lucro, fato este que ocorreu durante décadas com o Brasil, e agora, quando a Europa e os EUA estão em crise, seus povos se recusam a apertar seus cintos e protestam nas ruas contra a falta de emprego, de renda e de esperança proporcionados pela crise de 2008, que até hoje perdura e que tende a piorar, segundo os ministros de Fazenda da zona do euro e os analistas vinculados ao mercado financeiro e ao comércio e à indústria.

        A verdade é que o ex-presidente Lula tem razão. Ele criticou o FMI em evento nos EUA realizado em 2011 quando recebeu prêmio de reconhecimento pelo seu governo ter combatido a fome e a miséria e inserido milhares de famílias brasileiras no mercado de consumo. O político trabalhista disse o seguinte: “O FMI tinha solução para tudo quando a crise era na Bolívia, no Brasil, no México. Quando a crise chega aos países ricos o FMI se cala, entrou num silêncio profundo. O BID, então, não fala mais nada” — criticou Lula, alto e em bom som para quem quisesse ouvir, inclusive os neoliberais brasileiros e a imprensa comercial e privada que insistem em defender o indefensável, a justificar o injustificável e a dissimular o fracasso retumbante de governantes atrelados ao Consenso de Washington de 1989 e vazios de sensibilidade social, como o tucano e ex-presidente neoliberal Fernando Henrique Cardoso, que foi três vezes ao FMI, de joelhos e com o pires na mão, o que fez milhões de cidadãos brasileiros se sentirem humilhados.

       Lula afirmou ainda que os países desenvolvidos deveriam seguir os passos do Brasil, tê-lo como exemplo quando se trata de combater a crise mundial. Para ele, os mais pobres são os que têm de ter prioridade, porque não há nada mais barato do que cuidar deles, pois duro e difícil é cuidar dos ricos. Para o ex-mandatário trabalhista, distribuir renda é a solução para que as pessoas pobres possam consumir e, consequentemente, fazer a economia girar, o que propiciará a criação de empregos e renda para os mais ricos, que poderão dessa forma contratar um número maior de trabalhadores e com isso aumentar a força de trabalho e a riqueza dos países, das sociedades.É o chamado ciclo virtuoso da economia.

       Por sua vez, a presidenta Dilma Rousseff disse quando esteve na Turquia que “Desejamos à Europa uma saída rápida da crise por meio da busca por maior estabilidade macroeconômica, mas também e, sobretudo, assegurando a retomada do crescimento, da proteção ao emprego e dos segmentos mais vulneráveis das diferentes populações”. A resumir: Lula e Dilma pensam de maneira igual, pois são executores do mesmo programa de governo e projeto de País. Eles são políticos trabalhistas, nacionalistas e acreditam no Brasil e em sua maior riqueza que é o seu povo. Lula e Dilma seguem, fundamentalmente, os princípios da escola política e econômica estruturalista, progressista, cuja origem remonta a Getúlio Vargas e passa pelo grande pensador e economista Celso Furtado.

      Os neoliberais nunca compreenderam isso, não porque são ignorantes ou de parcos conhecimentos sobre as questões e as realidades brasileiras, como se define pessoas relativamente “espertas” de forma educada. Governaram para poucos porque usaram de má-fé. E assim foi feito para, propositalmente, cuidarem dos ricos e governarem para 30% da população do País, como fez FHC — o Neoliberal — em seus dois governos, controlados pelo PSDB e com o apoio de partidos como DEM, o pior partido do mundo, pois tataraneto que é da UDN. Quanto ao PPS do desmoralizado Roberto Freire, considero-o apenas um partido de aluguel e que se esqueceu de sua memória. Lamentável.

        Voltemos a Cuba. A crise internacional é questionada fortemente por instituições nacionais de diversos países, bem como por ONGs e outros movimentos sociais que criticam, de forma ácida e até mesmo violenta, a atuação dos organismos financeiros internacionais perante aqueles que deles dependem ou que devem a eles. Se países inseridos em um contexto mais favorável têm enfrentado graves problemas no que concerne à inserção no mercado internacional, o que diríamos de Cuba que há mais de cinco décadas enfrenta um bloqueio econômico dos mais desumanos e cruéis que se tem notícia no mundo contemporâneo? Por isso, como cidadão e jornalista sou favorável ao fim do bloqueio imposto pelos Estados Unidos a Cuba.

    A Guerra Fria, repito, acabou. O mundo se tornou globalizado. Globalização, como o nome indica, significa interação entre os países, que passaram a se comunicar e a realizar negócios em uma frequência e grandeza nunca vistas antes pela humanidade. É surreal, em tempos de globalização, Cuba ficar à margem do processo de integração mundial por questões muito mais ideologicamente e politicamente mesquinhas do que econômicas. Os Estados Unidos veem Cuba como um problema pessoal. Dá a impressão que os sucessivos governos estadunidenses teriam perdido um estado de sua federação, à força, o que não retrata a realidade. Os cubanos seguiram seus destinos de povo livre e independente e que tem o direito de fazer parte da comunidade internacional tal qual a qualquer outro povo que tem representação na ONU e em outros fóruns internacionais. Cuba não é o Havaí e nem Porto Rico, que merecem, sem sombra de dúvida, todo meu respeito e consideração.

     Cuba é soberana. E o Brasil, como um País tradicionalmente moderado, diplomaticamente competente, de vocação mediadora, deve sentar à mesa de negociações, com o propósito de inserir e incluir Cuba no contexto internacional. A Carta da ONU considera direito inalienável de todo povo e de toda nação serem livres, bem como participar dos processos de interação e integração entre os povos. O bloqueio econômico ao país do Caribe não condiz com as realidades das Américas e muito menos com a democracia, tão defendida pelos Estados Unidos ao tempo que por eles negada ao povo cubano, bem como a muitos outros povos. O bloqueio a Cuba é ideológico, geopolítico, insensato, cruel e injustificado.

     Será que a blogueira de direita, a cubana Yaoni Sánchez, contratada para o cargo de diretora da ultraconservadora Associação Interamericana de Imprensa (SIP), sabe dessas realidades relativas a Cuba? Com certeza, sim. E daí? O que importa a tipo de gente como a pseuda jornalista é atender aos interesses do governo estadunidense, bem como o do establishment. As questões cubanas são muito maiores e mais complexas do que as palavras encomendadas e direcionadas de Yaoni, que, visivelmente, esta atrelada aos patrões do sistema midiático privado e hegemônico das três Américas. A independência e a autodeterminação cubana, igualmente à brasileira e a de todos os povos da América Latina e do Caribe, não são negociáveis. Cuba é independente. É isso aí.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Marina Silva: tucana de bico verde cai na Rede



Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre

Marina disse: "Nem oposição e nem situação; nem esquerda e nem direita".  Genial, não?

Marina Silva reapareceu neste sábado, em Brasília, no lançamento oficial de seu partido batizado por ela e seus adeptos de Rede Sustentabilidade ou, simplesmente, Rede. Marina e seus partidários quiseram aparecer com pompa, mas os presentes a tal evento não passavam de mil pessoas, bem como os discursos foram simplórios e sem quaisquer novas propostas no que diz respeito, por exemplo, às questões ideológicas.

Marina Silva é igual aos tucanos: bico muito grande e voo curto.
A verdade é que a agremiação Rede é anã, como o é o PSOL, que, inegavelmente, até hoje não diz para o que veio, além de ter se aproximado, e muito, de partidos à direita do espectro ideológico e por causa disso se transformar em aliado dos tucanos, como bem demonstraram as últimas eleições municipais realizadas em outubro de 2012.

O que se ouviu foi um blá-blá-blá tão típico e característico da ex-senadora Marina Silva, com palavras desconcatenadas e um pseudointelectualismo que somente parte presunçosa da classe média, empresários que se consideram bisonhamente de “vanguarda” e políticos de cabeças obtusas consegue admirar.

O palavreado de Marina cansa não somente por ser enfadonho ou chato. Acima de tudo seu discurso é “xarope” porque, na realidade, não diz nada, coisa com coisa, pois Marina é vazia de ideias ao tempo que ambiciosa pelo poder e rancorosa por não ter sido indicada pelo ex-presidente Lula para ser a candidata do PT à Presidência da República.

Marina Silva precisa de 500 mil assinaturas para requerer o registro do partido junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e, consequentemente, concorrer às eleições de 2014. Porém, o registro precisa ser feito até outubro deste ano. O Rede (?) de Marina não tem propostas substanciais, tal qual ao PSDB, que, despido de programa de Governo e projeto de País, alia-se à imprensa de negócios privados para fazer oposição aos governos trabalhistas de Lula e de Dilma.

Contudo, todo mundo sabe — até os recém-nascidos e os mortos mais antigos — que Marina Silva se exibiu sem propostas na Rio+20, além de fazer o jogo das ONGs estrangeiras alinhadas à agricultura europeia e estadunidense para que a poderosa agricultura nacional não domine mercados específicos deste setor em âmbito internacional.

Todos nós sabemos que Marina Silva compôs com os tucanos e os seus apêndices PPS e DEM para derrotar a Dilma nas eleições de 2010. Todo mundo sabe que a ex-candidata verde, por conveniência, traiu o presidente trabalhista, Lula, depois de ser ministra do Meio Ambiente por seis anos, e, mesmo assim, obter péssimos resultados em comparação com o seu sucessor, Carlos Minc.

Minc, em quase dois anos, ou seja, em um tempo muito menor à frente do MMA obteve resultados, no que tange à preservação do meio ambiente — combate às queimadas, aos madeireiros, aos caçadores e multas pesadas aos fazendeiros que não tinham autorização para desmatar, e, criminosamente, poluir ou assorear rios, lagos, córregos e nascentes — muito melhores do que os de Marina Silva, que insiste em uma retórica sem fim, cansativa, enfadonha e nenhuma praticidade como comprovou quando foi ministra.

Todo mundo sabe que a Marina Silva não passa de uma quinta coluna que atrai verdes do mercado de capitais e uma classe média ressentida e envergonhada de votar na direita, que entorta o nariz, porém, mais despolitizada (muito mais) que a maioria das pessoas moradoras de comunidades carentes do Rio de Janeiro que eu conheço.

E todo mundo sabe que os 20 milhões de votos que a Marina teve (60%) não são dela, mas sim dos eleitores conservadores, que, evidentemente, não iriam votar em Dilma. Eles pensaram que a Marina fosse superar o Serra ou ajudá-lo a ir para o segundo turno, o que aconteceu. Mesmo assim os dois candidatos de oposição acabaram com os burros n’água, pois derrotados pela realidade das conquistas econômicas e sociais efetivadas pelo governante trabalhista do PT.

Não satisfeita com sua dissidência de conveniência, Marina Silva, aquela que fala muito e não diz nada, após as eleições presidenciais passadas ensaiou anunciar seu ingresso no PPS, o partido do ex-comunista Roberto Freire, político incoerente e traidor de suas próprias convicções, que teve de se mudar para São Paulo, porque em Pernambuco ele não é eleito nem para síndico, porque está mais sujo que pau de galinheiro.

O PPS, tal qual o PV da Marina Silva candidata a presidente, é um partido de aluguel e um apêndice dos tucanos, que, quando perderem as eleições para governador de São Paulo, vão sumir do mapa e nem a ajuda e a cumplicidade da imprensa golpista, comercial e privada (privada nos dois sentidos, tá?) não vai mais adiantar.

Marina Silva é o que é; porque sua ideologia e seus propósitos são o que são: oportunismo político, inveja da Dilma, traição a Lula e ao PT, ou seja, rancor, muito rancor e ressentimentos congelados no freezer, tal qual ao senador Cristovão Buarque (PDT/DF), que, demitido por Lula do Ministério da Educação, saiu do PT e foi fazer oposição ao lado dos tucanos derrotados pelas urnas e pelo povo brasileiro, que sabe que gente neoliberal suga o sangue do direito à cidadania e vende o patrimônio do Brasil.

Marina Silva tem um problema muito sério e grave: o povo do Acre (seu colégio eleitoral) não vota nela. Nas eleições de 2010, ela ficou atrás do Serra e da Dilma. O povo do Acre sabe quem ela é e por isso não a “compra” e nem a “vende”. Somente os burguesinhos verdes de etiqueta e butique e os reacionários de direita também “verdes” ou de outras cores, por oportunismo, votam nela.

Agora a Marina e seu grupo se preparam para concretizar o Rede Sustentabilidade, e acham que vão se dar bem ou ser o centro das atenções. Ledo engano. Quem vai chamar a atenção este ano vai ser o desenvolvimento sustentável do Brasil, porque o governo trabalhista da presidenta Dilma Rousseff tem propostas, metas e, o mais importante, resultados para apresentar à Nação brasileira quando começar o horário eleitoral na televisão e no rádio. E Marina sabe disso. Seu partido sabe disso, e a velha imprensa alienígena e por isso cúmplice dos interesses internacionais também.

O sistema midiático neoliberal e de direita vai manipular e criticar açodadamente o governo, pois é de oposição. Contudo, não vai adiantar, porque fatos são fatos; realidades são realidades; e números e estatísticas são números e estatísticas. Não vai dar para mentir e dissimular indefinidamente, para sempre...

Os verdes e principalmente os neoverdes não têm compromisso com o povo brasileiro, com algumas exceções. Lógico. Eles têm compromissos com os jabás das ONGs estrangeiras e brasileiras, que se dizem verdes e lutam para que o Brasil não se torne a maior potência agroindustrial do planeta, apesar de já estar entre as três maiores, porque nós temos terra, água e sol, a base para que uma nação se torne independente e autossuficiente no que diz respeito à agricultura e à pecuária, bem como no que é relativo a outros segmentos do setor primário.

A senhora quinta coluna, Marina Silva, combateu Belo Monte e tenta atrasar o desenvolvimento da superagricultura brasileira, de forma que ela não se torne hegemônica no mundo. Mas vai ser, porque nós temos o que os outros países não têm. Volto a repetir: sol, água e chuva todo ano, além de terras imensas, agricultáveis e apropriadas ao plantio. Ainda temos a nossa Nasa, que é a Embrapa, empresa estatal de ponta, de alto rendimento, que deixa muita gente da oposição e da imprensa entreguista e subserviente com ódio ao tempo que frustradas e inconformadas.

Sorry, periferia. Marina Silva é uma tucana de bico verde como o é também o Cristóvão Buarque, que deveria sair do PDT, partido aliado do governo trabalhista em âmbito federal. Marina tem de ter o cuidado de não cair na Rede e sem base de sustentação e abraçada por megaempresários, a exemplo da banqueira do Itaú. Agora, a pergunta que teima em não calar: a quem representa, de fato, a senhora Marina Silva? É isso aí.



quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Quem cassa deputado é a Câmara e não o STF e a imprensa

Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre


A direita é insensata e perversa, além de egoísta e violenta. Todo mundo sabe disso, até um menino matriculado em uma creche. Contudo, apesar de também ser manipuladora e dissimulada, ela não é burra. E nunca o será. Dou um exemplo: o presidente recém-eleito da Câmara quando supostamente disse que o responsável pela cassação de mandatos era o Legislativo, a imprensa de negócios privados caiu de pau, e sua figura foi repercutida como se fosse o filho de inferno, que ousa peitar o STF conservador, que faz oposição aos governos trabalhistas e se alia a direita partidária fracassada, pois foi derrotada em três eleições pelo PT e seus aliados, bem como poderá ser derrotada pela quarta vez em 2014.

        Após visitar o juiz condestável e presidente do STF, Joaquim Barbosa, e deixar claro a ele que a Câmara não quer entrar em conflito com o Supremo dominado por juízes direitistas, o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) instantaneamente se tornou um herói ou, quiçá, uma pessoa simpática para imprensa, a mesma que em 1969 atacou seu pai, Aluísio Alves, e apoiou sua cassação por intermédio do AI 5 da ditadura militar, sem que, no entanto, provas contundentes sobre corrupção nunca foram, de fato, comprovadas. Aluísio Alves respondeu a processo até 1973, quando, enfim, as acusações foram arquivadas.
  
        Para quem não sabe, a imprensa de mercado tem duas características fundamentais: o oportunismo e a contradição. Tal segmento econômico não se preocupa com sua credibilidade, porque, na verdade, nunca a teve, pois o que importa para ele é concretizar seus negócios e derrotar politicamente aqueles que são considerados seus inimigos ideológicos e de classe social, porque os donos da imprensa comercial e privada respiram ideologia e intolerância, porque vivem ainda em um mundo bipolar, alicerçado na Guerra Fria, que, simbolicamente, em 1989, acabou com a derrubada do Muro de Berlim. É o que esses patrões “espertos’’, por meio de seus capachos ferozes e ressentidos com a ascensão de 30 milhões de brasileiros que ingressaram na classe média e 1,3 milhão que ingressou nas universidades públicas até então um clube restrito para os branquinhos bem nascidos da riqueza e da classe média considerada tradicional e, por causa disso, reacionária e preconceituosa dos pés até a cabeça.

        Como se percebe, o oportunismo é considerar, agora, Henrique Alves ótima pessoa e um político realmente sensato e que quer o bem do Brasil, o Brasil deles e para eles, lógico. Lembro, ainda, que a imprensa considerava o presidente condestável do STF, Joaquim Barbosa, um diabo de capa porque ele discutia asperamente com o senhor juiz de direita e partidário da oposição, Gilmar Mendes. Após o processo político e midiático do “mentirão’’, Joaquim Barbosa virou, de repente, o “maior brasileiro de todos os tempos’’, o que sedimenta ainda mais a minha convicção de que a imprensa alienígena é como um tigre de circo supostamente adestrado, que obedece aos comandos do domador, mas a intenção verdadeira é morder seu pescoço. E a contradição são os exemplos de Henrique Alves e principalmente Joaquim Barbosa, que era, realmente, odiado pela imprensa, aliada desde sempre do juiz Gilmar Mendes.

        Não creio que o deputado Henrique Alves permitirá que a Câmara dos Deputados, constitucionalmente a Casa do Povo, fique à mercê dos ditames e das vontades de juízes a exemplo de Gilmar Mendes, Marco Aurélio de Mello e Luiz Fux, somente para ficar nesses. Seria uma temeridade, ainda mais que esses senhores de capas pretas trabalham em harmonia com o oposicionista conservador Roberto Gurgel, que vem a ser o procurador-geral da República, que senta em cima de processos referentes à direita partidária, e, de forma antagônica, sempre abre a boca ou ameaça personagens que não confortam seu espírito ideológico.

O STF, a PGR, o Partido da Imprensa e o PSDB e seus aliados, DEM e PPS, compõem a direita brasileira e como tal combatem os governantes trabalhistas e suas bases políticas e sociais, por intermédio da judicialização do processo político, da criminalização de figuras proeminentes do PT e da tentativa de paralisar no STF as ações e atos do Governo, que visam desenvolver o programa e projetos de governantes trabalhistas que venceram as eleições e, consequentemente, têm autoridade para governar e concretizar suas propostas apresentadas ao povo nas campanhas eleitorais. A verdade é uma só: a imprensa comercial e privada é a oposição no Brasil, e os oligarcas que a controlam em forma de cartel não têm compromisso com o Brasil.

Agora, a pergunta que não quer calar: Quem tem autoridade constitucional para cassar parlamentares? A resposta que também não quer calar: Artigo 55 – VI – inciso 2º da Constituição: Quem cassa é o Parlamento. “… a perda do mandato será decidida pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado Federal, POR VOTO SECRETO E MAIORIA ABSOLUTA, mediante provocação da respectiva Mesa’’...

Então, qual é a dúvida da direita midiática e partidária, de alguns juízes do STF e do procurador-geral? Enfim, qual é a dúvida da oposição? Resposta: Não há dúvida. O que há é a luta política em forma de golpe, dissimulada e manipulada pela imprensa para tentar enganar setores importantes da população, principalmente a classe média. Quem cassa deputado e senador é o Congresso. Assim determina a Constituição e o estado democrático de direito. É isso aí. 

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Imprensa desqualifica o Congresso para engessar o desenvolvimento do Brasil e imobilizar o Governo

Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre

Todo mundo sabe, até um recém-nascido, que a imprensa de negócios privados e ideologicamente de direita combate o desenvolvimento do povo brasileiro, porque não quer a sua emancipação e, consequentemente, sua autonomia, bem como a autodeterminação do Brasil e de qualquer país cujo governante questione a ordem estabelecida pelos grandes trustes internacionais.



Isto acontece porque no Brasil, ao contrário do que acontece nos países considerados desenvolvidos e em países a exemplo de Argentina, Venezuela e Equador, o monopólio no setor econômico de comunicação dominado pela oligarquia midiática composta por apenas seis famílias, que tratam o povo brasileiro como inapto e incompetente, além de considerarem o Brasil de 200 milhões de habitantes e dono de um PIB que ultrapassa os R$ 4 trilhões como se fosse o quintal da casa delas.

As estratégias calculistas dos órgãos de comunicação comerciais e privados de desvalorizar e desqualificar os políticos e as instituições nacionais são sistematicamente e incansavelmente difundidas e repercutidas junto à população. O propósito desse processo perverso é o de subverter a ordem institucional e enfraquecer o papel do cidadão eleito pelo povo e nomeado para exercer a autoridade que lhe é conferida e por isso constitucional. A imprensa burguesa quer intervir nas instituições republicanas e, por conseguinte, pautar a vida política e jurídica do País e dessa forma ter seus interesses políticos e ideológicos atendidos, bem como seus negócios financeiros concretizados.

Sei que muita gente não concorda comigo por questões meramente ideológicas e até mesmo pessoais quando sou ofendido por leitores que criticam até mesmo meu aspecto físico, o que é uma bobagem e insensatez, porque o que está a ser discutido é o que queremos para o Brasil e o que não queremos. Contudo, volto a dizer: a imprensa de negócios privados e cartelizada não tem e nunca terá compromisso com o Brasil, porque se trata de um setor alienígena, ou seja, sem pátria e mancomunado com o establishment, que no decorrer dos séculos efetivou um processo de desconstrução das identidades nacionais, baixou a estima dos povos menos desenvolvidos, financiou a repressão aos movimentos de libertação e até mesmo reivindicatórios, além de quando necessário invadir militarmente os países cujos governantes não compartilharam de sua cartilha, geralmente de conteúdo econômico e ideológico.

E a imprensa oligopolizada, de forma recorrente e por isso inquestionável, sempre serviu como porta-voz das classes dominantes e dos grupos capitalistas hegemônicos, que financiam e definem as receitas econômicas de espoliação impostas pelo FMI e o Bird, e, indubitavelmente, se necessário, a guerra. Simplesmente a guerra, modus operandi de países como a Inglaterra, os EUA e a França, que, em vez de respeitarem as leis internacionais, preferem jogar na sarjeta o respeito ao diálogo e às decisões da ONU e optar pela diplomacia do porrete, a fim de rapidamente terem seus interesses geopolíticos e econômicos inapelavelmente concretizados.

Esses fatos e realidades acontecem também em âmbito doméstico — nacional. E foi exatamente dessa forma que a imprensa alienígena deste País se conduziu. Os barões dessa mídia historicamente golpista tentaram desqualificar e judicializar o processo eleitoral do Congresso Nacional, a dar sempre uma conotação de ilegalidade, a fazer ilações maldosas e corrosivas aos candidatos às presidências do Senado e da Câmara.


Chegou-se a um ponto de incongruência e desfaçatez dessa péssima imprensa que eu pensei que o senador Renan Calheiros e o deputado Henrique Alves em vez de assumirem seus respectivos cargos, pois eleitos pela grande maioria de seus pares, fossem imediatamente para a prisão, já que a os barões da imprensa e seus sabujos que ficam a falar por eles e pelos cotovelos eram contrários às candidaturas dos dois políticos integrantes do PMDB e por causa disso aliados do Governo e do PT em termos nacionais.


A imprensa das seis famílias formadoras de cartel e que combatem a autodeterminação do Brasil e a democratização dos meios de comunicação por intermédio da efetivação de um marco regulatório para as mídias faz oposição ao Governo Federal no lugar dos partidos políticos oposicionistas como, por exemplo, o PSDB — o partido que vendeu o Brasil e ninguém foi preso. Os barões da imprensa, para quem não sabe, apoiaram e foram cúmplices da ditadura mais cruel e longa que aconteceu neste País: a ditadura militar (1964-1985) e hoje posam de democratas e paladinos da liberdade de expressão e de imprensa. Seria cômico se não fosse trágico.

A verdade é que esses grupos lutam pela preservação da liberdade de expressão e de imprimir deles, o que não tem nada a ver com a democracia e com o estado democrático de direito. E tem mais: sem dar direito de resposta e sem se preocupar com o contraditório, ou seja, ouvir os lados envolvidos em qualquer causa, acontecimento ou incidente. Essa gente gosta de bater, mas não quer ser criticada e questionada. Derrotamos a ditadura militar e vivenciamos a ditadura da imprensa.

Os barões midiáticos e seus bate-paus podem enganar setores da sociedade brasileira por algum tempo e até mesmo por um longo tempo, mas não podem enganar e distorcer a realidade para sempre. A imprensa privada desqualifica as eleições do Congresso para engessar as ações de desenvolvimento para o Brasil e o seu povo, além de ter por objetivo maior imobilizar o Governo. É isso aí.